{"id":101845,"date":"2016-06-27T22:12:03","date_gmt":"2016-06-28T01:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=101845"},"modified":"2016-06-27T22:12:03","modified_gmt":"2016-06-28T01:12:03","slug":"bastidores-da-construcao-do-teatro-municipal-de-ilheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2016\/06\/27\/bastidores-da-construcao-do-teatro-municipal-de-ilheus\/","title":{"rendered":"BASTIDORES DA CONSTRU\u00c7\u00c3O DO TEATRO MUNICIPAL DE ILH\u00c9US"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Alan Dick Megi \u2013 Arquiteto e Urbanista<\/strong><\/em><\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Alan-Dick-Megi.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><strong>Alan Dick Megi<\/strong><\/p><\/div>\n<p>Agora que, pela segunda vez fui chamado a participar das obras de recupera\u00e7\u00e3o do equipamento cultural que mais orgulha o ilheense, me v\u00eam \u00e0 mente toda a minha hist\u00f3ria com ele.<\/p>\n<p>Algumas rela\u00e7\u00f5es com pessoas ou com coisas come\u00e7am e acabam logo, outras perduram por muito e muito tempo. \u00a0A minha rela\u00e7\u00e3o com o Teatro Municipal de Ilh\u00e9us come\u00e7ou em julho de 1973, quando eu contava com apenas 16 anos e pela primeira vez pisei em solo ilheense em f\u00e9rias escolares. Passeando \u00e0 noite a p\u00e9 com meus pais e familiares, estranhando o centro da cidade totalmente deserto, onde n\u00e3o encontr\u00e1vamos sequer um lugar para jantar pois tudo estava fechado, exceto o bar e restaurante que hoje se chama Ves\u00favio. Sem imaginar que algum dia viria a morar nesta cidade, lembro como se fosse hoje, minha admira\u00e7\u00e3o por aquele pr\u00e9dio azul e branco em ru\u00ednas, completamente abandonado, onde em sua fachada se lia \u201cCINE TEATRO ILHEOS\u201d. Fiquei ali no meio da rua meio escura, imaginando o quanto ele tinha sido importante no passado e como poderia vir a ser no futuro, se algu\u00e9m se dignasse a recuper\u00e1-lo. Naquela \u00e9poca eu estava fazendo um cursinho pr\u00e9-vestibular em Curitiba que me serviu para entrar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.\u00a0 Cinco anos depois, j\u00e1 formado, o destino quis que eu viesse diretamente a Ilh\u00e9us onde meus pais haviam fixado resid\u00eancia.\u00a0 Logo que cheguei, muito jovem e ainda imberbe, comecei a trabalhar na Prefeitura na \u00e9poca em que era prefeito o Sr. Antonio Ol\u00edmpio. Logo tomei conhecimento que havia um projeto para transformar aquele pr\u00e9dio na \u201cCasa de Cultura\u201d, um sonho do ent\u00e3o Secret\u00e1rio de educa\u00e7\u00e3o Wilson Rosa. Fiquei feliz, mas nem tanto, quando vi que o projeto proposto alterava substancialmente as caracter\u00edsticas do local, principalmente na \u00e1rea onde funciona a sorveteria Ponto Chick, a qual daria lugar a uma torre de vidro temperado de uns 3 ou 4\u00a0 pavimentos, onde seriam instalados os banheiros, administra\u00e7\u00e3o e a central de ar condicionado. Na pra\u00e7a em frente seria constru\u00eddo um coreto e no seu subsolo a casa de for\u00e7a para fornecer a energia necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Passou o tempo e nada foi feito, at\u00e9 que assumiu a prefeitura o Sr. Jabes Ribeiro, tamb\u00e9m muito jovem \u00e0 \u00e9poca. Em uma das primeiras reuni\u00f5es comigo, no cargo de Assessor de Planejamento, me afirmou que levaria adiante a obra, determinando que eu elaborasse o projeto do novo teatro.\u00a0 A princ\u00edpio fiquei um pouco receoso de perder tempo com um projeto que poderia ser \u201cengavetado\u201d, pois sabia ser uma obra de alta complexidade e que demandaria elevados custos, imaginando que aquela decis\u00e3o poderia ser apenas \u201cfogo de palha\u201d de um jovem prefeito sonhador.