{"id":14218,"date":"2011-05-02T10:17:38","date_gmt":"2011-05-02T13:17:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=14218"},"modified":"2011-05-02T10:17:38","modified_gmt":"2011-05-02T13:17:38","slug":"marli-goncalves-em-escuta-aqui-o","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/02\/marli-goncalves-em-escuta-aqui-o\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: Escuta aqui, \u00f4"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Vamos  tentar falar calma e mansamente. Mas se nos exaltarmos, pedimos  desculpas de antem\u00e3o. Vamos enumerar uns fatos dos \u00faltimos dias, em  busca de algum ouvido que n\u00e3o seja mouco, e que entenda qu\u00e3o feia est\u00e1 a  coisa, o quanto estamos chateados em sermos feitos de cordeiros  calados, vistos como uma plat\u00e9ia cativa e silenciosa. Cad\u00ea o gerente da  Taberna Brasil? <\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Vamos <strong><em>tomar satisfa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>, como se dizia antigamente, lembra? Pais sempre iam <strong><em>tomar satisfa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> quando seus filhos sofriam alguma coisa. Lembro de minha m\u00e3e subindo  nas tamancas por mim, e de uma vez que ela enfrentou a m\u00e3e de uma amiga,  que era uma bruxa da sociedade assim tipo Marta. A filha, coitadinha,  penava, e a riqueza era o problema. Soube mais tarde que a herdeira  destituiu a pr\u00f3pria m\u00e3e quando alcan\u00e7ou 18 anos e como prometera que  faria no tal dia da encrenca.<\/p>\n<p>Estamos mais ou menos assim: enchendo o baldinho at\u00e9 o dia que ele vai  transbordar. Um perigo. Quando isso acontecer vai sobrar para tudo  quanto \u00e9 lado, mas seria bom se consegu\u00edssemos nos fazer ouvir antes  disso. Seria bom para todo mundo. E n\u00e3o me venham falando em luta de  classes, brigas partid\u00e1rias, tucanos e estrelinhas, nem tentem  desmerecer quem aponta. N\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 petista que tem de ser chucro;  n\u00e3o \u00e9 porque \u00e9 tucano que tem que ficar em cima do muro.  N\u00e3o \u00e9 porque \u00e9  militar que pode tudo. \u00c9 preciso apenas ser contempor\u00e2neo,  suprapartid\u00e1rio, cidad\u00e3o, ecum\u00eanico, patriota, ter amor \u00e0 vida, querer  um futuro mais desenvolvido e respeit\u00e1vel, um mundo melhor. Somos n\u00f3s  essa massa a clamar: CHEGA!<br \/>\n<!--more-->Sabe? Me diga se n\u00e3o estamos com muita vontade de pegar uns caras pelo  colarinho e chacoalhar? Chacoalhar muito? Escuta aqui, est\u00e1 pensando que  somos o qu\u00ea? O tal Roberto Requi\u00e3o, por exemplo, que envergonha hoje a  palavra senador tanto quanto envergonhou outras vezes a palavra  governador, pol\u00edtico, paranaense. Apodera-se do gravador de um rep\u00f3rter,  amea\u00e7a bater nele, e ainda sai se vangloriando por isso. Apaga a fita e  ainda canta de galo?<strong> Roubo e viola\u00e7\u00e3o = crime. Censura=crime. Amea\u00e7a f\u00edsica=crime<\/strong>.  E ele ainda ousou dizer na tribuna, que deveria ser sagrada, que &#8220;era  provoca\u00e7\u00e3o&#8221; (o garoto perguntava das aposentadorias que ele p\u00f5e no bolso  quando o monstro atacou), que est\u00e1 sendo v\u00edtima de <em>bullying<\/em>por parte da imprensa?<\/p>\n<p>Deus que me perdoe &#8211; que h\u00e1 anos tive um confronto com ele e sei do que \u00e9  capaz &#8211; mas fico pensando se um cara desses ousasse tocar em algo meu.  Caneta, gravador, celular, fone de ouvido, fivela de cabelo ou um grampo  enferrujado. As minhas unhas virariam garras de <em>adamantium<\/em> imediatamente. Ele ia ter que me sacudir do seu pesco\u00e7o, como se eu  fosse um colar de p\u00e9rolas, t\u00e3o grudada que eu ia estar nesses ossos.  Isso na melhor das hip\u00f3teses, de eu me defender come\u00e7ando por cima.<\/p>\n<p>A\u00ed &#8211; veja bem que tudo isso nesses \u00faltimos dias &#8211; o outro, o de bigodes,  com seus marimbondos de fogo encarapitados em todos os escal\u00f5es, vem e  diz que n\u00e3o deve ter sido nada, que esse sujeito truculento \u00e9 um  &#8220;cavalheiro&#8221;. Para acabar de cuspir em nossa cara indica um amigo cheio  de defeitos para presidir a tal Comiss\u00e3o de \u00c9tica. E essa ainda ter\u00e1  entre um de seus membros aquele cavalheiro t\u00e3o inocente, aquele anjo de  candura, t\u00e3o puro, de a\u00e7\u00f5es t\u00e3o delicadas quando elefantes pisando na  relva, Renan Calheiros.