WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
secom bahia policlinica itabuna secom bahia teatro itabuna


Março 2020
D S T Q Q S S
« fev    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  






:: 2/mar/2020 . 16:27

O BURACO DA DISNEY É MUITO MAIS EMBAIXO

Estava eu tomando meu café da manhã, TV ligada num jornal qualquer, e aparece na tela uma senhora sendo entrevistada. Na legenda,”fulana de tal, dona de casa”. Mastigando uma bolacha, comecei a refletir sobre a expressão “dona de casa”.
Não ia levantar da mesa pra pesquisar, dali mesmo tirei minhas próprias conclusões. Estamos na terceira década do século XXI, com as mulheres conquistando cada vez mais espaço e exercendo cargos-chave em grandes corporações. Essa tal “dona de casa” deve vir de séculos, desde o Império, imagino. Como já disse, não pesquisei, mas posso crer se tratar de uma expressão criada pela burguesia hipócrita de sempre, para afastar qualquer possibilidade da patroa ser confundida com uma empregada doméstica no caso de ter optado em não trabalhar fora ou o marido não permiti-la a tanto, sob a desculpa esfarrapada dela ter que cuidar dos filhos (não duvide, isto ainda acontece).  Foi aí que comecei a retroceder no tempo e me vieram à mente outras expressões já ditas, mas que não colaram. Lembro de “doméstica”, logo descartada por confundir ainda mais com “empregada doméstica”. Depois veio “do lar”, que também não pegou. “Desempregada”, nem pensar, seria um xingamento. Resultado: nenhuma outra expressão foi criada para substituir definitivamente a secular “dona de casa” que vigora até hoje, tempos em que uma sociedade moderna civilizada deveria cada vez mais buscar a igualdade do convívio e o fim do preconceito/segregação de classes. Ninguém quis tocar nesta ferida e todos, empregadas domésticas, “donas de casa” e a sociedade em geral, se acomodaram.
Lanço aqui algumas sugestões para sairmos deste atraso chamado “dona de casa”:
“Renda dependente”, “renda própria”, “não exerce profissão”, “sem atividade profissional”, “sem remuneração”, e por aí vai.
Enfim, voltando dessa viagem mental ao passado, me vejo, no presente, tendo que assistir e regurgitar as piadinhas da burguesia hipócrita (sim, aquela de sempre), quando um ministro debochou sobre as empregadas domésticas irem à Disney.
Nilson Pessoa





















WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia