{"id":113169,"date":"2018-01-12T12:06:54","date_gmt":"2018-01-12T15:06:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=113169"},"modified":"2018-01-12T12:06:54","modified_gmt":"2018-01-12T15:06:54","slug":"a-regiao-agradecera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/01\/12\/a-regiao-agradecera\/","title":{"rendered":"A REGI\u00c3O AGRADECER\u00c1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">An\u00edsio Cruz &#8211; janeiro 2018<a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-112724 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg\" alt=\"\" width=\"165\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg 312w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO-239x300.jpg 239w\" sizes=\"(max-width: 165px) 100vw, 165px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A not\u00edcia de que o Fernando Gabeira est\u00e1 na regi\u00e3o, com o prop\u00f3sito de produzir um document\u00e1rio acerca da &#8220;vassoura de bruxa&#8221;, mexeu com os brios adormecidos dos nossos cacauicultores. N\u00e3o que o Gabeira tenha como objetivo, assumir a defesa da nossa lavoura, ap\u00f3s tantos anos de derrocada. Mas, pelo menos mostrar\u00e1 ao Brasil, a crua realidade de um atentado terrorista perpetrado contra o nosso principal segmento econ\u00f4mico, que num passado cada vez mais distante, tanto representou para a regi\u00e3o, para o Estado, e por via de consequ\u00eancia, para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fato que gerou a contamina\u00e7\u00e3o, sobejamente conhecido por todos os conterr\u00e2neos, vinculados ou n\u00e3o, com a lavoura, n\u00e3o teve, a n\u00edvel nacional, a repercuss\u00e3o esperada por todas as entidades representativas, e pelos pr\u00f3prios agricultores, que viram-se de hora para outra, endividados, e empobrecidos, com os seus patrim\u00f4nios herdados, ou constru\u00eddos a custa de muito trabalho, sendo abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Junto com eles, mais de 2 centenas de milhares de oper\u00e1rios e seus familiares que lhes serviam na lida, muitos nascidos dentro das propriedades, e outros a elas agregados, que a partir do abandono das propriedades improdutivas, zanzaram sem destino, at\u00f4nitos por n\u00e3o terem outro meio de vida que lhes desse o sustento.<!--more--><\/p>\n<p>A quebradeira geral, atingiu outros setores econ\u00f4micos, como o com\u00e9rcio, e servi\u00e7os, al\u00e9m da rede de comercializa\u00e7\u00e3o do produto, que inclui tamb\u00e9m o setor portu\u00e1rio, e as ind\u00fastrias moageiras do maior parque industrial do cacau do mundo. Todos perderam. E por mais que tentassem se apegar a programas que foram disponibilizados pelo \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel, a CEPLAC, n\u00e3o chegavam a obter sucesso na rede banc\u00e1ria oficial, quando pretendiam acessar as linhas de cr\u00e9dito disponibilizadas, devido ao endividamento generalizado. Males da monocultura, dir\u00e3o os cr\u00edticos t\u00e9cnicos que analisaram o problema, e n\u00e3o est\u00e3o errados. Os nossos av\u00f3s j\u00e1 diziam que nunca dever\u00edamos por todos os ovos, na mesma cesta. Mas eles pr\u00f3prios assim fizeram, ao investirem na amplia\u00e7\u00e3o das suas ro\u00e7as, ao longo do tempo. A cacauicultura era um bom neg\u00f3cio, sim, e todos viv\u00edamos bem, mesmo que nunca tiv\u00e9ssemos plantado um \u00fanico p\u00e9 de cacau. E as valorizadas terras prop\u00edcias ao cultivo, come\u00e7aram a ser cobi\u00e7adas por levas e mais levas de ex-oper\u00e1rios, e militantes de movimentos sociais, aproveitando-se do momento pol\u00edtico que lhes era favor\u00e1vel. O objetivo tra\u00e7ado pelos que praticaram o atentado terrorista, estava sendo cumprido, assegurando-lhes uma massa de manobra conveniente aos seus interesses pol\u00edticos. Era o fim de um ciclo econ\u00f4mico, que plantou, al\u00e9m do cacau, uma infraestrutura adequada, uma universidade, um centro de tecnologia de ponta, dentre outros legados.<\/p>\n<p>Com esse panorama \u00e0 frente, chega Gabeira com sua equipe de produ\u00e7\u00e3o, c\u00e2meras \u00e0 m\u00e3o, e certamente muitas ideias na cabe\u00e7a. Aqui ser\u00e3o conduzidos aos filhos dos pioneiros plantadores do &#8220;fruto de ouro&#8221;, o theobroma cacao, como chamavam os astecas, seus primeiros consumidores e comercializadores, segundo conta a hist\u00f3ria. Tamb\u00e9m entrevistar\u00e3o os cientistas de plant\u00e3o, que ir\u00e3o lhes expor as suas teorias, mostrando gr\u00e1ficos e n\u00fameros<\/p>\n<p>colhidos nas suas pesquisas. Filmar\u00e3o ro\u00e7as de cacau das redondezas, com direito a demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de colheitas com os afiados pod\u00f5es, e a quebra do fruto, com o seu despolpamento por \u00e1geis dedos inchados, ou quem sabe, uma moderna despolpadeira mec\u00e2nica, para mostrar como evolu\u00edmos. Ver\u00e3o tamb\u00e9m as estufas, ou as velhas barca\u00e7as de secar am\u00eandoas, e a dan\u00e7a dos pe\u00f5es a separar as sementes, com seus p\u00e9s rachados. Sentir\u00e3o o odor acre dos coxos de fermenta\u00e7\u00e3o, e naturalmente experimentar\u00e3o bagos, oferecidos \u00e0 sombra dos cacauais. Depois, ser\u00e3o levados a algum restaurante fino \u00e0 beira da praia, onde desfrutar\u00e3o os sabores da nossa rica culin\u00e1ria, onde n\u00e3o faltar\u00e3o pitus, robalos, e outras iguarias. Falar\u00e3o dos livros do Jorge Amado, esquecer\u00e3o o Adonias Filho, o H\u00e9lio P\u00f3lvora, e outros autores regionais, mas ir\u00e3o comer os afamados quibes do Vez\u00favio, n\u00e3o sem antes visitarem o Theatro Municipal, e a Casa da Cultura, como manda o protocolo.<\/p>\n<p>Depois, os nossos ilustres visitantes, munidos das imagens espetaculares obtidas nas ro\u00e7as e nas cidades da regi\u00e3o, partir\u00e3o pelo nosso aeroporto Jorge Amado, rumo \u00e0s del\u00edcias do sul maravilha. Tomara que n\u00e3o esque\u00e7am de filmar um dos muitos galhos infectados pelo fungo Moniliophtera perniciosa, ou simplesmente, &#8220;vassoura de bruxa&#8221;. Torcerei para que a reportagem surta os efeitos desejados, e os culpados sejam finalmente punidos. A regi\u00e3o agradecer\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00edsio Cruz &#8211; janeiro 2018 A not\u00edcia de que o Fernando Gabeira est\u00e1 na regi\u00e3o, com o prop\u00f3sito de produzir um document\u00e1rio acerca da &#8220;vassoura de bruxa&#8221;, mexeu com os brios adormecidos dos nossos cacauicultores. N\u00e3o que o Gabeira tenha como objetivo, assumir a defesa da nossa lavoura, ap\u00f3s tantos anos de derrocada. 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