{"id":113831,"date":"2018-02-08T12:08:53","date_gmt":"2018-02-08T15:08:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=113831"},"modified":"2018-02-08T12:08:53","modified_gmt":"2018-02-08T15:08:53","slug":"e-nos-ficamos-a-ver-navios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/02\/08\/e-nos-ficamos-a-ver-navios\/","title":{"rendered":"E N\u00d3S, FICAMOS A VER NAVIOS?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">An\u00edsio Cruz &#8211; fev 2018<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-112724 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO.jpg 312w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/AN\u00cdSIO-239x300.jpg 239w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a>N\u00e3o tenho ido frequentemente ao centro, mas as not\u00edcias que recebo, d\u00e3o conta de que milhares de turistas est\u00e3o a desembarcar dos navios que aportam na nossa cidade. S\u00e3o eles oriundos de diversas na\u00e7\u00f5es americanas e europeias, principalmente, que circulam tr\u00f4pegos pelas ruas, em busca de atrativos. C\u00e2meras e celulares em punho, fazem os seus registros para guardarem consigo, as lembran\u00e7as da ef\u00eamera passagem pela velha capitania fundada em 1536, na \u00e9poca das Capitanias Heredit\u00e1rias. 482 anos, portanto, do que seria uma hist\u00f3ria rica, recheada de constru\u00e7\u00f5es coloniais, n\u00e3o fosse a a\u00e7\u00e3o dos temidos Aimor\u00e9s, que aqui habitavam, sabe-se l\u00e1 desde quando. Pouca coisa sobrou para marcar a hist\u00f3ria da Vila de S. Jorge, e o melhor exemplar, parcialmente preservado, \u00e9 a Igreja de S. Jorge, que estranhamente n\u00e3o \u00e9 seu padroeiro, posto destinado a N. Sr\u00aa das Vit\u00f3rias, cuja capela situa-se no alto do mesmo nome, dominando a paisagem.<\/p>\n<p>Na verdade, os nossos visitantes nem se d\u00e3o conta dos detalhes hist\u00f3ricos, que nos contam os livros, como o de Silva Campos, por exemplo. Eles, os turistas, est\u00e3o mais interessados em coisas mais recentes, quase sempre vinculadas ao escritor Jorge Amado e seus romances que percorreram o mundo, traduzidos em v\u00e1rios idiomas. Buscam para seus registros, lugares como o Bataclan, e o Ves\u00favio, vizinho da monumental Catedral de S. Sebasti\u00e3o, e a sua Arquitetura inconfund\u00edvel, todos eles do s\u00e9culo passado, no in\u00edcio do ciclo da cacauicultura, cuja saga serviu de mote ao consagrado escritor. Da mesma \u00e9poca, alguns casar\u00f5es dos coron\u00e9is do cacau, que ostentam a vida faustosa que possu\u00edam os reis do cacau, que dominaram (ou ser\u00e1 que ainda dominam?) a velha Capitania. O recuperado Cine Theatro Ilheos, localizado bem pr\u00f3ximo, que sempre abre assuas portas para visita\u00e7\u00e3o, e a Casa de Jorge Amado, com o seu acervo de objetos pessoais, e manuscritos diversos. Bem pr\u00f3ximo, o palacete Marqu\u00eas de Paranagu\u00e1, sede da Intend\u00eancia nos prim\u00f3rdios da cidadania, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial, e tamb\u00e9m no pol\u00edgono do &#8220;quarteir\u00e3o Jorge Amado&#8221;, o palacete do afamado Misael Tavares, um dos protagonistas mais conhecidos dos romances. L\u00e1 no alto, o Convento N. Sr\u00aa da Piedade, das irm\u00e3s ursulinas, o mais importante exemplar g\u00f3tico do interior da Bahia, domina a paisagem. De l\u00e1, uma ampla vis\u00e3o do recortado litoral ilheense, enseja belas fotos. Bem ao lado, a antiga Casa do Bispo, necessitando reformas. Mas h\u00e1 muitos outros atrativos para a curta parada dos nossos visitantes, aqui nas &#8220;terras do sem fim&#8221;, como os 86 Km de lindas praias, e suas barracas, onde servem os frutos do mar, t\u00e3o do agrado de quantos nos visitam. A Lagoa Encantada, e seu esplendoroso espelho d&#8217;\u00e1gua, abastecido por algumas cascatas, bem que poderia ser mais valorizada, mas quase n\u00e3o faz parte dos roteiros dos guias, que preferem passeios mais curtos. Com tal descaso, a antiga Vila de Oliven\u00e7a, com as suas belezas naturais degradas por ocupa\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias, e a capela de N. Sr\u00aa da Escada, al\u00e9m do Balne\u00e1rio do Tororomba, \u00fanico \u00e0 beira mar a possuir \u00e1guas medicinais, carecendo de mais divulga\u00e7\u00e3o. Fechando o circuito, a tamb\u00e9m antiga da Vila de Santana, situada num antigo Engenho, que pouca coisa guarda da sua rica hist\u00f3ria.<!--more--><\/p>\n<p>O que se percebe, num eventual roteiro de visita\u00e7\u00f5es, \u00e9 o descaso com que s\u00e3o tratados os nosso vest\u00edgios hist\u00f3ricos, ao longo do tempo. O desinteresse com que s\u00e3o tratados, reflete-se<\/p>\n<p>no trabalho das ag\u00eancias de viagens, nos guias, nos empres\u00e1rios da rede hoteleira, e nos de transportes, que servem aos que nos visitam. N\u00e3o h\u00e1 um plano efetivo (pelo menos que eu conhe\u00e7a), que oriente os operadores que, em falta dele, optam por desviar os turistas aqui aportados, para a vizinha Itacar\u00e9, onde os apelos paisag\u00edsticos se sobrep\u00f5em \u00e0 hist\u00f3ria, e a rica culin\u00e1ria ilheense, sobejamente festejada por quantos a desfrutam. E por falar em culin\u00e1ria, o que houve com o Festival do Camar\u00e3o, que acontecia num passado recente, e de repente foi deixado de lado? Acabaram os camar\u00f5es? Por que n\u00e3o se pensar em eventos com a mesma natureza, em datas bem pensadas para que n\u00e3o coincidam com per\u00edodos de defesos, mas que sirvam de chamarizes para que mais visitantes cheguem \u00e0 nossa cidade? E as lojas de artesanato, hoje dependentes de produtos oriundos de outras plagas, e quase nada vendem como artesanatos genuinamente nativos, como acontece em outros centros?<\/p>\n<p>O que posso entender, \u00e9 que o turismo aqui, nunca foi, realmente colocado na pauta econ\u00f4mica dos nosso gestores, que preferem aguardar que as nossas bel\u00edssimas paisagens encantem os turistas, para que permane\u00e7am por mais do que as poucas horas entre uma mar\u00e9, e outra, at\u00e9 que os transatl\u00e2nticos zarpem. Depois, ficamos &#8220;a ver navios&#8221;, literalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00edsio Cruz &#8211; fev 2018 N\u00e3o tenho ido frequentemente ao centro, mas as not\u00edcias que recebo, d\u00e3o conta de que milhares de turistas est\u00e3o a desembarcar dos navios que aportam na nossa cidade. S\u00e3o eles oriundos de diversas na\u00e7\u00f5es americanas e europeias, principalmente, que circulam tr\u00f4pegos pelas ruas, em busca de atrativos. 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