{"id":118482,"date":"2018-12-14T12:29:46","date_gmt":"2018-12-14T15:29:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=118482"},"modified":"2018-12-14T12:29:46","modified_gmt":"2018-12-14T15:29:46","slug":"uma-visao-do-belo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2018\/12\/14\/uma-visao-do-belo\/","title":{"rendered":"Uma vis\u00e3o do belo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.blogdogusmao.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Gustavo-Kruschewsky.jpg\" width=\"216\" height=\"163\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por Gustavo Kruschewsky<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Professor e Advogado.<\/p>\n<p>A beleza das pessoas, vista no \u00e2ngulo da silhueta, analisando-se apenas o conjunto das linhas, da cor, das formas corporais \u201cperfeitas\u201d e das propor\u00e7\u00f5es \u201charm\u00f4nicas\u201d \u00e9 de significa\u00e7\u00e3o meramente espec\u00edfica e n\u00e3o escapa da relatividade.<\/p>\n<p>Para este articulista a vis\u00e3o do belo \u00e9 muito mais abrangente, apesar de ser tamb\u00e9m relativista. Manifesta-se em variadas acep\u00e7\u00f5es. Talvez mais nobres e grandiosas que o ser hominal pode ter. A exemplos de a pessoa ser: \u201cagrad\u00e1vel, feliz, serena, harmoniosa, formosa, grandiosa, imponente, sublime e de elevado valor moral\u201d. Mas, apesar de certas \u201cimperfei\u00e7\u00f5es\u201d que a pessoa carrega nas suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o inviabiliza a admira\u00e7\u00e3o e o prazer que se sente por ela e ao lado dela. \u00c9 muito comum determinada \u201cimperfei\u00e7\u00e3o\u201d aproximar ainda mais uma pessoa da outra ou de determinados agrupamentos. Da mesma forma que determinadas imperfei\u00e7\u00f5es de algu\u00e9m podem ser causa de separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o princ\u00edpio da aceita\u00e7\u00e3o e da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, os estudiosos dizem que o grande inimigo da beleza \u00e9 o pr\u00f3prio car\u00e1ter da pessoa. Os fil\u00f3sofos se perguntam: seria poss\u00edvel alterar o pr\u00f3prio car\u00e1ter? A palavra car\u00e1ter \u00e9 oriunda do grego \u201cindica impress\u00e3o, gravura\u201d. Ele, o car\u00e1ter, \u00e9 gravado em cada um de n\u00f3s pela pr\u00f3pria natureza. \u00c9 a nossa ess\u00eancia. Podemos delet\u00e1-lo? Perguntar-se-\u00e1.<\/p>\n<p>Certo Dramaturgo da antiguidade externou que: \u201cNaturam expellas furca, tamen usque recurret. Ou seja: Se expulsas com o forcado a natureza, ela mesma, no entanto, voltar\u00e1\u201d. Neste contexto, tentar mudar a natureza \u00e9 chover no molhado? \u00c9 in\u00fatil tentar eliminar o que \u00e9 natural, por qu\u00ea? Ser\u00e1 que ela, a natureza daquele ser, logo voltar\u00e1? Talvez a expuls\u00e3o da natureza m\u00e1 do ser hominal deva ser utilizando-se a educa\u00e7\u00e3o como forcado. Hoje, j\u00e1 existem muitas t\u00e9cnicas educativas para dar tra\u00e7os de beleza ao esp\u00edrito humano, transformando-o para \u201cmelhor\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, o temperamento de cada um, a sua ess\u00eancia, aquilo que constitui a natureza da pessoa, considerando-se \u201co conjunto das suas qualidades (boas ou m\u00e1s) e que lhe determinam a conduta e a concep\u00e7\u00e3o moral\u201d pode dotar ou n\u00e3o a pessoa de predicados belos.<\/p>\n<p>Na verdade, o belo em sua ess\u00eancia, o \u201cto kal\u00f3n\u201d, como diziam os gregos, \u00e9 relativo. O belo n\u00e3o possui um arqu\u00e9tipo. \u00c9 tamb\u00e9m quest\u00e3o cultural. Perguntem a um sapo o que \u00e9 uma pessoa bela e ele vai responder: \u00c9 minha f\u00eamea e companheira \u201ccom dois grossos olhos redondos quase saltando de sua pequena cabe\u00e7a, uma goela larga e chata, um ventre amarelo, um dorso chato\u201d. E conclui o anf\u00edbio anuro (sapo): Para mim ela \u00e9 bela. Admiro muito e tenho prazer em viver com ela.<\/p>\n<p>Para o negro ou a negra da \u00c1frica; o belo \u00e9 \u201cuma pele negra, oleosa, olhos cravados, nariz achatado\u201d. Uma \u201cburguesinha\u201d brasileira, sem um sentimento maior, certamente vai dizer que \u00e9 um homem MALHADO ou uma mulher MALHADA com os olhos da cor do c\u00e9u e os cabelos lisos e loiros. A altura talvez n\u00e3o tenha muita relev\u00e2ncia. Nos tr\u00eas exemplos citados, verificar-se-\u00e1 que no primeiro est\u00e1 o sentimento que causa admira\u00e7\u00e3o e prazer. Nos dois \u00faltimos apenas a admira\u00e7\u00e3o. Sentindo-se ao mesmo tempo a admira\u00e7\u00e3o e o prazer alcan\u00e7a-se o belo.<\/p>\n<p>Ter relacionamento com pessoas belas, no nosso viver e conviver cotidiano, \u00e9 t\u00e3o importante para o esp\u00edrito como o oxig\u00eanio para o corpo. A falta do oxig\u00eanio como da beleza adoecem. Muita gente morreu decepcionada, sem encontrar um m\u00ednimo tra\u00e7o do \u201cbelo\u201d em muitas pessoas das quais conviveu e que se achavam \u201dbelas\u201d.<\/p>\n<p>Observe-se a agonia destes versos que se seguem nesta composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de pequena extens\u00e3o. A poetisa demonstra a incans\u00e1vel espera de encontrar algo ou algu\u00e9m. Ela quer concretizar o encontro com o belo. A admira\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe s\u00f3 resta vivenciar o prazer.<\/p>\n<p>Assim se expressa: \u201cquisera ter asas&#8230; quisera ter a aud\u00e1cia dos ventos&#8230; quisera ser areia morna para sentir o seu corpo em mim&#8230; quisera sorrir o seu sorriso doce e impregnar-me da sua alegria&#8230; Mas, onde est\u00e1 voc\u00ea? No colorido das flores? Esconde-se nos carac\u00f3is? Permane\u00e7o aqui, embebida de saudades&#8230; A esperar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gustavo Kruschewsky Professor e Advogado. 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