{"id":1079,"date":"2010-10-30T11:41:48","date_gmt":"2010-10-30T14:41:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=1079"},"modified":"2010-10-30T11:54:30","modified_gmt":"2010-10-30T14:54:30","slug":"1079","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/10\/30\/1079\/","title":{"rendered":"Insurrei\u00e7\u00e3o eleitoral"},"content":{"rendered":"<p><img align = \"left\" src = \"http:\/\/lh5.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMwxXzE9hCI\/AAAAAAAAt6Q\/xaXYTb4Ytg8\/Jos%C3%A9%20Carlos%20Sep%C3%BAlveda%20da%20Fonseca.jpg\"\/>As previs\u00f5es, as profecias, as certezas dogm\u00e1ticas enunciadas pelos \u201cespecialistas\u201d das mais variadas \u00e1reas anunciavam um desfecho inequ\u00edvoco para a elei\u00e7\u00e3o presidencial: a vit\u00f3ria arrasadora de Dilma Rousseff no primeiro turno e o desbaratamento de qualquer tipo de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Seria o triunfo, a consagra\u00e7\u00e3o do lulo-petismo, a vit\u00f3ria de um projeto de poder popular contra \u201ctudo o que a\u00ed est\u00e1\u201d, contra as \u201celites opressoras\u201d que dominaram o Brasil durante 500 anos.<\/p>\n<p>Popularidade fict\u00edcia<br \/>\nLula e sua candidata eram \u2013 e continuam a ser \u2013 consagrados nas pesquisas. Mas, como j\u00e1 frisei diversas vezes no Radar da M\u00eddia, trata-se de uma fic\u00e7\u00e3o, desmentida sempre que \u00e9 confrontada com a realidade. Neste caso com a realidade das urnas.<\/p>\n<p>Votaram em Dilma 47.651.434 eleitores, de um total de 135.804.433. Ou seja, apenas 35,08% do eleitorado.<\/p>\n<p>Onde est\u00e3o, pois, os mais de 80% de popularidade de Lula? Ele que de forma escandalosa \u2013 e ilegal \u2013 transformou a elei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff em seu virtual terceiro mandato, chegando a subir em palanques, sem a presen\u00e7a de sua pupila, pedindo votos para si, ou que nas propagandas no r\u00e1dio e na televis\u00e3o afirmou sem pejo: \u201cQuem vota em Dilma, vota em mim\u201d.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>\u201cLula abordou a sua sucess\u00e3o como uma campanha de reelei\u00e7\u00e3o. A Presid\u00eancia, os Minist\u00e9rios, as empresas estatais e as centrais sindicais neopelegas foram mobilizadas para assegurar o triunfo da candidata oficial\u201d, escreveu Dem\u00e9trio Magnoli no jornal O Estado de S. Paulo (Um mito de papel, 28.out.2010).<\/p>\n<p>N\u00e3o se diga agora que Lula \u00e9 popular mas n\u00e3o transfere votos, pois todos os \u201cespecialistas\u201d afirmavam que Dilma estava sendo carregada nas asas da popularidade de Lula. O bem informado di\u00e1rio espanhol, El Pais, chegou a intitular sua reportagem, poucos dias antes do primeiro turno da elei\u00e7\u00e3o: \u201cRousseff voa para a presid\u00eancia do Brasil gra\u00e7as ao carisma de Lula\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos tamb\u00e9m que boa parte dessa vota\u00e7\u00e3o da candidata petista foi impulsionada pelos programas sociais como Bolsa Fam\u00edlia, j\u00e1 qualificado como o maior programa de compra de votos da hist\u00f3ria nacional. Os estudos sobre a coincid\u00eancia das \u00e1reas do Pa\u00eds beneficiadas pelo programa social do governo Lula e as zonas com maiores \u00edndices de vota\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, s\u00e3o inequ\u00edvocos.<\/p>\n<p>Fracasso dos profetas<br \/>\nO malogro dos institutos de pesquisa foi bem analisado por Fernando Mello, em reportagem para a revista Veja (13.out.2010), intitulado O fracasso dos profetas:<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dois meses, todos os institutos que se dedicam a sondar a cabe\u00e7a do eleitorado apontaram para a mesma dire\u00e7\u00e3o: a petista Dilma Rousseff seria eleita presidente da Rep\u00fablica no primeiro turno \u2014 e com folga. A certeza alardeada era tal que, at\u00e9 dois dias antes do pleito, a possibilidade de haver um segundo round era tratada como del\u00edrio da oposi\u00e7\u00e3o. Estat\u00edsticos metidos a profetas vaticinaram que o tucano Jos\u00e9 Serra sairia das urnas humilhado com 20 pontos atr\u00e1s da advers\u00e1ria. (&#8230;) S\u00f3 que, anunciada a contagem final&#8230; Ops, que diferen\u00e7a! Nenhum instituto detectou com precis\u00e3o a vontade dos eleitores. Mesmo o que mais se aproximou do resultado das urnas, o Datafolha, escorregou para al\u00e9m dos limites da \u201cmargem de erro\u201d, o campo do equ\u00edvoco aceit\u00e1vel. O Ibope falhou at\u00e9 mesmo na pesquisa de boca de urna, coisa rara de ver. (&#8230;)<\/p>\n<p>\u201cO desempenho dos institutos de opini\u00e3o neste primeiro turno deixa uma li\u00e7\u00e3o. Serve para lembrar que as pesquisas devem ser vistas em sua dimens\u00e3o devida: s\u00e3o fal\u00edveis, quando n\u00e3o manipul\u00e1veis. E est\u00e3o sempre sujeitas \u00e0quilo que, na falta de explica\u00e7\u00e3o melhor, os institutos agora chamam de imponder\u00e1vel. O imponder\u00e1vel, no caso, \u00e9 que a cabe\u00e7a dos brasileiros \u00e9 melhor do que imaginam os pesquiseiros.