{"id":118741,"date":"2019-01-17T20:47:55","date_gmt":"2019-01-17T23:47:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=118741"},"modified":"2019-01-17T20:47:55","modified_gmt":"2019-01-17T23:47:55","slug":"umas-e-outras-da-cidade-xxvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2019\/01\/17\/umas-e-outras-da-cidade-xxvii\/","title":{"rendered":"UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXVII)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-115152\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/><\/a>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/p>\n<p>Na Bahia tudo indica que logradouros com nomes oriundos da iniciativa popular pegam mais do que nomes oficiais. A Pra\u00e7a da Irene (oficial: Pra\u00e7a Castro Alves) aqui na Capitania dos Ilh\u00e9us e a Avenida Paralela (oficial: Av. Lu\u00eds Viana Filho) em Salvador, s\u00e3o exemplos emblem\u00e1ticos; isso sem os oficializados Morro do Gato, Pra\u00e7a da Piedade, Rua da Forca, curiosos nomes dentre outros tantos da capital baiana.<\/p>\n<p>Em Bebel, n\u00e3o fugindo \u00e0 regra, essas cria\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m abundam como Rua Lisa, Rua do Sapo, Rua do Porto, derivadas na ordem, e na \u00e9poca, da rec\u00e9m-implantadas placas de cimento na pavimenta\u00e7\u00e3o; da grande quantidade (as alaga\u00e7\u00f5es pluviais eram constantes nesta via) do referido anf\u00edbio; e da rela\u00e7\u00e3o direta com o cais-porto no Rio Jequitinhonha. Av. Mal Deodoro, Rua 23 de Maio e Av. Pres. Get\u00falio Vargas s\u00e3o os respectivos nomes oficiais. Mas \u00e9 da \u2018Rua do Sete\u2019 (Coronel Jos\u00e9 Gomes para o endere\u00e7amento postal), cutucada pelas recorda\u00e7\u00f5es de tr\u00eas membros de um grupo no WhatsApp, que a presente XXVII Notas&#8230; quer se ater. \u2018Do sete\u2019 se prende \u00e0 exist\u00eancia de um quarteir\u00e3o em que sete casas residenciais se igualavam pelas medidas, fachadas (2 janelas e uma porta) e telhados e por ligadas umas \u00e0s outras por paredes-meias. Uma, a de esquina, viria a ser modificada, passando a ter somente tr\u00eas portas para servir de \u2018venda\u2019 (a mercearia de hoje) com um bar ao fundo interligado. Cortada ao norte pela Travessa Santos Dumont, que divide outro quarteir\u00e3o, este estabelecimento comercial (de novo, fora transformado em resid\u00eancia) esquinava com o Clube dos Artistas (hoje C\u00e2mara de Vereadores). Na parte sul o quadrado das sete casas se limita com a Travessa 15 de Novembro que por sua vez \u2018extremava\u2019 com o Largo da Usina e um im\u00f3vel, im\u00f3vel este onde funcionava a tipografia que editava o Di\u00e1rio Oficial do munic\u00edpio, a Usina Termoel\u00e9trica da cidade, dois a\u00e7ougues e um espa\u00e7o que a prefeitura o mantinha alugado para com\u00e9rcio. Como o pr\u00e9dio era tido como de valor hist\u00f3rico imensur\u00e1vel, as lembran\u00e7as apontam que sua ced\u00eancia junto com o largo, ao Banco do Brasil (entre 1989 e 1993) pelo prefeito, Lu\u00eds Guimar\u00e3es, no af\u00e3 de implantar a ag\u00eancia bancaria, deu um rebuli\u00e7o danado na cidade.