{"id":14842,"date":"2011-05-10T19:50:48","date_gmt":"2011-05-10T22:50:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=14842"},"modified":"2011-05-11T06:59:10","modified_gmt":"2011-05-11T09:59:10","slug":"o-rock-dos-artistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/10\/o-rock-dos-artistas\/","title":{"rendered":"O ROCK DOS ARTISTAS"},"content":{"rendered":"<p><strong> <\/strong>O \u201cS\u00e1bado SIM\u201d, projeto da Casa dos Artistas, trouxe no s\u00e1bado passado bandas regionais de rock, Mendigos Blues e Infected Minds, para animar a noite. A cena musical alternativa de Ilh\u00e9us e regi\u00e3o tem grande chance de expandir suas produ\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de projetos como esse e o \u201cCircuito Fora do Eixo\u201d, que pode ser incorporado.<\/p>\n<p><strong><em>Por Anna de Oliveira<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/annakarenina-em-preto1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"95\" \/>\u201cLeva o Sorriso na frente e esconde a mal\u00edcia por tr\u00e1s: os porcos com grana, os que fazem cartazes bacanas, sempre querendo mais! N\u00e3o sabem do bem da agricultura celeste (&#8230;)\u201d. Foi com ares de protesto pol\u00edtico-social da m\u00fasica \u201cMutreta\u201d que a primeira noite, dia 7, do Projeto S\u00e1bado SIM, da Casa dos Artistas, estreou com a banda Mendigos Blues e em seguida, Infected Minds, em Ilh\u00e9us. A iniciativa busca valorizar bandas locais e de Itabuna atrav\u00e9s de suas m\u00fasicas autorais, fortalecendo assim, a cena cultural da regi\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_14850\" style=\"width: 293px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site42.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-14850\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-14850\" title=\"mont capa site\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site42-283x300.jpg\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site42-283x300.jpg 283w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont-capa-site42.jpg 643w\" sizes=\"(max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14850\" class=\"wp-caption-text\">Clique para AMPLIAR.<\/p><\/div>\n<p>\u201cO projeto S\u00e1bado Sim \u00e9 um resgate de anos passados e prov\u00e9m do evento independente Chocolate Groove, como forma de estender e divulgar por mais tempo as bandas regionais, at\u00e9 o pr\u00f3ximo m\u00eas. O pessoal tem gostado\u201d, \u00e9 o que afirma a assessora administrativa da Casa dos Artistas, Geisa Pena. Ela diz que a linha alternativa est\u00e1 crescendo em Ilh\u00e9us, e \u00e9 importante que o movimento seja conhecido por todos. Para o baixista da banda Mendigo Blues e tamb\u00e9m conhecido por suas xilogravuras, Ayam U\u2019brais, \u201cquando a monocultura \u00e9 privilegiada, seja de que setor for, \u00e9 uma estupidez, diante de uma sociedade como a nossa que tem uma diversidade cultural extraordin\u00e1ria. H\u00e1 estilos in\u00fameros e bandas muito boas, tanto em Itabuna quanto em Ilh\u00e9us\u201d, defende.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que essa cena musical se fortale\u00e7a cada vez mais na regi\u00e3o, com a intera\u00e7\u00e3o entre as bandas \u201cfora do eixo\u201d e a participa\u00e7\u00e3o em eventos que valorizam esse tipo de produ\u00e7\u00e3o cultural. \u201cSe voc\u00ea se sente fora do eixo, entre na rede\u201d, convida o guitarrista da Mendigos Blues, Ismerarock. O Circuito Fora do Eixo \u00e9 uma rede de coletivos que atua como multiplicador da cultura e atua tamb\u00e9m no est\u00edmulo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seus agentes culturais. Est\u00e1 presente nos 26 estados brasileiros, em Bras\u00edlia, em tr\u00eas pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e um pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m do Brasil, sendo 106 localidades ao todo entre pontos de articula\u00e7\u00e3o Fora do Eixo, pontos parceiros, pontos de linguagem e pontos regionais.