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:: ‘Espaço do Leitor’

UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXXIII)

(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)

Na parte anterior (a XXXII) dessas Notas nos prendemos à intimidade de Bebel com os Douglas DC-3 (aviões de companhias como Cruzeiro do Sul, Varig, Sadia etc.) e com os monomotores do tipo ‘teco-teco’, ‘cessna’, ‘piper’ entre outros, bem como às proezas de alguns de seus pilotos, como a registrada do aviador Rafael Tosto Filho. O foco desta é em Benedito Ambrósio e Juarez Cardoso, aviadores inseridos no contexto das façanhas e, como não poderia deixar de ser, profissionais da melhor qualidade.

De comportamentos diferentes, o primeiro –embora de tiradas de humor– era circunspecto, o oposto à conduta descontraída do outro. Para começar vale assentar que Benedito jamais frequentou aulas sistemáticas de pilotagem. A familiaridade com a ‘máquina voadora’ de Santos Dumont se deu quando a escarafunchava ao aprender sua mecânica na base do traquejo. Daí o relacionamento com pilotos experientes e, a aprendizagem. Como havia atingido no labor da aviação o limite de idade –idem, de horas de voo–, um lance curioso atingiu-lhe o sentimento: o de ter que viajar em companhia de um copiloto, imposição do Departamento de Aviação Civil–DAC. A princípio, a paixão pela aviação abrandou a aporrinhação que o fustigava, mas não demorou jogar o preceito legal ‘pras cucuias’ e ‘amarrar as chuteiras’, modo de dizer da aposentadoria no reino do futebol. À época Benedito pertencia à Bahia Taxi Aéreo –BATA, empresa em que trabalhou por considerável tempo e onde o mencionado órgão aeronáutico encontrara o registro para considerá-lo o piloto mais velho do Brasil em atividade.

Comunicativo, conversa alargada, o porreta é que com Juarez Cardoso – apesar da fama de excelente piloto–, circulava na cidade a notícia de ele nunca haver tirado o brevê. Comentavam que no tópico ‘prática’ dessas provas de permissão, a aprovação do homem se dava com louvor, no ‘teórico’, só levava cacete. Compensava esse desleixo com a perícia de suas acrobacias. Às tais manobras levava sempre um acompanhante, geralmente um amigo tirado a corajoso ou a valente. Aí, já nas alturas, e depois de umas piruetas, dizia-lhe: – Agora, meu caro, vamos visitar o túmulo do meu avô. E partia rasante em direção ao cemitério de Bebel. A verdade é que não existe informação de algum audacioso –mesmo aquele acompanhado de umas e outras na cabeça para estimular a coragem ou a valentia– tenha saído ileso do voo, ao contrário, o comentário dominante é que o participante pisava em terra literalmente ‘borrado’ e/ou mijado. Outro caso bem falado pelos belmontenses é o da decolagem na tora. Com os teco-tecos cruzando o ar e o cacau –numa boa época– dando nas raízes, despertou em alguns cacauicultores a necessidade de construir pistas de pouso nas fazendas. De um modo geral o revestimento inadequado do solo nessas construções, constituiu em preocupante fator na segurança, mas o maior problema nas que deram certo, ficou por conta mesmo do pequeno comprimento, especialmente para levantar o monomotor do chão. Para vencer o obstáculo a traquinice, a experiência e a habilidade do piloto tinham que falar mais alto. Juarez, dotado desses traços e mais algum, logo veio-lhe a ideia: Com as pontas de uma corda de material forte era só amarrar uma na cauda do avião e a outra num tronco de uma árvore robusta, em seguida imprimir potência

máxima ao motor e, acenar pro –previamente contatado– peão, significando o aceno, cortar a corda do rabo com um facão. Estava solucionada a decolagem em pista curta e mal-acabada no Jequitinhonha Cacaueiro. :: LEIA MAIS »

TEM QUE PRIVATIZAR TUDO MESMO?

