{"id":12954,"date":"2011-04-14T10:34:21","date_gmt":"2011-04-14T13:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=12954"},"modified":"2011-04-14T10:36:25","modified_gmt":"2011-04-14T13:36:25","slug":"nasceram-outro-heroi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/04\/14\/nasceram-outro-heroi\/","title":{"rendered":"Nasceram outro her\u00f3i."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas afinal, quem s\u00e3o os her\u00f3is?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jos\u00e9-ricardo-chaves.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-12958\" title=\"jos\u00e9 ricardo chaves\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jos\u00e9-ricardo-chaves.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"122\" \/><\/a>O t\u00edtulo nos alerta, <em>a priori<\/em>, a uma discord\u00e2ncia verbal. N\u00e3o seria ent\u00e3o, nasceu outro her\u00f3i, em lugar de nasceram? De certo que n\u00e3o, pois o tema nos transporta a um nascimento for\u00e7oso, pol\u00edtico e midi\u00e1tico de mais um her\u00f3i brasileiro, diante de tantos outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante estar acometido de dengue, acamado, pude acompanhar de <em>per si<\/em> todo o desenrolar da trag\u00e9dia de Realengo, onde 12 crian\u00e7as foram assassinadas e outras 13 foram feridas, desfechando-se com a morte do executor, que, alvejado por um policial militar em servi\u00e7o, suicidou-se.<\/p>\n<p>Bastaram algumas horas ap\u00f3s o massacre das crian\u00e7as e l\u00e1 estavam o Prefeito e o Governador do Rio de Janeiro, rodeados de jornalistas, esclarecendo o que todos j\u00e1 sabiam. Mas ent\u00e3o, o que os pol\u00edticos foram fazer por l\u00e1? Pergunto isso porque, principalmente no sub\u00farbio do Rio, trag\u00e9dia faz parte do prato do dia. Morte de dezenas de crian\u00e7as, vitimadas pelo tr\u00e1fico de drogas, ocorrem diariamente. Morte de crian\u00e7as vitimadas por doen\u00e7as acarretadas pela falta de saneamento b\u00e1sico ocorrem diariamente. E onde est\u00e3o as autoridades nestes casos que jamais aparecem? \u00c9 f\u00e1cil explicar, nestes casos eles sempre t\u00eam culpa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Todo fato, por mais doloroso que seja para a popula\u00e7\u00e3o, tem o seu lado positivo. N\u00e3o se espante, lamente. O pol\u00edtico \u00e9 o \u00fanico ser que se aproveita das mazelas de um fato doloroso ocorrido na sociedade. Enquanto todos lamentavam e choravam a perda de doze almas infanto-ing\u00eanuas, os representantes do povo se locupletavam com suas apari\u00e7\u00f5es explanando o que havia ocorrido \u2013 pol\u00edticos-rep\u00f3rteres.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia nada a se dizer. Na verdade n\u00e3o havia o porqu\u00ea da presen\u00e7a das autoridades p\u00fablicas governamentais naquele momento. Salvo, para se beneficiar politicamente junto ao seu eleitorado, massa de manobra de outros carnavais. Foi dito e certo, atiraram a esmo e acertaram no mais antigo dos sentimentos humanos, o hero\u00edsmo.<\/p>\n<p>O Governador, seguido do Prefeito, <em>in loco,<\/em> com as luzes da ribalta a sua disposi\u00e7\u00e3o, t\u00e3o somente repetiu o que os rep\u00f3rteres &#8211; profissionais competentes, pagos para tanto \u2013 j\u00e1 haviam noticiado. \u00a0Ent\u00e3o, o grande tiro. Em meio a uma como\u00e7\u00e3o \u201cpol\u00edtica\u201d, l\u00e1grimas &#8211; que n\u00e3o posso atestar serem dos crocodilos \u2013 eis a grande tirada: -Ele \u00e9 um her\u00f3i!<\/p>\n<p>Em quest\u00e3o de segundos, e isso faz parte dos atributos de um \u201cbom pol\u00edtico\u201d, em meio \u00e0 nostalgia da falta do que mais a justificar, nomearam um homem do povo, servidor p\u00fablico, policial militar, Her\u00f3i!\u00a0 Fizeram nascer ali um her\u00f3i. Os notici\u00e1rios ent\u00e3o se encarregaram de espalhar a not\u00edcia. Temos mais um Her\u00f3i. At\u00e9 o Presidente da Rep\u00fablica em exerc\u00edcio, Michel Temer, pessoalmente congratulou o Her\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas afinal, quem s\u00e3o os her\u00f3is?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Milhares de policiais diariamente labutam contra a criminalidade. Enfrentam bandidos bem armados e cada vez mais audaciosos. Na maioria das vezes, com armamento p\u00edfio, os policiais exp\u00f5em suas vidas em detrimento da compet\u00eancia da profiss\u00e3o. N\u00e3o seriam eles her\u00f3is?