<\/p>\n<p><!--more-->\u201cN\u00e3o somos um ponto fora do eixo ainda, porque algumas quest\u00f5es burocr\u00e1ticas faltam ser resolvidas. Mas a id\u00e9ia \u00e9 que a gente possa realizar noites Fora do Eixo aqui, trazer bandas de fora pra c\u00e1 e levar daqui pra fora. Entre Ilh\u00e9us e Itabuna t\u00eam em torno de umas vinte bandas, com m\u00fasicos que tocam muito e de tudo. Ent\u00e3o temos um nome na regi\u00e3o, apesar da gente n\u00e3o reconhecer isso ainda como deveria\u201d, explicou um dos organizadores do projeto S\u00e1bado Sim, Ismerarock.<\/p>\n<p><strong>A noite<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro final de semana do m\u00eas de maio come\u00e7ou quente na Casa dos Artistas, em Ilh\u00e9us. Duas bandas, uma de Itabuna, a Mendigos Blues, e outra de Ilh\u00e9us, Infected Minds, esquentaram a noite do dia 7 de maio, com a energia do rock in roll. Pouco mais que \u00e0s vinte horas, o movimento na Rua Jorge Amado come\u00e7ava a perder a timidez de ruas desertas, no tempo em que rostos jovens, sedentos de cultura, buscavam ardentemente pelo encontro da m\u00fasica. E ali estava, prestes a come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Com solos da guitarra de Ismerarock e do baixo de Ayam U\u2019Brais, o palco da Casa dos Artistas estava convidativo a abandonar as poltronas e j\u00e1 logo se achegar pra bem perto das caixas de som. Mas a plat\u00e9ia ainda t\u00edmida, se movimentava aos poucos apreciando os estendidos solos. At\u00e9 que uma voz no microfone insistiu: Jonnie Walker compare\u00e7a ao palco, por favor. Era o guitarrista chamando seu parceiro para come\u00e7ar logo o espet\u00e1culo, ele estava se aprumando, certamente, no camarim.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o da banda se completou com a bateria de Ricardo Matos, voz e performance da atriz M\u00e1rvilla Ara\u00fajo, atua\u00e7\u00e3o feminina e in\u00e9dita na banda, que se fez presente na metade do show. Ao som de \u201cMutreta\u201d o blues soou em bom som, nos dedilhados e performances expressivas dos m\u00fasicos. A m\u00fasica tem uma composi\u00e7\u00e3o interessante, que traz uma cr\u00edtica do quadro pol\u00edtico-social do pa\u00eds. \u201cEstava assistindo a TV Senado no dia em que aumentaram o sal\u00e1rio dos deputados. Estava \u201cp\u201d da vida, tinha uma galera l\u00e1 em casa, a gente come\u00e7ou a conversar sobre pol\u00edtica e a beber, e a\u00ed saiu a letra\u201d, conta o compositor Jonnie Walker, vocal e guitarrista. \u201cBicheiro, banqueiro, pol\u00edtico, tudo \u00e9 muito igual! E o pobre doente de cama, enquanto seu filho reclama. E a bandidagem quer mais! N\u00e3o sabem do bem da agricultura celeste!(&#8230;)\u201d, trechos da m\u00fasica. O compositor explica que \u201ca agricultura celeste na verdade \u00e9 que aquilo o que voc\u00ea planta, voc\u00ea colhe. Se voc\u00ea faz o bem, voc\u00ea colhe o bem\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desta, todas as outras composi\u00e7\u00f5es da Banda Mendigos Blues puderam ser conhecidas, com destaque tamb\u00e9m para \u201cJeep\u201d, \u201cO Rabbo\u201d e \u201cSubterr\u00e2neo do Blues\u201d, que eletrizaram a todos com o \u00e2nimo que s\u00f3 o blues transmite. \u201cNavi na Noite\u201d de letra melanc\u00f3lica e envolvente contou com a presen\u00e7a de M\u00e1rvila Ara\u00fajo, que tamb\u00e9m cantou e atuou com sua performance super irreverente e ousada na m\u00fasica \u201cCh\u00e1 de Ca\u00e7ola\u201d, que de fato n\u00e3o poderia passar despercebida.