{"id":13639,"date":"2011-04-24T14:34:21","date_gmt":"2011-04-24T17:34:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=13639"},"modified":"2011-04-24T14:39:12","modified_gmt":"2011-04-24T17:39:12","slug":"marli-goncalves-em-a-suruba-das-bacterias-ambulantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/04\/24\/marli-goncalves-em-a-suruba-das-bacterias-ambulantes\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: A suruba das bact\u00e9rias ambulantes"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Lavo  minhas m\u00e3os. Mas s\u00f3 dormirei com a consci\u00eancia tranquila depois de ter  conversado com voc\u00eas sobre esse assunto, digamos, desagrad\u00e1vel.  Informa\u00e7\u00f5es que a gente poderia passar sem saber, mas <\/em><em>j\u00e1 qu<\/em>..<\/span><\/p>\n<p><span><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Mas j\u00e1 que eu soube, cumpre-me o dever de dividir com voc\u00eas a paran\u00f3ia,<strong><em>ops<\/em><\/strong>,  a preocupa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea j\u00e1 sabia (ou nem lembrava mais) e n\u00e3o\u00a0 contou que  temos trilh\u00f5es e trilh\u00f5es (sim, algo perto de 10 trilh\u00f5es) de bact\u00e9rias  habitando nosso corpo, indo junto aonde a gente vai, sabendo de tudo,  inclusive o que voc\u00ea come? (Ou deixa de comer, seus marotos). Para cada  c\u00e9lula de nosso corpo, mais de 10 bact\u00e9rias. Somadas, s\u00f3 as bact\u00e9rias,  pesariam at\u00e9 quatro quilos. N\u00e3o d\u00e1 para separar homem de um lado e  bact\u00e9ria de outro. Morrer\u00edamos. Somos dependentes dessa <em>droguinha<\/em>. Elas s\u00e3o uma comunidade que carregamos para baixo e para cima. E que agora fico sabendo que podem nos dominar.<\/span><\/p>\n<p>Para n\u00e3o parecer um filme de terror essa hist\u00f3ria, interrompo apenas  para dizer que n\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 bact\u00e9ria que \u00e9 ruim. Elas podem ser boas;  at\u00e9 \u00f3timas. Mas como em tudo &#8211; todas as profiss\u00f5es, todos os tipos de  gente e car\u00e1ter &#8211; tem as bact\u00e9rias do Mal, infiltradas, insidiosas,  venenosas e, pior, transmiss\u00edveis. Gra\u00e7as a Deus s\u00e3o bem menos  numerosas, embora possam chegar aos nossos organismos pelo ar, pelo  beijo, pela picada (dos mosquitos hospedeiros), e principalmente pelo <strong><em>etc e tal<\/em><\/strong>. O manique\u00edsmo das bact\u00e9rias. Ou s\u00e3o do Bem. Ou s\u00e3o do Mal.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEssa semana li no jornal um artigo que me perturbou. Tratava de  obesidade e bact\u00e9rias. Contava que cerca de 100 trilh\u00f5es desses outros  trilh\u00f5es vive acomodadinha no nosso intestino, na nossa flora que para  mim agora tamb\u00e9m j\u00e1 virou fauna intestinal. Alguns t\u00eam as suas <em><strong>bacterinhas <\/strong><\/em>mais  \u00e1vidas de uma forma ou outra, comem, comem de tudo e de todos e  continuam magrinhos de &#8220;ruim&#8221;. Outras pessoas (devo ser uma delas)  mant\u00eam de estima\u00e7\u00e3o umas pregui\u00e7osinhas, mais &#8220;rastas&#8221;, mais ax\u00e9. Quem  as tem acaba engordando at\u00e9 com pensamento. Os cientistas est\u00e3o  estudando &#8211; e acho bom que o fa\u00e7am logo! &#8211; para entender melhor essas  criaturinhas microsc\u00f3picas, seus tr\u00eas tipos: <em>Bacteroides, Prevotella, Ruminococcus<\/em>.<\/p>\n<p>Fui atr\u00e1s de saber mais e descobri coisas verdadeiramente encafifantes.  