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Depois, fiquei exultante com a rara oportunidade que se apresentava e o meu primeiro pedido foi para que a prefeitura desapropriasse a casa vizinha ao lado, a qual se encontrava fechada, para que ali pud\u00e9ssemos construir as instala\u00e7\u00f5es de apoio, camarins, administra\u00e7\u00e3o, oficinas, amplia\u00e7\u00e3o lateral das coxias do palco, e onde poderiam ser realizadas outras atividades paralelas e afins. Assim, atendendo minha solicita\u00e7\u00e3o, o prefeito determinou a desapropria\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Mas logo depois veio o primeiro grande obst\u00e1culo e a decep\u00e7\u00e3o: Um grupo de m\u00e9dicos havia comprado a casa para instalar ali uma Cl\u00ednica que prometia ser um avan\u00e7o no atendimento m\u00e9dico na cidade, motivo pelo qual o grupo de propriet\u00e1rios foi em comiss\u00e3o ao prefeito e depois de algumas horas e muitos argumentos, convenceram-no a desistir da desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Des\u00e2nimo a parte, resolvi solicitar outra desapropria\u00e7\u00e3o: ao fundo do teatro havia um pequeno sobrado onde antes funcionava um escrit\u00f3rio pertencente a Fernando Ol\u00edmpio, pr\u00e9dio este que posteriormente demolimos e onde finalmente pudemos projetar e instalar a casa de for\u00e7a, os camarins, a administra\u00e7\u00e3o e a central de ar condicionado. Mas n\u00e3o tivemos espa\u00e7o para aumentar lateralmente as coxias do palco como quer\u00edamos se utiliz\u00e1ssemos o outro im\u00f3vel. Uma pena!<\/p>\n<p>Elaborado o projeto arquitet\u00f4nico, partimos para contratar um dos maiores especialistas em ac\u00fastica e instala\u00e7\u00f5es c\u00eanicas do pa\u00eds, o arquiteto Roberto Thompson Motta, decis\u00e3o que se mostrou acertad\u00edssima, pois os mais exigentes m\u00fasicos e renomados artistas do pa\u00eds nunca economizaram os elogios \u00e0 excelente ac\u00fastica e \u00e0s instala\u00e7\u00f5es cenot\u00e9cnicas do nosso teatro.<\/p>\n<p>Novamente o destino quis que eu continuasse ligado ao assunto, pois logo depois de conclu\u00eddo o projeto fui nomeado Secret\u00e1rio de Obras e passei ent\u00e3o \u00e0 responsabilidade de executar o que hav\u00edamos projetado. No dia do in\u00edcio das obras, ao arrancar as madeiras que fechavam as portas daquelas quatro paredes que restavam do antigo Cine Teatro, uma cena me marcou: \u00a0\u00a0no meio do matagal que crescia entre escombros, no espa\u00e7o aproximado onde hoje se situa o palco, se sobressa\u00eda um p\u00e9 de mam\u00e3o carregado de frutos, o qual provavelmente fora ali \u201cplantado\u201d por algum passarinho que levou as sementes. E eram somente os p\u00e1ssaros os privilegiados que podiam se deliciar com aqueles frutos, pois s\u00f3 eles tinham asas para ter acesso ao local.<\/p>\n<p>Hoje, no mesmo espa\u00e7o, aquele palco rende outros frutos: os frutos perenes que a cultura nos oferece, proporcionando-nos asas para que todos possam al\u00e7ar voos mais altos em dire\u00e7\u00e3o aos muitos palcos da vida!<\/p>\n<p>Que bom ter sido infundada a minha primeira preocupa\u00e7\u00e3o e poder constatar que aquela decis\u00e3o de construir o teatro n\u00e3o era \u201cfogo de palha\u201d de um jovem prefeito sonhador.<\/p>\n<p>E apesar da tristeza de ver a falta de manuten\u00e7\u00e3o e o abandono durante anos, que bom termos a oportunidade de novamente trabalhar para recuperar t\u00e3o especial patrim\u00f4nio!<\/p>\n<p>Feliz anivers\u00e1rio Ilh\u00e9us!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alan Dick Megi \u2013 Arquiteto e Urbanista Agora que, pela segunda vez fui chamado a participar das obras de recupera\u00e7\u00e3o do equipamento cultural que mais orgulha o ilheense, me v\u00eam \u00e0 mente toda a minha hist\u00f3ria com ele. 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