{"id":119742,"date":"2019-05-15T16:13:55","date_gmt":"2019-05-15T19:13:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=119742"},"modified":"2019-05-15T16:13:55","modified_gmt":"2019-05-15T19:13:55","slug":"hipacia-mae-de-filosofos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2019\/05\/15\/hipacia-mae-de-filosofos\/","title":{"rendered":"Hip\u00e1cia, m\u00e3e de fil\u00f3sofos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><b>Paiva Netto<\/b><\/p>\n<div>\u00a0Nada mais potente que o cora\u00e7\u00e3o materno. Em homenagem ao Dia das M\u00e3es, presto modesto tributo a elas por meio de uma pioneira mulher na matem\u00e1tica, na astronomia e \u00edcone da filosofia na Antiguidade. Na Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, escrita no s\u00e9culo 5<u><sup>o<\/sup><\/u>\u00a0pelo historiador\u00a0<b>S\u00f3crates<\/b>, o Escol\u00e1stico (n\u00e3o o confundir com outro\u00a0<b>S\u00f3crates<\/b>, pr\u00edncipe dos fil\u00f3sofos), encontramos este importante registro:\u00a0<i>\u201cHavia em Alexandria uma mulher chamada\u00a0<b>Hip\u00e1cia\u00a0<\/b>(aproximadamente 355-415, filha do matem\u00e1tico, astr\u00f4nomo e diretor do Museu de Alexandria,\u00a0<b>Te\u00f3n<\/b>\u00a0(335-395), que fez tantas realiza\u00e7\u00f5es em literatura e ci\u00eancia, que ultrapassou todos os fil\u00f3sofos da \u00e9poca. Tendo progredido na escola de\u00a0<b>Plat\u00e3o<\/b>\u00a0e\u00a0<b>Plotino<\/b>, ela explicava os princ\u00edpios da filosofia a quem ouvisse, e muitos vinham de longe receber os ensinamentos\u201d<\/i>.<\/div>\n<div>\u00a0Segundo pesquisadores, Hip\u00e1cia era uma mulher de beleza singular. O ano do seu nascimento \u00e9 controverso. O mais aceito \u00e9 355, e h\u00e1 os que citam 370. Apesar de pag\u00e3, tinha entre os alunos v\u00e1rios crist\u00e3os, demonstrando, desse modo, esp\u00edrito ecum\u00eanico. Por sinal, \u00e9 por interm\u00e9dio de um deles,\u00a0<b>Sin\u00e9sio de Cirene<\/b>\u00a0(370-413), futuro bispo de Ptolemaida, que possu\u00edmos hoje registros mais fidedignos a respeito da \u00fanica mulher a dirigir o Museu de Alexandria. Em um dos seus escritos refere-se a ela como\u00a0<i>\u201cminha m\u00e3e, minha irm\u00e3, mestre e benfeitora minha\u201d<\/i>.<\/div>\n<div>\u00a0Numa \u00e9poca em que a intelectualidade feminina n\u00e3o era reconhecida, as teses de Hip\u00e1cia influenciaram muitos poderosos. Suas palestras n\u00e3o ficavam apenas no \u00e2mbito filos\u00f3fico, pois era procurada tamb\u00e9m a fim de opinar sobre assuntos pol\u00edticos e da comunidade.<\/div>\n<div>\u00a0Em ambiente de forte intoler\u00e2ncia religiosa, Hip\u00e1cia come\u00e7ou a incomodar. No ano de 415, acusada de praticar magia negra, foi arrastada pela turba ensandecida at\u00e9 a igreja de Cesari\u00f3n. A brutalidade usada para tirar-lhe a vida provocaria espanto aos mais terr\u00edveis carrascos de todos os tempos. Considerada m\u00e1rtir da ci\u00eancia, muitos apontam o fato como marco inicial da Idade das Trevas.<\/div>\n<div>\u00a0Asc\u00e9tica e celibat\u00e1ria, Hip\u00e1cia n\u00e3o deixou herdeiros, mas, como reiterei em 1987, h\u00e1 muitas formas sublimes de ser m\u00e3e, inclusive dar \u00e0 luz grandes realiza\u00e7\u00f5es em prol da humanidade. Foi o caso dela. Sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es metaf\u00edsicas gerou filhos a perpetuar nas mentes a constante necessidade de buscar respostas \u00e0s indaga\u00e7\u00f5es que sempre nos afligiram: De onde viemos, por que vivemos e para onde voltaremos um dia, ap\u00f3s a \u201cmorte\u201d?<\/div>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<p align=\"right\"><b>Jos\u00e9 de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.<\/b><\/p>\n<div align=\"right\"><b>paivanetto@lbv.org.br<\/b><b>\u00a0\u2014\u00a0<\/b><a id=\"LPlnk403317\" href=\"http:\/\/www.boavontade.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\"><b>www.boavontade.com<\/b><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paiva Netto \u00a0Nada mais potente que o cora\u00e7\u00e3o materno. Em homenagem ao Dia das M\u00e3es, presto modesto tributo a elas por meio de uma pioneira mulher na matem\u00e1tica, na astronomia e \u00edcone da filosofia na Antiguidade. 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