{"id":117340,"date":"2018-09-08T13:03:26","date_gmt":"2018-09-08T16:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=117340"},"modified":"2018-09-08T13:03:26","modified_gmt":"2018-09-08T16:03:26","slug":"agrissenior-noticias-edicao-684-ano-xv-no-08-setembro-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/09\/08\/agrissenior-noticias-edicao-684-ano-xv-no-08-setembro-de-2018\/","title":{"rendered":"AGRISS\u00caNIOR NOTICIAS &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 684 \u2013 ANO XV &#8211; N\u00ba 08 \u2013  setembro de 2018"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone \" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/20180330_130737.png\" width=\"508\" height=\"189\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Inc\u00eandio no Museu Nacional: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>considera\u00e7\u00f5es sobre um infort\u00fanio n\u00e3o fortuito<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Victor Henrique Grampa<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Presidente da Comiss\u00e3o de Antropologia do Direito da OAB SP<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es destruiu o pr\u00e9dio hist\u00f3rico do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista (RJ). Primeira institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira, fundada ainda no per\u00edodo imperial. Com esse inc\u00eandio estima-se a perda de cerca de 200 anos de pesquisas e acervo, aproximadamente 20 milh\u00f5es de itens, que compunham o patrim\u00f4nio do povo brasileiro e da humanidade \u2013 de valor inestimado e perda irrepar\u00e1vel. Dentre os itens destru\u00eddos est\u00e3o: m\u00famias, f\u00f3sseis (humanos e animais), cole\u00e7\u00f5es inteiras de achados arqueol\u00f3gicos e paleontol\u00f3gicos, pe\u00e7as eg\u00edpcias e pr\u00e9-colombianas, meteorito e milhares de documentos \u00fanicos da hist\u00f3ria do Brasil, da Am\u00e9rica Latina e do mundo. Ocorre que a trag\u00e9dia n\u00e3o se explica apenas pelo fogo, mas h\u00e1 um conjunto de fatores que levaram a esta calamidade.<\/p>\n<p>Datam de mais de 15 anos os avisos e alertas sobre as condi\u00e7\u00f5es do Museu Nacional e os riscos que ele corria (que outros tantos museus e institui\u00e7\u00f5es de cultura, ensino e pesquisa correm). As den\u00fancias seguiam por professores, t\u00e9cnicos, pesquisadores, estudantes e autoridades. A situa\u00e7\u00e3o era vis\u00edvel a olho nu. Ainda em 2004, o ent\u00e3o secret\u00e1rio estadual de Energia, Ind\u00fastria Naval e Petr\u00f3leo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, em visita ao Museu, afirmou: &#8220;O museu vai pegar fogo. S\u00e3o fia\u00e7\u00f5es expostas, malconservadas, alas com infiltra\u00e7\u00f5es, uma situa\u00e7\u00e3o de total irresponsabilidade com o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico&#8221;.<\/p>\n<p>Todavia, a justificativa estatal para o descaso era e \u00e9 a \u201cde sempre\u201d, ainda que poucas vezes fundamentada: a \u201cfalta de recursos\u201d. \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria, o servi\u00e7o p\u00fablico que se mantenha aqu\u00e9m de suas necessidades m\u00ednimas\u201d; essa parece ser a regra de gest\u00e3o. Esse cen\u00e1rio deteriorado e deteriorante, apesar dos alertas, seguiu por d\u00e9cadas no Museu. Sintomas da urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es efetivas n\u00e3o foram poucos; apenas como exemplo vale citar que em 2015 o Museu Nacional foi fechado por falta de recursos m\u00ednimos, em 2016 a visita\u00e7\u00e3o foi suspensa por falta de verba e em 2018 o diretor do Museu denunciou a falta de dinheiro para medidas estruturais necess\u00e1rias. E hoje, milh\u00f5es de itens est\u00e3o perdidos para sempre, nas cinzas.<\/p>\n<p>Vale observar que pesquisas tamb\u00e9m apontavam para a situa\u00e7\u00e3o preocupante do Museu Nacional e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A UFRJ sofreu recentemente diversos inc\u00eandios de propor\u00e7\u00f5es variadas, culminando nesse \u00faltimo e catastr\u00f3fico epis\u00f3dio de 02\/09\/2018. Dentre esses incidentes: 2018 &#8211; Inc\u00eandio no Museu Nacional; Inc\u00eandio no Hospital Universit\u00e1rio; 2017 &#8211; Inc\u00eandio no Alojamento; 2016 &#8211; Inc\u00eandio na Reitoria; 2014 &#8211; Inc\u00eandio no CCS; 2012 &#8211; Inc\u00eandio na Faculdade de Letras; 2011 &#8211; Inc\u00eandio na Capela da Praia Vermelha.