{"id":121953,"date":"2020-04-01T20:27:18","date_gmt":"2020-04-01T23:27:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=121953"},"modified":"2020-04-01T20:27:18","modified_gmt":"2020-04-01T23:27:18","slug":"121953","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2020\/04\/01\/121953\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-120343 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1-300x155.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"155\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1-300x155.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1.jpg 587w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma pesquisa multic\u00eantrica de \u00e2mbito nacional, coordenada pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz para avaliar o programa De Volta para Casa, resultou na publica\u00e7\u00e3o de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0104-129020190003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\"><strong>dossi\u00ea na revista Sa\u00fade e Sociedade<\/strong><\/a>. Trata-se de um esfor\u00e7o interinstitucional para oferecer o panorama mais amplo poss\u00edvel sobre o programa voltado para a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o de pessoas internadas em hospitais psiqui\u00e1tricos por per\u00edodos superiores a dois anos e, at\u00e9 ent\u00e3o, nunca antes avaliado. O trabalho foi feito por\u00a0pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp &#8211; Baixada Santista), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade de Bras\u00edlia (UnB),\u00a0Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)\u00a0e Instituto Philippe Pinel.\u00a0A professora Gabriela Andrade da Silva e o professor Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Costa Cardoso, da \u00e1rea de Sa\u00fade da UFSB, participaram da equipe de pesquisa e da reda\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dos artigos do dossi\u00ea.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.saude.gov.br\/acoes-e-programas\/programa-de-volta-para-casa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\"><strong>programa De Volta para Casa (PVC)<\/strong><\/a>\u00a0foi criado em 2003 e consiste na concess\u00e3o de\u00a0um aux\u00edlio-reabilita\u00e7\u00e3o, op\u00e7\u00f5es de moradia e oferta de servi\u00e7o multiprofissional para apoiar o paciente na reabilita\u00e7\u00e3o fora de uma institui\u00e7\u00e3o hospitalar. Essa pol\u00edtica faz parte de um contexto de mudan\u00e7as nas pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental, de um modelo hospitaloc\u00eantrico, no qual o sanat\u00f3rio ou o manic\u00f4mio s\u00e3o os locais de tratamento em regime de internato, para um modelo de conviv\u00eancia na sociedade apoiado por estruturas de sa\u00fade de base comunit\u00e1ria. \u00c9 uma forma de tratamento que prev\u00ea a inclus\u00e3o do benefici\u00e1rio na comunidade onde mora, com aten\u00e7\u00e3o para a autonomia e os direitos humanos da pessoa em sofrimento ps\u00edquico, e que deve muito aos princ\u00edpios defendidos na\u00a0 Reforma Psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>O trabalho conjunto dos pesquisadores, conforme a professora Gabriela, consistiu na aplica\u00e7\u00e3o de diferentes metodologias, envolvendo\u00a0an\u00e1lise documental, entrevistas com pessoas que atuaram na implanta\u00e7\u00e3o do programa, an\u00e1lise dos itiner\u00e1rios de vida dos benefici\u00e1rios e observa\u00e7\u00f5es cotidianas. Os cientistas atuaram vinculados ao Comit\u00ea de Acompanhamento da Pesquisa, instalado em cada um dos munic\u00edpios integrantes da avalia\u00e7\u00e3o. Cada um desses comit\u00eas incluiu em sua composi\u00e7\u00e3o os benefici\u00e1rios do PVC, representantes das equipes atuantes no programa e das comunidades locais onde a pesquisa foi feita. 11 cidades nos estados da Bahia,\u00a0Minas Gerais,Para\u00edba, Pernambuco, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo foram selecionadas, nas quais a equipe obteve dados de 108 benefici\u00e1rios do PVC.<\/p>\n<p>O primeiro artigo com co-autoria de pesquisadores da UFSB,\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/sausoc\/v28n3\/1984-0470-sausoc-28-03-11.