{"id":112333,"date":"2017-08-23T08:46:11","date_gmt":"2017-08-23T11:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=112333"},"modified":"2017-08-23T08:46:11","modified_gmt":"2017-08-23T11:46:11","slug":"a-utopia-canavieirense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2017\/08\/23\/a-utopia-canavieirense\/","title":{"rendered":"A UTOPIA CANAVIEIRENSE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>por Walmir Ros\u00e1rio*<\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_112334\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-112334\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-112334\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-350-L.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-350-L.jpg 350w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Walmir-Ros\u00e1rio-350-L-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><p id=\"caption-attachment-112334\" class=\"wp-caption-text\"><em><strong>Walmir Ros\u00e1rio<\/strong><\/em><\/p><\/div>\n<p>Segundo os historiadores, h\u00e1 utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem o papel pol\u00edtico enquanto outras o religioso. Algumas s\u00e3o apenas sonhos de fil\u00f3sofos, que jamais saem dos livros. J\u00e1 a Ma\u00e7onaria abrange as duas, pois \u00e9 uma utopia filos\u00f3fica e uma tentativa de implant\u00e1-la na pr\u00e1tica. Por isso, tem envolvimentos com a pol\u00edtica e ainda \u00e9 confundida com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A utopia prega um modo de vida universal \u2013 como na Ma\u00e7onaria \u2013 com a finalidade de redimir o homem pecador e formar uma verdadeira fraternidade, em que o profano possa conviver com o religioso. Para isso, s\u00e3o escolhidos no meio social indiv\u00edduos de elite moral, no sentido de prepar\u00e1-los para servir de alicerce para essa sociedade, seja nos aspectos espirituais ou interesses mundanos. Mas como \u00e9 poss\u00edvel fazer isso numa sociedade m\u00faltipla, diversa? Veremos com a hist\u00f3ria de nossa cidade:<\/p>\n<p>Para Canavieiras convergiram todos os povos, diferentes etnias. Cada um em busca de novas oportunidades. A data mais precisa desta invas\u00e3o \u00e9 o ano da era vulgar de 1882, quando foi noticiada mundo afora a descoberta de diamantes no C\u00f3rrego do Salobro, terras da Vila Imperial de Canavieiras.<\/p>\n<p>Brasileiros e estrangeiros de v\u00e1rias nacionalidades aqui aportaram em navios e canoas \u2013 at\u00e9 mesmo em lombo de burros. Entre os nativos, a grande maioria da Chapada Diamantina, com a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de \u201cbamburrar\u201d, ficar rico e poderoso faiscando os famosos diamantes das fraldas da Serra da On\u00e7a.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Sozinhos ou com as fam\u00edlias, vieram de toda as partes do mundo para desbravar as matas, vasculharem os rios e c\u00f3rregos. At\u00e9 mesmo uma empresa francesa investiu pesado na importa\u00e7\u00e3o de equipamentos para esvaziar a Lagoa Dourada, onde acreditava-se ser um dep\u00f3sito fervilhante dessas pedras preciosas. Apesar das motobombas trabalharem dia e noite todo o esfor\u00e7o foi em v\u00e3o e quanto mais tiravam, mais \u00e1gua ajuntava.<\/p>\n<p>Como gente atrai gente \u2013 por ser o homem um animal greg\u00e1rio \u2013, uma leva de mascates deixou de preambular de povoamento em povoamento para se aqui se estabelecer.\u00a0 Com\u00e9rcios de todos os tipos foram abertos, desde os armaz\u00e9ns de secos e molhados, com produtos para a subsist\u00eancia e o trabalho, quanto para o luxo e o divertimento, uma praxe para os padr\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Como bem nos narra o livro \u201cCanavieiras \u2013 Terra Mater do Cacau\u201d, de autoria dos professores Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho e Aur\u00e9lio Schommer, no cap\u00edtulo \u201cTodos Diferentes, Todos Iguais\u201d, aqui se misturaram europeus, africanos, asi\u00e1ticos, ind\u00edgenas e os j\u00e1 brasileiros, numa grande miscigena\u00e7\u00e3o. Aos poucos, os nomes estrangeiros foram se associando aos locais, formando a popula\u00e7\u00e3o que hoje conhecemos.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a na cor da pele tamb\u00e9m influenciou os costumes, a maneira de agir e de falar, deixando para tr\u00e1s usos e costumes tradicionais. A heran\u00e7a cultural nem sempre era conservada, ou pouco preservada em raros momentos do recesso do lar. Agora, tudo girava sobre o fazer fortuna em Canavieiras, conforme a pretens\u00e3o de cada um que para aqui se deslocou com essa finalidade.