Segundo estudos, quando nascemos descendo por aquele conhecido canal  natural por onde as mulheres parem naturalmente, logo ali na passagem j\u00e1  pegamos a nossa primeira turminha, que acompanhar\u00e1 nossa vida. A  genit\u00e1lia feminina embute alguns trilh\u00f5es desses garotinhos e garotinhas  unicelulares, as bacterinhas. Ambiente acolhedor. Refei\u00e7\u00f5es caseiras.  No corpo, calculam, tem uns dez bilh\u00f5es de bact\u00e9rias na boca e no nariz;  um trilh\u00e3o, espalhados pela pele, al\u00e9m disso. Isso a\u00ed: dobrinhas  gostosas t\u00eam bact\u00e9rias. Sovacos t\u00eam bact\u00e9rias. Juntas juntam outra  turma. Sorte que a conviv\u00eancia, em geral, \u00e9 pac\u00edfica, principalmente  quando aliadas a bons banhos, desodorantes, higiene. As bact\u00e9rias s\u00e3o  organizadas, se agrupam, movimentam-se. Principalmente, comunicam-se.<\/p>\n<p>No <strong>Planeta Bact\u00e9ria<\/strong> particular que cada um de n\u00f3s, repito,  carrega para cima e para baixo com seus olhos espreitando tudo o que  fazemos, h\u00e1 v\u00e1rias comunidades. Igual aqui fora nesse mundo. H\u00e1 as que  se entendem. H\u00e1 as que guerreiam entre si; h\u00e1 as que envenenam as outras  para ocuparem seus espa\u00e7os. H\u00e1 as que nem se ligam mais nos  antibi\u00f3ticos <strong><em>exocets<\/em><\/strong> que mandamos l\u00e1 para dentro. Pedem coisas mais fortes, <em>Sam<\/em>! <em><strong>Play it again<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Na minha incurs\u00e3o paran\u00f3ica, li frases de fatos espantosos, como: <em>&#8220;Bact\u00e9rias  s\u00e3o os organismos mais bem sucedidos do planeta em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de  indiv\u00edduos&#8221;; &#8220;As bact\u00e9rias podem se reproduzir com grande rapidez,  dando origem a um n\u00famero muito grande de descendentes em apenas algumas  horas. A maioria delas reproduz-se assexuadamente, por cissiparidade  tamb\u00e9m chamada de divis\u00e3o simples ou biparti\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>. (E olha que bact\u00e9rias gostam de um <em>nheco-nheco<\/em>). <em>&#8220;O  tamanho e a composi\u00e7\u00e3o da flora intestinal variam de pessoa para  pessoa, dependendo de fatores como dieta, uso de antibi\u00f3ticos e &#8220;quanta  terra&#8221; voc\u00ea comeu quando crian\u00e7a&#8221;<\/em>. Caramba! S\u00f3 me contaram que uma vez me acharam comendo meu pr\u00f3prio barrinho.<\/p>\n<p>Pronto. Agora que j\u00e1 acabei com seu sossego, pense que h\u00e1 uma vantagem de eu ter te contado (ou lembrado) tudo isso: <strong>nunca mais voc\u00ea vai se sentir sozinho<\/strong>.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quem \u00e9 voc\u00ea? Quem somos n\u00f3s?<\/p>\n<p><span style=\"font-size: xx-small;\"><em><strong>S\u00e3o Paulo, minhocas na cabe\u00e7a, 2011<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">(*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/span><\/em><\/strong>. <em> Depois dessas chocantes verdades, parou bem para pensar na  possibilidade de vida em outros planetas. N\u00e3o ser\u00edamos, tamb\u00e9m,  bact\u00e9rias<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lavo minhas m\u00e3os. Mas s\u00f3 dormirei com a consci\u00eancia tranquila depois de ter conversado com voc\u00eas sobre esse assunto, digamos, desagrad\u00e1vel. Informa\u00e7\u00f5es que a gente poderia passar sem saber, mas j\u00e1 qu.. Mas j\u00e1 que eu soube, cumpre-me o dever de dividir com voc\u00eas a paran\u00f3ia,ops, a preocupa\u00e7\u00e3o. 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