{"id":11159,"date":"2011-03-21T18:11:24","date_gmt":"2011-03-21T21:11:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=11159"},"modified":"2011-03-21T18:11:24","modified_gmt":"2011-03-21T21:11:24","slug":"marli-goncalves-em-o-mundo-esta-mesmo-muito-estranho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/03\/21\/marli-goncalves-em-o-mundo-esta-mesmo-muito-estranho\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: O mundo est\u00e1 mesmo muito estranho"},"content":{"rendered":"<p><b><i><font color = \"red\">&#8220;Meu, o mundo t\u00e1 muito estranho&#8221;. Duvido que voc\u00ea n\u00e3o tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que n\u00e3o tenha concordado com ela. Duvido que tamb\u00e9m n\u00e3o tenha medo, e n\u00e3o se sinta como uma barata tonta, sendo pisada, ca\u00e7ada por algo maior, desconhecido, imensur\u00e1vel, complexo, chamado Futuro, sobrenome Natureza, e apelidado Destino<\/font><\/i><\/b><\/p>\n<p><img align = \"left\" src = \"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\"\/>Maremoto, que d\u00e1 tsunami, terremotos e o risco de um desastre nuclear sem precedentes em uma das maiores e mais desenvolvidas na\u00e7\u00f5es do mundo, o Jap\u00e3o. Era mais do que a gota d\u2019\u00e1gua que faltava para a gente ficar paran\u00f3ico de vez. N\u00e3o precisa nem esperar 2012 quando uns malucos de pir\u00e2mides douradas juram que sabem que o mundo vai acabar. \u00c9 todo dia. Toda hora. Cada not\u00edcia mais louca que outra, mais constante, mais punk, mais esquisita. Isso al\u00e9m daquelas que s\u00e3o i-na-cre-di-t\u00e1-ve-is, tanto, mas tanto, que chegam a ser folcl\u00f3ricas. <\/p>\n<p>N\u00f3s, aqui, ainda temos de aguentar umas catracas que nos governam fazendo catraquices, como por exemplo, nossa representante na ONU se abstendo de votar san\u00e7\u00e3o contra a L\u00edbia do Kaddaffi (gosto assim, dois <b><i>ds<\/i><\/b>, dois <b><i>fs<\/i><\/b>). N\u00e3o parece mesmo o fim do mundo uma decis\u00e3o como essa tomada justamente quando os <b><i>kaddaffinhos<\/i><\/b> afirmam, o povo como ref\u00e9m, que haver\u00e1 banho de sangue civil correndo por ali? <b><i>Kaddaffi e os kaddaffinhos<\/i><\/b> me lembram dos <i>mafagafos e mafagafinhos<\/i>, bem monstrinhos. Nossa pol\u00edtica internacional? Esta nem me lembra nada de t\u00e3o chutada que \u00e9.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Justamente nesta semana, completando o quadro, o homem mais poderoso do mundo, o presidente americano, o primeiro presidente negro, Barack Obama, vem para c\u00e1, para encontrar com a primeira presidente mulher do pa\u00eds, Dilma, e no meio de todos esses acontecimentos internacionais. Mais? Esperavam dele um discurso hist\u00f3rico; primeiro seria l\u00e1 na Cinel\u00e2ndia, mas o barato foi cortado. Digamos que julgaram que seria mais seguro Obama aparecer em sala fechada e bonitinha, como o Teatro Municipal, todo mundo sentadinho e bem revistado. Por causa de Obama, at\u00e9 Cristo foi revisado, revistado por tropas de elite. Pede para sair! Ainda querem lev\u00e1-lo para passear e ver um pouco de pobres e mis\u00e9ria, em uma favela, ou alguma outra &#8220;pracinha&#8221; de uma pacificada cidade do Rio de Janeiro, o Rio. Agora, dizem que pretende tomar um banho de mar. Descarrego no Rio de Janeiro? O Rio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Nessas \u00e1guas e nas passadas. Neste ano, nem precisamos por os peitos na janela. Bastou ligar a televis\u00e3o e por ali passou tudo: a banda e as casas e as pessoas, \u00e1rvores e os animais, todos carregados, levados na enchente da serra fluminense. Vimos carros empilhados, mortes e desespero tamb\u00e9m nas enchentes do Sul e resto do Sudeste. S\u00e3o