{"id":116664,"date":"2018-07-19T13:52:56","date_gmt":"2018-07-19T16:52:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=116664"},"modified":"2018-07-19T13:52:56","modified_gmt":"2018-07-19T16:52:56","slug":"300-anos-da-paroquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/07\/19\/300-anos-da-paroquia\/","title":{"rendered":"300 ANOS DA PAR\u00d3QUIA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IGREJA.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-116665 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IGREJA-300x165.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IGREJA-300x165.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IGREJA.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quando o monarca lusitano ampliou no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII a pol\u00edtica de povoamento na costa da col\u00f4nia brasileira \u2013mais como prote\u00e7\u00e3o \u00e0s rec\u00e9m-descobertas minas de ouro no interior\u2013, um dos pontos escolhidos na Capitania de Porto Seguro foi a margem direita \u2013perto da foz\u2013 do Rio Jequitinhonha. No comando dos colonizadores e a catequisar os tem\u00edveis \u00edndios Botocudos, donos naturais do peda\u00e7o, a\u00ed esteve o padre Joseph Ara\u00fajo Ferraz, mission\u00e1rio jesu\u00edta. Na prega\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, entre 1708 e 1712 o padre funda uma capela sob invoca\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora da Madre de Deus, nascendo ao seu redor o Arraial de S\u00e3o Pedro do Rio Grande. A lenda conta que em torno de 1715 uma leva de colonizadores portugueses trazendo a imagem da Santa do Carmelo aporta no povoado e, como ele crescia r\u00e1pido, em 11 de abril de 1718 atrav\u00e9s do Alvar\u00e1 R\u00e9gio de 11 de abril de 1718, \u00e9 criada \u2013mudando o t\u00edtulo\u2013 a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo. Em 1764 o povoado alcan\u00e7a a categoria de vila com o nome de Vila de Nossa Senhora do Carmo do Belo Monte.<\/p>\n<p>Entendendo a necessidade, em 1776 os capuchinhos frei Caetano e frei Paulino, no espa\u00e7o da igrejinha erguem outra de maior estatura e, sob o mesmo orago, classificam-na de Matriz. Com base no livro \u201cBelmonte e sua Hist\u00f3ria\u201d de Afonso Monteiro (de 1918), entre 1895\/1896, este templo tamb\u00e9m \u00e9 demolido e \u2013arquitetada por Ettori Guerrieri e constru\u00edda por Jos\u00e9 Rodolpho, Ant\u00f4nio Alexandrino Siqueira, pedreiros e pelo carpinteiro Ant\u00f4nio Geraldo de Cerqueira, e com a supervis\u00e3o do especialista-construtor Perminio Santos\u2013, em seu lugar \u00e9 erigida a atual Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo. O p\u00e1roco da \u00e9poca era Alexandre Alves Casaes e a obra \u2013\u00e0 frente uma comiss\u00e3o formada pelos Coronel Lic\u00ednio Bras\u00e3o, Major Jos\u00e9 Ant\u00f4nio da Silva e o Capit\u00e3o Vicente Ferreira da Silva\u2013 foi custeada pela popula\u00e7\u00e3o. Monteiro acrescenta al\u00e9m disso que a Par\u00f3quia Carmelita pertenceu primeiramente ao bispado de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro cujo limites iam a at\u00e9 o Puxim em Canavieiras, depois, com a delimita\u00e7\u00e3o, ao de S\u00e3o Salvador da Bahia e, em seguida com o desmembramento deste, ao \u2013criado em 1913\u2013 de S\u00e3o Jorge dos Ilh\u00e9us. Atualmente est\u00e1 vinculada ao de Eun\u00e1polis, diocese desde 1996.<!--more--><\/p>\n<p>A Festa do Carmo, assim chamada a homenagem prestada \u00e0 Santa desde o tempo da Matriz dos capuchinhos \u2013e continuada ap\u00f3s a vila em 23.05.1891 ser transformada em cidade com o simplificad\u00edssimo nome de Belmonte\u2013 se traduz num noven\u00e1rio que vai de 7 a 16 de julho, dia este exclusivo da protetora e que, no ano de 1251, conforme a tradi\u00e7\u00e3o, a Virgem Maria revelou a S\u00e3o Sim\u00e3o no Monte Carmelo em Jerusal\u00e9m, o Escapul\u00e1rio, forte s\u00edmbolo de prote\u00e7\u00e3o aos devotos. Realizada na Pra\u00e7a da Matriz, onde se imp\u00f5e toda iluminada e altaneira a Igreja do Carmo na beira do Jequitinhonha, a festa \u00e9, ao mostrar ainda uma mistura das novenas festivas dos noiteiros com o ch\u00e3o florido de barracas, motivo de j\u00fabilo dos belmontenses. A lavagem da frente da