<\/p>\n<p>A banda Infected Minds representou bem o rock com toda a express\u00e3o e for\u00e7a, que tem suas ra\u00edzes no estilo Grunge do cen\u00e1rio Norte Americano, como Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, entre outros. Em cinco anos de atua\u00e7\u00e3o, tendo se iniciado em 97 e retomado as atividades em 2008, a banda Infected Minds \u00e9 formada por Wilfredo Lessa no vocal, Roberto Pazos na guitarra, Victor Barreto no baixo e Lula na bateria, tamb\u00e9m conselheiro musical da Casa dos Artistas. O grupo re\u00fane trabalhos 100% autorais, preservando as influ\u00eancias Grunge e de Garage. Liberdade de express\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o quesitos b\u00e1sicos em apresenta\u00e7\u00f5es de rock, em que os m\u00fasicos e a plat\u00e9ia se interagem numa troca em que o que vale \u00e9 colocar pra fora o sentimento. N\u00e3o seria diferente, pois, na Casa dos Artistas, espa\u00e7o cultural e plural\u00edstico em que muitos \u201cbateram cabe\u00e7a\u201d at\u00e9 poder saciar sua vontade de rock in roll, ou ficar com gosto de quero mais. Isto porque, a Casa dos Artistas encerrou suas atividades por volta das 22 hs, em respeito das quest\u00f5es burocr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Prosa com os Mendigos<\/strong><\/p>\n<p>A banda que se iniciou com a jun\u00e7\u00e3o de duas rep\u00fablicas estudantis no bairro de F\u00e1tima, em Itabuna, n\u00e3o poderia ter um come\u00e7o diferente: reuni\u00f5es com amigos em casa regadas a bebidas e muita, mas muita m\u00fasica. Para ouvir o som da banda acesse: <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/mendigosblues\">http:\/\/www.myspace.com\/mendigosblues<\/a><\/p>\n<p>O nome \u201cMendigos Blues\u201d se origina pelo pr\u00f3prio contexto dom\u00e9stico imaginado que uma rep\u00fablica estudantil masculina pode acusar. Jonnie Walker, um dos mendigos resistentes da primeira forma\u00e7\u00e3o, com vinte anos de estudo de m\u00fasica, trocou o piano e viol\u00e3o cl\u00e1ssicos pela energia das guitarras.\u00a0 Ele conta que as reuni\u00f5es entre amigos ganharam propor\u00e7\u00f5es maiores e o sucesso do som da galera come\u00e7ou a se espalhar, sendo chamados para tocar em eventos. \u201cA gente subia no palco, e quem estava embaixo e soubesse tocar qualquer instrumento, subia junto e tocava. O repert\u00f3rio a gente montava na hora, tocava m\u00fasica dos outros, sempre com vers\u00f5es in\u00e9ditas que saiam no momento\u201d, conta Walker. At\u00e9 que numa feira de Biologia da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) em 2008, os amigos se reuniram para fazer um som em que Alan Tremedal assumiu o vocal e a gaita, Chico Augusto no baixo, Leandro na bateria e Ismerarock na guitarra, diretamente de Ubaitaba. Ele havia chegado para tocar no evento a convite do baterista Leandro, \u201ca gente se conheceu na hora de tocar, e quando a gente tocou, e viu que a vibe estava massa, mantivemos a forma\u00e7\u00e3o\u201d, contou Jonnie.<\/p>\n<p>Embora recente, a banda j\u00e1 tem muita hist\u00f3ria pra contar.