{"id":122159,"date":"2020-05-16T21:52:22","date_gmt":"2020-05-17T00:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=122159"},"modified":"2020-05-16T21:52:22","modified_gmt":"2020-05-17T00:52:22","slug":"ufsb-ciencia-artigo-pioneiro-constata-aumento-do-numero-de-casos-de-picada-de-escorpiao-no-extremo-sul-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2020\/05\/16\/ufsb-ciencia-artigo-pioneiro-constata-aumento-do-numero-de-casos-de-picada-de-escorpiao-no-extremo-sul-da-bahia\/","title":{"rendered":"UFSB Ci\u00eancia: Artigo pioneiro constata aumento do n\u00famero de casos de picada de escorpi\u00e3o no Extremo Sul da Bahia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-121095 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1-300x155.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"155\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1-300x155.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/UFSB-AZUL-HORIZONTAL1.jpg 587w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um artigo sobre o n\u00famero de casos de pessoas picadas por escorpi\u00f5es no Extremo Sul da Bahia traz informa\u00e7\u00f5es importantes para o cuidado com a sa\u00fade. O texto\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2237-96222020000200301&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\"><strong><em>Escorpionismo no Extremo Sul da Bahia, 2010-2017: perfil dos casos e fatores associados \u00e0 gravidade<\/em><\/strong><\/a>\u00a0foi publicado na revista\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=2237-9622&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\">Epidemiologia e Servi\u00e7os de Sa\u00fade<\/a><\/strong>, editada pela Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O estudo \u00e9 assinado pela bi\u00f3loga e mestra em Ci\u00eancias e Tecnologias Ambientais (PPGCTA) pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Nereide Santos Lisboa, e pelos professores Vanner Boere e Frederico Neves Monteiro (UFSB), que a orientaram na pesquisa\u00a0<em>Fatores Epidemiol\u00f3gicos e Socioambientais do Escorpionismo no Extremo Sul da Bahia<\/em>, defendida no PPGCTA\/UFSB em dezembro de 2019. As conclus\u00f5es expostas no artigo apontam para aumento dos casos de picada de escorpi\u00e3o, com os casos graves ligados a indiv\u00edduos mais jovens e \u00e0s ocorr\u00eancias na zona rural. A maior parte das pessoas atendidas nesse recorte foi constitu\u00edda por pessoas em idade produtiva, residentes no meio rural, com baixa escolaridade, do sexo masculino e negras.<\/p>\n<p>A pesquisa reuniu dados de 3.055 casos ocorridos nos munic\u00edpios do Extremo Sul da Bahia entre 2010 e 2017, que resultaram em 411 casos graves e dez mortes. Apesar da queda do n\u00famero de mortes ao longo do per\u00edodo analisado, a tend\u00eancia \u00e9 de crescimento do n\u00famero de acidentes escorpi\u00f4nicos, o termo usado para indicar picada de escorpi\u00e3o no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (SINAN). Foi nesse sistema que Nereide reuniu os dados com os quais trabalhou para entender o que provocou esse aumento.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o tem muitos motivos de ser: a ocorr\u00eancia desse tipo de acidente \u00e9 t\u00e3o grande em diversos pa\u00edses tropicais a ponto da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) inclu\u00ed-lo na lista de doen\u00e7as tropicais negligenciadas, fazendo companhia \u00e0s leishmanioses e \u00e0 febre mal\u00e1ria, dentre outras. Doen\u00e7as tropicais negligenciadas s\u00e3o aquelas associadas tanto \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria que favorecem o cont\u00e1gio quanto ao pouco interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica em criar tratamentos novos e mais eficazes para essas enfermidades.