{"id":117133,"date":"2018-08-22T22:26:05","date_gmt":"2018-08-23T01:26:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=117133"},"modified":"2018-08-22T22:26:05","modified_gmt":"2018-08-23T01:26:05","slug":"umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xxvi-notas-de-belmonte-bebel-para-os-mais-chegados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/08\/22\/umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xxvi-notas-de-belmonte-bebel-para-os-mais-chegados\/","title":{"rendered":"UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE (XXVI)  (NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-115152 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel-300x129.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/><\/a>A imers\u00e3o intencional no passado trouxe \u00e0 tona para encaixe nesta sequ\u00eancia \u2018Um Pouco de Prot\u00f3genes\u2019, escrito datado de dezembro de 2006, o qual reproduzimos de modo levemente n\u00e3o literal, em raz\u00e3o da mania deste escrevinhador de apurar quando oportuno, um texto sem mudar-lhe o sentido.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, l\u00e1 pelos anos sessenta em Bebel, cidade natal, convivi com uma pessoa, pode-se dizer, exc\u00eantrica na acep\u00e7\u00e3o da palavra: Prot\u00f3genes Gonsalves. Esguio, de pernas alongadas, ginga de capoeirista e cheio de g\u00edria, Prot\u00f3genes se assemelhava a um aut\u00eantico malandro de morro do Rio antigo, enfim com um \u201cbon vivant\u201d, como se diz no franc\u00eas. De sorriso alargado, T\u00f3, como era tratado, tipificou-se como uma figura folcl\u00f3rica da cidade e como um \u00edcone para a meninada e a rapaziada da \u00e9poca. \u201cSujeito de confian\u00e7a esse T\u00f3!\u201d, admiravam-no os pais de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Falador inveterado e com o prazer de se fazer notado, n\u00e3o seria de estranhar que, com os direitos de cidad\u00e3o se impondo um pouco mais hoje em dia, ele entrasse na pol\u00edtica e, revestido de um cargo eletivo desses, se tornasse um batalhador pela volta de Marilia (local onde foi instalada a f\u00e1brica da Veracel Celulose) a Bebel, cedida a Eun\u00e1polis numa transa\u00e7\u00e3o, segundo se comenta, penosa ao extremo. Parece que estou vendo-o a cobrar explica\u00e7\u00f5es das autoridades municipais e da Bahia em veementes prega\u00e7\u00f5es. E suporte n\u00e3o lhe faltava pois, mesmo que a irrever\u00eancia o marcasse, ladeava-o a qualidade de um car\u00e1cter ilibado, princ\u00edpio ausente na maioria dos pol\u00edticos brasileiros atuais.<\/p>\n<p>Uma vez por outra conduzia um grupo ao Cabar\u00e9 de Eufr\u00e1sio. No sal\u00e3o se portando como um rei, de prima advertia as meninas da blenorragia: \u201cTenham cuidado. Os meninos s\u00e3o meus, nada de sujeira com eles\u201d. Minha turma teve a \u201cprimeira vez\u201d orientada e conduzida por T\u00f3. Era um ex\u00edmio bebedor, mas tinha a preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o deixar nenhum de n\u00f3s \u2013a meninada\u2013 ingerirmos bebida. Exibicionista como ningu\u00e9m e j\u00e1 com algumas cervejas no bucho, adorava ir para o meio do sal\u00e3o, pedir para a orquestra parar e, fazer curtos discursos. O fim de todos eles em mim ficara gravado porque era sempre: \u201cUm dia ainda libertarei o meretr\u00edcio da opress\u00e3o dos homens\u201d. N\u00e3o tenho d\u00favida de que T\u00f3, de espirito libert\u00e1rio e na condi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtico, se engajaria em algum projeto para tornar a \u201czona\u201d livre de preconceitos, tal como fez de maneira natural Seu Arnoldino, conhecido comerciante de Bebel, ao transformar nos dias de carnaval O Grande Ponto, seu estabelecimento comercial localizado na Pra\u00e7a 13 de Maio, no famoso cabar\u00e9 C\u00e9u Azul, numa cidade (e numa \u00e9poca) \u2013como toda a regi\u00e3o do cacau\u2013 cheia de amarras preconceituosas, cujo meretr\u00edcio s\u00f3 se estabelecia em \u00e1reas afastadas.