<\/p>\n<p>Entre forma\u00e7\u00f5es e desconstru\u00e7\u00f5es, Ayam U\u2019Brais acrescenta:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma banda que enfrenta crises sucessivas estruturais f\u00edsicas. De uma hora pra outra o vocalista saiu da banda, o baixista saiu da banda, o baterista saiu da banda e sobrou dois guitarristas, Jonnie Walk e Ismerarock. Olharam um para o outro e falaram: A banda vai acabar? N\u00e3o. E quem vai cantar? N\u00f3s dois vamos cantar. A gente sabe cantar: N\u00e3o. Mas vamos cantar mesmo assim. E a\u00ed estabeleceram uma coer\u00eancia est\u00fapida at\u00e9: convidaram um baterista que nunca tinha escutado rock in roll na vida, um baterista de ax\u00e9 music e forr\u00f3, pra tocar nos mendigos \u2013 Advan que j\u00e1 saiu da banda. Pra estabelecer a coer\u00eancia maior, me convidaram para tocar contrabaixo, instrumento este que eu nunca havia tocado antes em minha vida\u201d, comentou o m\u00fasico U\u2019Brais. Hoje, Ricardo Matos assume a bateria e veio fazer parte do conjunto recentemente por um acaso, e deu certo.<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00f5es e Festivais<\/strong><\/p>\n<p>Foi no mesmo ano da forma\u00e7\u00e3o, em 2008, que participaram do Festival da FICC (Funda\u00e7\u00e3o Itabunense de Cultura e Cidadania) com a m\u00fasica \u201cJeep\u201d, na segunda coloca\u00e7\u00e3o. No mesmo evento em 2009, com a m\u00fasica \u201cNavi na Noite\u201d, conseguiram o terceiro lugar, tendo participado tamb\u00e9m do maior Festival Universit\u00e1rio de M\u00fasica do pa\u00eds, em S\u00e3o Paulo na etapa de Campinas, o FUM MUSIC. No mesmo ano, a m\u00fasica \u201cJeep\u201d ganhou o movimento, cores e efeitos das imagens do novo v\u00eddeoclip, com dire\u00e7\u00e3o de Edson Bastos. A letra \u00e9 de Chico Augusto e Alfredo Vilas Boas.\u00a0 O clip traz uma abordagem da hist\u00f3ria de um mendigo que por muitos anos ficou conhecido em Itabuna pelo estilo irreverente de vida, e associado \u00e0 isso uma mistura entre a busca pela felicidade e a esquizofrenia.\u00a0 Para assistir o clip, acesse: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=v6AVrPV0Nzc\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=v6AVrPV0Nzc<\/a><\/p>\n<p>No ano passado, a banda gravou as seis m\u00fasicas e fizeram participa\u00e7\u00e3o no Conex\u00e3o Vivo.<\/p>\n<p><strong>Quem foi Jeep?<\/strong><\/p>\n<p>Era com caixas de papel\u00e3o, lata e retrovisor que o mendigo chamado de \u201cJeep\u201d, Afr\u00e2nio Batista de Queiroz, andava pelas ruas e avenidas de Itabuna. Ele era conhecido por suas arriscadas investidas na rua, em que, comportando-se como um verdadeiro ve\u00edculo, sa\u00eda perambulando de lado a lado com seus acesos far\u00f3is dos olhos de Jeep. Sua hist\u00f3ria, retratada na poesia do grapi\u00fana Alfredo Vilas Boas, traz a decep\u00e7\u00e3o de um homem em que seu sonho era ter um Jeep. Seu pai teria feito uma promessa, afirmando que se Afr\u00e2nio conseguisse ingressar no ensino superior, ele lhe daria um carro de presente. De fato, Afr\u00e2nio venceu todas as dificuldades que um rapaz de fam\u00edlia humilde poderia ter no s\u00e9culo passado e foi aprovado no que seria o vestibular, mas a condi\u00e7\u00e3o do pai o levou \u00e0 decep\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o poder comprar um Jeep para ele. Tudo veio \u00e0 tona com o falecimento de seus pais, e de casa em casa de parente em parente, Afr\u00e2nio come\u00e7ou a virar Jeep nas ruas de Itabuna com o desencadeamento da esquizofrenia.<\/p>\n<p>Jeep morreu aos 92 anos em 31 de mar\u00e7o do ano passado, no Hospital de Base, em Itabuna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cS\u00e1bado SIM\u201d, projeto da Casa dos Artistas, trouxe no s\u00e1bado passado bandas regionais de rock, Mendigos Blues e Infected Minds, para animar a noite. A cena musical alternativa de Ilh\u00e9us e regi\u00e3o tem grande chance de expandir suas produ\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de projetos como esse e o \u201cCircuito Fora do Eixo\u201d, que pode ser incorporado. 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