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\"><em>O Programa de Volta para Casa na vida cotidiana dos seus benefici\u00e1rios<\/em><\/a><\/strong><span class=\"x_normal\">, trata da articula\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica empregada na avalia\u00e7\u00e3o multiterritorial do programa. O artigo<\/span><em><span class=\"x_normal\">\u00a0<\/span><span class=\"x_normal\"><strong><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/sausoc\/v28n3\/1984-0470-sausoc-28-03-21.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\">Produ\u00e7\u00e3o compartilhada de conhecimentos em sa\u00fade mental: o Comit\u00ea de Acompanhamento de Pesquisa<\/a><\/strong>\u00a0\u00a0<\/span><\/em><span class=\"x_normal\">aborda com detalhes a cria\u00e7\u00e3o e o funcionamento do do Comit\u00ea de Acompanhamento de Pesquisa (CAP), desenhado para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo nacional sobre os resultados do Programa de Volta para Casa (PVC). O terceiro artigo, intitulado\u00a0<strong><em><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/sausoc\/v28n3\/1984-0470-sausoc-28-03-40.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\">Narrativas e sentidos do Programa de Volta para Casa: voltamos, e da\u00ed?<\/a><\/em><\/strong>,\u00a0mostra e discute os resultados encontrados na pesquisa, destacando as repercuss\u00f5es do Programa de Volta para Casa nas vidas dos benefici\u00e1rios entrevistados.<em><b><br \/>\n<\/b><\/em><\/span><\/p>\n<p><span class=\"x_normal\">A professora Gabriela e o professor Ant\u00f4nio contaram com uma equipe de discentes graduados no Bacharelado Interdisciplinar em Sa\u00fade no Campus Jorge Amado, em Itabuna. Hoje cursando Medicina no Campus Paulo Freire, em Teixeira de Freitas, esses profissionais e pesquisadores em forma\u00e7\u00e3o foram tamb\u00e9m bolsistas:\u00a0<\/span>Ren\u00ea Lu\u00eds Moura Antunes e\u00a0Jaqueline Leu dos Santos\u00a0(bolsistas PIPCI);\u00a0Daniela Viana da Silva,\u00a0Samuel de Jesus Martins Branco,\u00a0Sandro Menezes de Oliveira,\u00a0La\u00eds Ferreira Soares e\u00a0Adinailton Delmiro dos Santos (bolsistas Fiotec). &#8220;Daniela e Samuel participaram diretamente da coleta de dados, realizando entrevistas e observa\u00e7\u00e3o participante. Os demais participaram das transcri\u00e7\u00f5es, an\u00e1lises, interpreta\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o dos resultados, escrita de trabalhos para peri\u00f3dicos e para eventos cient\u00edficos&#8221;, detalha a professora Gabriela.<\/p>\n<p>A professora Gabriela Andrade da Silva falou sobre a participa\u00e7\u00e3o no estudo e os resultados encontrados, em entrevista concedida \u00e0 ACS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a situa\u00e7\u00e3o atual do PVC (tenho em vista que a pesquisa foi realizada de 2015 a 2018)?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gabriela Andrade da Silva:<\/strong>\u00a0O PVC continua vigente, beneficiando mais de 4 mil pessoas atualmente. Conforme mostrou nosso trabalho, o benef\u00edcio tem possibilitado que essas pessoas retomem suas vidas: andar pela rua, fazer amizades, cuidar da casa, namorar, retomar estudos e at\u00e9 mesmo trabalhar t\u00eam sido algumas das diversas conquistas. Estamos numa \u00e9poca de retrocessos nas pol\u00edticas de sa\u00fade mental, com o retorno gradual da l\u00f3gica manicomial. Por isso, manter o programa em funcionamento e avaliar seu impacto \u00e9 fundamental para mostrar que h\u00e1 alternativas efetivas que podem substituir as pr\u00e1ticas de interna\u00e7\u00e3o e isolamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Sobre a experi\u00eancia metodol\u00f3gica do CAP, que preocupa\u00e7\u00f5es orientaram a defini\u00e7\u00e3o e a articula\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos usados? Como foi a experi\u00eancia de incluir benefici\u00e1rios e trabalhadores no processo dessa pesquisa?<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Gabriela Andrade da Silva:<\/strong>\u00a0A instala\u00e7\u00e3o do CAP se deu para assegurar a uma maior horizontalidade entre pesquisadores e participantes da pesquisa. Em geral, os m\u00e9todos de pesquisa originados no \u00e2mbito das ci\u00eancias naturais t\u00eam como pressuposto que, quando fazemos uma pesquisa, \u00e9 poss\u00edvel manter um distanciamento do objeto, de forma a apresentar descri\u00e7\u00f5es imparciais dos fatos, isentas de subjetividade do pesquisador. Entretanto, essa concep\u00e7\u00e3o tem sido questionada, sobretudo nas pesquisas em ci\u00eancias humanas.