{"id":108853,"date":"2017-04-25T22:09:49","date_gmt":"2017-04-26T01:09:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=108853"},"modified":"2017-04-25T22:09:49","modified_gmt":"2017-04-26T01:09:49","slug":"mudam-se-os-costumes-nem-sempre-para-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2017\/04\/25\/mudam-se-os-costumes-nem-sempre-para-melhor\/","title":{"rendered":"Mudam\u2013se os costumes \u2013  \u00a0nem sempre para melhor"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Walmir Ros\u00e1rio*<\/strong><\/em><\/p>\n<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/WALMIR-ROS%C3%81RIO-FOTO-WALDYR-GOMES_.jpg\" width=\"200\" height=\"267\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Walmir Ros\u00e1rio\u00a0\/ Foto by Waldir Gomes<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>\u00c9 um sufoco di\u00e1rio para produtores e editores dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil. T\u00eam que se virar nos 30, como diz Faust\u00e3o, para conseguir fazer um programa redondinho. E o motivo n\u00e3o \u00e9 outro, sen\u00e3o a pol\u00edtica (e os pol\u00edticos), que simplesmente mudaram de editoria: ao inv\u00e9s da tradicional e prestigiosa editoria de pol\u00edtica, elas passaram a engordar a editoria de pol\u00edcia, que nunca teve esses prest\u00edgios todos, a n\u00e3o ser em determinados hor\u00e1rios ou meios de comunica\u00e7\u00e3o especializados.<\/p>\n<p>E olha que os coitados dos jornalistas, radialistas e blogueiros at\u00e9 que tentam emplacar as not\u00edcias vindas de Bras\u00edlia \u2013 sobretudo \u2013 na tradicional editoria de pol\u00edtica, mas \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir, e muitas vezes n\u00e3o encontram outro recurso que n\u00e3o seja a apela\u00e7\u00e3o. Como costumo dizer, n\u00e3o se deve brigar com a not\u00edcia, mas nem sempre essa m\u00e1xima \u00e9 seguida \u00e0 risca e o p\u00fablico termina por n\u00e3o acreditar no que est\u00e1 vendo, lendo ou ouvindo. Ao inv\u00e9s de pol\u00edtica, pol\u00edcia no programa inteiro.<\/p>\n<p>A depender o hor\u00e1rio, a\u00ed \u00e9 que o programa vai pro brejo. A escalada feita com todo o esmero para dar \u00eanfase \u00e0s chamadas e conseguir uma boa audi\u00eancia \u00e9 toda trocada no decorrer do programa, nos casos de emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o. J\u00e1 os impressos e blogs passam o tempo esperando que a grande imprensa e ag\u00eancias de not\u00edcias transmitam os debates do Congresso Nacional, acerca de temas relevantes para as \u00e1reas econ\u00f4mica, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e cidadania. Mas \u00e9 tudo em v\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Como sempre acontece de uns tempos pra c\u00e1, oposi\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o costumam travar os fenomenais debates com pol\u00edticos importantes e que faziam vibrar a na\u00e7\u00e3o com seus discursos. Os grandes tribunos do naipe de Ruy Barbosa, Tarcilo Vieira de Melo, Aliomar Baleeiro, Carlos Lacerda, ou raposas pol\u00edticas a exemplo de Tancredo Neves e Ulisses Guimar\u00e3es desapareceram e deram lugar \u00e0 pol\u00edtica de bastidores. Se antes se privilegiava o debate sobre os temas, \u00e0 vista de todos, hoje a popula\u00e7\u00e3o costuma \u201ccomer o prato feito\u201d preparado nos rec\u00f4nditos das cozinhas palacianas.