{"id":121057,"date":"2019-11-01T14:43:18","date_gmt":"2019-11-01T17:43:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=121057"},"modified":"2019-11-01T17:24:14","modified_gmt":"2019-11-01T20:24:14","slug":"umas-e-outras-da-cidade-xxx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2019\/11\/01\/umas-e-outras-da-cidade-xxx\/","title":{"rendered":"UMAS E OUTRAS DA CIDADE (XXX)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-115152\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/heckel-300x129.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/><\/a>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o da \u2018calmaria\u2019 da famosa rota das \u00cdndias pelo Atl\u00e2ntico, foram os portugueses os primeiros a pisar na Terra Brasilis e os primeiros a ocupa-la.<\/p>\n<p>Atra\u00eddos pela possibilidade de melhoria de vida ou por perrengues de alguma ordem no local de origem, outros, como espanh\u00f3is, alem\u00e3es, italianos, japoneses, turcos, \u00e1rabes tamb\u00e9m pintaram aqui no peda\u00e7o e contribu\u00edram para a constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds chamado Brasil.<\/p>\n<p>Para encurtar percurso, vamos passar de passagem pela escravid\u00e3o nativa e africana, abomin\u00e1vel sistema visto como divino na \u00e9poca, e pelo \u2018branqueamento\u2019, variante tupiniquim da eugenia, ideologia copiada da Europa e abra\u00e7ada por parte de nossa intelectualidade no fim do Imp\u00e9rio e nas d\u00e9cadas seguintes da Rep\u00fablica e que entrou no rol das motiva\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica de ocupa\u00e7\u00e3o brasileira. Tais intelectuais acreditavam que a \u2018ra\u00e7a branca\u2019 era superior em todos os aspectos inclusive no resultado da miscigena\u00e7\u00e3o ao afirmarem que, no cruzamento de nossos mesti\u00e7os com brancos deles, ao cabo de algumas gera\u00e7\u00f5es, o processo geraria \u2013somente\u2013 brasileiros branquinhos e de olhos azuis.<\/p>\n<p>Como tudo come\u00e7ou no Sul da Bahia, Belmonte, pertinho \u2013controv\u00e9rsias \u00e0 parte\u2013 das lan\u00e7adas \u00e2ncoras lusitanas, tamb\u00e9m abriu as portas aos das plagas europeia como alem\u00e3es, su\u00ed\u00e7os, portugueses&#8230; e um mont\u00e3o de italianos. Estes foram tantos que n\u00e3o demorou ser criada, pelo governo italiano, a Delegacia da Real Ag\u00eancia Consular da It\u00e1lia na cidade. O cultivo do cacau nas f\u00e9rteis margens aluvi\u00f4nicas do Jequitinhonha se tornou o atrativo dominante para os imigrantes. Antes \u2013com os portugueses\u2013, a atra\u00e7\u00e3o era seu leito: nele abundavam pedras preciosas, sobretudo, ouro e diamante. N\u00e3o \u00e9 o total dos registros, mas Bartelotti, Burlacchini, Trocolli, Bartoli, Paternostro, Nervino, Multari, Baffica, Giffoni, Guerrieri, Tedesco, Carnovali, Casali, Daiello, Ferrari, Leonardo, Magnavita, Mega, Pastore, Ricci, Roconi, Romano, Tartari, Tosto s\u00e3o ramos familiares que proliferam em Bebel e foram \u2013e s\u00e3o\u2013 do conhecimento de muitos belmontenses.<\/p>\n<p>Deles, Magnavita se tem como de maior n\u00famero de chegantes, bem como um caso meio ex\u00f3tico na conta de Bebel, acontecido nos anos 60 do s\u00e9culo passado na Pra\u00e7a 13 de Maio, espa\u00e7o onde residiam v\u00e1rios italianos. Em uma das resid\u00eancias \u2013um casar\u00e3o dividido ao meio por um alongado corredor, com cozinha, sala, banheiro etc., separados\u2013 residiam duas fam\u00edlias. De um lado a de Salvador Magnavita(conhecido como Dudu) casado com Alice Magnavita e mais 4 filhos, e de outro o casal Eust\u00e1quio