{"id":131192,"date":"2025-10-03T19:49:15","date_gmt":"2025-10-03T22:49:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=131192"},"modified":"2025-10-03T19:49:15","modified_gmt":"2025-10-03T22:49:15","slug":"pesquisa-da-ufsb-indica-que-ganhos-de-vegetacao-secundaria-na-mata-atlantica-nao-compensaram-perdas-de-estoque-de-carbono-e-areas-de-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2025\/10\/03\/pesquisa-da-ufsb-indica-que-ganhos-de-vegetacao-secundaria-na-mata-atlantica-nao-compensaram-perdas-de-estoque-de-carbono-e-areas-de-conservacao\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFSB indica que ganhos de vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na Mata Atl\u00e2ntica n\u00e3o compensaram perdas de estoque de carbono e \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000357539.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-131193\" src=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000357539-300x263.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000357539-300x263.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000357539.jpg 305w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma equipe de cientistas analisou 37 anos de dados sobre a cobertura vegetal da Mata Atl\u00e2ntica e concluiu que a regenera\u00e7\u00e3o vegetal ocorrida desde 1985 n\u00e3o \u00e9 o bastante para compensar as perdas em estoque de carbono e em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. Os resultados apontam para a necessidade de frear o desmatamento de florestas prim\u00e1rias e investir em m\u00e9todos ativos de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas como complemento \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o natural. A pesquisa foi descrita no artigo Secondary natural vegetation gains in the Atlantic Forest do not offset losses of carbon stocks and conservation of priority areas, publicada na revista Biological Conservation, e assinada por um time internacional de cientistas, do qual participa o professor Luiz Fernando Silva Magnago, do Centro de Forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Agroflorestais (CFCAF\/UFSB), no Campus Jorge Amado. O foco da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi analisar tend\u00eancias da cobertura vegetal e seus efeitos em estoques de carbono e \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o no bioma Mata Atl\u00e2ntica. O trabalho teve financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP).<\/p>\n<p>Ao todo, o Brasil teve uma perda de 96 milh\u00f5es de hectares de cobertura vegetal natural em diferentes biomas nos \u00faltimos 40 anos. Os dados de mudan\u00e7as na cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o natural da Mata Atl\u00e2ntica de 1985 a 2021 comprovam o desmatamento de 12,8 milh\u00f5es de hectares das florestas no per\u00edodo, com aumento na fragmenta\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o do tamanho m\u00e9dio desses fragmentos de matas. De l\u00e1 at\u00e9 2021, <!--more-->a vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria recuperou 8,6 milh\u00f5es de hectares. O ponto \u00e9 que 3,8 milh\u00f5es desses hectares apresentaram o que os pesquisadores chamam de regenera\u00e7\u00e3o ef\u00eamera: n\u00e3o voltaram a ser \u00e1reas florestais. A perda de \u00e1reas piorit\u00e1rias de conserva\u00e7\u00e3o natural correspondeu a 1,2 milh\u00e3o de hectares.<\/p>\n<p>Conforme o professor Luiz Fernando Magnago, a pesquisa ganha relev\u00e2ncia no contexto da D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas, declarada pela ONU para 2021\u20132030, que visa recuperar ecossistemas degradados, aumentar o sequestro de carbono e fortalecer a biodiversidade. A Mata Atl\u00e2ntica, por ser um dos biomas mais amea\u00e7ados e biodiversos do Brasil, concentra grande parte dos esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o nacionais. \u201cNosso estudo mostra que n\u00e3o basta apenas permitir a regenera\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria; \u00e9 preciso priorizar a prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e monitorar a persist\u00eancia das \u00e1reas regeneradas para que os esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o realmente beneficiem biodiversidade e clima\u201d, afirma Magnago.<\/p>\n<p>Com isso, registrou-se a perda de 4,2 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o natural, correspondendo a cerca de 10% da cobertura prim\u00e1ria presente em 1985. Isso significa que o estoque de carbono apreendido pela vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria persistente, de 0,170 gigatoneladas (Gt), n\u00e3o bastou para compensar o carbono liberado na destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o florestal prim\u00e1ria no per\u00edodo, calculada em 1,4 Gt. O professor Magnago avalia que \u201cembora a vegeta\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria seja importante para reconectar paisagens fragmentadas, sua instabilidade amea\u00e7a tanto a biodiversidade quanto o sequestro de carbono\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de cientistas analisou 37 anos de dados sobre a cobertura vegetal da Mata Atl\u00e2ntica e concluiu que a regenera\u00e7\u00e3o vegetal ocorrida desde 1985 n\u00e3o \u00e9 o bastante para compensar as perdas em estoque de carbono e em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. 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