{"id":13398,"date":"2011-04-20T22:10:32","date_gmt":"2011-04-21T01:10:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=13398"},"modified":"2011-04-20T22:10:32","modified_gmt":"2011-04-21T01:10:32","slug":"mulher-vai-responder-por-roubar-um-remedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/04\/20\/mulher-vai-responder-por-roubar-um-remedio\/","title":{"rendered":"Mulher vai responder por roubar um rem\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_13399\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site32.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13399\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site32-300x170.jpg\" alt=\"\" title=\"mont capa site\" width=\"300\" height=\"170\" class=\"size-medium wp-image-13399\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site32-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site32.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13399\" class=\"wp-caption-text\">Clique para AMPLIAR.<\/p><\/div>Presa em flagrante acusada de tentar roubar um medicamento que precisava para aliviar suas dores, a marisqueira Maria Solange Oliveira da Silva, de 52 anos, residente no bairro do Salobrinho, passou cinco dias na cadeia e agora responde ao processo em liberdade. Mas, se condenada, a m\u00e3e de seis filhos, que vive em condi\u00e7\u00f5es de extrema mis\u00e9ria, poder\u00e1 ir para o pres\u00eddio para cumprir sua pena. Poderia ser um crime comum, n\u00e3o fosse a realidade da marisqueira, que entre l\u00e1grimas e vergonha, n\u00e3o esconde o arrependimento de ter tentado praticar o furto.<\/p>\n<p>            Ao tomar conhecimento do fato, nossa reportagem foi at\u00e9 a casa de Dona Maria Solange conhecer sua verdadeira realidade e os motivos que levaram a tentar furtar o rem\u00e9dio em uma farm\u00e1cia do centro de Ilh\u00e9us. Logo na chegada a constata\u00e7\u00e3o da pobreza. A marisqueira mora em uma casa de taipa, de apenas um c\u00f4modo separado por um arm\u00e1rio caindo aos peda\u00e7os. No local n\u00e3o h\u00e1 quartos, sala, muito menos \u00e1gua encanada, banheiro e energia el\u00e9trica. Absolutamente nada. Apenas parte do c\u00f4modo \u00e9 coberta com telhas de amianto velhas. O restante fica descoberto, exposto a a\u00e7\u00e3o do tempo e quando chove transforma em lama o ch\u00e3o de terra batida. N\u00e3o existe nem mesmo portas. Para fechar a casa ela coloca toda noite uma porta m\u00f3vel, escorada com madeiras.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>            Mas foi no espa\u00e7o que seria uma cozinha improvisada que veio a realidade mais cruel. Chegamos na casa de Dona Maria Solange por volta do meio dia. No meio do c\u00f4modo um fog\u00e3o que n\u00e3o funciona e em cima dele um fogareiro improvisado feito com blocos. No fog\u00e3o de lenha, que n\u00e3o estava aceso, apenas uma panela vazia, o que levou a crer que naquele dia a fam\u00edlia da marisqueira n\u00e3o tinha nada para comer. Os filhos estavam na beira do rio Cachoeira pescando o que seria a \u00fanica refei\u00e7\u00e3o do dia.<\/p>\n<p>            Entre muitas l\u00e1grimas e a todo instante pedindo desculpas por ter tentado praticar o furto, Maria Solange contou como tudo aconteceu. Ela disse que estava sentindo fortes dores e resolveu entrar numa farm\u00e1cia do centro de cidade para verificar o pre\u00e7o de um rem\u00e9dio. O atendente disse um valor que a marisqueira n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar. Foi ent\u00e3o que num descuido do rapaz ela colocou o medicamento na bolsa. J\u00e1 ia saindo do estabelecimento quando foi advertida pelo balconista.<\/p>\n<p>            Dona Maria Solange devolveu o medicamento e, envergonhada, foi para o ponto de \u00f4nibus. A surpresa foi que, segundo ela, mesmo devolvendo o medicamento, o atendente chamou a pol\u00edcia e ela foi conduzida para a delegacia, onde ficou presa por cinco dias, at\u00e9 a advogada Lucin\u00e9ia Cerqueira, que ficou sabendo da pris\u00e3o atrav\u00e9s internet, se comover com o caso e conseguir o seu alvar\u00e1 de soltura.