“Tem que privatizar tudo”. Este é o coro puxado por Bolsonaro e Guedes, com apoio de boa parte da população.
Mas… privatizar até a água? Sim, eles querem. Até outros setores estratégicos, como portos, aeroportos e energia? Sim, é o que eles querem.
O Brasil, atrasado no bonde da História, faz agora o que grandes nações fizeram no passado e hoje se arrependem. Alguns países estão até em busca da reestatização de empresas que foram privatizadas lá atrás. Se você não sabe, uma das empresas que compraram aeroportos do Brasil é uma estatal espanhola.
Antes que me taxem de “comunista”, nada contra privatizações, desde que bem elaboradas e estritamente necessárias.
Aos meus olhos, o processo de privatização no Brasil funciona assim:
PRIMEIRO PASSO:
Sucateia-se a empresa que se pretende privatizar. Bloqueia-se investimentos, planos de expansão, enxuga-se o quadro funcional através de aposentadoria e desligamento incentivado (PDV), sem reposição do quadro. A empresa, carente de mão de obra, começa a prestar um péssimo serviço, se torna ineficiente, deficitária e entra em colapso.
SEGUNDO PASSO:
O governo, junto com a mídia corporativa, planta o argumento de que a empresa é mau gerida, cabide de emprego de governos anteriores, elefante branco, prejudicial ao País. A população embarca na ideia, já que está sendo pessimamente atendida pela empresa.
TERCEIRO PASSO:
O governo anuncia que pretende privatizar a estatal e conta com grande apoio do povo. A estratégia deu certo.
QUARTO PASSO:
A estatal é vendida a preço de banana, em suaves e intermináveis parcelas, isso quando o comprador não dá calote. O povo, satisfeito, aplaude e comemora a privatização.
Foi assim recentemente com os aeroportos e assim será (ou já está sendo) com os Correios e a Caixa Econômica, por exemplo.
E isso está acontecendo também com o INSS. Se querem acabar com a Previdência, pra quê INSS?
O INSS já foi ruim, é verdade, só que nos últimos anos melhorou muito em relação ao que era, mas agora está sendo estrategicamente sucateado. Aposentou 6 mil funcionários em 2019, sem realização de concurso público para reposição das vagas. O enxugamento do quadro é parte fundamental no processo de sucateamento para que o serviço, se bom ou ruim, passe a ser péssimo e a população “odeie” a empresa que futuramente será privatizada ou o órgão que será extinto.
No caso do INSS, a desculpa é “problemas no sistema de processamento de dados, por conta da transição da Reforma da Previdência”. Não creio que seja isso, ou só  isso. Está muito mais pra falta de pessoal do que qualquer outra coisa, tanto que o governo teve a “brilhante” ideia de convocar 7 mil militares reservistas pra tapar o buraco, a um custo alto, e ainda terão que ser submetidos a processo de treinamento. Fica uma pergunta no ar: por que não chamaram funcionários aposentados do próprio INSS? E vamos deixar clara uma coisa, não confunda Previdência com Bolsa Família. O benefício previdenciário do pobre coitado é dinheiro que ele recolheu a vida toda ao INSS,  a contrapartida é obrigação constitucional e não está sendo cumprida. Isso já resultou numa ação judicial contra o INSS movida pelo Ministério Público Federal.
Pra completar, o Secretário da Previdência declarou, com a cara mais limpa, que a situação só se normalizará daqui a OITO MESES, em setembro. Até lá, sabe Deus o que acontecerá com os idosos e doentes pobres que dependem desse parco benefício para sobreviver.
Claro, ia esquecendo: eles não gostam de pobres.
Nilson Pessoa

UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXXI)

