{"id":123845,"date":"2021-04-28T21:39:16","date_gmt":"2021-04-29T00:39:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=123845"},"modified":"2021-04-28T21:39:16","modified_gmt":"2021-04-29T00:39:16","slug":"rondonia-cacau-ouro-1971-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2021\/04\/28\/rondonia-cacau-ouro-1971-2021\/","title":{"rendered":"R\u00d4NDONIA, CACAU OURO. (1971 \u2013 2021)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/LF83-1n-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-123846 alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/LF83-1n-1.jpg\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"232\" \/><\/a>Luiz Ferreira da Silva, 84<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Engenheiro agr\u00f4nomo, pesquisador aposentado, ex-Diretor da CEPLAC-Amaz\u00f4nia, 1982-85.<\/p>\n<p>Em 1971, Frederico Afonso, depois de retornar de seu mestrado e estruturar a Divis\u00e3o de Socioeconomia do Centro de Pesquisas do cacau, trocou o conforto do Sul da Bahia e, com a fam\u00edlia, e se instalou no interior de Rond\u00f4nia, no Projeto Ouro Preto (assentamentos rurais), gerenciado pelo INCRA, residindo numa casa de madeira, com o objetivo de iniciar o retorno do cacau \u00e0s suas origens.<\/p>\n<p>Era preciso se avaliar a qualidade dos solos aptos para cacau e o quantitativo para sua expans\u00e3o, caso os plantios experimentais fossem aprovados, como o foram. Dessa forma, no ano seguinte, fui convocado pelo Frederico e passei 3 meses investigando os tipos de solos para a implanta\u00e7\u00e3o futura da cacauicultura sob novo modelo CEPLAC\/INCRA, o dos parceleiros. Outras vezes retornei para continuar os estudos pedol\u00f3gicos, com colegas da Divis\u00e3o de Geoci\u00eancias do CEPEC (Centro de Pesquisas do Cacau).<\/p>\n<p>Ele sempre acompanhava o trabalho de campo, apoiando e incentivando, \u00e0 medida que os solos eram caracterizados, recebendo nomes locais, como Unidade Ouro Preto; Unidade Para\u00edso, Unidade Vermelh\u00e3o, Unidade Rond\u00f4nia; Unidade Aluvial etc.<\/p>\n<p>Numa \u00e1rea de explora\u00e7\u00e3o de ouro, identifiquei um solo diferente e, prontamente, Frederico se antecipou e batizou o solo de Unidade Xibiu, o qual relutei em aceitar. Mas ele insistiu e me explicou que se tratava de uma diminuta pepita de ouro encontrada nas bateias, nominada assim pelos garimpeiros. Acontece, por\u00e9m, quando fiz uma palestra no audit\u00f3rio do CEPEC, causei um rebuli\u00e7o, pois o significado era outro na Bahia.<\/p>\n<p>Nos estudos pedol\u00f3gicos, h\u00e1 a necessidade de se descrever as suas propriedades, sobretudo morfol\u00f3gicas, em profundidade, visando definir os padr\u00f5es dos perfis. Para tanto, s\u00e3o escavadas \u201ctrincheiras\u201d de 2x2x2 (largura x longitude x profundidade), requerendo um esfor\u00e7o f\u00edsico consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Dois oper\u00e1rios de campo foram designados para esse trabalho \u2013 os irm\u00e3os Efraim e Ibrahim \u2013 que nos acompanharam por todo mapeamento dos solos. L\u00e1 para as tantas, j\u00e1 no final do estudo, precisei uma vez mais de seus servi\u00e7os para a abertura de adicional trincheira em Jiparan\u00e3. Falei com Frederico que, imediatamente, foi ao refeit\u00f3rio e informou ao Ibrahim que pegasse suas ferramentas, quando este gritou, ao seu irm\u00e3o que ia saindo: &#8211; Efraim, tem mais buraco! \u2013 de uma maneira triste e desconsolada. Como r\u00edamos quando nos lembr\u00e1vamos desse epis\u00f3dio!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do estudo nesta \u00e1rea de 600 km2 concluiu-se pela viabilidade do plantio do cacau em 70% dela, significando, pois, 42 000 hectares, o que norteou a implanta\u00e7\u00e3o de um polo, anos depois. Os estudos posteriores aumentaram tal quantitativo de solos aptos \u00e0 lavoura.<\/p>\n<p>Nesta epopeia do retorno da lavoura ao ber\u00e7o amaz\u00f4nico, Frederico Afonso contou com o apoio do INCRA (Capit\u00e3o S\u00edlvio e Agr\u00f4nomo Assis Canuto) e do Governo de Rond\u00f4nia, a exemplo do Teixeir\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais l\u00e1 na frente, na vig\u00eancia do PROCACAU (Programa Nacional de Expans\u00e3o da Cacauicultura), formou uma equipe de jovens, trazendo da Bahia o Nilton Camargo, pe\u00e7a de apoio log\u00edstico aos destemidos agr\u00f4nomos, dentre os<\/p>\n<p>quais me lembro: Fernandinho Carioca, Jonathan, Pedro Paulo, Jay Wallace, Milton Ferreira, Laurentino e Caio M\u00e1rcio, iniciando um programa vibrante de plantios da lavoura, utilizando os parceleiros assentados pelo INCRA.<\/p>\n<p>Infelizmente, anos depois houve arrefecimento do programa, em raz\u00e3o da car\u00eancia de m\u00e3o-de-obra, falta de tradi\u00e7\u00e3o, decl\u00ednio da CEPLAC e expans\u00e3o da pecu\u00e1ria. Urge, pois, a retomada da cacauicultura, considerando o cacaueiro uma planta conservacionista, tanto na prote\u00e7\u00e3o do solo, como na sua conviv\u00eancia com a floresta, op\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sem igual para a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Hoje, 2021, do marco zero \u00e0s ro\u00e7as de cacau implantadas, mesmo com todas as dificuldades, vicejam no ch\u00e3o rondoniano milhares de hectares, gra\u00e7as ao vision\u00e1rio colega, cuja obstina\u00e7\u00e3o, for\u00e7a de trabalho e intelig\u00eancia proativa, o tornam merecedor de uma homenagem, aqui proposta: Esta\u00e7\u00e3o Experimental Frederico Afonso (ESEFA), em substitui\u00e7\u00e3o a ESEOP (Esta\u00e7\u00e3o Experimental Ouro Preto). (Macei\u00f3, AL, 21-04-2 021).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Ferreira da Silva, 84 Engenheiro agr\u00f4nomo, pesquisador aposentado, ex-Diretor da CEPLAC-Amaz\u00f4nia, 1982-85. 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