{"id":13500,"date":"2011-04-22T08:47:18","date_gmt":"2011-04-22T11:47:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=13500"},"modified":"2011-04-22T08:47:18","modified_gmt":"2011-04-22T11:47:18","slug":"crencas-se-encontram-em-torno-da-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/04\/22\/crencas-se-encontram-em-torno-da-comida\/","title":{"rendered":"Cren\u00e7as se encontram em torno da comida"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_13501\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/227387.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-13501\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/227387-300x211.jpg\" alt=\"\" title=\"227387\" width=\"300\" height=\"211\" class=\"size-medium wp-image-13501\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/227387-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/227387.jpg 355w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13501\" class=\"wp-caption-text\">Almo\u00e7o da Sexta-feira da Paix\u00e3o na Bahia \u00e9 amostra do encontro de cren\u00e7as (Divulga\u00e7\u00e3o | Hans von Manteuffel).<\/p><\/div>Os especialistas em religi\u00e3o  afirmam que, quando h\u00e1 encontro entre  duas cren\u00e7as, h\u00e1  contribui\u00e7\u00e3o m\u00fatua. O almo\u00e7o da Sexta-feira da Paix\u00e3o na Bahia \u00e9 uma amostra dessa afirma\u00e7\u00e3o. No encontro entre o catolicismo e as religi\u00f5es afro-brasileiras, o costume de comer peixe vem da primeira. J\u00e1 o azeite de dend\u00ea, t\u00e3o usado no  candombl\u00e9, monopolizou praticamente todo o card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Diferentemente do que costuma ser chamado de  \u201csincretismo\u201d, o termo associa\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 muito mais rico e abrangente para explicar essa intera\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria. Isso porque ele demonstra n\u00e3o uma substitui\u00e7\u00e3o de uma f\u00e9 pela outra, mas uma ressignifica\u00e7\u00e3o a partir da conviv\u00eancia em comum.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito claro para o povo de santo que quem est\u00e1 sendo celebrado na Sexta-feira Santa n\u00e3o \u00e9 Oxal\u00e1. Por isso o azeite de dend\u00ea est\u00e1 t\u00e3o presente. \u00c9 o princ\u00edpio do  igb\u00f3\u201d, explica o historiador, professor universit\u00e1rio e religioso do candombl\u00e9 Jaime Sodr\u00e9.<br \/>\nO termo igb\u00f3, em v\u00e1rias culturas africanas de l\u00edngua iorub\u00e1, que s\u00e3o origin\u00e1rias de onde hoje est\u00e1 a Nig\u00e9ria, pode ser traduzido como \u201cvisitante\u201d ou \u201cestrangeiro\u201d. Ou seja, para esses povos n\u00e3o havia problemas em reverenciar um deus de fora.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Visitante &#8211; Salvador foi um porto em que etnias de l\u00edngua iorub\u00e1 chegaram em grande n\u00famero. Uma das mais conhecidas e presentes tradi\u00e7\u00f5es do candombl\u00e9, a ketu ou nag\u00f4, \u00e9 origin\u00e1ria dessa cultura. O uso do dend\u00ea, t\u00edpico entre esses  povos, encontrou-se com o costume cat\u00f3lico de comer peixe nesse per\u00edodo. <\/p>\n<p>\u201cO peixe \u00e9 um s\u00edmbolo crist\u00e3o que tem muita for\u00e7a simb\u00f3lica\u201d, explica o doutor em antropologia, professor da Ufba e religioso do candombl\u00e9  Vilson Caetano. A for\u00e7a simb\u00f3lica do peixe para os crist\u00e3os vem das letras com que \u00e9 escrito em grego: IXTIS. Elas indicam  Jesus Cristo, Deus, Filho, Salvador. <\/p>\n<p>\u201cA partir do h\u00e1bito cat\u00f3lico de comer peixe na Sexta-feira da Paix\u00e3o, o africano do litoral acabou acrescentando um dos seus ingredientes pr\u00f3prios: o dend\u00ea\u201d, acrescenta Caetano.<\/p>\n<p>Um dado interessante \u00e9 que nesse h\u00e1bito n\u00e3o  h\u00e1 a tentativa de misturar rituais religiosos. Mesmo porque h\u00e1 o entendimento de que Oxal\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 presente n\u00e3o s\u00f3 devido ao azeite de dend\u00ea, mas tamb\u00e9m  por ser uma data que lembra a morte.<\/p>\n<p>Separa\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cPara as religi\u00f5es de matriz africana, h\u00e1 uma clara separa\u00e7\u00e3o  entre as divindades que s\u00e3o energia, os orix\u00e1s, inquices e voduns, e os eguns, que s\u00e3o provenientes de pessoas que j\u00e1 passaram pela terra e que t\u00eam um culto muito espec\u00edfico\u201d, acrescenta Jaime Sodr\u00e9.<\/p>\n<p>Vilson Caetano salienta que a morte \u00e9 um dos temas mais significativos e importantes no universo afrorreligioso. \u201cO entendimento \u00e9 de que a morte \u00e9 a vida que se prolonga de outra forma. Portanto, \u00e9 ineg\u00e1vel que o universo simb\u00f3lico cat\u00f3lico foi ressignificado pela vis\u00e3o das religi\u00f5es de matriz africana\u2019, diz o antrop\u00f3logo.<\/p>\n<p>Ele conta, inclusive, que sua reflex\u00e3o sobre esse toque africano na data foi ortalecida ao ouvir uma ialorix\u00e1 chamar a Sexta-feira Santa de \u201cmaior\u201d. \u201cInclusive essa era uma express\u00e3o muito em uso pelos mais velhos e que, hoje,  j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o constante. Mas isso significa, a meu ver, que existe a quest\u00e3o do respeito pela f\u00e9 do outro. H\u00e1 tamb\u00e9m uma can\u00e7\u00e3o do culto de caboclo que diz: o dia maior da aldeia\/ \u00e9 o dia da Sexta-feira\u201d, acrescenta o antrop\u00f3logo. <\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nCleidiana Ramos | A Tarde<br \/>\nNo <a href = \"http:\/\/www.atarde.com.br\/cidades\/noticia.jsf?id=5714115\" target = \"_news\"><b>A TARDE ON LINE<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os especialistas em religi\u00e3o afirmam que, quando h\u00e1 encontro entre duas cren\u00e7as, h\u00e1 contribui\u00e7\u00e3o m\u00fatua. O almo\u00e7o da Sexta-feira da Paix\u00e3o na Bahia \u00e9 uma amostra dessa afirma\u00e7\u00e3o. No encontro entre o catolicismo e as religi\u00f5es afro-brasileiras, o costume de comer peixe vem da primeira. 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