<\/p>\n<p>Nada em uma pesquisa \u00e9 isento de subjetividade. A escolha dos pesquisadores determina a pergunta de pesquisa, o tipo de metodologia, a an\u00e1lise, quais resultados ser\u00e3o apresentados e como ser\u00e3o discutidos. S\u00e3o quest\u00f5es que guardam rela\u00e7\u00e3o com conhecimentos t\u00e9cnicos e consensuais na comunidade cient\u00edfica, mas que tamb\u00e9m s\u00e3o determinadas pelas experi\u00eancias e percep\u00e7\u00f5es do pesquisador. Assim, nas ci\u00eancias ditas \u201cduras\u201d, a subjetividade do pesquisador \u00e9 vista como um vi\u00e9s \u2013 isto \u00e9, um desvio, um erro. Entretanto, nas humanidades, consideramos que o erro \u00e9 justamente admitir que alguma pesquisa n\u00e3o tenha vieses de subjetividade.<\/p>\n<p>Desta forma, ao realizar pesquisa participante, \u00e9 importante que essas escolhas possam ser compartilhadas, refletidas e negociadas entre pesquisador e participantes. Consideramos que o pesquisador tamb\u00e9m \u00e9 participante da pesquisa e os sujeitos da pesquisa tamb\u00e9m compartilham, em maior ou menor grau, do papel de investigadores.<\/p>\n<p>Assim, o CAP foi um espa\u00e7o para proporcionar esse compartilhamento. Foi uma experi\u00eancia rica! Em um primeiro momento, sentimos uma certa desconfian\u00e7a das equipes de sa\u00fade mental dos munic\u00edpios, por ser uma pesquisa avaliativa. Por\u00e9m, conforme fomos conversando, compreenderam que nosso papel n\u00e3o era julgar o trabalho que faziam, mas construir junto com as equipes aquela avalia\u00e7\u00e3o e refletir sobre as potencialidades e os pontos que poderiam ser aprimorados. Assim, tivemos mais apoio nos trabalhos de campo. Nas interpreta\u00e7\u00f5es dos resultados tamb\u00e9m consideramos ter uma boa contribui\u00e7\u00e3o do CAP: ao apresentar nossa avalia\u00e7\u00e3o a profissionais de sa\u00fade e usu\u00e1rios e permitir que falassem e at\u00e9 mesmo discordassem de nossa vis\u00e3o, surgiram novos\u00a0<i>insights<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>A maior parte da popula\u00e7\u00e3o atendida corresponde aos grupos mais vulner\u00e1veis em termos sociais, econ\u00f4micos e culturais, e os benefici\u00e1rios est\u00e3o se tornando idosos com hist\u00f3rico de institucionaliza\u00e7\u00e3o. O quanto o PVC est\u00e1 conseguindo amenizar ou reorganizar essas quest\u00f5es? Que desafios est\u00e3o postos?<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gabriela Andrade da Silva:<\/strong>\u00a0O PVC \u00e9 um aux\u00edlio-reabilita\u00e7\u00e3o de R$ 412,00 (quatrocentos e doze reais). O valor \u00e9 relativamente pequeno \u2013 menos da metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo \u2013 e, portanto, certamente n\u00e3o \u00e9 suficiente para manter todas as necessidades dos benefici\u00e1rios. Entretanto, o aux\u00edlio n\u00e3o foi pensado como a\u00e7\u00e3o isolada, mas sim dentro de um contexto em que se pressup\u00f5e apoio familiar (quando poss\u00edvel), profissional (de trabalhadores da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial), moradia (quando est\u00e3o em resid\u00eancias terap\u00eauticas), sa\u00fade (pelo SUS) e, muitas vezes, outros benef\u00edcios, tais como aposentadorias e Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC).<\/p>\n<p>Assim, o que observamos foi que as necessidades b\u00e1sicas da vida, tais como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e sa\u00fade, quase sempre estavam sendo supridas por outras fontes. O PVC, al\u00e9m de apoiar essas necessidades di\u00e1rias quando necess\u00e1rio, tamb\u00e9m foi reconhecido por usu\u00e1rios e profissionais pelo aspecto de permitir que o benefici\u00e1rio comprasse outras coisas, que podem \u00e0 primeira vista parecer sup\u00e9rfluas, mas s\u00e3o justamente aquilo que proporciona que eles voltem a ser sujeitos, que fa\u00e7am escolhas e expressem vontades. Por exemplo: roupas, cosm\u00e9ticos, eletr\u00f4nicos, instrumentos musicais, brinquedos, atividades de lazer. Poder escolher o que comprar, de que marca, de que cor, em que local, \u00e9 uma forma de criar e expressar identidade, que \u00e9 justamente o que foi apagado no processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o dos