<\/p>\n<p>            A demora de Maria Solange chegar em casa chamou a aten\u00e7\u00e3o dos seis filhos e da vizinhan\u00e7a. Logo depois veio a noticia: a marisqueira estava presa por tentativa de furto, para espanto dos vizinhos. Os parentes trataram de dividir e abrigar os seis filhos de Maria Solange. Outra parte da fam\u00edlia buscou o apoio da Defensoria P\u00fablica, mas n\u00e3o conseguiu. E a dona de casa, que disse jamais ter entrado em uma delegacia, permanecia presa junto com mais seis detentas. Ela disse que suas companheiras de celas dividiam os alimentos, conversavam e at\u00e9 lhe deram um len\u00e7ol que estendia no ch\u00e3o para dormir.<\/p>\n<p>            Cinco dias depois a marisqueira foi solta. Ao tomar conhecimento do caso, prevaleceu o bom senso da primeira Vara Crime de Ilh\u00e9us, em especial da ju\u00edza Jeane Vieira Guimar\u00e3es, que de of\u00edcio concedeu a liberdade de Maria Solange, que agora responder\u00e1 ao processo.<\/p>\n<p>            Ela contou que sentiu muita vergonha de encarar os vizinhos e os filhos. Mas desde sua chegada recebeu o apoio da fam\u00edlia e da vizinhan\u00e7a que acreditaram na sua inoc\u00eancia. Mas os problemas de Dona Maria Solange n\u00e3o acabaram. Ela est\u00e1 respondendo ao processo. A advogada Lucin\u00e9ia Cerqueira, que acompanha a marisqueira sem receber qualquer honor\u00e1rio, simplesmente sensibilizada com a causa, defende a tese do princ\u00edpio da bagatela, onde a acusada cometeu a infra\u00e7\u00e3o por casos de extrema necessidade e para sua sobreviv\u00eancia ou de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>            O caso ainda ser\u00e1 julgado. Maria Solange dever\u00e1 ser absolvida, mas na sua vida ficar\u00e3o marcas dif\u00edceis de apagar. Nos despedimos da marisqueira com a garantia de acompanharmos o caso. No seu rosto muitas l\u00e1grimas. A tristeza de algu\u00e9m que apesar de toda mis\u00e9ria em que vive sente-se envergonhada de tentado praticar o furto.<\/p>\n<p>            A pris\u00e3o da marisqueira acabou despertando nos vizinhos o sentimento de tentar ajuda-la. Todos na rua acreditam na sua inoc\u00eancia. O comerciante e pescador Josenilton Muniz Nascimento, o Joaquim do Bar, como \u00e9 mais conhecido, vizinho de Maria Solange, diz n\u00e3o ter d\u00favidas de que a marisqueira pegou o rem\u00e9dio por um estado de extrema necessidade. Ele contou que sempre ajuda a vizinha e jamais ouviu falar que ela teria furtado qualquer coisa.<\/p>\n<p>            Vivendo basicamente de uma pequena pens\u00e3o de um filho deficiente, a fam\u00edlia da marisqueira pesca para se alimentar e vender parte dos camar\u00f5es e peixes. Ela mesma fabrica os maunzu\u00e1s com sacos de cebolas. No bairro do Salobrinho o sentimento \u00e9 de indigna\u00e7\u00e3o e de solidariedade. Diversas pessoas j\u00e1 manifestaram interessem na doa\u00e7\u00e3o de alimentos, roupas e materiais de constru\u00e7\u00e3o a marisqueira. E qualquer cidad\u00e3o que quiser ajudar Dona Maria Solange, doando alimentos, roupas e materiais, pode entrar em contato com Lucin\u00e9ia Cerqueira, atrav\u00e9s do telefone 73-8868-7107.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nNo <a href = \"http:\/\/www.atribunabahia.com.br\/headline.php?n_id=1070&#038;u=0\\\" target = \"_news\"><b>Jornal A Tribuna<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presa em flagrante acusada de tentar roubar um medicamento que precisava para aliviar suas dores, a marisqueira Maria Solange Oliveira da Silva, de 52 anos, residente no bairro do Salobrinho, passou cinco dias na cadeia e agora responde ao processo em liberdade. 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