{"id":125964,"date":"2022-06-30T13:28:38","date_gmt":"2022-06-30T16:28:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=125964"},"modified":"2022-11-15T11:58:35","modified_gmt":"2022-11-15T14:58:35","slug":"a-mistica-do-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2022\/06\/30\/a-mistica-do-cacau\/","title":{"rendered":"A M\u00cdSTICA DO CACAU"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/IMG_20220517_161800.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-125801\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/IMG_20220517_161800-261x300.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/IMG_20220517_161800-261x300.jpg 261w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/IMG_20220517_161800.jpg 495w\" sizes=\"(max-width: 261px) 100vw, 261px\" \/><\/a>(Do livro em elabora\u00e7\u00e3o \u2013 O MANJAR DOS DEUSES \u00c9 DE DAR \u00c1GUA NA BOCA \u2013 Luiz Ferreira &amp; A.C. Moreau).<\/p>\n<p>O cacau desde os prim\u00f3rdios quando da sua aprecia\u00e7\u00e3o pelos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Central, carrega um valor m\u00edstico. Era consumido, sob forma de bebida preparada a partir das am\u00eandoas pelos reis e nobres das tribos e at\u00e9 chamado de alimento dos deuses. Serviu de moedas para pagamento de impostos das sociedades da \u00e9poca. Foi levado para a Europa por conquistadores como produto ex\u00f3tico para o consumo das elites e nobreza.<\/p>\n<p>Mais tarde, o cacau foi trazido para o sul do Estado da Bahia e cultivado por pioneiros desbravadores das matas prim\u00e1rias ali existentes. Os primeiros plantadores de cacau eram trabalhadores destemidos que migraram de regi\u00f5es secas do Nordeste do Brasil e se aventuraram pela floresta, desprovidos de ferramentas, de ve\u00edculos de transportes e de equipamentos adequados de trabalho, lutando bra\u00e7almente para criar condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de viv\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o aumento do consumo e afirma\u00e7\u00e3o do mercado, houve uma expans\u00e3o do plantio de cacau e surgiram as \u201cfazendas de cacau\u201d produtoras das am\u00eandoas para a exporta\u00e7\u00e3o, pagas em d\u00f3lares pelas cota\u00e7\u00f5es di\u00e1rias nas bolsas de valores.<\/p>\n<p>As fazendas que produziam cacau, passaram a ter um valor venal diferenciado; os bancos as recebiam como garantias de financiamentos; os frutos \u201cpendentes\u201d dos cacaueiros eram penhorados. As facilidades de cr\u00e9dito rural para cacau, pois, foram enormes.<\/p>\n<p>Os profissionais liberais e pessoas que vinham para a regi\u00e3o sonhavam em possuir uma fazenda de cacau e os filhos e filhas dos cacauicultores eram considerados \u201cbons partidos\u201d para o casamento devido as heran\u00e7as.<\/p>\n<p>Os governos Estadual e Federal criaram \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos para apoiar a lavoura do cacau em ocasi\u00f5es de crises de produ\u00e7\u00e3o e de d\u00edvidas que por vezes foram anistiadas.<\/p>\n<p>Os jornais nacionais e estrangeiros noticiavam as riquezas geradas pelo cacau e dezenas de firmas compradoras de cacau se instalaram na regi\u00e3o e algumas ind\u00fastrias de fabrica\u00e7\u00e3o de chocolate e derivados do cacau vieram para Ilh\u00e9us, o maior munic\u00edpio de cacau do Brasil.<\/p>\n<p>Estudiosos, cientistas e escritores deram contribui\u00e7\u00e3o com an\u00e1lises, projetos, diagn\u00f3sticos, publica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, contos liter\u00e1rios, poesias sobre diversos aspectos do cacau e do ecossistema regional, tendo como centro, o cacaueiro. At\u00e9 filmagens e novelas foram montados tomando como tema o cacau.<\/p>\n<p>O Instituto do Cacau da Bahia e a CEPLAC mantidos com taxas sobre a produ\u00e7\u00e3o do cacau, tiveram um extraordin\u00e1rio crescimento e aplicaram recurso em diversos setores, por meio de centenas de conv\u00eanios com outras institui\u00e7\u00f5es atuantes na Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A CEPLAC teve recursos para realizar um forte programa de retorno do cacau \u00e0s origens, montando um Departamento Especial de incentivo \u00e0 lavoura de cacau na Amaz\u00f4nia, em especial no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Todos esses valores, ao longo de aproximadamente 100 anos, criaram uma m\u00edstica em torno do cacau e do chocolate que se agregou de forma hist\u00f3rica e irrevers\u00edvel \u00e0 regi\u00e3o denominada \u201cRegi\u00e3o Cacaueira da Bahia\u201d.<\/p>\n<p>Infelizmente, a regi\u00e3o n\u00e3o conseguiu capitalizar e investir de modo mais proveitoso os recursos gerados pelo cacau e at\u00e9 pela sua fama, para empreender um desenvolvimento amplo que beneficiasse toda a sociedade regional com obras e servi\u00e7os p\u00fablicos para elevar o \u00cdDH &#8211; \u00cdndice de Desenvolvimento Humano, a n\u00edvel compat\u00edvel, como aconteceu em outros polos agr\u00edcolas, a exemplo do caf\u00e9 em Londrina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Do livro em elabora\u00e7\u00e3o \u2013 O MANJAR DOS DEUSES \u00c9 DE DAR \u00c1GUA NA BOCA \u2013 Luiz Ferreira &amp; A.C. 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