manic\u00f4mios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essas pessoas costumam criar la\u00e7os com a comunidade por meio das compras. Ao frequentar a padaria do bairro, a mercearia, a academia, o sal\u00e3o de beleza, os benefici\u00e1rios criam v\u00ednculos e passam a ser aceitos como cidad\u00e3os. Isso contribui para a desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos e integra\u00e7\u00e3o com a vizinhan\u00e7a, com o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre importante ressaltar que o PVC \u00e9 fundamental para a reabilita\u00e7\u00e3o psicossocial, mas n\u00e3o pode ser o \u00fanico benef\u00edcio nesse processo: deve estar inserido como mais um elemento em uma complexa rede de servi\u00e7os e apoio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Que achados s\u00e3o importantes subs\u00eddios para melhorar essa pol\u00edtica p\u00fablica?<\/strong><\/h2>\n<p><strong>Gabriela Andrade da Silva:<\/strong>\u00a0Esse resultado \u00e9 extremamente relevante atualmente, pois desde 2017 temos observado retrocessos nas pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade mental. Por exemplo: o hospital psiqui\u00e1trico foi reinserido na Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial, inclusive permitindo-se interna\u00e7\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o. Essa pr\u00e1tica, embora defendida por parte dos profissionais de sa\u00fade, n\u00e3o se sustenta com base nos resultados desta e de outras pesquisas. Agora podemos dizer com toda a convic\u00e7\u00e3o que o PVC \u00e9 um programa efetivo, que deve ser mantido. Na realidade, considero que o custo dessa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 bastante pequeno em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vantagens que proporciona no processo de desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o.O principal achado foi que todos os 109 participantes da pesquisa, que iniciaram a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o e recebiam o PVC h\u00e1 treze anos, estavam em melhores condi\u00e7\u00f5es do que durante a interna\u00e7\u00e3o, em todos os aspectos: sa\u00fade f\u00edsica, sa\u00fade mental, v\u00ednculos, autonomia. Ou seja, a pesquisa mostrou que \u00e9 poss\u00edvel realizar a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o e que a conviv\u00eancia em comunidade tem efeito terap\u00eautico muito superior \u00e0 interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m constatamos que a autonomia dos usu\u00e1rios poderia estar ainda melhor \u2013 sempre pode melhorar, na verdade, pois \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Observamos que em algumas situa\u00e7\u00f5es, o excesso de preocupa\u00e7\u00e3o levou a pr\u00e1ticas de cuidado que tendem a um controle desnecess\u00e1rio. Estando dentro do servi\u00e7o, \u00e9 preciso que profissionais sempre se perguntem qual \u00e9 a justa medida entre cuidar\/proteger e promover a independ\u00eancia\/autonomia. Nesse sentido, tanto nos encontros do CAP quanto em nossas publica\u00e7\u00f5es, fizemos algumas reflex\u00f5es sobre situa\u00e7\u00f5es em que a autonomia poderia ser mais incentivada.<\/p>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"x_ff841b04-fa38-4916-a895-639954aa28b6\">\n<div>&#8212;<br \/>\n<b>Heleno Rocha Naz\u00e1rio<\/b><\/div>\n<div>Jornalista &#8211;\u00a0Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Social (PPGCOM\/PUCRS)<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa multic\u00eantrica de \u00e2mbito nacional, coordenada pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz para avaliar o programa De Volta para Casa, resultou na publica\u00e7\u00e3o de um\u00a0dossi\u00ea na revista Sa\u00fade e Sociedade. Trata-se de um esfor\u00e7o interinstitucional para oferecer o panorama mais amplo poss\u00edvel sobre o programa voltado para a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o de pessoas internadas em hospitais psiqui\u00e1tricos por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121953"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121953"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121953\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":121954,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121953\/revisions\/121954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}