<!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se aceitar tranquilamente que inc\u00eandios sejam obras do acaso, sem respons\u00e1veis ou precau\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. A trag\u00e9dia poderia ter sido evitada ou, no m\u00ednimo mitigada, caso os in\u00fameros sinais tivessem sido levados a s\u00e9rio pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Na arquitetura estatal h\u00e1 v\u00e1rios elementos que est\u00e3o sujeitos ao acaso, mas este n\u00e3o pode ser confundido com o descaso. O poder p\u00fablico, na gest\u00e3o de suas pol\u00edticas, tem o dever de coordenar os esfor\u00e7os para a manuten\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, de qualidade. Os museus e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa n\u00e3o podem estar ref\u00e9ns das migalhas que sobrarem do or\u00e7amento ou do (des)gosto de governos. \u00c9 necess\u00e1rio entender a cultura e a educa\u00e7\u00e3o como for\u00e7as motrizes do desenvolvimento nacional, como pol\u00edticas de Estado. Sem cultura n\u00e3o h\u00e1 cidadania.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que evidencia o descaso com o Museu Nacional \u00e9 mensur\u00e1vel. Houve redu\u00e7\u00e3o de 90%, entre 2013 e 2018, nos repasses p\u00fablicos, montando um cen\u00e1rio preocupante e insustent\u00e1vel, cujo progn\u00f3stico de longo prazo \u00e9 ainda pior do que o da trag\u00e9dia j\u00e1 consolidada nesse domingo. Essa situa\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o \u00e9 restrita ao Museu Nacional, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o comum a outros tantos servi\u00e7os p\u00fablicos que funcionam em espa\u00e7os fora de condi\u00e7\u00f5es adequadas de seguran\u00e7a e manuten\u00e7\u00e3o (museus, teatros, universidades, escolas). Recentemente inc\u00eandios tomaram o Museu da L\u00edngua Portuguesa (SP), Instituto Butant\u00e3 (SP), Memorial da Am\u00e9rica Latina (SP) e Museu de Arte Moderna (RJ); o que evidencia a urg\u00eancia de medidas gerais de revis\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os no pa\u00eds. Alguns desses locais ainda est\u00e3o fechados, com obras inacabadas e sem previs\u00e3o de concreta retorno.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio retomar os investimentos nas \u00e1reas socias, a fim de impedir novas situa\u00e7\u00f5es desoladoras e permanentes como a ocorrida. Se os investimentos na UFRJ estivessem dentro do m\u00ednimo necess\u00e1rio para sua manuten\u00e7\u00e3o, provavelmente a humanidade hoje teria 20 milh\u00f5es de itens bem armazenados no Museu Nacional, gerando conhecimento. As consequ\u00eancias dessa perda para a ci\u00eancia e as gera\u00e7\u00f5es futuras \u00e9 incalcul\u00e1vel. E, para al\u00e9m do patrim\u00f4nio insubstitu\u00edvel, quanto custar\u00e1 aos cofres p\u00fablicos retomar a estrutura do Museu Nacional? Certamente muito mais do que teria custado para mant\u00ea-la a salvo.<\/p>\n<p>O Estado brasileiro deve manter todo o servi\u00e7o p\u00fablico operante, mas tem obriga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas com a prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico-cultural &#8211; albergadas nacional e internacionalmente, constitucional e legalmente. Dentre essas normas est\u00e3o o Pacto Internacional sobre Direitos Econ\u00f4micos, Sociais e Culturais e a Conven\u00e7\u00e3o Relativa a Prote\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Mundial, Cultural e Natural dentre outras. Como decorr\u00eancia dessas obriga\u00e7\u00f5es o Estado deve criar e manter mecanismos e planos de a\u00e7\u00e3o para a promo\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural. Sem essa centralidade de preocupa\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas sociais o pa\u00eds viver\u00e1 novos, recorrentes e tristes epis\u00f3dios com perdas irrepar\u00e1veis. Epis\u00f3dios anunciados e evit\u00e1veis, caso se tenha vontade pol\u00edtica para enfrent\u00e1-los, o que n\u00e3o vem se desenhando como uma agenda na hist\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>O Museu ardeu em chamas por horas sem o devido apoio do corpo de bombeiros, pois os