<\/p>\n<p>Na interlocu\u00e7\u00e3o via zap Nevandy Melo relembra o frondoso abacateiro no quintal do vizinho e os galhos a penderem para o da casa de seus pais e de ela n\u00e3o titubear em surrupiar, driblando a vigil\u00e2ncia da m\u00e3e, os robustos abacates. Tamb\u00e9m recorda o compartilhamento de uma cisterna no meio da cerca com o outro meeiro. A professora N\u00e9lia Rabelo ressalta que quem construiu as casas geminadas foi Ant\u00f4nio de Ast\u00e9rio, um tradicional construtor de Bebel e que morava nas imedia\u00e7\u00f5es. J\u00e1 Maria das Gra\u00e7as menciona os antigos moradores e suas fam\u00edlias como o seu pai professor Ricardo, a sua av\u00f3 Euxordia Lemos, o cabelereiro Diogenes Barbeiro, seu Ananias, Anibal, Melito Melo (pai da Nevandy), dona Morena Rabelo (m\u00e3e de N\u00e9lia), a enfermeira Benita, seu Marivaldo Carneiro, a vov\u00f3 Macaria e os irm\u00e3os Figueiredo: Jonas, Tavinho e seu Paix\u00e3o, este, um dos pioneiros na transforma\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica do conjunto habitacional ao transformar em sobrado um im\u00f3vel adquirido. Os p\u00e3es \u2018jacar\u00e9\u2019,<\/p>\n<p>\u2018peito de mo\u00e7a\u2019 e de outros formatos \u2013deliciosos, afirmam\u2013 da padaria de seu Agostinho e os coquinhos de mane-velho, caxand\u00f3, a burundanga, o ing\u00e1, o jata\u00ed entre outros \u2018piteis\u2019 da flora belmontense, do quitandeiro Oseias, comerciantes da Rua do Sete, n\u00e3o foram esquecidos.<\/p>\n<p>O recinto et\u00edlico funcionava assim como um \u2018reservado\u2019 de acesso restrito. Certa feita este escrevinhador e dois parceiros, adolescentes de idade parelhas e ainda parcimoniosos no consumo do \u2018suco de cevada\u2019, usando da carta branca para adentrar, tivemos o prazer de assistir uma passagem deveras aplaud\u00edvel. Aboletamo-nos numa das parcas mesas existentes no sal\u00e3o e por acaso ficamos em frente a duas figuras conceituadas da cidade que travavam, meio uma cerveja e outra e um trago e outro da \u2018marvada\u2019, uma verdadeira batalha de palavras centrada numa tal Madama Butterfly: Prof. Ricardo, maestro da Filarm\u00f4nica Lyra Popular, e o advogado Dr. Bazinho. A veem\u00eancia com que o primeiro defendia ser a \u2018Madama\u2019 uma \u00f3pera e o segundo, idem, uma opereta, nos fazia, mesmo sem aquele entendimento, interessar pela discuss\u00e3o. Hora de picar a mula, j\u00e1 com os raios solares se ofuscando no ambiente, nossa opini\u00e3o, irrelevante, claro, como a dos demais mes\u00e1rios se coadunaram: n\u00e3o houve vencedor. Depois de alguns anos, a leitura em l\u00edngua lusitana a respeito, mostrou que Madame Borboleta se tratava de uma famosa pe\u00e7a teatral-musical italiana, por sinal, \u00f3pera, dissipando a ignor\u00e2ncia do escrevinhador.<\/p>\n<p>O logradouro n\u00e3o resistiu \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas impulsionadas pela natural evolu\u00e7\u00e3o no tempo, mas Rua do Sete, atravessando gera\u00e7\u00f5es, vem se perpetuando na mem\u00f3ria dos belmontenses.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>Em tempo: Como dito, este breve relato foi aflorado pela bate-papo recordativo de Nevandy, Gra\u00e7as e Nelia, belmontenses que em idades tenras, residindo com seus pais neste conjunto da rua, foram testemunhas presenciais de hist\u00f3rias do lugar.<\/p>\n<p>Em tempo2: Os propriet\u00e1rios do bar foram os irm\u00e3os Menezes: Bebeto e depois Onildo, de considerada fam\u00edlia de Bebel. E Filhos do Jequitinhonha \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o do aludido grupo da internet.<\/p>\n<p>Em tempo3: Dizem especialistas em topon\u00edmia que na Bahia um dos fatores de nomes populares em logradouros dominarem os de batismo oficializado, resulta da informalidade, e \u00f3bvio, da criatividade do baiano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) Na Bahia tudo indica que logradouros com nomes oriundos da iniciativa popular pegam mais do que nomes oficiais. A Pra\u00e7a da Irene (oficial: Pra\u00e7a Castro Alves) aqui na Capitania dos Ilh\u00e9us e a Avenida Paralela (oficial: Av. 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