Luiz Ferreira da Silva, 82

Engenheiro Agrônomo e Escritor

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Recursos naturais não querem dizer nada. Mais importante são os Recursos humanos. Apenas 3 exemplos para aclarar esta questão:

Ø. O Japão não tem uma grama de ferro, mas nos vende milhares de produtos que tem o aço de Carajás.

Ø. A Suíça nunca plantou um pé de cacau e nos vende chocolates de primeira linha gastronômica.

Ø. Gramado não tem as praias de Maceió e fatura duas vezes mais em turismo com apenas 35 mil habitantes. A Capital alagoana tem 1 milhão.

O nosso Brasil dos diversos biomas, do ferro, das praias, das bacias hidrográficas, das florestas exuberantes, das frutas tropicais. Recursos abençoados por Deus.

Talvez por termos tanto e tudo, diferentemente dos países do hemisfério Norte, somos acomodados, enquanto eles se superam, a exemplo da Holanda, que teve que aterrar o mar e Israel que tira água do chão árido e desenvolve uma agricultura de alta tecnologia.

Paradoxalmente – ou não? – os países que se ufanam de possuir a floresta Amazônica, como o Brasil, Peru, Venezuela e Equador, continuam pobres, diferentemente daqueles que se desenvolveram em outros ecossistemas.

Isso vem demostrar que cabeças pensantes, trabalho e cidadania, é que dão o tom da riqueza de um povo.

Um magnífico exemplo, a Coreia do Sul, que recentemente entrou no Clube dos países desenvolvidos, ao investir maciçamente em seus Recursos Humanos.

E o Brasil? Nem sabe o que fazer com sua floresta úmida tropical! Suas reservas carecem de estrutura de pesquisa e inexiste um zoneamento econômico-ecológico que indique as áreas para fins de uso agropecuário e de conservação das matas ciliares, cenários ecológicos e sítios fitogeográficos, de modo a orientar a exploração racional do ecossistema sem depredar o meio ambiente.

Adicionalmente, um bando de ONGs sem tirocínio e as Organizações púbicas batendo cabeça e desprovidas de recursos humanos, financeiros e de infraestrutura operacional, incapazes ante à magnitude do Brasil Amazônico, 2/3 do seu território.

Presentemente, a Amazônia rende uma discussão que ultrapassa os umbrais do país, eivada de mitos ecológicos, descambando pela crença da perda da nossa soberania.

Enquanto isso acontece, esquecemos das nossas fronteiras desprotegidas, pelas quais agem os traficantes de drogas e os contrabandistas, sobretudo de armas. Também, tornamo-nos insensíveis à fome de mais de 50

milhões de brasileiros e à negligência ao saneamento básico, além da poluição do ar nas grandes Cidades.

Isso, sim, são ameaças reais ao nosso poder soberano, que estão na nossa cara, diferentemente de suposições alhures. (Maceió, AL, 01 de setembro de 2019)