{"id":12733,"date":"2011-04-11T08:10:51","date_gmt":"2011-04-11T11:10:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=12733"},"modified":"2011-04-11T08:10:51","modified_gmt":"2011-04-11T11:10:51","slug":"marli-goncalves-em-balas-na-cabeca-e-sopapos-na-cara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/04\/11\/marli-goncalves-em-balas-na-cabeca-e-sopapos-na-cara\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: Balas na cabe\u00e7a. E sopapos na cara."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Juro.  Corri para tudo quanto \u00e9 lado. Me abaixei, desviei, tampei os ouvidos,  cobri os olhos. Mas foi imposs\u00edvel n\u00e3o ter sido alvejada tamb\u00e9m  duramente pela terr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante da loucura humana.  Todos n\u00f3s fomos baleados, principalmente na cabe\u00e7a <\/em><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>O que fazer e o que pensar depois que acontecem  desgra\u00e7as como essa? Um homem marca um dia para morrer e matar. Marca o  local. Escolhe as v\u00edtimas como se fossem tomates na feira. Explode seu  vermelho para todos os lados. Prepara-se e executa.<\/p>\n<p>Ouvi, e certamente voc\u00ea tamb\u00e9m, de <strong><em>um tudo<\/em><\/strong> nesses dias.  Pior foi no dia mesmo, quando raros dos in\u00fameros chutes a gol n\u00e3o se  mostraram nem ao m\u00ednimo coerentes. Desferidos sem d\u00f3 por psicanalistas e  analistas de recheio, minuto a minuto. Vi pedirem para as portas das  escolas pol\u00edcia, artilharia antia\u00e9rea, detector de metais, Raios-X e  raios <strong><em>ultragamavioleta<\/em><\/strong> t\u00e9rmicos. A constru\u00e7\u00e3o de um <em>bunker<\/em>, enfim. A\u00ed fazem como sempre aqui: toda a tecnologia nas m\u00e3os de uma pessoa, comum e mal treinada. Que justamente <em>nessa hora<\/em> saiu para<em> tomar um caf\u00e9<\/em>, sabe como \u00e9? Quem mora em pr\u00e9dio, sabe.<\/p>\n<p>Ouvi falarem que tudo era culpa do n\u00e3o-desarmamento &#8211; s\u00f3 que este foi resultado de um plebiscito popular &#8211; eu disse <strong>ple-bis-ci-to po-pu-lar<\/strong>,  de 2005. Ou seja, o pa\u00eds decidiu. Fazer o qu\u00ea? Os da paz total, onde me  incluo, perderam. \u00c9 assunto para bate-boca para mais de metro. E tamb\u00e9m  n\u00e3o ia adiantar nada.<\/p>\n<p>Ouvi falarem que o gajo era messi\u00e2nico, isl\u00e2mico, evang\u00e9lico,  fundamentalista e estranho, al\u00e9m de ter deixado crescer a barba. Vi s\u00f3  que encarnou um dem\u00f4nio, de carne e osso, com seus disparos de morte.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>Estou ouvindo baterem a tecla no ato que ele gostava muito de Internet, clamando censura, na verdade, no fundinho, como se, <em>se assim fosse, daquele jeito n\u00e3o teria sido<\/em>.<\/p>\n<p>Teve irrespons\u00e1veis falando em AIDs, homossexualismo latente e n\u00e3o  resolvido, virgindade excessiva que teria subido para a cabe\u00e7a, gen\u00e9tica  esquizofr\u00eanica, e cria\u00e7\u00e3o por pais adotivos. Na carta que deixou &#8211;  especialmente escrita, com cuidados gramaticais &#8211; daqui de longe vejo s\u00f3  a raiva do n\u00e3o ter vivido, e a busca de uma fantasia que deve ter sido  tran\u00e7ada com seu pr\u00f3prio \u00f3dio, ano a ano, minuto a minuto.