{"id":119639,"date":"2019-05-03T18:41:34","date_gmt":"2019-05-03T21:41:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=119639"},"modified":"2019-05-03T18:41:34","modified_gmt":"2019-05-03T21:41:34","slug":"umas-e-outras-da-cidade-xxviii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2019\/05\/03\/umas-e-outras-da-cidade-xxviii\/","title":{"rendered":"UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXVIII)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-115152\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel-300x129.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/><\/a>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/p>\n<p>No fim dos anos 60 do passado s\u00e9culo pintavam em Bebel oriundos do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Janu\u00e1rio, Mario Roberto e Caio Jarbas, irm\u00e3os na flor da idade, garot\u00f5es sarados e, bem de dindim. Na capital carioca viviam no bairro do Leblon sob cust\u00f3dia do tio Tant\u00e3o (de registro Sebasti\u00e3o Gomes de Oliveira). Do rol de fam\u00edlias de abastados cacauicultores, chegavam para ajudar o pai Lu\u00eds Gomes a tocar as propriedades cacaueiras que margeavam o Jequitinhonha (subindo o rio) at\u00e9 o distrito de Cachoeirinha.<\/p>\n<p>O mais novo, o mais bo\u00eamio e ao qual se prende esta Notas era Jos\u00e9 Janu\u00e1rio, que de prima recebeu dos aut\u00f3ctones, por apreciar o tipo de short, o cognome de Z\u00e9 Bermuda. Mal, mal arriou as malas o chegante tratou de dar um tempo ao preestabelecido objetivo para se dedicar a outro: o de se enturmar com a rapaziada local, rapaziada esta que tinha, como maior preocupa\u00e7\u00e3o, curtir a vida, n\u00e3o estando nem um tiquinho assim preocupada \u2013por ainda faltar-lhe consci\u00eancia pol\u00edtica\u2013 com o regime ditatorial que o pa\u00eds vivenciava. Bom falante, de sotaque carioca, Z\u00e9 Bermuda n\u00e3o encontrou barreiras para adaptar-se aos costumes dos conterr\u00e2neos. Nessa \u00e9poca as festinhas nos clubes Am\u00e9rica, Flamengo, nas sedes das sociedades filarm\u00f4nicas Lyra Popular e 15 de Setembro, no Clube dos Carregadores dentre outros espa\u00e7os, complementadas pela fama da cidade de produzir invej\u00e1veis safras de mulheres bonitas na Regi\u00e3o do Cacau, faziam a pequena Bebel efervescer. E havia tamb\u00e9m \u2013como a n\u00e3o ficar para tr\u00e1s desta produ\u00e7\u00e3o feminina\u2013 um grupo de rapazes nascido de maneira natural e nomeado pelas pr\u00f3prias meninas de \u201cboas-pintas\u201d, que o Z\u00e9 entrou sem necessitar de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eram festas diversas \u2013e se davam com intensa participa\u00e7\u00e3o de nativos e visitantes\u2013, inclusive de cunho religiosas. \u00c9 numa dessas, a de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade que, Marta Viana, loura adolescente, bonita, avan\u00e7ada e chegada de Salvador se bateu com Z\u00e9 Bermuda n\u00e3o dando outra: se apaixonaram \u00e0 primeira vista. Num breve relato, esse festejo ocorre de 7 a 16 de julho de cada ano na Pra\u00e7a da Matriz onde a igreja da santa est\u00e1 situada, meio a missas e novenas festivas, barracas e a alegria contagiante dos part\u00edcipes. Sim, num piscar de olhos j\u00e1 estavam aboletados na barraca de Zeca de Pepino, um amigo da mo\u00e7ada, a planejarem os primeiros passos a dois. Comerciante matreiro, carnavalesco dos bons, ex\u00edmio tocador de timbau e cantor nas horas vagas, Zeca n\u00e3o hesitou em dar uma for\u00e7a ao \u2018love\u2019 do ne\u00f3fito casal com os cl\u00e1ssicos de sua carreira solo. Foi deste modo que, entre cervejinhas, batidinhas de caju \u00e0 moda da casa e, um \u2018tapinha\u2019 de leve coisa e tal na \u2018inocente marijuana de inocentes tempos\u2019, o dia amanheceu sinalizado pelo foguet\u00f3rio da missa. Nesse momento, embebecidos pelas flechadas de cupido, tomaram uma decis\u00e3o: se casar aproveitando a folga do Padre Jo\u00e3o ao t\u00e9rmino da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Logo Z\u00e9 Bermuda mandou avisar a m\u00e3e, dona Irma, e pediu-lhe que trouxesse flores. A progenitora com o impacto da not\u00edcia de imediato procurou saber da mo\u00e7a. Soube estar hospedada com a ex-prefeita Nirinha e sob os cuidados de Altair Resende, uma amiga de Gei Viana, pai da jovem e homem forte do cacau no peda\u00e7o. Enquanto os coment\u00e1rios da<\/p>\n<p>inesperada n\u00fapcia tomavam conta das ruas, os futuros c\u00f4njuges, ligeiros, n\u00e3o titubearam nos preparativos. No altar os padrinhos Ronaldo Perninha, Maria Adalcy, Romualdo Tourinho, Solange Melo, o casal, amigos e o Padre Jo\u00e3o j\u00e1 selando o matrim\u00f4nio quando de s\u00fabito ecoa na frente da igreja: \u2013Abra a porta, Padre Jo\u00e3o!, abra a porta! Era a protetora da nubente em tom meio aflito a empurrar a porta entreaberta do templo. N\u00e3o tardou a chegar o delegado Jorge Paternostro e com outro brado dominar o ambiente: \u2013Padre Jo\u00e3o, um instante. Estou com o BO da dona Altair; assim sendo este enlace matrimonial est\u00e1 impedido. Cumpra-se.<\/p>\n<p>E a ordem foi cumprida.<\/p>\n<p>Este escrevinhador pertenceu, jogando a mod\u00e9stia \u00e0s favas, ao time dos \u2018boas-pintas\u2019 e participou de poucas e boas com o protagonista do a\u00e7odado casamento. Recentes relatos revelam que tempos depois a protagonista, sem mais o vi\u00e7o da juventude teve um relacionamento com Carlos Ant\u00f4nio (Totonho ou Velho Tota para os amigos), outro pertencente ao quadro dos \u2018pintudos\u2019.<!--more--><\/p>\n<p>Opa! Na pr\u00f3xima Notas, Zimbu e os 50 anos de noivado.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>Em tempo: este escrevinhado teve valiosa colabora\u00e7\u00e3o \u2013tirando d\u00favidas e acrescentando dados pelo WhatsApp\u2013 de Rog\u00e9rio Gomos de Oliveira, irm\u00e3o, por parte de pai, dos tr\u00eas chegantes.<\/p>\n<p>Em tempo2: Z\u00e9 Bermuda e Mario Roberto constitu\u00edram fam\u00edlias, tiveram filhos, residem na cidade belmontense e descendem \u2013como o advogado Ivan Gomes aqui da Capitania do Ilh\u00e9us\u2013 do Coronel Jos\u00e9 Gomes, intendente de Bebel entre 1890 e 1899. O pai do Gey, Demerval Vianna, foi prefeito da cidade entre 1931 e 1935; Dejanira Resende de Souza (conhecida como Nirinha) de 1959 a 1963.<\/p>\n<p>Em tempo3: pai, m\u00e3e, irm\u00e3o Caio, tio, a jovem e o pai Gey, o Velho Tota, o delegado, o p\u00e1roco e a hospedeira citados, n\u00e3o est\u00e3o mais aqui entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em tempo4: Jo\u00e3o Cl\u00edmaco dos Santos (ou simplesmente Padre Jo\u00e3o) foi um sacerdote querido em Bebel e com mais de 40 anos de par\u00f3quia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) No fim dos anos 60 do passado s\u00e9culo pintavam em Bebel oriundos do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Janu\u00e1rio, Mario Roberto e Caio Jarbas, irm\u00e3os na flor da idade, garot\u00f5es sarados e, bem de dindim. 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