{"id":122087,"date":"2020-04-29T16:06:58","date_gmt":"2020-04-29T19:06:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=122087"},"modified":"2020-04-29T16:06:58","modified_gmt":"2020-04-29T19:06:58","slug":"a-poesia-musical-e-os-inimigos-do-ritmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2020\/04\/29\/a-poesia-musical-e-os-inimigos-do-ritmo\/","title":{"rendered":"A POESIA MUSICAL E OS INIMIGOS DO RITMO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/foto-LF.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-120671\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/foto-LF-239x300.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/foto-LF-239x300.jpg 239w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/foto-LF.jpg 383w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/a>(Cap\u00edtulo XI do livro em formata\u00e7\u00e3o \u2013 VIVER EM DOIS S\u00c9CULOS)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Luiz Ferreira da Silva.<\/p>\n<p>O novo mil\u00eanio n\u00e3o foi prodigioso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica, aos int\u00e9rpretes, e \u00e0s bandas, nada se comprando com o per\u00edodo anterior. Um verdadeiro mau gosto e baixo n\u00edvel cultural.<\/p>\n<p>N\u00f3s da velha guarda, est\u00e1vamos com os ouvidos acostumados com belas poesias de grandes mestres, dez das quais aqui insiro com saudades e devo\u00e7\u00e3o, sobretudo para que os jovens de hoje comparem com o seu mundo musical, eivado de letras esdr\u00faxulas:<\/p>\n<p>* A porta do barraco era sem trinco. Mas a lua furando o nosso zinco, salpicava de estrelas o nosso ch\u00e3o. Tu pisavas nos astros distra\u00edda, sem saber que a alegra dessa vida \u00e9 a cabrocha, o luar e o viol\u00e3o. (Ch\u00e3o e estrelas, Orestes Barbosa)<\/p>\n<p>* Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela n\u00e3o pode ser. Diz-lhe numa prece, que ela regresse, porque eu n\u00e3o posso mais sofrer (Chega de saudades, Tom Jobim).<\/p>\n<p>*. Hoje eu quero a rosa mais linda que houver. E a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem. Hoje eu quero paz de crian\u00e7a dormindo. E abandono de flores se abrindo, para enfeitar a noite do meu bem Quero a alegria de um barco voltando. Quero ternura de m\u00e3os se encontrando, para enfeitar a noite do meu bem. (A noite do meu bem, Dolores Duran).<\/p>\n<p>*. Voc\u00ea sabe o que \u00e9 ter um amor, meu senhor? Ter loucura por uma mulher E depois encontrar esse amor, meu senhor, nos bra\u00e7os de um tipo qualquer? (Nervos de a\u00e7o, Lupic\u00ednio Rodrigues).<\/p>\n<p>*. Ah, se tu soubesses como sou t\u00e3o carinhoso, e o muito, muito que te quero. E como \u00e9 sincero o meu amor. Eu sei que tu n\u00e3o fugirias mais de mim (Carinhoso, Pixinguinha).<\/p>\n<p>*. N\u00e3o se deve amar ser amado. \u00c9 melhor morrer crucificado. Deus nos livre das mulheres de hoje em dia. Desprezam o homem, s\u00f3 por causa da orgia. (Gosto que me enrosco, Senhor).<\/p>\n<p>*. Eu sonhei que estavas t\u00e3o linda. Numa festa de raro esplendor. Teu vestido de bale, lembro ainda. Era branco, todo branco, meu amor. A orquestra tocou uma valsa dolente. Tomei-te aos bra\u00e7os, fomos dan\u00e7ando ambos silentes. (Eu sonhei que tu estavas t\u00e3o linda, Lamartine Babo).<\/p>\n<p>*. A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho que o sol, num dourado sonho, vai claridade buscar. Minha rua n\u00e3o tem gra\u00e7a, mas por onde ela passa, seu vulto que me seduz. (A Deusa da minha rua, Newton Teixeira).<\/p>\n<p>*. Tu \u00e9s, divina e graciosa est\u00e1tua majestosa do amor por Deus esculturada. E formada com ardor, da alma da mais linda flor, de mais ativo olor que na vida \u00e9 preferida pelo beija-flor. Se Deus me fora t\u00e3o clemente aqui nesse ambiente de luz. Formada numa tela deslumbrante e bela O teu cora\u00e7\u00e3o junto ao meu lanceado. Pregado e crucificado sobre a r\u00f3sea cruz do arfante peito seu. (Rosa, Pixinguinha).<\/p>\n<p>*. Ainda \u00e9 cedo, amor. Mal come\u00e7aste a conhecer a vida j\u00e1 anuncias a hora de partida sem saber mesmo o rumo que ir\u00e1s tomar. Preste aten\u00e7\u00e3o, querida. Embora eu saiba que est\u00e1s resolvida. Em cada esquina cai um pouco<\/p>\n<p>tua vida. Em pouco tempo n\u00e3o ser\u00e1s mais o que \u00e9s (A vida \u00e9 um moinho, Cartola).