Almeida Barbosa(chamado de Taquinho) e Orienta Magnavita e seus 8 rebentos. Conta-se que entre os maridos (ali\u00e1s cunhados: Orienta \u00e9 irm\u00e3 do Dudu) e entre as proles dos casais, embora o relacionamento n\u00e3o fosse de aproxima\u00e7\u00e3o, a conviv\u00eancia era sem beliger\u00e2ncia. Agora, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas esposas, era um \u2018pega pra capar\u2019 da zorra, uma desaven\u00e7a sem fim, em especial quando se topavam nessa passagem. Apesar de n\u00e3o se ter not\u00edcias que as senhoras tenham \u2018sa\u00eddo na m\u00e3o\u2019 em algum momento, era um entrevero bastante comentado na cidade. O surpreendente \u00e9 que em Bebel \u2013honrada sempre com distin\u00e7\u00e3o e louvor em mat\u00e9ria de bisbilhotagem na Regi\u00e3o Cacaueira\u2013, nunca ningu\u00e9m, nem mesmo os<\/p>\n<p>fofoqueiros de plant\u00e3o, esclareceu a raz\u00e3o da diverg\u00eancia, ficando a intriga como um eterno segredo familiar.<\/p>\n<p>Mudando de pau pra cacete, o historiador Durval Filho no t\u00f3pico \u2018Italianidade dos Filhos da Imigra\u00e7\u00e3o\u2019 de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \u201cBelmonte, Mem\u00f3ria, Cultura e Turismo: uma (re)vis\u00e3o de Iararana de Sos\u00edgenes Costa\u201d(2003) relata num dos trechos que a maioria dos italianos que pintaram em Bebel, vieram de Paola, regi\u00e3o da Cal\u00e1bria no Sul da It\u00e1lia, e, que, ao aproveitarem da expans\u00e3o da cacauicultura e do avan\u00e7o capitalista, foram bem-sucedidos. Tornaram-se fazendeiros de cacau, comerciantes e at\u00e9 empreenderam atividades socioculturais. Durval defende noutros que o envolvimento deles com o cacau em Bebel no Sul da Bahia e com o caf\u00e9 em S\u00e3o Paulo, \u201c&#8230;atividades produtivas sem ra\u00edzes europeias e muito menos italianas&#8230;\u201d, foram fatores de \u2018abrasileiramento\u2019 desses imigrantes italianos. E diferencia dos vindos do Norte da It\u00e1lia para o Rio Grande do Sul e que a\u00ed, ao enveredarem na produ\u00e7\u00e3o de uva e vinho, \u201dreproduziram uma atividade t\u00edpica da regi\u00e3o de origem&#8230;\u201d. E desse jeito instalaram \u201c&#8230; a infraestrutura que reproduziria a cultura do pa\u00eds de origem\u201d.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>Em tempo: a belmontense Maria Delvina, residente em Salvador -Ba foi importante na elucida\u00e7\u00e3o das d\u00favidas no caso da Pra\u00e7a. Delvina conviveu ainda crian\u00e7a com os dois casais (n\u00e3o est\u00e3o mais aqui no nosso conv\u00edvio) \u2013 e descendentes\u2013, e os tratava de tios e de tias. \u00c9 sobrinha de sangue de Taquinho, irm\u00e3o de Zimbu, o homem das \u2018Bodas de Ouro\u201d de namoro focado na parte passada (XXIX) dessas Notas.<\/p>\n<p>Em tempo2: filhos de Dudu sem ordem cronol\u00f3gica: Ivo, Ivan, Ivani e Irlene. Idem de Taquinho: Ivone, Ivonete, Nice, Jos\u00e9, Geferson (G\u00e9 Popo), Silvia, Yolanda e Maria do Carmo.<\/p>\n<p>Em tempo3: O citado \u2018casar\u00e3o\u2019 ainda existe e mant\u00e9m a fachada. \u00c0 Pra\u00e7a 13 de Maio, chamavam-na, por motivos \u00f3bvios, Pra\u00e7a dos Gringos.<\/p>\n<p>Em tempo4: Bebel, como se sabe, foi a 3\u00aa localidade a desenvolver o cacau no Sul da Bahia, depois de Canavieiras e de Ilh\u00e9us.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) Na vers\u00e3o da \u2018calmaria\u2019 da famosa rota das \u00cdndias pelo Atl\u00e2ntico, foram os portugueses os primeiros a pisar na Terra Brasilis e os primeiros a ocupa-la. 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