(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
A extensa planície da boca do Jequitinhonha chamada de Bebel pelos mais
chegados não teve –nascida ribeirinha e marítima– dificuldades para, com as
condições afloradas, se tornar portuária.
Porto que começa a se erguer nos 50 anos iniciais do século XIX com as
transações comerciais de mercadorias entre Bebel e Salto da Divisa no norte de
Minas Gerais. A respeito Milton Nascimento na pag. 31-32 do tópico ‘A
importância dos canoeiros do Baixo Jequitinhonha’ de seu livro “Cachoeirinha
_Freguesia de Nossa Senhora da Conceição…” ressalta que “De Belmonte levavam
para Minas Gerais artigos manufaturados oriundos da Europa, e gêneros de
primeira necessidade como sal, querosene e outros produtos. De Minas traziam
algodão produzido no médio Jequitinhonha que vinha até Belmonte e dali levado
para Salvador para ser exportado. Traziam também de Minas requeijão, manteiga e
carne de jabá. ”
E se consolida –de 1850 para frente, principalmente no decorrer da primeira
metade do século XX– em razão do nascimento de uma mercadoria diferenciada:
o cacau das margens do grande rio e que transforma o ‘porto’ num centro
efervescente e irradiador da economia da pequena Bebel. Não tardou a oficial Av.
Presidente Getúlio Vargas paralela ao rio ser transformada, efeito da mudança, na
sugestiva Rua do Porto.
Com a pujança cacaueira o ancoradouro fluvial do Jequitinhonha, à época
caudaloso, condicionava a atracação de navios de variados tamanhos e
consideráveis calados. A dar suporte para o transporte não só de cargas, mas
também de passageiros, o porto passa a ser o motor do progresso da cidade. Vapor
(como as embarcações da época –por serem movidas por este gás– eram
conhecidas) como o Itapicuru, o Cisne Branco, o Cachoeira, o Camacan dentre
outros ficara gravado nas mentes dos belmontenses que vivenciaram o período
desse ambiente portuário e, claro, suas histórias. Algumas recheadas de doses
hilárias, como a do naufrágio do Itiberê na costa de Bebel. Conta-se que um
lavrador de cacau dois dias após o acidente ao cobrar de outro cacauicultor o
pagamento de um débito relativo a um empréstimo lhe concedido, do devedor
ouviu o sonoro retorno: “Meu amigo, não se preocupe não. Tenha paciência. Na
volta do Itiberê o dinheiro estará em suas mãos”. Acontece que até aquele
momento só poucas pessoas sabiam do acontecido, a exemplo do espertalhão e
inadimplente lavrador.
O fato se incorporou ao imaginário popular da cidade a ponto de, em
qualquer conversa a dois que houvesse uma cobrança por solução, tiradas como
“Na volta do Itiberê eu te pago” ou “Na volta do Itiberê eu resolvo” saiam de batepronto.
Depois da navegação fluvial-marítima com as canoas e os barcos a vapor,
outro pendor de Bebel foi pela aviação. Os dois estão intrinsicamente ligados
porque antes da ‘pista terrestre’ o palco dos pousos – com os aviões do tipo
Junkers W-34 e JU-52 a intermediar em escala regular a linha Salvador/Rio de
Janeiro e vice-versa– foram as águas do Jequitinhonha. Mas essa parte fica para a
próxima Umas e Outras…
Heckel Januário
Em tempo: A Bahia foi uma das primeiras localidades a desenvolver o primeiro
meio de transporte introduzido no Brasil. Os portos de Salvador e de Ilhéus foram
importantes nessa empreitada. Hora com bons, hora com maus serviços,
companhias de navegação, alternavam-se no domínio das concessões, inclusive
capitalistas na jogada, e o próprio governo estadual. Inicialmente a do Recôncavo e
depois a do Sul da Bahia foram regiões onde a navegação baiana deu seguimento.
A do Sul, com o advento do cacau, passou a liderar o comércio marítimo baiano.
Embora a navegação atuasse como uma alavanca de crescimento, o período de seu
incremento foi de submissão do Brasil ao capital inglês. No de hoje o impositor
(ou impositores) é mais imperceptível, mas a subordinação continua subordinação.
Em tempo2: mesmo não tendo encontrado literatura sobre o Itiberê o site
www.naufragiosdobrasil registra que o naufrágio foi mesmo em Belmonte.
Em tempo 4: a inserção dos aviões Junkres se assentou em matérias dos jornais
‘Tabu’ (1ª quinzena de julho e 2ª de agosto de 1996) e ‘A Tarde’ de 23/8/1992

Capítulo de livro estimula o conhecimento sobre as Plantas Alimentícias Não-convencionais (PANC)

Talvez o fato das Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANC) serem em geral desconhecidas pela população brasileira seja um bom exemplo de riqueza não aproveitada. O consumo predominante de alimentos industrializados e o efeito disso na saúde humana, a grande quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar e a imensa diversidade de flora no país, dentre outros fatores, podem ajudar a explicar a importância de fazer renascer o interesse em cultivar e consumir essas plantas que são tão nutritivas e ao mesmo tempo tão ausentes das nossas mesas.

Quando os dados científicos vêm alinhados com experiências de cultivo e de consumo desses alimentos, a atenção para com aqueles motivos se faz acompanhar da água na boca. É o efeito do capítulo Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) associadas ao agrossistema cacau-cabruca no sul da Bahia, publicado no livro Guia de Manejo do Agroecossistema Cacau Cabruca vol.2, editado pelo Instituto Cabruca e assinado pelos pesquisadores Alessandra Quirino Bertoso dos Santos Jardim, Jomar Gomes Jardim, José Lima Paixão e Larissa Corrêa do Bomfim Costa. O capítulo apresenta uma pequena amostra de espécies alimentícias pouco conhecidas, como o cansanção-vermelho, e de partes em geral descartadas de alimentos bem presentes, como a banana e o aipim, e completa o texto com uma série de receitas com as PANC.

Outro ponto relevante é que o capítulo descreve como o agrossistema cacau-cabruca favorece o cultivo desses alimentos pouco usuais, ampliando os argumentos a favor de ecossistemas agroflorestais como provedores de espécies vegetais alimentícias e medicinais. É o ciclo completo da sustentabilidade, abrindo possibilidade de conseguir lucro econômico sem prejudicar o ambiente e de aumentar a oferta de alimento saudável e acessível para a população.