Paulo boiou. <\/p>\n<p>E fez calor. Muito calor, um calor opressivo. N\u00e3o era s\u00f3 o calor do ver\u00e3o, o t\u00e3o esperado. Era um forno maldito, sufocante, incapacitante. Choveu, choveu, choveu. Tudo bem. Mas e os raios? Muitos raios, rel\u00e2mpagos, descargas &#8211; como nunca antes &#8211; crisparam, cindiram, rasgaram os c\u00e9us de forma apavorante. <\/p>\n<p>L\u00e1 fora um frio cortante, neve para mais de metros. E gritos, muitos gritos de liberdade, vindos do Oriente M\u00e9dio, de cada pedacinho. Um diferente do outro, mas todos parecidos, pesados, violentos, religiosos, remotos. Enf\u00e1ticos, assim como as palavras que preciso usar. Vozes que se levantaram mesmo que vindas de debaixo das burcas pesadas, s\u00f3 os olhos de fora, t\u00fanicas e cren\u00e7as m\u00edticas, sacrif\u00edcios em acampamentos. O pavio queimando, como o das velas de anivers\u00e1rio que apagam e acendem, a qualquer fagulha. <\/p>\n<p>E veio a \u00e1gua e o tremor. Ou o temor, como aprendi no s\u00e1bio <b><i>I-Ching<\/i><\/b> &#8211; <i>&#8220;H\u00e1 de se saber diferenciar o tremor do temor&#8221;, <\/i>li certa vez e jamais esqueci. Como no or\u00e1culo chin\u00eas, s\u00f3 se v\u00ea como previs\u00e3o \u00e1gua sobre terra, vento sobre terra, lago sobre c\u00e9u, c\u00e9u sobre terra, fogo sobre montanha.<\/p>\n<p>N\u00f3s? Corremos como baratas quando fogem de nossos p\u00e9s e vassouras, dos bicos finos de nossos sapatos. Dos sprays que lhes empunhamos como canh\u00f5es e jatos de efeito napalm. Queremos mat\u00e1-las. Exterm\u00ednio seria uma palavra adequada. (Me perdoem os budistas)<\/p>\n<p>Sempre fui, mas realmente ando mesmo ainda muito mais impressionada com as baratas. Para me apavorar, fazer o tradicional terrorismo &#8220;brother&#8221;, meu irm\u00e3o me contou que viu num document\u00e1rio como elas s\u00e3o capazes de se comprimir, ficarem chatinhas e como, assim, conseguem e conseguir\u00e3o escapar &#8211; ele descreveu, s\u00e1dico, citando cada imagem, imitando a barata ficando chatinha. Fazendo cara de barata achatadinha.<\/p>\n<p>Dizem que s\u00e3o os \u00fanicos bichos que sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Eu ouvi. Agora fico sabendo de opera\u00e7\u00f5es de resfriamento de usinas radioativas com \u00e1cido b\u00f3rico, o que eu achava que matava as baratas, e vejo aqueles helic\u00f3pteros sofisticados carregando &#8220;baldinhos&#8221;, como parecem de longe aquelas toneladas de \u00e1gua e as moscas voadoras enormes, para l\u00e1 e para c\u00e1, trazendo tamb\u00e9m a \u00e1gua do mar, e com o \u00e1cido. O \u00e1cido b\u00f3rico. Quantas vis\u00f5es aterrorizantes!<\/p>\n<p><b><i>H\u00e3h\u00e3<\/i><\/b>. Esse mundo anda mesmo muito estranho. <\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, distante 396 km de Angra dos Reis, e a nove meses de 2012.<\/p>\n<p><b><i>\u2022 (*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/i><\/b>. Virei blogueira tamb\u00e9m, voc\u00eas j\u00e1 sabem (http:\/\/marligo.wordpress.com). Mas se eu pudesse captar t\u00e3o f\u00e1cil R$ 1,3 milh\u00e3o para fazer um blog\u00b8 como a Beth\u00e2nia conseguiu com seu projeto de &#8220;extrema bondade po\u00e9tica com esse povo ignorante de poesia&#8221;, acho que tamb\u00e9m postaria um v\u00eddeo por dia, Com o que voc\u00eas quisessem. Talvez at\u00e9 topasse cenas de nudez! E como diz meu amigo, por um milh\u00e3o? Ok! Fa\u00e7o por 880 se for sem nota&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Meu, o mundo t\u00e1 muito estranho&#8221;. Duvido que voc\u00ea n\u00e3o tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que n\u00e3o tenha concordado com ela. 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