<\/p>\n<p>Essas marcas marrons est\u00e3o no tapete azul do Senado; n\u00e3o d\u00e1 para passar e  n\u00e3o pisar. Do outro lado, onde os tapetes s\u00e3o verdes, entre outros  exemplos, h\u00e1 tamb\u00e9m marcas de sangue, do \u00f3dio e do preconceito que tem  levado a vida de tantos de n\u00f3s. Uma &#8220;bancada da bala&#8221; orgulhosa das  rela\u00e7\u00f5es com os fabricantes de armas. E ali vive tamb\u00e9m uma antiga erva  daninha, o troglodita Jair Bolsonaro. Pensam que ele parou? Andou  falando agora que sofre de preconceito heterossexual.  Pode? Depois o  chamam de enrustido e ele baba. <strong>Racismo=crime. Homofobia=crime. <\/strong>N\u00e3o sei como ele n\u00e3o fez como o outro que mandou a gente se lixar!<\/p>\n<p>E s\u00e3o eleitos e reeleitos, e n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es e uma investiga\u00e7\u00e3o clara  de exatamente por que o conseguem, como, que m\u00e9todos, que persuas\u00e3o,  que grupo representam, quem os financia e a quem interessam suas  exist\u00eancias vis em locais-chave.  Vem ano, sai ano e todos continuam l\u00e1.  Fichas (<em>es<\/em>) corridas. E vamos levando at\u00e9 que aconte\u00e7a algo mais  grave, e a\u00ed a gente ficar\u00e1 se lamentando, escrevendo hist\u00f3ricos,  an\u00e1lises, cr\u00edticas e manchetes.<\/p>\n<p>Tudo tem limite. Fossem s\u00f3 estes os nossos problemas, acho at\u00e9 que  poderia ficar chato.  Mas, n\u00e3o. As companhias telef\u00f4nicas, de energia,  planos de sa\u00fade, seguros e outras nos tratam como escravos, de forma  degradante, mantendo-nos amarrados aos p\u00e9s das suas ricas mesas. Se  ficar o bicho come; se correr, o bicho pega. Mas n\u00e3o h\u00e1 nem para onde. O  tilintar das moedas s\u00f3 toca com as nossas sendo despendidas, na  gasolina que n\u00e3o ia aumentar, nos pre\u00e7os que espicham sem controle, nas  promessas que n\u00e3o v\u00e3o ser cumpridas \u00e9 nunca.<\/p>\n<p>\u00c9 a <strong>Taberna Brasil<\/strong> na melhor forma. O esculacho total. A ponto de  lembrar um filme de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino \u00e0s vezes, mas  sem os gerentes que jogam porta afora pelos fundilhos os que exageram.  Na verdade, recordei de uma cena antol\u00f3gica de<em><strong> Um drink no Inferno<\/strong><\/em>,  onde o porteiro anuncia que ali havia mulheres de todo o tipo,  enumerando-as durante minutos pela vagina, suas cores, formas, nomes.<\/p>\n<p>Na <strong>Taberna Brasil<\/strong>, sem dire\u00e7\u00e3o alguma, o porteiro gritaria um  sem-n\u00famero de verdades para nos definir, dizer como estamos nos  comportando dentro desse boteco, assistindo paralisados aos shows no  palquinho.<\/p>\n<p>E garanto, nenhum desses nomes seria bom ou divertido como os do filme.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: xx-small;\"><em><strong> S\u00e3o Paulo, 2011, vivendo um campo de bate-bocas pol\u00edticos in\u00fateis, com tanta coisa para se fazer<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">(*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/span><\/em><\/strong>. <em> Lembro que essa hist\u00f3ria de Copas, Olimp\u00edadas e aeroportos, trem-bala  ainda vai dar pano para muita gente costurar smokings. Que temos um  brasileiro preso em condi\u00e7\u00f5es muito estranhas nos EUA. Que h\u00e1 muito  pouco reconstru\u00eddo das nossas trag\u00e9dias. Que Del\u00fabio voltar ao PT n\u00e3o  far\u00e1 a menor diferen\u00e7a para n\u00f3s. E que o casamento j\u00e1 acabou. Inclusive o  de certos partidos.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos tentar falar calma e mansamente. Mas se nos exaltarmos, pedimos desculpas de antem\u00e3o. Vamos enumerar uns fatos dos \u00faltimos dias, em busca de algum ouvido que n\u00e3o seja mouco, e que entenda qu\u00e3o feia est\u00e1 a coisa, o quanto estamos chateados em sermos feitos de cordeiros calados, vistos como uma plat\u00e9ia cativa e silenciosa. 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