{"id":104463,"date":"2016-11-10T16:12:42","date_gmt":"2016-11-10T19:12:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=104463"},"modified":"2016-11-10T16:12:42","modified_gmt":"2016-11-10T19:12:42","slug":"o-cacaueiro-pede-socorro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2016\/11\/10\/o-cacaueiro-pede-socorro\/","title":{"rendered":"O CACAUEIRO PEDE SOCORRO"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\"><strong>Luiz Ferreira da Silva<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\"><strong>Pesquisador da CEPLAC\/Solos, aposentado.<\/strong><\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #008000;\"><strong>luizferreira1937@gmail.com<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/LUIZ-FERREIRA-2016-ARTIGO-CEPLAC.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"378\" \/>O nosso livro- TRIBUTO \u00c0 ANTIGA CEPLAC. INSTITIUI\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA \u00daNICA &#8211; \u00e9 apenas um elo da cadeia CACAU. N\u00e3o basta a sua revitaliza\u00e7\u00e3o que deve ser vista globalmente; entendendo &#8211; se a planta, quem labuta com a terra e quem d\u00e1 suporte t\u00e9cnico. Ou seja: <strong>O CACAUEIRO, O CACAUICULTOR E A CEPLAC. <\/strong><\/p>\n<p>Neste contexto, a solu\u00e7\u00e3o financeira do produtor de cacau vem em primeiro lugar, condi\u00e7\u00e3o fundamental \u00e0 sobreviv\u00eancia da cacauicultura<strong>, <\/strong>pois sem a sua capitaliza\u00e7\u00e3o o cacaueiro pode entrar na lista de esp\u00e9cies em vias de extin\u00e7\u00e3o como o jacarand\u00e1 ou o mico le\u00e3o dourado. E a CEPLAC, seguir o mesmo caminho. AMBOS \u00c0 REBOQUE.<\/p>\n<p>Portanto, se o Brasil deseja ter chocolate, auferir d\u00f3lares e distribuir rendas tem que\u00a0imediatamente implantar um programa amplo em atendimento a esse trip\u00e9, sobretudo aos seus requerimentos financeiros. Afora disso, s\u00e3o remendos pol\u00edticos que se rasgam constantemente.<\/p>\n<p>Com a introdu\u00e7\u00e3o da vassoura de bruxa, em maio 1989, o cacau baiano foi contaminado exponencialmente, cuja doen\u00e7a se expandiu rapidamente para todos os quadrantes da regi\u00e3o do cacau no sul da Bahia. Isso devido a fatores altamente favor\u00e1veis para a propaga\u00e7\u00e3o do microrganismo, tais como: \u00e1reas cont\u00ednuas de extensas planta\u00e7\u00f5es envelhecidas; topografia fortemente ondulada, com altitude relativa de mais de 300 metros; temperatura declinante no inverno (\u00e9 a zona de cacau mais fria do mundo) e rica densidade da rede hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o regular das chuvas ao longo do ano, sem per\u00edodos secos bem definidos, propicia os lan\u00e7amentos cont\u00ednuos de ramos e folhagem novos (flushing), o que \u00e9 de excepcional favorecimento para a vassoura-de-bruxa.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a chegou ao sul da Bahia, numa hora desvantajosa, cr\u00edtica mesmo, quando a cacauicultura se encontrava \u201cquebrada\u201d, debilitada e mergulhada em grave crise de produ\u00e7\u00e3o. Os cacauais envelhecidos, sem condi\u00e7\u00f5es de competitividade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A regi\u00e3o se empobreceu e, decorridos quase duas d\u00e9cadas, as d\u00favidas aumentam com rela\u00e7\u00e3o ao seu controle eficaz, haja vista a falta de condi\u00e7\u00f5es operacionais da CEPLAC, uma organiza\u00e7\u00e3o sem lideran\u00e7a t\u00e9cnica, antes um modelo eficaz; hoje, sem \u00e2nimos e sem recursos, provida de inger\u00eancia pol\u00edtica insensata e incompetente, ademais da triste omiss\u00e3o de seus funcion\u00e1rios e da sociedade do cacau.<\/p>\n<p>E, neste contexto, o \u201cTheobroma\u201d agoniza. Ele passa a ser prioridade; uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia do cultivo, que poder\u00e1 desaparecer, constituindo-se no primeiro caso na hist\u00f3ria da agricultura brasileira.