{"id":108110,"date":"2017-03-30T15:45:46","date_gmt":"2017-03-30T18:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=108110"},"modified":"2017-03-30T15:45:46","modified_gmt":"2017-03-30T18:45:46","slug":"heckel-januario-em-as-primeiras-pisadas-lusitanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2017\/03\/30\/heckel-januario-em-as-primeiras-pisadas-lusitanas\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio em: AS PRIMEIRAS PISADAS LUSITANAS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" width=\"300\" height=\"129\" \/>A imprecis\u00e3o do ponto onde os portugueses pisaram pela primeira vez nas terras de al\u00e9m-mar ainda faz gerar, perto de completar 517 anos de hist\u00f3ria, manifesta\u00e7\u00f5es reivindicat\u00f3rias de cidades litor\u00e2neas sul-baianas pela posse territorial.<\/p>\n<p>Porto Seguro pelo relato oficial como se sabe, det\u00e9m este privil\u00e9gio, mas a vizinha Santa Cruz Cabr\u00e1lia, investida de a condi\u00e7\u00e3o da 1\u00aa missa ter sido rezada na Coroa Vermelha, seu territ\u00f3rio, entrou na parada. A nota do jornalista Anselmo Gois no jornal O Globo (11.2.2017) revela que \u201c&#8230;os irm\u00e3os Claudia Carvalho e Agnelo Santos prefeitos das cidades vizinhas Porto Seguro e Santa Cruz Cabr\u00e1lia, na Bahia est\u00e3o disputando o direito de comemorar a descoberta do Brasil. Claudia diz que Cabral pisou primeiro em Porto Seguro. J\u00e1 seu irm\u00e3o Agnelo garante que foi em Santa Cruz Cabr\u00e1lia\u201d. O texto foi aludido em t\u00f3pico no jornaldebelmonte.com.br (3.3.2017), o qual enfatiza que, mesmo se tratando de uma \u201cbriga de compadre\u201d em raz\u00e3o da irmandade, a pol\u00eamica servir\u00e1 dentre outras vantagens para incentivar o turismo nas duas localidades.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na brecha da incerteza, Prado incluiu-se na disputa. A advogar desde 1993 que o desembarque portugu\u00eas se deu mais ao sul do local oficializado, voltou a defende-lo neste in\u00edcio de 2017, tratando de reerguer \u2013\u00e0 frente a administra\u00e7\u00e3o municipal\u2013 a cruz semelhante \u00e0 fincada pelos descobridores e, de implantar uma placa de madeira com dizeres alusivos \u00e0 chegada \u00e0 primeira praia do Brasil: Praia do Cahy. Com isso os nativos argumentam orgulhosos que s\u00f3 das \u00e1guas pradenses \u00e9 poss\u00edvel ver a olho nu o Monte Pascoal. E est\u00e3o t\u00e3o convencidos que j\u00e1 se preparam para contar o \u201credescobrimento\u201d nos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e \u201crecontar\u201d a hist\u00f3ria nas salas de aula do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Belmonte \u00e9 outra reivindicante. Nos anos 80 do s\u00e9culo passado o arquiteto paulista J\u00falio Louzada, por conta de propriedades agr\u00edcolas da fam\u00edlia na regi\u00e3o, passava uma temporada na cidade. Enveredando ent\u00e3o em estudos e pesquisas constatara que os picos da Serra do Lap\u00e3o (em Santa Luzia) a al\u00e7arem 900 metros de altura \u2013os quais vis\u00edveis das \u00e1guas mar\u00edtimas belmontenses\u2013, superavam os 400 do Monte Pascoal da Serra dos Aimor\u00e9s. Al\u00e9m disso conclu\u00edra que, somente a caudalosidade do Rio Jequitinhonha medindo 2 km de boca \u00e0 \u00e9poca, poderia ser capaz de levar a alto-mar sinais da presen\u00e7a de terra. N\u00e3o chegara a termo, mas a defesa desses anunciados e outros integraria um arrojado projeto \u2013congregando mais de 150 investigadores cient\u00edficos (muitos doutores) de variadas disciplinas de v\u00e1rias universidades a exemplo da Ufba, Usp e Unicamp\u2013 que, sob a tutela de um chamado Instituto Nau, baseado em S\u00e3o Paulo, objetivava deixar um legado \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es para reflex\u00f5es sobre as primeiras pisadas lusitanas e a obscuridade dos primitivos 50 anos da hist\u00f3ria do Brasil.\u00a0 O mencionado instituto fora fundado entre outros pelo pr\u00f3prio Lousada e o navegador Amir Klink no meado da d\u00e9cada de 90 no Sec. XX visando participar dos cinco s\u00e9culos do \u201cDescobrimento\u201d. Tal investida foi alvo de mat\u00e9ria de p\u00e1gina inteira no jornal Estado de S\u00e3o Paulo em 28 e 30 de junho de 1998. Uma nota: apesar das ininterruptas agress\u00f5es sofridas a datar das pegadas portuguesas, o referido rio at\u00e9 hoje a transformar \u00e1gua salgada em doce e em \u2018barrenta\u2019 a natural cor, inspirou o deputado J\u00e2nio Natal em seu 1\u00ba mandato (1993 a 1997) como prefeito, a nomear Praia do Mar Moreno a praia em frente \u00e0 cidade. Janival Borges, mandat\u00e1rio atual, aproveitando a deixa do mano, n\u00e3o titubeou em, num trocadilho coerente, eleger \u201cCidade do Mar Moreno\u201d o mote de sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es nos levam a crer terem sido a princ\u00edpio apoiadas na tese da \u201ccalmaria\u201d, embora muito se defenda hoje que a badalada \u201cn\u00e3o intencionalidade\u201d fora pura malandragem dos nossos lusitanos, pois se agarravam fielmente \u00e0 \u201cpol\u00edtica do sigilo\u201d, artificio para salvaguardar as terras conquistadas das invas\u00f5es estrangeiras. Ali\u00e1s a\u00e7\u00f5es municipais politicamente corretas, patri\u00f3ticas, bem diferentes das maldosas \u2013inclua-se as de subtra\u00edrem o patrim\u00f4nio nacional\u2013 contra a popula\u00e7\u00e3o brasileira, sobretudo a camada mais carente (e propagadas como boazinhas), emanadas do Pal\u00e1cio do Planalto e abonadas pelo Congresso Nacional, p\u00f3s farra das \u2018pedaladas\u2019.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprecis\u00e3o do ponto onde os portugueses pisaram pela primeira vez nas terras de al\u00e9m-mar ainda faz gerar, perto de completar 517 anos de hist\u00f3ria, manifesta\u00e7\u00f5es reivindicat\u00f3rias de cidades litor\u00e2neas sul-baianas pela posse territorial. 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