hidrantes da regi\u00e3o estavam desabastecidos. A trag\u00e9dia s\u00f3 n\u00e3o foi ainda maior, pois o hor\u00e1rio de visita\u00e7\u00e3o do Museu Nacional j\u00e1 havia encerrado. Mas igual sorte teriam inc\u00eandios em outros locais? Escolas? Creches? Hospitais? Quantas vidas e hist\u00f3rias pode custar o descaso com a coisa p\u00fablica? \u00c9 necess\u00e1rio planejamento pr\u00e9vio e investimento nas \u00e1reas sens\u00edveis ao desenvolvimento do pa\u00eds; a\u00e7\u00f5es preventivas e n\u00e3o apenas de redu\u00e7\u00e3o de danos, por vezes irremedi\u00e1veis. Observa-se, passados anos do rompimento da barragem de Mariana (MG), que poucas a\u00e7\u00f5es foram tomadas apesar das graves perdas naturais e culturais. Espera-se que a in\u00e9rcia resolva os problemas de Estado, mas habitualmente ela os agrava e amplia.<\/p>\n<p>Sabe-se que um pa\u00eds sem mem\u00f3ria \u00e9 um pa\u00eds sem futuro. Compete \u00e0 sociedade organizada exigir as devidas provid\u00eancias visando: a) a apura\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o no tocante ao inc\u00eandio do Museu Nacional, b) plano de repara\u00e7\u00e3o dos danos poss\u00edveis e preven\u00e7\u00e3o de novos danos, c) retomada do investimento nas \u00e1reas sociais e d) prioriza\u00e7\u00e3o da cultura, pesquisa e educa\u00e7\u00e3o como bases para o desenvolvimento de uma na\u00e7\u00e3o justa e solid\u00e1ria, dentro de uma cultura de direitos humanos. N\u00e3o se pode admitir que um epis\u00f3dio como o ocorrido pese como uma m\u00e1cula sem solu\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>MUSEUS<\/strong><\/p>\n<p>No universo da cultura, o museu assume fun\u00e7\u00f5es as mais diversas e envolventes. Uma vontade de mem\u00f3ria seduz as pessoas e as conduz \u00e0 procura de registros antigos e novos, levando-as ao campo dos museus, no qual as portas se abrem sempre mais. A museologia \u00e9 hoje compartilhada como uma pr\u00e1tica a servi\u00e7o da vida.<\/p>\n<p>O museu \u00e9 o lugar em que sensa\u00e7\u00f5es, ideias e imagens de pronto irradiadas por objetos e referenciais ali reunidos iluminam valores essenciais para o ser humano. Espa\u00e7o fascinante onde se descobre e se aprende, nele se amplia o conhecimento e se aprofunda a consci\u00eancia da identidade, da solidariedade e da partilha.<\/p>\n<p>Por meio dos museus, a vida social recupera a dimens\u00e3o humana que se esvai na pressa da hora. As cidades encontram o espelho que lhes revele a face apagada no turbilh\u00e3o do cotidiano. E cada pessoa acolhida por um museu acaba por saber mais de si mesma.<\/p>\n<p><strong>(Instituto Brasileiro de Museus)<\/strong><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS!<\/h3>\n<p><strong><em>Luis Fernando Verissimo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.<\/p>\n<p>\u2013 Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha pra ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pra cadeia!<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o era pra mim n\u00e3o. Era pra vender.<\/p>\n<p>\u2013 Pior. Venda de artigo roubado. Concorr\u00eancia desleal com o com\u00e9rcio estabelecido. Sem-vergonha!<\/p>\n<p>\u2013 Mas eu vendia mais caro.<\/p>\n<p>\u2013 Mais caro?<\/p>\n<p>\u2013 Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas n\u00e3o. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.<\/p>\n<p>\u2013 Mas eram as mesmas galinhas, safado.<\/p>\n<p>\u2013 Os ovos das minhas eu pintava.<\/p>\n<p>\u2013 Que grande pilantra\u2026<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 havia um certo respeito no tom do delegado.<\/p>\n<p>\u2013 Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega\u2026<\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a n\u00e3o espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os pre\u00e7os dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligop\u00f3lio. Ou, no caso, um ovigop\u00f3lio.<\/p>\n<p>\u2013 E o que voc\u00ea faz com o lucro do seu neg\u00f3cio?<\/p>\n<p>\u2013 Especulo com d\u00f3lar. Invisto alguma coisa no tr\u00e1fico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou tr\u00eas ministros. Consegui a exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para os programas de alimenta\u00e7\u00e3o do governo e superfaturo os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confort\u00e1vel, se ele n\u00e3o queria uma almofada. Depois perguntou:<\/p>\n<p>\u2013 Doutor, n\u00e3o me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor n\u00e3o est\u00e1 milion\u00e1rio?