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar essa premissa, basta se voltar a 1970 quando o caf\u00e9 foi contaminado pela terr\u00edvel ferrugem. Em menos de 10 anos a cafeicultura voltou ao seu patamar de produ\u00e7\u00e3o, porque possu\u00eda institui\u00e7\u00f5es capazes de cuidar do cafeeiro, o que n\u00e3o est\u00e1 acontecendo com o cacaueiro.<\/p>\n<p>Vale a pena contextualizar: o pa\u00eds tem uma d\u00edvida com o cacau, sejam pelo trabalho dos pioneiros e posteriores abnegados empreendedores e, principalmente, pelos muitos anos de manuten\u00e7\u00e3o da lavoura cacaueira a expensas de uma taxa contributiva, devendo ser vista como <strong>Patrim\u00f4nio Nacional<\/strong> e deve ser \u201ctombada\u201d em termos pragm\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Duas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o vitais para a recupera\u00e7\u00e3o da lavoura cacaueira, que s\u00e3o interdependentes:<\/p>\n<ol>\n<li>1<strong>. <\/strong>A implanta\u00e7\u00e3o do PROCACAU-II, com base na experi\u00eancia adquirida com o PROCACAU-I, que possibilitou expandir a lavoura sul baiana em 600 mil hectares e consolidar dois polos importantes na Amaz\u00f4nia (Rond\u00f4nia\/Ariquemes, Jaru e Ouro Preto) e no Par\u00e1 (Transamaz\u00f4nica)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nesta nova configura\u00e7\u00e3o, a Amaz\u00f4nia teria uma vis\u00e3o diferenciada, pela experi\u00eancia e novos conhecimentos dos polos e, principalmente, por dispor de uma imensid\u00e3o de terras mais baratas, providas de um potencial de solos f\u00e9rteis, profundos e produtivos, com um clima caracter\u00edstico &#8211; per\u00edodo seco bem determinado, que viabiliza a conviv\u00eancia com a \u201cvassoura-de-bruxa\u201d, de forma mais econ\u00f4mica e, tendo como produtores, antigos \u201csem-terra\u201d, que operam suas propriedades com a for\u00e7a de trabalho do conjunto familiar. Seria institu\u00edda uma meta de plantio de 250 mil hectares para os pr\u00f3ximos 10 anos, bem acima dos 150 mil hectares propostos anteriormente.<\/p>\n<p>No caso da reestrutura\u00e7\u00e3o da economia cacaueira sul-baiana\/capixaba, o enfoque seria a replanta\u00e7\u00e3o dos velhos cacauais infectados com a vassoura-de-bruxa, estabelecendo-se uma meta de 300 mil hectares.<\/p>\n<p>Em complemento, um adicional programa de erradica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas \u201cenvassouradas\u201d, fontes de contamina\u00e7\u00e3o dos novos plantios como salvaguarda futura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>E, ademais, a revitaliza\u00e7\u00e3o da pesquisa, outra a\u00e7\u00e3o em concomit\u00e2ncia e sine qua non, haja vista a necessidade de se dispor de uma nova base gen\u00e9tica voltada \u00e0 resist\u00eancia clonal, que exige maci\u00e7o investimento em recursos financeiros e, sobretudo, humanos, eivados de pesquisadores capacitados e em tempo integral.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Essa quest\u00e3o est\u00e1 a exigir outra CEPLAC que, para voltar a ser proficiente, deve levar tempo, haja vista se encontrar debilitada, com o agravante que mais de 65% do seu corpo funcional j\u00e1 recebem o adicional de pr\u00e9-aposentadoria e outros tantos se descomprometeram, conforme reclamam os produtores de cacau.<\/p>\n<p>Com ou sem CEPLAC, \u00e9 urgente se implantar um PROJETO INTEGRADO DE PESQUISAS VOLTADO AO CONTROLE DA VASSOURA DE BRUXA, constitu\u00eddo de pesquisadores habilitados nas \u00e1reas do melhoramento gen\u00e9tico, fisiologia vegetal, fitopatologia, fitotecnia e bioqu\u00edmica, sob a coordena\u00e7\u00e3o de um l\u00edder de pesquisa.<\/p>\n<p>Provavelmente, o Grupo seria alocado nas depend\u00eancias da CEPLAC pela estrutura f\u00edsica existente, sobretudo de campo, absorvendo a massa cr\u00edtica dispon\u00edvel que se incorporaria \u00e0 Unidade com os pesquisadores de outras Institui\u00e7\u00f5es, todos eles ligados administrativamente \u00e0s suas origens institucionais e funcionalmente ao Projeto Matricial.