{"id":15105,"date":"2011-05-13T16:12:35","date_gmt":"2011-05-13T19:12:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=15105"},"modified":"2011-05-13T16:12:35","modified_gmt":"2011-05-13T19:12:35","slug":"o-grau-mais-alto-da-capacidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/13\/o-grau-mais-alto-da-capacidade-humana\/","title":{"rendered":"O grau mais alto da capacidade humana"},"content":{"rendered":"<p><strong>Romualdo Lisboa*<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_15106\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Ensaio-de-O-Inspetor-Geral-ainda-em-Ilhe_us.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-15106\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-15106\" title=\"Ensaio de O Inspetor Geral, ainda em Ilhe_us\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Ensaio-de-O-Inspetor-Geral-ainda-em-Ilhe_us-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Ensaio-de-O-Inspetor-Geral-ainda-em-Ilhe_us-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Ensaio-de-O-Inspetor-Geral-ainda-em-Ilhe_us.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-15106\" class=\"wp-caption-text\">Ensaio de O Inspetor Geral, ainda em Ilhe\u0301us.<\/p><\/div>\n<p>Em meados de 2007, Ilh\u00e9us, cidade do Sul da Bahia, passava por um momento hist\u00f3rico bastante incomum: o povo saiu \u00e0s ruas para exigir a ren\u00fancia do Prefeito, que implantou \u201cum mar de lama\u201d na m\u00e1quina administrativa municipal. O que esse fato tem a ver com um grupo de teatro? \u00c9 que no final de 2006, o Teatro Popular de Ilh\u00e9us estreou um espet\u00e1culo que ganhou os bairros, distritos,\u00a0 espa\u00e7os culturais, associa\u00e7\u00f5es de moradores, Igrejas, terreiros de candombl\u00e9&#8230; <em>Teodorico Majestade \u2013 as \u00faltimas horas de um Prefeito<\/em> foi uma exig\u00eancia do p\u00fablico que frequenta a Casa dos Artistas &#8211; sede do grupo e espa\u00e7o cultural de grande import\u00e2ncia para o movimento art\u00edstico da regi\u00e3o. A montagem nasceu de uma necessidade urgente de dialogar com a sociedade sobre seu papel diante dos fatos que estampavam as primeiras p\u00e1ginas dos jornais.<\/p>\n<p><!--more-->Mas, para al\u00e9m do discurso pol\u00edtico, do enfrentamento de problemas sociais o Teatro Popular de Ilh\u00e9us traz em seu <em>Teodorico<\/em> uma postura est\u00e9tica que privilegia a cultura popular em suas manifesta\u00e7\u00f5es, ressaltando o protagonismo das comunidades afastadas do \u201cCentro\u201d, mas que formam os \u201coutros centros\u201d. E foi de bairro em bairro, de apresenta\u00e7\u00f5es seguidas de debates sobre cidadania, que um movimento foi tomando conta das ruas, chegou \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores e inflamou uma cidade a dizer n\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. E o Prefeito foi afastado.<\/p>\n<p>Agora, Ilh\u00e9us se v\u00ea num momento \u201cglorioso\u201d. Os Governos Federal, Estadual e Municipal, anunciam um projeto de desenvolvimento milagroso para a cidade. Ser\u00e1 constru\u00eddo um Complexo Intermodal de onde sair\u00e3o nosso min\u00e9rio de ferro e outras mat\u00e9rias-primas para os pa\u00edses economicamente \u201cdesenvolvidos\u201d. Como j\u00e1 disse Tom Z\u00e9: \u201cexportar mat\u00e9ria-prima \u00e9 o grau mais baixo da capacidade humana\u201d. Mas, \u00e9 preciso gerar emprego, renda&#8230; Ordem e Progresso, meu povo! O que esse fato tem a ver com um grupo de teatro? Desde o in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o deste projeto, a sede do Teatro Popular de Ilh\u00e9us se constituiu em espa\u00e7o de debate constante sobre o modelo de desenvolvimento imposto pelos governos. Da\u00ed, surgiu a <em>Opereta Porto Sul \u2013 Artimanha do Mal<\/em>, um espet\u00e1culo que tomou as ruas na tentativa de dialogar com o p\u00fablico sobre o assunto. O grupo se juntou a outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que exigem do Minist\u00e9rio P\u00fablico uma postura mais en\u00e9rgica diante dos desmandos governamentais em busca de investimentos estrangeiros.<\/p>\n<p>Agora estamos aqui, em S\u00e3o Paulo, em vias de estrear nosso novo espet\u00e1culo \u201cO inspetor geral\u201d. Que apresenta os \u00faltimos acontecimentos pol\u00edticos de Ilh\u00e9us, os conchavos, as falcatruas, tudo transformado em literatura de cordel e teatro popular. Um projeto audacioso do SESI-SP, que traz \u00e0 Capital paulista, anualmente grupos de teatro de todos os cantos do Brasil para dialogar com o p\u00fablico e artistas paulistanos. Na \u00faltima semana, estivemos junto com outros grupos participando da VI Mostra Latino-Americana de Teatro, interagindo e recriando a nossa arte a cada espet\u00e1culo. Qu\u00e3o parecidas s\u00e3o as nossas lutas, <em>hermanos<\/em> latino-americanos. V\u00ea-los, ouvi-los e experiment\u00e1-los \u00e9 como estar diante de um espelho, poderoso e colorido. <em>Teodorico Majestade<\/em> foi apresentado pela primeira vez em S\u00e3o Paulo. Parece at\u00e9 uma resposta aos governos e suas mat\u00e9rias-primas. \u00c9 que estamos todos n\u00f3s \u201cexportando arte\u201d, e tamb\u00e9m segundo Tom Z\u00e9, este \u00e9 \u201co grau mais alto da capacidade humana\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>*Romualdo Lisboa \u00e9 diretor teatral, um dos fundadores do Teatro Popular de Ilh\u00e9us.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Romualdo Lisboa* &nbsp; Em meados de 2007, Ilh\u00e9us, cidade do Sul da Bahia, passava por um momento hist\u00f3rico bastante incomum: o povo saiu \u00e0s ruas para exigir a ren\u00fancia do Prefeito, que implantou \u201cum mar de lama\u201d na m\u00e1quina administrativa municipal. 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