<\/p>\n<p>No Brasil, o escorpionismo \u00e9 tido como problema de sa\u00fade p\u00fablica. O monitoramento de acidentes causados por animais pe\u00e7onhentos \u00e9 realizado via SINAN desde 1993, e a partir de 2009 o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem realizado esfor\u00e7os qualificar equipes de sa\u00fade para identifica\u00e7\u00e3o, manejo e controle de escorpi\u00f5es, em parceria com as secretarias estaduais. Mesmo assim, o pa\u00eds registra um aumento substancial da quantidade de casos: de 52.509 em 2010 subiu para 124.077, com 740 mortes decorrentes.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o feita por Nereide \u00e9 a primeira a focalizar o territ\u00f3rio do Extremo Sul da Bahia a respeito do escorpionismo. Outra inova\u00e7\u00e3o do estudo foi o cruzamento dos dados epidemiol\u00f3gicos do SINAN com o \u00cdndice de Vulnerabilidade Socioambiental (IVSA), fator que integra informa\u00e7\u00f5es ambientais, sociais e econ\u00f4micas para entender como o tipo de atividade produtiva, escolaridade e infraestrutura de saneamento urbano, por um lado, e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as altera\u00e7\u00f5es que o ser humano causa no ambiente, \u00a0por outro, interagem para esse quadro de aumento dos acidentes escorpi\u00f4nicos.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga e pesquisadora Nereide Santos Lisboa, atuante na Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica, fala mais sobre a pesquisa e os resultados apontados.<\/p>\n<p><strong>Esse estudo vem a ser o primeiro sobre o escorpionismo focado no territ\u00f3rio Extremo Sul da Bahia? Que aspectos do desenho da pesquisa voc\u00ea destaca como diferenciais?<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Sim, de fato esse \u00e9 o primeiro estudo dessa magnitude que abrange o tema escorpionismo e epidemiologia no Extremo Sul da Bahia. Um dos destaques dessa pesquisa foi o \u00cdndice de Vulnerabilidade Socioambiental (IVSA), que objetivou sistematizar e analisar condi\u00e7\u00f5es socioambientais muito complexas das regi\u00f5es onde os acidentes acontecem em informa\u00e7\u00e3o significativa para ajudar nas estrat\u00e9gias de sa\u00fade na regi\u00e3o. As informa\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas das vari\u00e1veis adotadas no IVSA foram obtidas a partir dos dados socioecon\u00f4micos e ambientais, que combinaram indicadores ambientais, sociais e econ\u00f4micos de relativa complexidade, em um \u00edndice sint\u00e9tico, como medida para resumir as informa\u00e7\u00f5es relevantes. As dimens\u00f5es do IVSA (ambiental, social e econ\u00f4mica) buscaram identificar as condi\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o socioambiental das comunidades, decorrentes da utiliza\u00e7\u00e3o incorreta do mesmo ou da precariedade da infraestrutura urbana, resultando num socioecossistema vulner\u00e1vel. Os resultados da an\u00e1lise indicaram o n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o e incapacidade de determinados grupos populacionais em responder adequadamente \u00e0s causas e consequ\u00eancias do escorpionismo.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m dos fatores socioecon\u00f4micos, o estudo relaciona a dimens\u00e3o ambiental de atividades que tendem a favorecer o acontecimento de picadas de escorpi\u00e3o, que afetaram justamente a camada mais vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o. Que medidas podem ajudar a reduzir o n\u00famero de casos, especialmente na \u00e1rea rural?<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o do Extremo Sul da Bahia apresenta como principais atividades econ\u00f4micas a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de cana-de-a\u00e7\u00facar, pecu\u00e1ria, caf\u00e9 e eucalipto. Esse tipo de atividade agr\u00edcola leva ao desmatamento e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o humana, alterando o habitat natural dos escorpi\u00f5es e favorecendo o contato entre ambos, com potenciais acidentes. Estudos sobre a ecologia dos escorpi\u00f5es seriam necess\u00e1rios para melhor compreender o impacto da atividade agroflorestal na incid\u00eancia de acidentes escorpi\u00f4nicos na regi\u00e3o. O estudo mostrou que as m\u00e3os foram as regi\u00f5es corporais