 

Comer o que tem

O capítulo também menciona duas atividades de compartilhamento de experiências e saberes sobre essas fontes de nutrição. O professor Jomar Gomes Jardim, José Lima Paixão e Alessandra Quirino Bertoso dos Santos Jardim atuam no projeto de extensão Alimentação saudável utilizando como base as Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC na UFSB. Já a professora Larissa Costa ministra a disciplina optativa PANC: do mato para o prato, acessível para os cursos de Biologia e de Agronomia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

 

Breve identificação das PANCs e receitas fazem parte do relato.

O projeto de extensão desenvolve as oficinas Comer o que tem desde 2016. A ideia brotou de alguns encontros dos coordenadores em um sítio de agricultura familiar no começo de 2015. As refeições compartilhadas deram a ideia de um curso no qual as receitas culinárias tradicionais que usam PANCs serviriam de raízes para o resgate cultural dessa cozinha e à promoção da alimentação saudável e a custo reduzido para a população de baixa renda. Os frutos do projeto são um crescente livro de receitas com as plantas não-convencionais na lista de ingredientes e encontros de compartilhamento de saberes que beneficiaram cerca de 500 pessoas, incluindo estudantes do ensino fundamental, médio e superior, professores, agricultores familiares e assentados e povos tradicionais, como os indígenas e os quilombolas.

Cada encontro consiste em uma oficina denominada “comer o que tem”, na qual os participantes, guiados pelos líderes do projeto, percorrem um itinerário em propriedades rurais, o que pode incluir áreas de cabruca, quintais, floresta nativa. A ideia é coletar as plantas alimentícias que forem encontradas e, a partir do que foi recolhido, preparar coletivamente o almoço. “Chegamos cedinho na comunidade, e saímos com um grupo com ferramentas como facão, podão, cestos, sacos, etc e iniciamos a caminhada nos agrossistemas, por exemplo, o cacau-cabruca, em um fragmento de floresta, se houver, ou nos quintais. Durante a caminhada vamos identificando as possíveis plantas comestíveis. Às vezes, as próprias pessoas locais lembram de plantas e nos levam ou indicam o local”, explica o professor Jomar.

Um relato breve do projeto de extensão foi publicado na revista Fitos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em junho de 2019. As oficinas, que no começo eram para grupos variando entre 15 e 20 participantes, deram aos participantes experiência para preparar almoço para cerca de 300 pessoas, durante o II Encontro de Mulheres da Teia dos Povos, em maio de 2018. Tanto na coleta quanto no preparo, as oficinas engajam as pessoas com o percurso da coleta à degustação. É a riqueza natural que o Brasil precisa conhecer mais.

A Caridade pura não aceita egoísmo

Quem se integra no verdadeiro espírito da Caridade não mais aceita o egoísmo. Deus é quem nele habita. E este sentido de Fraternidade, Solidariedade, Generosidade, que é Deus, vive em todos e por todos os seus Irmãos em humanidade. Disse o Buda (aprox. 556-486), o iluminado mentor que nasceu na Índia: “O sofrimento é universal; a causa do sofrimento são os desejos egoístas; a cura do sofrimento está em libertar-se dos desejos; o modo de livrar-se dos desejos é através de uma perfeita disciplina mental”.

Deus é Caridade. Em sua Primeira Epístola, 4:8 e 16, João Evangelista explica que “Deus é Amor”. Ora, Caridade é sinônimo de Amor. Todos precisam dele, o mundo necessita de Caridade. Eis a Estratégia Divina para a perfeita condução dos povos, quando os seres humanos alcançarem que Política plena é aquela que, cuidando do cidadão, infere que este, além de corpo, também possui Alma. Diante desse Ser completo, teremos uma nação integrada na Solidariedade Ecumênica, portanto Social, Altruística. Quando isso ocorrer, o sofrimento, incluído o psíquico, passará ao largo. Afinal, vivemos o terceiro milênio. Algo terá de mudar, nem que demore mil anos.

Erigir um Império de Boa Vontade

A Caridade, na sua expressão mais profunda, deveria ser um dos principais estatutos da Política, porque não se restringe ao simples e louvável ato de dar um pão. É o sentimento que — iluminando a Alma do governante, do parlamentar e do magistrado — conduzirá o povo ao regime em que a Solidariedade é a base da Economia, entendida no seu mais amplo significado. Isso exige uma reestruturação da Cultura, por intermédio da Espiritualidade Ecumênica e da Pedagogia do Afeto, no meio popular e como disciplina acadêmica. Contudo, no campo intelectual, que o seja sem qualquer tipo de preconceito que reduza, em determinadas ocasiões, a perspectiva de grandes pensadores analíticos, pelo fato de alguns deles se submeterem a certos dogmatismos ideológicos e científicos, o que é inconcebível partindo de mentes, no supino, lucubradoras. Até porque a Ciência é pródiga em conquistas para o bem comum. Mas também, no seio dela, houve os que muito sofreram incompreensão, por causa do convencionalismo castrador, mesmo de certos pares que apressadamente os prejulgavam. Vítimas deles foram Sócrates, Bias, Baruch Spinoza, Dante Alighieri, Galileu Galilei, Semmelweis, William Harvey, Samuel Hahnemann, Maria Montessori, Luiza Mahin, dr. Barry J. Marshall, dr. J. Robin Warren e outros nomes célebres, universalmente acatados.

