Luiz Ferreira da Silva,82

Engenheiro Agrônomo e Escritor

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Enquanto lá em cima a música se engrandece com a chegada estelar dos grandes cantores (as), aqui embaixo são substituídos por uma safra chocha.

No Céu, fazem seresta o Cartola, o Cauby, o Nelson Gonçalves, o Luiz Gonzaga, o Dominguinhos, a Dalva de Oliveira, o Emílio Santiago, o Agostinho dos Santos, dentre tantos talentos que nos encantaram e, agora, o fazem aos anjos.

Aqui, em estádios cheios, uma leva de péssimos artistas, gritando letras desconexas, levam ao delírio uma juventude movida a muito álcool, sem noção de harmonia e, tampouco, melodia poética.

Exemplo recente: “Caneta Azul”. Nada contra o autor que soube se inserir nesse espaço medíocre, tornando-se, pois, um lídimo representante.

Presentemente, viajou Dona Ivone Lara, levando consigo a partitura do “Sonho Meu” para gáudio celestial. Houve comoção e foi reverenciada, que será sempre lembrada pela beleza de seus poemas.

Aí, eu me pergunto o que acontecerá quando for a vez de muitos desses forjados pela mídia estipendiária? Serão lembrados após a missa de sétimo dia? Terão cacife para a roda celestial comandada por Noel Rosas, quando lá chegarem?

O Brasil vem se apequenando neste mister desde a década de 70, com maior inflexão nos últimos 20 anos, quando o forró do Lua foi substituído pelas bandas sem zabumba; a música caipira de Inezita Barroso deu lugar a uma tal de sertaneja; e o samba autêntico de Cartola perdeu para os conjuntos de óculos escuros.

O mesmo acontece em outros setores das artes, a exemplo da televisão, desde as obras infantis aos noticiaristas, passando pelas novelas. É só comparar o Sítio do pica pau amarelo com os bonecos cibernéticos; confrontar o Bem-Amado ou a Gabriela com as atuais novelas globais; rever a dupla Cid Moreira/Sérgio Chapelin com as atuais.

E, assim, por diante; sempre com a balança pendendo a favor dos “patrasmentes”. Nem é preciso visualizar os outros setores de apoio e serviços que se deterioram!

O Brasil atual perde feio para o Brasil do passado.

Qual é a causa? Tudo isso é reflexo do declínio e falta de investimento, em sentido amplo, na EDUCAÇÃO.

Só, somente só!