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil entender como poderia ser evitado. Se ele tivesse falado com  algu\u00e9m. Falou? Tentou anunciar em alguma sala de bate-papo? De quem \u00e9 o  perfil no Orkut? Como treinou? Quantas vezes escreveu, leu, rasgou o seu  testamento de morte? Onde o imprimiu? Acham que dever\u00edamos ter  previsto? Se nem quando as desgra\u00e7as s\u00e3o previstas, escritas em versos e  prosas, publicadas nos jornais, funciona! <strong><em>Algu\u00e9m<\/em><\/strong> sempre diz a outro <strong><em>algu\u00e9m<\/em><\/strong> que <em>deveriam<\/em> ser tomadas provid\u00eancias urgentes; e assim por diante, como no puro jogo de <em>passa-anel<\/em> de nossas inf\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Ter\u00e1 sido o que hoje at\u00e9 botam um nome pomposo? <strong><em>Bullyng<\/em><\/strong>?  Ou a famosa e horrorosa, infelizmente uma tradi\u00e7\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o social, a  &#8220;azara\u00e7\u00e3o&#8221;. Duvido que algum de voc\u00eas, meus leitores adultos, n\u00e3o  tenham sido alvo, passado por boas, pelo menos uma vez, apelidados de  tudo quanto \u00e9 coisa na escola! Na vida a gente encontra com seres do Mal  em todas as idades e \u00e9 assim que se vai vivendo. O ponto central, para  mim, \u00e9 l\u00e1 atr\u00e1s, nos prim\u00f3rdios: a \u00edndole, que se manifesta de alguma  forma desde que somos crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Sinceramente? Se eu fosse crian\u00e7a e tivesse assistido nem que fosse s\u00f3  os notici\u00e1rios b\u00e1sicos, me esconderia debaixo da cama e ningu\u00e9m mais me  arrancava de l\u00e1. Se eu fosse adolescente, como o eram todas as v\u00edtimas,  a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o sei. Acho que pararia para refletir sobre as loucuras que  passam &#8211; e como passam! &#8211; pela cabe\u00e7a da gente nessa \u00e9poca, tentando  filtr\u00e1-las e amadureceria um pouco mais. Entenderia que vida \u00e9 para ser  vivida. Que vida \u00e9 fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s, adultos, j\u00e1 vivemos para ver e viver coisas at\u00e9 piores, frutos  das sandices humanas, incluindo as que o fazem pelo Poder. Soubemos e  vimos gente ser queimada por ser estranha ou diferente; marcada como  gado para identifica\u00e7\u00e3o no matadouro, por professar seus credos;  humilhada por ser natural &#8211; em alguma ou de qualquer coisa.<\/p>\n<p>Na semana passada havia escrito sobre essa sensa\u00e7\u00e3o cinzenta e abstrata  pairando por a\u00ed. Vinha um pouco das radia\u00e7\u00f5es do mundo. At\u00f4mico e em  guerra, at\u00e9 com a natureza. A\u00ed acontece um filme de horror desses, e  seus trailers s\u00e3o espalhados por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como disse, tentei bravamente me esquivar dessas balas, mas, mais do que  o ato em si, o caso suscitou foi toda uma s\u00e9rie de perguntas, e todas  sem resposta.<\/p>\n<p>Espirrou muito medo. Medo da intoler\u00e2ncia, e medo da explos\u00e3o dela.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: xx-small;\"><em> S\u00e3o Paulo, 2011.Rio de Janeiro, que 2011!<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">(*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/span><\/em><\/strong>. <em> Acha que \u00e9 s\u00f3 juntar o crescente \u00f3dio e o embate de ideologias, a moral  dos que se julgam arautos de verdades incontestes. Vira isso. N\u00e3o  precisa nem mexer. E n\u00e3o podemos fazer muita coisa. <\/em><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juro. Corri para tudo quanto \u00e9 lado. Me abaixei, desviei, tampei os ouvidos, cobri os olhos. Mas foi imposs\u00edvel n\u00e3o ter sido alvejada tamb\u00e9m duramente pela terr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante da loucura humana. 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