<\/p>\n<p>O s\u00e9culo passado foi marcado por revolu\u00e7\u00f5es musicais. Grandes movimentos permitiram o aprimoramento das melodias, o surgimento de grandes int\u00e9rpretes e o carimbo internacional da MPB.<\/p>\n<p>A Bossa Nova, com figuras exponencias na arte musical, como Ant\u00f4nio Carlos Jobim, Vin\u00edcius de Moraes e Jo\u00e3o Gilberto, correu o mundo, encantando especialmente a nata americana, de Frank Sinatra a Elle Fitzgerald.<\/p>\n<p>A Tropic\u00e1lia, com os baianos, Caetano e Gilberto Gil, numa mistura de ritmos e letras do cotidiano, fazendo multid\u00f5es cantarem sob as belas vozes de Gal Costa e Maria Beth\u00e2nia.<\/p>\n<p>Em paralelo, a Jovem Guarda de Roberto Carlos, que satisfazia a uma faixa de jovens \u201cprafrentex\u201d de cabelos longos e conectados com o movimento do Rock Rol internacional.<\/p>\n<p>Os Novos Baianos tamb\u00e9m deram uma contribui\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica \u00e0 m\u00fasica, conjuminando-as com a excel\u00eancia dos instrumentos musicais, notadamente as guitarras el\u00e9tricas e a percuss\u00e3o. Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Galv\u00e3o, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo, marcaram \u00e9poca.<\/p>\n<p>No Nordeste, a consagra\u00e7\u00e3o de Luiz Gonzaga, o Rei do Bai\u00e3o. Juntamente com Humberto Teixeira e Z\u00e9 Dantas, criando can\u00e7\u00f5es que cantavam a sua terra, fazendo a mo\u00e7ada dan\u00e7ar ao som do forr\u00f3 (Xote, Bai\u00e3o, Xaxado).<\/p>\n<p>E para culminar, os Grandes Festivais que revelaram novos compositores como Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Edu Lobo, Geraldo Vandr\u00e9, dentre outros de igual talento.<\/p>\n<p>E o que aconteceu no s\u00e9culo XXI? Desvirtua\u00e7\u00e3o total. Uma agress\u00e3o \u00e0 MPB. Primeiramente, as bandas de forr\u00f3 com uma parafern\u00e1lia instrumental, com letras sem nexo e int\u00e9rpretes de baixa capacidade vocal.<\/p>\n<p>Mexeram no samba, aquele de Paulinho da Viola e de Martinho da Vila, com um tal de pagode. Ritmo lento como se fora uma marcha, letras repetitivas e sem a batida original que ecoava nos morros cariocas.<\/p>\n<p>O pior de tudo foi a agress\u00e3o \u00e0 genu\u00edna m\u00fasica caipira, denominando-a de sertaneja, com a prolifera\u00e7\u00e3o de duplas, cujas letras nada refletem o espa\u00e7o geogr\u00e1fico do meio rural, como se situavam Tonico e Tinoco, Pena Branco e Xavantinho, Cascatinha e Inhana, dentre tantos.<\/p>\n<p>N\u00e3o vale a pena se estender no repert\u00f3rio atual, inspirado em tr\u00eas temas: cacha\u00e7a, chifre (gaia) e rapariga! Isso diz tudo, dispensando coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas, mesmo negativamente, vale registrar o envolvimento da juventude universit\u00e1ria com esse esdr\u00faxulo movimento musical, esbaldando-se nas baladas, n\u00e3o havendo distin\u00e7\u00e3o de gosto entre as classes socioecon\u00f4micas, nivelando-se todos, cantando aos gritos:<\/p>\n<p>\u201cRapariga n\u00e3o, rapariga n\u00e3o Lava sua boca com \u00e1gua e sab\u00e3o Rapariga n\u00e3o, rapariga n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um corpinho bonito. Ela tamb\u00e9m tem cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, a bela m\u00fasica dos morros, desde Cartola e Dona Ivone Lara, se perdeu nas quebradas, sugada pelos bailes funks, caracterizados pela viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Adicionalmente, ao inv\u00e9s de cantar a beleza de suas comunidades, como Herivelto Martins o fez com sua Ave Maria no Morro, expressam di\u00e1logos, muitas vezes, sem p\u00e9 e nem cabe\u00e7a, atrav\u00e9s do Hip Hop, uma pobre imita\u00e7\u00e3o dos negros americanos, descaracterizando-o.<\/p>\n<p>Este movimento musical de rua surgiu para expressar, com letras e movimentos corporais, a sua realidade social, mas sem vis\u00e3o negativista e destruidora, mas sempre como uma li\u00e7\u00e3o de f\u00e9.<\/p>\n<p>E para encerrar, a m\u00fasica baiana que virou Ax\u00e9 e desvirtuou o Trio el\u00e9trico de Dod\u00f4 e Osmar, com sua avidez economicista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Cap\u00edtulo XI do livro em formata\u00e7\u00e3o \u2013 VIVER EM DOIS S\u00c9CULOS) Luiz Ferreira da Silva. 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