{"id":128541,"date":"2024-02-23T20:15:51","date_gmt":"2024-02-23T23:15:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=128541"},"modified":"2024-02-23T20:15:51","modified_gmt":"2024-02-23T23:15:51","slug":"um-monumento-aos-coroneis-do-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2024\/02\/23\/um-monumento-aos-coroneis-do-cacau\/","title":{"rendered":"UM MONUMENTO AOS CORONEIS DO CACAU"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">\n<a href=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/8E6D174A-6892-48BE-A191-01A14282B8C7.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-128542\" src=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/8E6D174A-6892-48BE-A191-01A14282B8C7-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/8E6D174A-6892-48BE-A191-01A14282B8C7-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/8E6D174A-6892-48BE-A191-01A14282B8C7.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Luiz Ferreira da Silva, 87<br \/>\nluizferreira1937@gmail.com<\/p>\n<p>(Monumental aos Bandeirantes, Ibirapuera\/SP-SP.<\/p>\n<p>Em 2022, com meu colega Moreau, lan\u00e7amos o livro \u2013 O Manjar dos deuses \u00e9 de dar \u00e1gua na boca (Scortecci Editora\/SP), no qual reverenciamos os bravos pioneiros do cacau que nos deixaram um patrim\u00f4nio agro eco- socioecon\u00f4mico sem precedentes. Desenvolveram uma agricultura sui generis, interagida com a floresta; criaram uma hist\u00f3ria al\u00e9m-fronteiras; desenvolveram uma cultura popular e produziram uma riqueza catalizadora de empregos.<br \/>\nCom clarivid\u00eancia, pois, soube o primitivo homem do ca\u00accau implantar uma lavoura onde nenhuma outra poderia se es\u00actabelecer agron\u00f4mica, econ\u00f4mica e ecologicamente, como uma esp\u00e9cie de nicho para esta planta t\u00e3o dadivosa, numa regi\u00e3o de solos pedregosos, topografia acidentada e \u201cpiuns\u201d sem respeito.<br \/>\nPois bem. Acontece que o lado explorado, sobretudo pelos famosos escritores foi de serem b\u00e1rbaros e esbanjadores, desconhecendo o trabalho \u00e1rduo e destemido em uma regi\u00e3o de mata fechada, sem quaisquer infraestrutura e apoio governamental.<br \/>\nTinham que ser machos no sentido da labuta sol a sol e na defesa do seu patrim\u00f4nio, ademais da submiss\u00e3o a um c\u00f3digo assemelhado ao do Hamurabi: dente por dente e olho por olho.<!--more--><br \/>\nImagine o leitor o desbravamento de uma natureza bruta na busca da sobreviv\u00eancia em ambos os sentidos \u2013 f\u00edsica e estipendi\u00e1\u00acria \u2013 sob regras e leis dos homens sentados em seus confort\u00e1veis gabinetes! N\u00e3o se daria a posse destas terras selvagens e nem o solo produziria uma riqueza que ultrapassou os umbrais da mata fechada, formando vilas e cidades, enriquecendo uma regi\u00e3o.<br \/>\nCome\u00e7aram pobres, sem dinheiro e sem instru\u00e7\u00e3o, subindo na vida pegando no fac\u00e3o, na espingarda papo amarelo, alimen\u00actando-se de carne seca, farinha e rapadura. Viviam em casebres, dormindo em redes ou em esteiras de palha, como \u00e9 contado por renomados homens das letras.<br \/>\nTemidos e admirados, eles eram ativos participantes da vida social grapi\u00fana, l\u00edderes legitimados pelo voto, quase sempre con\u00acquistado pela for\u00e7a do dinheiro, das armas e controle das inst\u00e2n\u00accias p\u00fablicas \u2013 a justi\u00e7a e a pol\u00edcia.