Luiz Ferreira da Silva, 83

Engenheiro agrônomo e escritor

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É bonito ver os índios com sua agricultura primitiva, plantando na ponta do facão e bebendo chás; caçando e pescando, em equilíbrio com a natureza.

Isso é apenas um estágio de vida, de evolução. Processam uma agricultura rudimentar, que deve evoluir, com o aumento populacional, até chegar a outros métodos para produzir mais e em menor tamanho de área, à medida que o extrativismo deixa de satisfazer às suas necessidades.

O Brasil, nos últimos 40 anos, deu um pulo fantástico na tecnologia agropecuária, proporcionando maiores ganhos por unidade de área, tanto para o bem-estar da população como para o desenvolvimento do país

Imaginemos, agora, hipoteticamente, se o Brasil continuasse indígena, utilizando aquela tecnologia tupiniquim:

Ø. Seríamos mais de 300 milhões de brasileiros. Não haveria controle da natalidade e, mesmo com os “descartes”, a população seria maior que a de hoje.

Ø. Não seria possível alimentar esse pessoal todo produzindo-se 300 kg de feijão/ha; 700 kg de milho/ha, 5 toneladas de mandioca/há, quando hoje se produzem: 2.000 kg, 5 000 kg e 20 toneladas, respectivamente.

Ø. Por outro lado, sem tecnologia, o sistema seria aquele tradicional de se plantar num local, e, com 3 anos, abrir uma nova área, pelo esgotamento da anterior e assim por diante, significando destruição da floresta em pouco tempo.

Ø. Nesse sistema primitivo, haveria a necessidade de se dispor de muita terra para alimentar a população.

O Brasil tem 8 milhões e 500 mil km2. Tirando a água, montanhas, zonas salinizadas, areias, baixios etc., sobrariam 400 milhões de hectares, insuficientes para alimentar esse pessoal, considerando a baixa produtividade dos plantios.

Não é difícil entender, num simples exercício de aritmética elementar, que não haveria mais uma árvore sobre o nosso território, nenhum animalzinho para contar a história e, tampouco, nenhum alimento de água doce ou salgada. Tudo destruído. Muito e muito mais do que hoje.

Assim raciocinando, a solução está num programa amplo de treinamento das comunidades indígenas, com ênfase em técnicas agropecuárias, tirando-as da atual fase de extrativismo e de baixa produtividade dos cultivos, em agricultores capacitados ao uso de insumos, produzindo mais e em menos áreas, reduzindo as atuais reservas, liberando milhões de hectares florestais para preservação, núcleos de pesquisas e sistemas conservacionistas de agricultura do tipo florestal.

E aos poucos, esses brasileiros passariam a contribuir efetivamente para o desenvolvimento do país, não mais precisando dos diversos órgãos de duvidosa eficácia, sanguessugas do erário público e dominados por políticos nefastos, tornando-se, sim, cidadãos verde-amarelos de fato, de direito e de gosto. (Maceió, Al, 26/10/2020)