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o de pesquisa integrada nada tem a ver com projetos disciplinares efetuados por Organiza\u00e7\u00f5es em suas depend\u00eancias, sobretudo como \u201cencomendas\u201d, que mais satisfazem \u00e0 curiosidade cient\u00edfica e\/ou a produ\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para fins de melhoria curricular do pesquisador, inexistindo a concentra\u00e7\u00e3o hol\u00edstica no problema.<\/p>\n<p>Sob as asas do Minist\u00e9rio da Agricultura est\u00e3o a CEPLAC e a EMBRAPA que j\u00e1 seriam duas fontes de pesquisadores, somando-se outras cabe\u00e7as pensantes advindas de Institui\u00e7\u00f5es consent\u00e2neas.<\/p>\n<p>Este projeto teria um mandato de 5 anos, prorrog\u00e1vel a mais 5, tempo em que se formariam pesquisadores capazes de recompor o grupo e seguir nas pesquisas sine die.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar essa ideia, notadamente no caso de ter a sua factibilidade contestada, recorro ao Projeto Radam \u00a0da d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p>Procedido ao levantamento radargram\u00e9trico da Amaz\u00f4nia, de interesse estrat\u00e9gico do Governo Brasileiro, foram recrutados de suas Institui\u00e7\u00f5es os mais gabaritados t\u00e9cnicos, que se estabeleceram em Bel\u00e9m na miss\u00e3o decenal de orientar, coordenar e at\u00e9 executar os mapeamentos clim\u00e1ticos, geol\u00f3gicos, hidrol\u00f3gicos, pedol\u00f3gicos, florestais, uso da terra, ap\u00f3s o que todo o acervo foi absorvido pelo IBGE e continuado com os trabalhos em detalhamento com a equipe remanescente. Havia, assim, uma determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-institucional de interesse nacional.<\/p>\n<p>O cacau pode muito bem ser assim visualizado. A quest\u00e3o, pois, est\u00e1 nas m\u00e3os do Governo Federal. O que o pa\u00eds almeja em ternos de cacau, h\u00e1 de se perguntar?<\/p>\n<p>E cabe a sociedade cacaueira, entendendo-se o produtor, os organismos sindicais, os chocolateiros e outros afins, reivindicar tal comportamento do Estado Brasileiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 outro caminho, assim creio!<\/p>\n<p><strong>______________________________________________________________<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Luiz Ferreira da Silva<\/em><\/strong><strong>, <\/strong>79, \u00e9 natural de Coruripe, Al. Engenheiro Agr\u00f4nomo pela UFRRJ (1962). P\u00f3s graduou-se em Foto-Pedologia (CIAF\/Governo Holand\u00eas). Iniciou-se na CEPLAC em janeiro de 1963 e exerceu atividades de pesquisador\/Solos, bem como gerenciais: Chefe da Divis\u00e3o de Geoci\u00eancias, Diretor do Centro de Pesquisas do Cacau, Diretor da CEPLAC-Amaz\u00f4nia e Coordenador-Adjunto regional (BA). Publicou 75 trabalhos t\u00e9cnicos sobre Solos\/Pedologia; Zoneamentos Agroecol\u00f3gicos, Levantamento de Recursos Naturais e Manejo de Solos. Tamb\u00e9m, um livro sobre os Solos da Regi\u00e3o cacaueira; e quatro outros sobre solos tropicais, uso e manejo. Realizou diversas miss\u00f5es t\u00e9cnicas ao exterior, com destaque \u00e0 \u00c1frica cacaueira (Costa do Marfim, Ghana e Nig\u00e9ria) e ao Sudeste Asi\u00e1tico (\u00cdndia e Mal\u00e1sia). Participou de Grupos de Trabalho promovidos pela FAO, Universidade da Carolina do Norte e EMBRAPA. Aposentou-se em 1991 e passou a exercer atividades de consultorias \u00e0s universidades e institui\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Ferreira da Silva Pesquisador da CEPLAC\/Solos, aposentado. luizferreira1937@gmail.com O nosso livro- TRIBUTO \u00c0 ANTIGA CEPLAC. INSTITIUI\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA \u00daNICA &#8211; \u00e9 apenas um elo da cadeia CACAU. N\u00e3o basta a sua revitaliza\u00e7\u00e3o que deve ser vista globalmente; entendendo &#8211; se a planta, quem labuta com a terra e quem d\u00e1 suporte t\u00e9cnico. 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