Igreja com a participa\u00e7\u00e3o de outros seguimentos religiosos \u00e9 a sua parte sincr\u00e9tica. A prociss\u00e3o do dia 16 \u00e9 o \u00e1pice. Ao som de m\u00fasicas sacras das filarm\u00f4nicas Lyra Popular e 15 de Setembro e acompanhada de sacerdotes locais e convidados, de visitantes de v\u00e1rias localidades e de muitos fi\u00e9is, a marcha religiosa percorre \u2013abrindo alas o andor da Padroeira\u2013,<\/p>\n<p>as principais ruas da cidade. A tradicional parada em frente \u00e0 Igreja, no retorno, com o hino da Santa e os brados de Viva Nossa Senhora do Carmo a tomar conta do ambiente\u2013 \u00e9 um momento apote\u00f3tico. O desfile de selecionadas can\u00e7\u00f5es de variados g\u00eaneros musicais interpretadas pelas referidas bandas filarm\u00f4nicas \u00e9 outra atra\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a neste dia 16.<\/p>\n<p>V\u00e1rios p\u00e1rocos passaram pela Par\u00f3quia e todos foram de suma import\u00e2ncia. Por\u00e9m n\u00e3o mencionar o padre Jo\u00e3o Cl\u00edmaco dos Santos seria como cometer uma heresia. O Padre Jo\u00e3o, como era mais conhecido, nasceu em 12\/03\/1897 no Rio de Janeiro onde nesta Arquidiocese come\u00e7ara a vida sacerdotal sendo incardinado na Diocese de Botucatu. Sua op\u00e7\u00e3o de transferir-se para a Diocese de Ilh\u00e9us em 24.08.1929, conferiu-lhe \u2013pelo bispo D. Manuel Ant\u00f4nio de Paiva\u2013 o Presbiterato. Padre Jo\u00e3o morrera em Ilh\u00e9us no dia 26.10.1978, aos 81 anos de idade. Na freguesia de Belmonte, calcula-se, deva ter permanecido por mais ou menos uns 40 anos. Tornando-se querid\u00edssimo na cidade, a larga conviv\u00eancia fez com que gera\u00e7\u00f5es de belmontenses recebessem os sacramentos de suas m\u00e3os. Antes exercera o sacerd\u00f3cio na par\u00f3quia de Canavieiras (1938-1942), e j\u00e1 fixado na Carmelita, por vezes assistiu as de Itabuna, Macuco, Porto Seguro e Itapebi. Simples, comunicativo, hil\u00e1rio, imprevis\u00edvel, o sacerdote era tido de in\u00fameras tiradas e passagens. Jamais fora conservador, mas continuou \u2013numa das suas\u2013 a celebrar missas em latim mesmo ap\u00f3s o Concilio Vaticano II haver liberado a l\u00edngua em cada pa\u00eds. Certa feita, em mais uma sua, na novena da Padroeira as cantoras no alto do coro haviam iniciado uma ladainha, mas como era muito extensa, Padre Jo\u00e3o n\u00e3o hesitou em gritar do altar: Esta n\u00e3o! T\u00e3o grande assim eu n\u00e3o vou ter tempo de assistir a minha novela! (Da cr\u00f4nica \u201cPadre Jo\u00e3o \u2013 Vig\u00e1rio de Belmonte\u201d de 14.12.1978 do articulista belmontense Rubens Esteves do antigo Jornal da Manh\u00e3, de Ilh\u00e9us,). Um documento datado de 21\/09\/1954 \u2013um abaixo-assinado de devotos belmontenses com objetivo de homenagear o p\u00e1roco\u2013 fornecido pela C\u00faria diocesana ilheense, registra ter sido ele o primeiro vig\u00e1rio a ser ordenado pelo Bispado de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Este escrito \u00e9 um registro da lembran\u00e7a que belmontenses \u2013residentes e n\u00e3o residentes na cidade\u2013 denominados Filhos do Jequitinhonha, tiveram dos 300 anos da Par\u00f3quia de Nossa Senhora do Carmo, e aproveitam esta oportunidade para saudar os freis Humberto Bomfim e Francisco Vitoriano, respectivos Administrador Paroquial e Vig\u00e1rio Paroquial de Belmonte.<\/p>\n<p>FILHOS DO JEQUITINHONHA<\/p>\n<p>Nota: Nota-se h\u00e1 um bom tempo certa mudan\u00e7a na Festa do Carmo. O importante, no entanto, como perceb\u00edvel, \u00e9 que a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Padroeira continua imut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nota1: No Padroado, o termo \u2018par\u00f3quia\u2019 tinha o mesmo valor de \u2018freguesia\u2019. Este permaneceu em uso ainda por bom tempo na Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o monarca lusitano ampliou no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII a pol\u00edtica de povoamento na costa da col\u00f4nia brasileira \u2013mais como prote\u00e7\u00e3o \u00e0s rec\u00e9m-descobertas minas de ouro no interior\u2013, um dos pontos escolhidos na Capitania de Porto Seguro foi a margem direita \u2013perto da foz\u2013 do Rio Jequitinhonha. 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