<\/p>\n<p>Como os diamantes n\u00e3o afloraram a contento e conforme as not\u00edcias contadas mundo afora, os garimpeiros \u2013 crist\u00e3os novos ou por profiss\u00e3o \u2013 foram obrigados a deixar a Serra da On\u00e7a e seus arredores para se dedicarem a novos of\u00edcios, com pouqu\u00edssimas defec\u00e7\u00f5es. Agora o novo \u201celdorado\u201d era a fortuna que poderia ser feita com os frutos cor de ouro que por aqui se multiplicavam nas ro\u00e7as de cacau.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, o cacau n\u00e3o era exatamente uma novidade, pois aqui foi introduzido nas margens do Rio Pardo, na Fazenda Cub\u00edculo, por Ant\u00f4nio Dias Ribeiro, com as sementes trazidas pelo franco-su\u00ed\u00e7o Louis Frederic Warneaux da long\u00ednqua regi\u00e3o amaz\u00f4nica, mais exatamente do Par\u00e1, no ano de 1746. Com o mercado internacional em alta, o cacau ganha prest\u00edgio e os atores de sua cadeia produtiva: dinheiro.<\/p>\n<p>E a Vila Imperial de Canavieiras continua vivenciar uma nova fase de progresso. Tanto isso \u00e9 verdade, que por seu vis\u00edvel crescimento \u2013 na sede e nos povoados \u2013 a luta dos seus moradores era sair da condi\u00e7\u00e3o de vila para se transformar na cidade de Canavieiras, tida e havida como a \u201cPrincesinha do Sul. Finalmente, em 25 de maio de 1891, o sonho se tornou realidade.<\/p>\n<p>Mas e o que tem a ver essa hist\u00f3ria de Canavieiras com a Ma\u00e7onaria? Tudo! Pois se confundem em todos os momentos. Canavieiras e a Loja Ma\u00e7\u00f4nica Uni\u00e3o e Caridade est\u00e3o umbilicalmente ligadas. Ent\u00e3o, vejamos que n\u00e3o s\u00e3o meras coincid\u00eancias essas datas: em 17 de fevereiro de 1890, o governador Manoel Victorino Pereira nomeia o m\u00e9dico Ant\u00f4nio Salustiano Viana o primeiro intendente de Canavieiras. Em 27 de dezembro do mesmo ano de 1890, \u00e9 lan\u00e7ada a pedra fundamental da Loja Uni\u00e3o e Caridade.<\/p>\n<p>Em 25 de maio de 1891, o governador do Estado da Bahia, Jos\u00e9 Gon\u00e7alves da Silva, eleva a Vila Imperial de Canavieiras \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cidade. Meses depois, em 17 de agosto de 1891, foi concedida \u00e0 Loja Ma\u00e7\u00f4nica Uni\u00e3o e Caridade a Carta Constitutiva \u2013 ou Patente \u2013 que confere \u00e0 Loja o direito de funcionar como Regular, filiada ao Grande Oriente do Brasil (GOB), da qual saiu em 24 de junho de 1954, para se filiar \u00e0 Grande Loja Ma\u00e7\u00f4nica do Estado da Bahia (Gleb).<\/p>\n<p>Acima, nos referimos a Ant\u00f4nio Salustiano Viana, primeiro intendente de Canavieiras. Pois foi essa mesma personalidade integrante dos Ma\u00e7ons Regulares a fundar a Loja Ma\u00e7\u00f4nica Uni\u00e3o e Caridade e o seu terceiro Vener\u00e1vel Mestre. Aqui fa\u00e7o uma liga\u00e7\u00e3o com o in\u00edcio desta pe\u00e7a de arquitetura, demonstrando como a utopia \u00e9 uma \u201cfilosofia\u201d (termo ainda controverso como sin\u00f4nimo) recorrente e necess\u00e1ria \u00e0 Ma\u00e7onaria na forma\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p>Para a Ma\u00e7onaria, a utopia surge como uma sociedade dentro da pr\u00f3pria sociedade, dela extra\u00edda por um processo seletivo que pode variar no tempo e no espa\u00e7o. De simples ideia passa a ser uma pr\u00e1tica de vida, na qual o homem sente que pelo exerc\u00edcio de uma disciplina mental, orientada por uma a\u00e7\u00e3o divina, pode se viver melhor. \u00c9 da\u00ed que nasce a \u00e9tica (princ\u00edpios) e a moral (conduta) como forma de educa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito para a constru\u00e7\u00e3o efetiva de um reino de harmonia, paz e bem-estar.<\/p>\n<p>Para finalizar, a utopia ma\u00e7\u00f4nica, \u00e0 \u00e9poca, fez de Canavieiras uma cidade melhor para se viver \u2013 mesmo com a diversidade, ou como diz o livro: \u201cTodos Diferentes, Todos Iguais\u201d, em harmonia, com a pr\u00e1tica da ordem e da justi\u00e7a. E o livro \u201cCanavieiras \u2013 Terra Mater do Cacau\u201d nos conta hist\u00f3rias de uma hist\u00f3ria da vida de nossa cidade, na qual a Loja Uni\u00e3o e Caridade teve participa\u00e7\u00e3o ativa na forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade mais justa.<\/p>\n<p><strong>*Radialista, jornalista e advogado (M:. M:.)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Walmir Ros\u00e1rio* Segundo os historiadores, h\u00e1 utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem o papel pol\u00edtico enquanto outras o religioso. Algumas s\u00e3o apenas sonhos de fil\u00f3sofos, que jamais saem dos livros. J\u00e1 a Ma\u00e7onaria abrange as duas, pois \u00e9 uma utopia filos\u00f3fica e uma tentativa de implant\u00e1-la na pr\u00e1tica. 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