Em suma, a Caridade, sinônimo de Amor, é uma Ciência especial, a vanguarda de um mundo em que o ser humano será tratado como merece: de forma humana, portanto, civilizada. Estaríamos, assim, erigindo um Império de Boa Vontade neste planeta, o estado excelente para o Capital de Deus, que circula por todos os cantos e não mais pode aceitar especulação criminosa de si mesmo. (…)

Esta ponderação da educadora e escritora brasileira Cinira Riedel de Figueiredo (1893-1987) vem ao encontro do que anteriormente abordamos: “De cada homem e cada mulher depende o aprimoramento de tudo quanto nasce, cresce, vive e se transforma sobre a Terra, porque, de fato, nada morre. Existe uma contínua transmutação, e devemos ser os guias para que essa transformação se faça uma ascensão constante, tornando-se cada vez mais bela e mais perfeita para representar melhor a vida que a anima”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

[email protected] — www.boavontade.com

Traços da função do Técnico de Futebol

Por Gustavo Kruschewsky

A Seleção Brasileira de Futebol, que disputou a Copa do Mundo de 1958 e foi campeã, comandada por VICENTE FEOLA – “ele mesmo, o gorducho bonachão que cochilava no banco de reservas” – não conseguiu realizar o mesmo feito em 1966 e a Seleção fez uma péssima apresentação neste ano! Notícias dão conta que na referida Copa de 66, Vicente Feola “estava sozinho para encarar as pressões que vinham de todos os lados e simplesmente não conseguiu dar conta do recado”, acostumado que era em ouvir os conselhos de muitos dirigentes na hora de definir a escalação da equipe.

À época eu era titular da equipe juvenil do Botafogo do Rio de Janeiro! Recebi uma ordem do técnico Zagallo, encaminhando-me para treinar no Maracanã, num determinado treinamento da Seleção brasileira de futebol, na equipe suplente, considerando que vários jogadores, a exemplo de Zito, queixavam-se de dores musculares e ficariam de fora do treinamento. Treinei ao lado de Dino Sani, na posição de meio campo. Na equipe titular figurava o grande Pelé e tantos outros craques do futebol brasileiro daquela inesquecível época. Foi uma excelente experiência.

Mas, qual deverá ser a função do técnico de futebol? Dentre muitas, a função primordial do técnico é saber armar uma equipe para que ela se torne eficiente pelo menos – de forma técnica, tática e emocional – durante o percurso dos noventa minutos de jogo, utilizando-se de treinamentos pré-estabelecidos sem ingerência política de A ou B. Deve ouvir opiniões e debater com os dirigentes sobre assuntos da equipe, desde que tenha a última palavra nas decisões da formação do time que iniciará o jogo. O trabalho do treinador no contexto moderno do futebol mundial é muito estressante e requer vasto conhecimento deste profissional. Além da questão do conhecimento técnico, tático e físico, requer um exato conhecimento da questão motivacional dos atletas. Ele, o treinador, deve ter um bom poder de liderança e um comportamento exemplar para que seja respeitado pelos seus atletas.

Fábio Aires da Cunha autor do livro – Técnico de Futebol – A arte de comandar – Editora Prestígio assenta que: “O cotidiano dos profissionais do futebol não é fácil como muitos imaginam. A função de técnico de futebol é uma das mais complexas, pois ele precisa possuir uma gama muito grande de conhecimentos, conhecimentos esses técnicos, táticos, físicos, fisiológicos, médicos, psicológicos, nutricionais, pedagógicos, sociais, comportamentais, políticos, econômicos entre outros. No futebol moderno, o técnico assumiu um papel de destaque. O futebol é um esporte que exige diferentes profissionais nas mais variadas áreas atuando em prol de um resultado único, que é a vitória. Essa reunião de valores e especialidades necessita ser chefiada por uma pessoa, precisa de um líder eficaz e carismático, ou seja, necessita de um comandante que tenha capacitação e que saiba extrair o melhor desempenho de sua equipe de trabalho e atletas”. Essa pessoa é o TÉCNICO.