\u201d<\/p>\n<p>Insurrei\u00e7\u00e3o eleitoral<br \/>\nSim, a cabe\u00e7a dos brasileiros \u00e9 bem diferente e melhor do que a imaginam o mundo pol\u00edtico \u2013 sobretudo, certos setores da esquerda &#8211; o mundo publicit\u00e1rio e vastos setores do mundo midi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Foi por isso que ampla parcela da opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 margem do mundo pol\u00edtico-partid\u00e1rio, imp\u00f4s uma reviravolta in\u00e9dita no quadro eleitoral.<\/p>\n<p>A respeito de tal reviravolta, o Pr\u00edncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragan\u00e7a, trineto do Imperador Dom Pedro II, escreveu hoje na Folha de S. Paulo (28.10.2010) o artigo Insurrei\u00e7\u00e3o eleitoral. Convido-os a ler essa an\u00e1lise original:<\/p>\n<p>\u201cA reviravolta imposta pelo eleitorado ao mundo pol\u00edtico-publicit\u00e1rio, nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, \u00e9 tema que se imp\u00f5e.<\/p>\n<p>N\u00e3o me atenho ao palco eleitoral, onde os figurantes desenrolam seus pap\u00e9is para convencer o p\u00fablico e arrast\u00e1-lo a uma escolha. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para a larga e vigorosa fatia da opini\u00e3o p\u00fablica capaz de reescrever o roteiro do pleito eleitoral.<\/p>\n<p>A falta de id\u00e9ias, de princ\u00edpios e de debates sobre problemas nacionais, marcou a campanha do 1\u00ba turno. Prognosticou-o o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao afirmar que o teatro eleitoral se organizava para esconder o que verdadeiramente estava em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Coube \u00e0 revista \u201cVeja\u201d sintetizar graficamente a frustra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico ante tal v\u00e1cuo, com uma capa em branco, a simbolizar as \u201cgrandes propostas para o Brasil feitas na campanha presidencial\u201d.<\/p>\n<p>A falta de autenticidade somou-se \u00e0 falta de representatividade dos principais candidatos &#8211; todos eles de esquerda \u2013 deixando o amplo setor conservador do eleitorado sem leg\u00edtimo porta-voz.<\/p>\n<p>O quadro eleitoral, segundo dogmatizavam in\u00fameros \u201cespecialistas\u201d, caminhava para a vit\u00f3ria arrasadora do lulo-petismo, com uma popula\u00e7\u00e3o indiferente a princ\u00edpios e valores e emba\u00edda pelos benef\u00edcios de uma situa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>O mundo publicit\u00e1rio e pol\u00edtico \u2013 mais precisamente, preponderantes setores da esquerda \u2013 enganou-se com rela\u00e7\u00e3o ao Pa\u00eds. De tanto prestar aten\u00e7\u00e3o ao Brasil oficial, acreditou que a Na\u00e7\u00e3o se cinge a essa minoria fren\u00e9tica e aparatosa, mas superficial. Ignorou os brasileiros, silenciados nos seus anelos mais aut\u00eanticos &#8211; particularmente nos morais e religiosos &#8211; que se moviam e preparavam uma \u201cvingan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 margem das estruturas partid\u00e1rias e pol\u00edticas, esse Brasil fez irromper como um g\u00e9iser, no panorama artificialmente inexpressivo, as preocupa\u00e7\u00f5es que assombram a maioria silenciosa, pacata e conservadora de nossa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema do aborto despontou com \u00edmpeto chamativo. Mas foi a pan\u00f3plia de metas radicais do PNDH 3 o que maior apreens\u00e3o causou em vastos setores da sociedade. As amea\u00e7as do PNDH3 \u2013 cavilosamente adjetivadas de \u201cboataria\u201d \u2013 fizeram vislumbrar o g\u00e9rmen da persegui\u00e7\u00e3o religiosa, ao pretenderem subverter os fundamentos crist\u00e3os que ainda pautam a sociedade e tutelar sectariamente os indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>O mundo pol\u00edtico-partid\u00e1rio e as potentes tubas publicit\u00e1rias tentaram celeremente adaptar-se \u00e0 realidade a tanto custo abafada. Sinal inequ\u00edvoco da crescente fraqueza desse Brasil de superf\u00edcie, que tenta relegar ao anonimato o Brasil aut\u00eantico, o qual se quer manter fiel a si mesmo, \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es, ao seu modo de pensar e de viver.<\/p>\n<p>Assistimos a uma verdadeira insurrei\u00e7\u00e3o eleitoral. Qualquer que seja o resultado do presente pleito, sirva ela de li\u00e7\u00e3o para o grave div\u00f3rcio que se vai estabelecendo entre o Brasil oficial e o Brasil profundo. Outras surpresas sobrevir\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As previs\u00f5es, as profecias, as certezas dogm\u00e1ticas enunciadas pelos \u201cespecialistas\u201d das mais variadas \u00e1reas anunciavam um desfecho inequ\u00edvoco para a elei\u00e7\u00e3o presidencial: a vit\u00f3ria arrasadora de Dilma Rousseff no primeiro turno e o desbaratamento de qualquer tipo de oposi\u00e7\u00e3o. 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