<\/p>\n<p>Era um \u00e1s no \u2018samba de breque\u2019 e tocava bem todo instrumento de percuss\u00e3o: da bateria ao agog\u00f4. Carnavalesco de m\u00e3o cheia, no domingo e na ter\u00e7a de carnaval comandava a tradicional batucada, composta s\u00f3 de garotos, de dona Elizete Monteiro. Nos ensaios, sua sensibilidade agu\u00e7ada, percebia f\u00e1cil uma atravessada no samba e, a\u00ed, n\u00e3o dava outra: um apito caracter\u00edstico comia no centro como um alerta do erro.<!--more--><\/p>\n<p>Quando em sua oficina de bicicleta, diferente da irrever\u00eancia das ruas, mantinha postura um tanto austera, s\u00f3 que, adotava o estranho h\u00e1bito de n\u00e3o trabalhar das doze \u00e0s<\/p>\n<p>quatorze horas pra senhor ningu\u00e9m, fosse quem fosse. Se alguma crian\u00e7a (ou adulto) desavisada achasse de procur\u00e1-lo nesse intervalo com uma \u201cmagrela\u201d para reparo, recebia de cara um sonoro \u201cOra meu filho, voc\u00ea n\u00e3o entende? Voc\u00ea n\u00e3o sabe que a hora do meu almo\u00e7o \u00e9 inviol\u00e1vel!?\u201d. Tal fraseado, como se comentava, fora tirado dos Odebrecht, sobre os quais T\u00f3 costumava contar uns casos meios mirabolantes. Embora n\u00e3o se saiba da veracidade deles, o fato \u00e9 que por vezes, inesperadamente o homem sumia da cidade e a not\u00edcia corria que ele estava em Salvador. Com a rapaziada que estudava fora, especialmente na capital, mantinha um forte relacionamento, inclusive o tinha como um l\u00edder. Formou-se com isso, sem imposi\u00e7\u00e3o formal de regras, uma esp\u00e9cie, vamos dizer assim, de \u2018confraria do T\u00f3\u2019, haja vista ter intimidade com Prot\u00f3genes era ficar na \u2018crista da onda\u2019, ser \u2018pra frente\u2019. No time da mo\u00e7ada havia aqueles mais chegados, mais \u00edntimos de T\u00f3, e que exerciam uma certa lideran\u00e7a na \u201cirmandade\u201d a exemplo de Mega, Afr\u00e2nio, respectivos estudantes de direito e de qu\u00edmica. Outro, Gute, estudava medicina \u2013e era aluno do mestre Bimba na capoeira e que introduzia a arte a Roxinho, um nativo brig\u00e3o pra cacete e que se orgulhava de ser acobertado pelo futuro m\u00e9dico nas provocadas confus\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei do paradeiro, mas no lugar onde estiver, T\u00f3 foi (ou \u00e9) uma dessas figuras que viveu uma vida marcante, bo\u00eamia por excel\u00eancia, mas acima de tudo, como um cara do bem.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>Nota: o mergulho nas \u00e1guas profundas de 2006 foi provocado pela recente exposi\u00e7\u00e3o do advogado belmontense Celcemy Andrade, integrante dos Filhos do Jequitinhonha, na C\u00e2mara de Vereadores de Bebel ao recordar passagens e personagens da cidade, incluindo esta, sobre a qual foi produzido este Um Pouco de Prot\u00f3genes.<\/p>\n<p>Nota2: Filhos do Jequitinhonha foi \u2013e continua\u2013 um movimento criado recentemente por residentes e n\u00e3o residentes belmontenses com a finalidade de realizar reencontros e claro, confraterniza\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m a de praticar a\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas. A inciativa fora das irm\u00e3s Bandeira de Melo: Doia, Veita e Elisa; Maria Adalcy, Neide Matos, Maria Adelaide, Glaucia Suzart, das g\u00eameas Geninha Carvalho e Lulu Castro entre outras mulheres naturais de Bebel. Este primeiro reencontro se deu no per\u00edodo (13 a 16 de julho) dos festejos de N. S. do Carmo, padroeira da cidade. A reuni\u00e3o entre os part\u00edcipes na citada Casa dos edis foi o momento solene da programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imers\u00e3o intencional no passado trouxe \u00e0 tona para encaixe nesta sequ\u00eancia \u2018Um Pouco de Prot\u00f3genes\u2019, escrito datado de dezembro de 2006, o qual reproduzimos de modo levemente n\u00e3o literal, em raz\u00e3o da mania deste escrevinhador de apurar quando oportuno, um texto sem mudar-lhe o sentido. 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