Lembro-me que em alguns jogos da Copa do Mundo de 2014, percebeu-se um pouco de descompasso do Felipão – que, diga-se de passagem, é um técnico vitorioso. Todavia, demonstrou em determinados momentos evidente nervosismo, que lhe dificultou “extrair” fracos desempenhos de alguns atletas da equipe Brasileira. O ideal em um treinador é que ele mantenha a calma principalmente durante o desenrolar do jogo e observe o desempenho dos seus atletas – sem fanatismos – esperando uma oportunidade a fim de, com sabedoria, tomar decisões no decorrer da peleja. Vale dizer que deve orientar os seus comandados para que, dentro de campo, não percam a cabeça mesmo considerando que o futebol é um esporte que em certos momentos leva o atleta a ficar em clima de cabeça quente.

Entendo que um bom futebol jogado não tem muito mistério. O torcedor Brasileiro espera que os jogadores tenham precisão no manejo dos passes, rapidez nas saídas de bola, facilidade nos deslocamentos e façanhas com dribles desconcertantes conforme a tradição do futebol brasileiro. Além de uma equipe, principalmente no meio de campo, bem mais articulada, com os jogadores impondo-se dentro do gramado, dando apoio tanto à defesa quanto ao ataque de forma coesa, aguerrida, porém, com tranquilidade, brilhantismo, empregando aquela arte que é historicamente um dos principais atributos do futebol brasileiro. Material humano, por exemplo, nessa seleção atual, a qual disputa a Copa América de 2019, que Tite comanda, a gente percebe que se tem para que tudo isso aconteça! É só saber utilizá-lo, porque com certeza não tem “pressão de todos os lados” interferindo na escalação da equipe que atrapalhou muito o bom desempenho da Seleção Brasileira de Feola que foi derrotada na Copa do Mundo de 1966. A final da Copa América de 2019, no próximo domingo, 07 de julho de 2019, o Brasil tem uma grande possibilidade de tornar-se campeão. Espera-se que repita a boa atuação passada que culminou com uma brilhante vitória de 2×0 contra a Argentina e que Tite corrija algumas poucas falhas da defensiva brasileira que aconteceram neste jogão que culminou na desclassificação da excelente seleção da Argentina.

A SELEÇÃO SEM ENCANTO.

Luiz Ferreira da Silva, 82

[email protected]

Nelson Rodrigues descreveu a paixão do brasileiro em seu livro a Pátria de Chuteiras. Eram as “Feras” de João Saldanha e os Soldados de Zagalo. A camisa, sobretudo a amarela, transformava o jogador num patriota em combate.

Para vesti-la tinha que ter muita bola no pé, dedicação plena e sacrifício. Não dependia de empresários para ser convocado.

Hoje, jogadores ricos, com patrões exigentes, a quem deve obrigações. Primeiro, o Barcelona ou o Manchester City. Depois, o Brasil. Primeiro, o meu empresário. Segundo a CBF. Todos querendo ser protagonistas!

Aos poucos, o torcedor foi se apercebendo desta realidade, preferindo valorizar seus clubes, cujos jogadores dão o seu suor de sobrevivência, E ninguém mais se empolga com a “canarinho” de tempos idos.

A Colômbia tem toda sua base com jogadores da casa, enxertada por uns 4 “estrangeiros”. Mesma coisa o Chile e o Uruguai. Aí está a diferença.

Enquanto isso o Brasil só reconhece jogadores de fora. O Palmeiras, o Flamengo, o Santos, e outros não teriam cracks para compor a Seleção? Um Grupo miscigenado impondo a força das chuteiras patriotas?

Estádios vazios e vaias da plateia. Um técnico despreparado, tentando esnobar saber através de filosofias de botequim.

Só falta o Brasil fracassar na COPA, em sua própria casa, para perder de vez O ENCANTO. (Maceió, AL, 14/06/2019

LEMBRANÇAS DE UMA BRILHANTE PROFESSORA

Por Gustavo Kruschewsky

“Pensar que o homem nasceu sem uma história é absolutamente anormal, porque o homem nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas”.

CARL JUNG

Neste momento, acabei de receber um convite lembrando o CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA Professora EDELVIRA SIQUEIRA PITA esposa de TIBÉRIO PITA. Tiveram apenas um filho, meu amigo e colega desde a infância, EDUARDO PITA.

A professora Edelvira Pita nasceu em Salvador em 19 de junho de 1919 e faleceu em 22 de fevereiro de 2005 aos 85 anos de idade. Portanto, em 19 de junho de 2019 próximo, comemora-se o CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO.