<\/p>\n<p>E aqueles policiais que sobem os morros cariocas e do Brasil afora, dentro de seus \u201ccaveir\u00f5es\u201d em troca de tiros intermitentes, para salvaguardar a sua paz, n\u00e3o seriam eles her\u00f3is?<\/p>\n<p>Vou mais adiante. E aqueles policiais que morrem em servi\u00e7o, dedicando sua vida \u00e0 sociedade, quais as honrarias que lhes cabem? N\u00e3o seriam eles her\u00f3is?<\/p>\n<p>J\u00e1 dizia o festejado dramaturgo alem\u00e3o, <em>Berthold Brech<\/em>,<em> \u201cInfeliz o povo que precisa de her\u00f3is.\u201d <\/em>Teria<em> <\/em>o dramaturgo conhecido o povo brasileiro? Na contram\u00e3o da lucidez, o \u201cpoeta que n\u00e3o morre\u201d, Cazuza, cantava em verso e prosa que seus her\u00f3is morreram de overdose. De que her\u00f3is afinal estamos falando?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, na sua obra Viva o Povo Brasileiro, remete o leitor a esse questionamento acerca do hero\u00edsmo. Ele fala que o povo brasileiro necessita de her\u00f3is para cultuar. Foi exatamente o que os governantes do Rio fizeram, agraciaram o povo lhes dando um Her\u00f3i instant\u00e2neo. Segundo Ubaldo, os verdadeiros her\u00f3is, quando efetivamente existem,\u00a0 se obrigam an\u00f4nimos e consequentemente esquecidos. Uma L\u00e1stima.<\/p>\n<p>Por tradi\u00e7\u00e3o o povo brasileiro cultua, e n\u00e3o \u00e9 de hoje, seus Her\u00f3is e Reis. Ao questionar um popular nas ruas do nosso Brasil acerca de qual seria o nosso Rei, a resposta certamente viria com outra pergunta: Rei de que? Essa nova pergunta soa por \u00f3bvio acertada. Precisamos delinear o questionamento, isso porque temos v\u00e1rios segmentos de monarcas: o Rei da jovem guarda, o Rei do futebol, a Rainha do rebolado, a Rainha do ax\u00e9 <em>music<\/em>, o Rei da f\u00f3rmula 1, O Her\u00f3i do penta&#8230; Isso sem falar nos novos Her\u00f3is anuais do BBB, em que a Globo insiste em nome\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas afinal, quem s\u00e3o os her\u00f3is?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Antes do policial militar do Rio, nomeado Her\u00f3i pelas autoridades governamentais, ostentava esse posto o Capit\u00e3o Nascimento \u2013 Tropa de Elite I e II, eleito de forma democr\u00e1tica, pelo povo.<\/p>\n<p>A pergunta n\u00e3o \u00e9 quem s\u00e3o os Her\u00f3is, mas sim, o que \u00e9 que lhe representa um Her\u00f3i?<\/p>\n<p>Acredito que ser Her\u00f3i \u00e9 muito mais do que um ato de bravura isolada. O policial da trag\u00e9dia de Realengo, n\u00e3o o desconsidero Her\u00f3i. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o o considero Her\u00f3i pelo ato em si praticado. Certamente ele \u00e9 mais um Her\u00f3i que sai de casa diariamente e n\u00e3o sabe se retorna ao seu lar, ao afago de sua fam\u00edlia. Certamente \u00e9 mais um Her\u00f3i que faz milagres com o pouco soldo que recebe do Estado para dar o m\u00ednimo de dignidade a sua fam\u00edlia. Todos s\u00e3o Her\u00f3is. Mas sobre esse assunto, os governantes n\u00e3o se exp\u00f5em.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Her\u00f3i, para os gregos \u00e9 aquele ser que se encontra entre os deuses e os homens, normalmente filho de um deus com uma mulher.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 realidade, o Her\u00f3i deve agir diante de valores e por causas da sociedade, tornando-se ent\u00e3o um referencial para esta. E isso n\u00e3o se conquista num ato em separado.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo t\u00e3o somente de atos de bravura. Poderia citar atos insanos de criminosos dispostos a morrer por causas que n\u00e3o valem citar. N\u00e3o deixa de ser bravo, por isso mesmo temos que separar o joio do trigo. O verdadeiro Her\u00f3i est\u00e1 sempre disposto a viver e morrer por seu pr\u00f3ximo, incondicionalmente. Lembro-os de Gandhi e Irm\u00e3 Dulce, n\u00e3o seriam eles Her\u00f3is de fato?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De certo que, subjetivismos \u00e0 parte, discuss\u00f5es acaloradas, pontos de vistas diversos, mas numa coisa todos concordam, nossos primeiros e eternos Her\u00f3is s\u00e3o e sempre ser\u00e3o os nossos pais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ricardo Chagas<\/p>\n<p>04\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas afinal, quem s\u00e3o os her\u00f3is? &nbsp; O t\u00edtulo nos alerta, a priori, a uma discord\u00e2ncia verbal. N\u00e3o seria ent\u00e3o, nasceu outro her\u00f3i, em lugar de nasceram? 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