<br \/>\nAs supostas maldades atribu\u00eddas aos coron\u00e9is, apesar de conden\u00e1veis, podem at\u00e9 ser classificadas de menor grau compa\u00acrando-as com atos de corrup\u00e7\u00e3o praticados pelos pol\u00edticos no Brasil, haja vista os danos atuais e \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<br \/>\nE com toda a desgraceira, foi gra\u00e7as aos coron\u00e9is que o cacau se tornou respons\u00e1vel por 40% da atividade financeira do Estado da Bahia.<br \/>\nNo entanto, \u00e9 importante que se frise que poderia ser dife\u00acrente porque o cacaueiro jamais foi protagonista desta triste a\u00e7\u00e3o mal\u00e9fica do homem. Pelos seus dotes advindos da natureza, ele apenas foi um fator de cobi\u00e7a desregrada e da gan\u00e2ncia do ser humano que continua at\u00e9 hoje.<br \/>\nOs nossos pioneiros n\u00e3o conheceram a vassoura-de-bruxa. N\u00e3o sei se eles se amofinariam e tirariam o time do campo, pois sem o respaldo t\u00e9cnico-cient\u00edfico, sempre enfrentou a \u201cmela\u201d (podrid\u00e3o parda), a chupan\u00e7a (monalonion), os roedores e tantos outros \u201cs\u00f3cios\u201d do cacau.<br \/>\nProvavelmente, conviveriam, em raz\u00e3o de suas ro\u00e7as em solos f\u00e9rteis e de cacaueiros jovens, com vigor de alta capacidade de recupera\u00e7\u00e3o. Ademais, com seu fac\u00e3o afiado e seu pod\u00e3o areado, n\u00e3o permitiriam um grau de infesta\u00e7\u00e3o t\u00e3o elevado, mantendo o fungo sob vigil\u00e2ncia constante (podas fitossanit\u00e1rias).<br \/>\nDiferente de 1989, quando a vassoura pegou o cacauicultor de cal\u00e7as curtas: a lavoura estava quebrada, o produtor descapitalizado, as institui\u00e7\u00f5es em decl\u00ednio e as ro\u00e7as de cacau envelhecidas.<br \/>\nAgora, os televisivos acompanham a TV-GLOBO que exibe dramas vividos na regi\u00e3o do cacau, cujo ator principal \u00e9 Marcos Palmeira, neto do cacauicultor Sinval Palmeira.<br \/>\nDe certa feita, 50 anos atr\u00e1s, estive em sua resid\u00eancia que mantinha em Itabuna, j\u00e1 que era Deputado Federal pelo RJ, para lhe solicitar permiss\u00e3o a um estudo de perfis de solos que iria amostrar em uma de suas fazendas. A casa estava repleta de netos e, possivelmente, o Marcos estava presente.<br \/>\nAcredito que o bom ator tenha chupado muitas bagas de cacau e recebido informa\u00e7\u00f5es do av\u00f4 sobre a epopeia cacaueira.<br \/>\nSe assim aconteceu, vendo-o interpretar um tal de coronel Inoc\u00eancio, imagino o quanto deve se lembrar do Dr. Sinval e dito para si mesmo \u2013 nada tem a ver, meu av\u00f4; ou a Globo \u00e9 quem sabe das coisas.<br \/>\nEu que vivi 30 anos sendo \u201cvisgado\u201d pelo cacau fico assistindo de camarote, esperando que a regi\u00e3o an\u00e1lise e se pronuncie, caso se sinta ultrajada.<br \/>\nE, aproveitando a oportunidade do tema, sugiro aos atuais l\u00edderes do cacau &#8211; de Ilh\u00e9us, de Itabuna, de Camac\u00e3 e de Ipia\u00fa -, principais polos cacaueiros, que pensem num tributo aos pioneiros do cacau, erguendo um monumento, a exemplo do majestoso Monumento dos Bandeirantes, reverenciado pelo estado de S\u00e3o Paulo. (Macei\u00f3\/AL, 12-02-2022)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Ferreira da Silva, 87 luizferreira1937@gmail.com (Monumental aos Bandeirantes, Ibirapuera\/SP-SP. Em 2022, com meu colega Moreau, lan\u00e7amos o livro \u2013 O Manjar dos deuses \u00e9 de dar \u00e1gua na boca (Scortecci Editora\/SP), no qual reverenciamos os bravos pioneiros do cacau que nos deixaram um patrim\u00f4nio agro eco- socioecon\u00f4mico sem precedentes. 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