A sua vida foi pautada com muito brilhantismo, dedicação e trabalho, tanto no seio da sua família quanto nos inúmeros serviços que prestou na área particular e pública da cidade de Ilhéus. Ainda na tenra idade, A professora Edelvira Pita, começou a ministrar aulas na escola Comercial de Ilhéus-Bahia. Foi professora de várias gerações dando aulas a exemplos de matemática, latim, estatística e outras disciplinas.

No seu histórico na qualidade de professora exerceu várias funções em escolas do primeiro, segundo e terceiros graus, a exemplos da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. Lembro-me do meu tempo de estudante da ESCOLA EDUARDO SIQUEIRA, quando fiz o meu curso do antigo primário. Nesta época pude observar quanto a Professora Edelvira Pita demonstrava para todos os alunos um carinho como se fosse uma segunda mãe para todos nós.

A Escola Eduardo Siqueira foi fundada por ela homenageando o seu pai. Na época dos desfiles de 07 de Setembro desfilávamos fazendo apresentação “de fatos importantes da história do Brasil”.

Em determinado momento da sua história em Ilhéus recebeu o título de cidadã Ilheense, em 19 de outubro de 1990, pelo reconhecimento do seu valor dos serviços prestados, mormente na área da Educação, para a comunidade.

A professora Edelvira concomitante à sua vida atribulada ainda figurou na primeira turma de formandos pela Faculdade de Direito de Ilhéus.

Com estas palavras, portanto, registro aqui a minha singela homenagem à professora Edelvira Siqueira Pita pelos CEM ANOS DE CENTENÁRIO DO SEU NASCIMENTO, merecedora pelas suas brilhantes obras fincadas que fê-la uma pessoa “despretensiosa como consciente das suas limitações, e que pautou sua vida na compreensão e ensinamentos a quantos lhe procuraram”

Fernando Berti Sanjuan e José Rezende Mendonça, lançarão o livro “Foi Assim:

Os ex-alunos da EMARC, Fernando Berti Sanjuan e José Rezende Mendonça, lançarão o livro “Foi Assim: Memórias de 20 estudantes que passaram pela EMARC no período de 1969/1971”.

No livro constarão depoimentos de ex-diretores, ex-professores, de ex-alunos, memórias e relatos do dia-a-dia da EMARC com fotografias de acervo.
A ATEFFA participou do patrocínio para a edição do livro, que já está no prelo, aos cuidados da Via Litterarum Editora.
O livro será lançado na reunião de comemoração dos 50 anos de ingresso da turma de técnicos agrícolas da EMARC/1969-1971, que ocorrerá nos dias 6 e 7 de setembro, em São Jorge dos Ilhéus.
Fernando Sanjuan e José Rezende

ODE AO CACAUEIRO

Luiz Ferreira da Silva

[email protected]

Como árvore que sou, dou vida ao solo

Finco minhas raízes e extraio os alimentos

Expando meus galhos floridos

Produzo frutos bentos

Minha área folear se entrelaça

Absorvo do sol as energias incidentes

Transformo em ricos carboidratos

Alimento os belos frutos pendentes

Lanço as folhas ao chão

Num processo de reciclagem plena

A matéria orgânica melhora o solo

Os microrganismos aparecem em cena

Em harmonia com as árvores das matas tropicais

Participo da sua função preservacionista

A manutenção vital do solo, da água e do ar

O respeito às Leis da Natureza em vista

Dos meus frutos amarelos, a doçura marrom

O chocolate que a todos encanta

Guloseima que alimenta e produz alegrias

Também riqueza para o Homem que me planta

_____________________________

(DO LIVRO – CACAU, UM BEM DA NATUREZA PARA PROVEITO DO HOMEM)

PSICOMUNDO <> CUSTOS IRRESPONSÁVEIS DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS <>

Olhar o Brasil e ver tantas mazelas que emitem inúmeros desmandos nas coisas públicas, não se pode assim nada entender para impulsionar “Ordem e Progresso”, como está escrito na bandeira brasileira. E, não verificamos na classe política do nosso País nenhuma responsabilidade que traga respeito aos destinos da nossa Pátria! Muitas pessoas lamentam a falta de recursos orçamentários e financeiros para execução de obras. Em Ilhéus o exemplo mais indecoroso é o prédio do antigo Ministério do Trabalho, localizado na Rua Maria Quitéria, no centro da nossa cidade.