mais afetados nos acidentes escorpi\u00f4nicos, o que \u00e9 justificado tanto por atividades dom\u00e9sticas quanto pela falta de utiliza\u00e7\u00e3o dos Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPI) pelos trabalhadores nas suas atividades. O acidente escorpi\u00f4nico caracteristicamente envolve atividades manipulativas de objetos e locais onde se abrigam os escorpi\u00f5es. EPIs poderiam ser um importante instrumento para evitar os acidentes em ambientes de trabalho, principalmente no ambiente rural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dentre as sugest\u00f5es apresentadas na parte de Resultados, os autores afirmam que a distribui\u00e7\u00e3o e o uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) ajudariam a reduzir a quantidade de acidentes escorpi\u00f4nicos. Que equipamentos seriam mais apropriados para isso? Qual seria a melhor forma de implementar isso?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/manual_controle_escorpioes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-auth=\"NotApplicable\">Manual de Controle de Escorpi\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a><\/strong>, os EPIs ideais em locais de risco de acidentes escorpi\u00f4nicos seriam: bota ou sapato fechados, cal\u00e7a comprida, camisa de manga longa com pulso justo, luvas, bon\u00e9 ou chap\u00e9u (cabelos longos devem ser mantidos presos). Com os dados desse estudo, o poder p\u00fablico e as empresas j\u00e1 t\u00eam elementos que permitem a organiza\u00e7\u00e3o de campanhas educativas sobre o escorpionismo, al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o de EPIs para a popula\u00e7\u00e3o que atua em atividades e \u00e1reas mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Apesar da queda da letalidade, provavelmente decorrente da melhoria da resposta do sistema p\u00fablico de sa\u00fade, o n\u00famero de casos aumentou. Que perspectivas temos pela frente?<\/strong><\/p>\n<p>Com o crescimento desordenado das \u00e1reas urbanas, a precariedade de saneamento b\u00e1sico, a falta de moradias adequadas, o desmatamento, e at\u00e9 as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que facilitam na cria\u00e7\u00e3o de ambientes favor\u00e1veis para a prolifera\u00e7\u00e3o e o contato das pessoas com os escorpi\u00f5es, a tend\u00eancia e perspectivas \u00e9 o aumento no n\u00famero de casos de forma progressiva, como tem evidenciado os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nos \u00faltimos anos. O escorpionismo est\u00e1 aumentando em todo o pais. Em um contexto de aquecimento global, espera-se uma mudan\u00e7a na ecologia dos escorpi\u00f5es, onde algumas esp\u00e9cies diminuir\u00e3o e outras, ao contr\u00e1rio, dever\u00e3o aumentar sua popula\u00e7\u00e3o e \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o. O escorpi\u00e3o amarelo, o mais perigoso e respons\u00e1vel pela maior parte dos acidentes, \u00e9 uma esp\u00e9cie que est\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>Nosso estudo detectou vulnerabilidades ambientais, que podem vir a se agravar com o aquecimento global, se medidas preventivas n\u00e3o forem tomadas. Da\u00ed a import\u00e2ncia de uma Vigil\u00e2ncia Ambiental atuante, lastreada nas pol\u00edticas de sa\u00fade coordenadas pelo SUS. Se a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, n\u00e3o menos s\u00e3o as atividades de cuidados do Sistema P\u00fablico de Sa\u00fade (SUS) quando ocorrem as picadas, haja vista a diminui\u00e7\u00e3o da mortalidade nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"x_ff841b04-fa38-4916-a895-639954aa28b6\">\n<div>&#8212;<br \/>\n<b>Heleno Rocha Naz\u00e1rio<\/b><\/div>\n<div>Jornalista &#8211;\u00a0Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Social (PPGCOM\/PUCRS)<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo sobre o n\u00famero de casos de pessoas picadas por escorpi\u00f5es no Extremo Sul da Bahia traz informa\u00e7\u00f5es importantes para o cuidado com a sa\u00fade. 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