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero aqui afirmar que na pol\u00edtica de antes corredores, gabinetes, salas, restaurantes e cafezinhos do Congresso Nacional n\u00e3o fossem testemunhas de olhos e ouvidos \u2013 de mercador \u2013 do que e sobre o que se conversava nesses locais. Acordos eram feitos dentro e fora dos recintos parlamentares, principalmente na calada da noite nos badalados restaurantes. Local melhor para conspirar, trair e at\u00e9 mesmo acordar n\u00e3o existiam e tudo era percebido no plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma das grandes diferen\u00e7as era, \u00e0quela \u00e9poca, a presen\u00e7a das convic\u00e7\u00f5es, tempos ainda marcados pela ideologia pol\u00edtica, comportamento t\u00e3o escasso no Brasil de hoje, e prova melhor n\u00e3o h\u00e1 do que uma simples e perfunct\u00f3ria an\u00e1lise da mudan\u00e7a de partidos de nossos parlamentares. Transitam da esquerda \u00e0 direita sem a menor cerim\u00f4nia, sequer fazem um simples est\u00e1gio no centro nessa temida e nefasta trajet\u00f3ria. E a\u00ed est\u00e1 o xis do problema: Hoje, em Bras\u00edlia, at\u00e9 a raiva \u00e9 combinada.<\/p>\n<p>E os pensamentos s\u00e3o mudados, as consci\u00eancias s\u00e3o compradas por qualquer dois mil r\u00e9is. Ali\u00e1s, essa antiga express\u00e3o n\u00e3o tem a menor chance de sobreviver em Bras\u00edlia, onde as conversas come\u00e7am com milh\u00f5es, distribu\u00eddos generosamente pela nossas gentis empreiteiras, de forma das mais generosas. S\u00e3o todos bonzinhos e inteligentes ao interpretar a ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco de Assis, principalmente naquela parte do \u00e9 dando que se recebe. No popular, um caminho de duas vias: eu contribuo e voc\u00ea me devolve a gentileza com pequenas a\u00e7\u00f5es e atos no parlamento.<\/p>\n<p>Mas ao fim e ao cabo, n\u00e3o conseguiram antever a recusa de cumplicidade\u00a0 dos Procuradores da Rep\u00fablica, Ju\u00edzes Federais e da Pol\u00edcia Federal. A partir da\u00ed, a atividade desenvolvida pelos pol\u00edticos passou a ser publicada nas editorias de pol\u00edcia. Ao inv\u00e9s de apresenta\u00e7\u00f5es projetos de lei, opera\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia federal; aprecia\u00e7\u00f5es de projetos foram substitu\u00eddas pela den\u00fancia dos procuradores; e o espa\u00e7o dado \u00e0s a\u00e7\u00f5es parlamentares no dia a dia trocadas pelas pris\u00f5es em casas, ao amanhecer do dia, embora todos se declarem inocentes.<\/p>\n<p>Os jornais e revistas \u2013 inclusive os eletr\u00f4nicos \u2013 que reservavam mais espa\u00e7os para a vida em sociedade, o cotidiano, a economia, a cultura, passaram a dar manchetes sensacionalistas das atividades criminosas dos parlamentares. E at\u00e9 mesmo o Jornal Nacional, que evitava a not\u00edcia policial como \u201csatan\u00e1s corre da cruz\u201d, adotou e proporciona espa\u00e7os generosos, prometendo, ainda, mais desdobramentos para o dia seguinte.<\/p>\n<p>\u00c9 de matar de inveja antigos jornais como Not\u00edcias Populares, A Luta Democr\u00e1tica e o Jornal O Dia (em seu antigo formato) adjetivados como do tipo \u201cse espremer sai sangue\u201d. Hoje, esses modelos s\u00e3o copiado largamente pelos blogs, que exp\u00f5em imagens cru\u00e9is de pessoas mortas e esquartejadas, sejam pelas chacinas ou em acidentes automobil\u00edsticos. Quanto aos coitados dos editores s\u00f3 duas alternativas: manter o novo formato policialesco ou perder audi\u00eancia para os concorrentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos, por\u00e9m, que a sociedade mudou em seus costumes, com o embrutecimento das pessoas, para os quais mis\u00e9ria pouca \u00e9 bobagem.<\/p>\n<p><strong>*Jornalista, radialista e advogado <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio* \u00c9 um sufoco di\u00e1rio para produtores e editores dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil. T\u00eam que se virar nos 30, como diz Faust\u00e3o, para conseguir fazer um programa redondinho. 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