É muito vergonhoso imaginar que no Brasil atualmente existem milhares de prédios edificados com recursos públicos, simplesmente abandonados. Consideramos custos irresponsáveis dos governos que passaram e passam deixando tristes marca de prejuízos incalculáveis a Nação Brasileira. Tomamos conhecimento que no ano passado, o Tribunal de Contas da União mandou parar 31 obras federais para investigar o uso ilegal do dinheiro público. Só nessas obras sob suspeita, R$ 23 bilhões estão em jogo. São mais de 14 mil obras, algumas prontas, outras inacabadas, paradas, atrasadas e superfaturadas no Brasil, revelando vergonhoso desperdício do dinheiro público.

Quantas empreiteiras referenciadas nas apurações do Lava Jato, faturaram em até obras fantasmas. No Rio de Janeiro, segundo os noticiários dos meios de comunicações, foram criadas até redes bancárias para lavagens das altas somas de dinheiro retirado do erário público. São vergonhosas as ações e atentados de destruições denunciados nos meios de comunicações, nos levando a crer que nunca sairemos dessa onda de imponderáveis enxurradas de trágicas atitudes criminosas. Nosso País está necessitando de novas conquistas sociais, e a mais importante delas é a moralidade dos nossos administradores.

Olhando a cidade de Ilhéus, verificamos tantos desmandos! Na entrada para a Avenida Princesa Isabel, próximo ao estacionamento da empresa de ônibus Novo Horizonte, há muito tempo, tem uma cratera impedindo o livre acesso da via do acesso ao lado direito dessa rodovia. No centro da cidade, nas imediações do Escritório Local da Ceplac, o semáforo há muitos anos não funciona por falta de manutenção. No cruzamento que dá acesso à Rua Joana Angélica, que deveria ter as duas pistas desocupadas, o lado direito existe sempre veículos estacionados, impedindo a rotatividade de ida e vinda dos condutores de veículos que por ali transitam. Quais as autoridades seriam responsáveis para a correção desses ilícitos incômodos sociais?

Quando observamos que são serviços de recuperação de pequeno porte e de rápidas soluções, verificamos que estamos frente a uma repulsa de várias ações vergonhosas, com muito requinte de falta de respeito com os moradores da cidade de Ilhéus. Notamos que estão sempre ausentes, os agentes com a carente sinalização do trânsito. Verificamos muitos pardais espalhados em todos os cantos da nossa cidade, com inexistência da devida orientação para condutores de veículos. Assim, multar e faturar são a solução do trafego.

Condutores de veículos são surpreendidos, batem seus carros inesperadamente, saem rasgando pára-choque dianteiro, traseiro e até amassam e furam os tanques de gasolina, criando realmente uma situação de completa revolta. À noite, só Deus tendo piedade dos condutores de veículos trafegando alguns bairros e ruas em nossa cidade. E são inúmeros os prejuízos causados por crateras, iguais ou piores a tantas, oferecidas num tráfego diário muitas vezes imprudente. Já foram vários reclamos para a solução desse problema, mas, ninguém pode mesmo esperar que nessa administração seja solucionado. São omissos, indiferentes e desligados dos nossos problemas sociais e humanos. PENSEM NISSO!!!

Eduardo Afonso – Ilhéus-Bahia

TERRAS AVISTADAS POR CABRAL

OS TABULEIROS DA MATA ATLÂNTICA DO SU DA BAHIA

Luiz Ferreira da Silva

Engenheiro Agrônomo e Escritor.

[email protected]

Cabral, depois de muitas milhas marítimas em sua avidez de descobridor

Deparou-se, ao chegar à Bahia, com o esplendor florestal

Que beleza, esta mata exuberante a perder de vista!

Cenário nunca apreciado em sua terra natal.

Caminha, o Escrivão da frota, com visão mais profunda

Avistou não só as belas planícies verdejantes; também as falésias ao mar

Nas encostas, o solo amarelado, profundo e com camadas distintas

Em carta ao Rei: “aqui em se plantando tudo haverá de dar”.

Estava assim descoberta a Mata Atlântica do Sul da Bahia

Também os sedimentos formadores dos solos de tabuleiros planos

Ecossistema úmido tropical, rico em recursos naturais e espécies endêmicas

A interação “fito-edafo-ecológica”, em clímax e compartilhada em milhares de anos.

463 anos depois (1963), novos descobridores carimbaram o fato

Pesquisadores (CEPLAC) estudaram o solo, a vegetação, o clima e demais correlacionados

Implantaram cultivos, desenvolveram tecnologias de manejo e mapearam a região

Concluíram: “floresta rica em espécies e solo apto para plantios diversificados”.

Hoje, depois de uma devastação sem igual, com reflexos danosos ao solo

Um novo momento agrícola explode, contrapondo à região contígua – cacaueira

Esta com os males da monocultura e limitações às técnicas de precisão

Enquanto os tabuleiros da mata atlântica aptos à agricultura de primeira.

(Maceió, AL, 01 de outubro de 2017)





















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