<\/p>\n<p>\u2013 Trilion\u00e1rio. Sem contar o que eu sonego do Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.<\/p>\n<p>\u2013 E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c0s vezes. Sabe como \u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o sei n\u00e3o, excel\u00eancia. Me explique.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensa\u00e7\u00e3o de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da imin\u00eancia do castigo. S\u00f3 roubando galinhas eu me sinto realmente um ladr\u00e3o, e isso \u00e9 excitante. Como agora. Fui pego, finalmente. Vou para a cadeia. \u00c9 uma experi\u00eancia nova.<\/p>\n<p>\u2013 O que \u00e9 isso, excel\u00eancia? O senhor n\u00e3o vai ser preso n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!<\/p>\n<p>\u2013 Sim. Mas prim\u00e1rio, e com esses antecedentes\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O PENSAMENTO DA SEMANA<\/strong><\/p>\n<p>O esp\u00edrito se enriquece com aquilo que recebe; o cora\u00e7\u00e3o com aquilo que d\u00e1. <em>Victor Hugo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A POESIA DA SEMANA<\/strong><\/p>\n<p><strong>CH\u00c3O DE ESTRELAS<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Silvio Caldas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Minha vida era um palco iluminado<\/p>\n<p>Eu vivia vestido de dourado<\/p>\n<p>Palha\u00e7o das perdidas ilus\u00f5es<\/p>\n<p>Cheio dos guizos falsos da alegria<\/p>\n<p>Andei cantando a minha fantasia<\/p>\n<p>Entre as palmas febris dos cora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meu barrac\u00e3o no morro do Salgueiro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tinha o cantar alegre de um viveiro<\/p>\n<p>Foste a sonoridade que acabou<\/p>\n<p>E hoje, quando do sol, a claridade<\/p>\n<p>Forra o meu barrac\u00e3o, sinto saudade<\/p>\n<p>Da mulher pomba-rola que voou<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nossas roupas comuns dependuradas<\/p>\n<p>Na corda, qual bandeiras agitadas<\/p>\n<p>Pareciam um estranho festival<\/p>\n<p>Festa dos nossos trapos coloridos<\/p>\n<p>A mostrar que nos morros mal vestidos<\/p>\n<p>\u00c9 sempre feriado nacional<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A porta do barraco era sem trinco<\/p>\n<p>Mas a lua, furando o nosso zinco<\/p>\n<p>Salpicava de estrelas nosso ch\u00e3o<\/p>\n<p><u>Tu pisavas nos astros, distra\u00edda<\/u><\/p>\n<p>Sem saber que a ventura desta vida<\/p>\n<p>\u00c9 a cabrocha, o luar e o viol\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>(Obs. A frase sublinhada foi considerada por Manuel Bandeira como a mais bela da poesia brasileira)<\/strong><\/p>\n<p><strong>A PIADA DA SEMANA<\/strong><\/p>\n<p>Um motoqueiro vem a 150 km\/h por uma estrada. De repente, v\u00ea um passarinho voando \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o consegue desviar, e o passarinho acaba batendo contra seu peito.<\/p>\n<p>O motoqueiro ent\u00e3o para a moto e olha atrav\u00e9s do retrovisor. L\u00e1 est\u00e1 o passarinho, ca\u00eddo na pista.<\/p>\n<p>N\u00e3o podendo conter a dor de deix\u00e1-lo morrer o motoqueiro pega a ave e a leva para a casa para cuidar dela.<\/p>\n<p>Coloca o p\u00e1ssaro na gaiola, e vai dormir. O passarinho acorda e pensa:<\/p>\n<p>-N\u00e3o pode ser, matei o motoqueiro e me colocaram na cadeia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>oOo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Acessar:<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\"><strong><em>www.r2cpress.com.br<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inc\u00eandio no Museu Nacional: considera\u00e7\u00f5es sobre um infort\u00fanio n\u00e3o fortuito Victor Henrique Grampa Presidente da Comiss\u00e3o de Antropologia do Direito da OAB SP Um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es destruiu o pr\u00e9dio hist\u00f3rico do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista (RJ). Primeira institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira, fundada ainda no per\u00edodo imperial. 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