{"id":15281,"date":"2011-05-15T18:30:37","date_gmt":"2011-05-15T21:30:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=15281"},"modified":"2011-05-15T18:30:37","modified_gmt":"2011-05-15T21:30:37","slug":"os-decibeis-da-estupidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/15\/os-decibeis-da-estupidez\/","title":{"rendered":"Os Decib\u00e9is Da Estupidez!"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Meu pai; a carro\u00e7a; os burros e os decib\u00e9is ret\u00f3ricos dos obtusos eloquentes.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Certa manh\u00e3, meu pai, muito s\u00e1bio, convidou-me a dar um passeio no bosque da nossa pequena fazenda da serra, heran\u00e7a de fam\u00edlia que t\u00ednhamos l\u00e1 no Sul; eu aceitei com prazer sem pestanejar. Mesmo com o frio intenso que estava fazendo; eu n\u00e3o dispensava nenhuma oportunidade de estar na companhia do meu s\u00e1bio pai.<\/p>\n<p>Durante nosso passeio, ele se deteve numa clareira e, depois de um pequeno sil\u00eancio, me perguntou-me:<\/p>\n<p>&#8211; Filho! Al\u00e9m do cantar dos p\u00e1ssaros, voc\u00ea est\u00e1 ouvindo mais alguma coisa?<br \/>\nEu apurei detidamente os ouvidos sobre o sil\u00eancio que nos cercava e, em alguns segundos e respondi-lhe:<\/p>\n<p>&#8211; Pai! Estou ouvindo um barulho; um rangido de carro\u00e7a bem distante, l\u00e1 pra baixo daquela serra.<\/p>\n<p>Ele respondeu-me ent\u00e3o: _ Isso mesmo filho; e de uma carro\u00e7a vazia&#8230;<br \/>\nPerguntei-lhe, ent\u00e3o: _ Pai! Como o senhor sabe que a carro\u00e7a est\u00e1 vazia, se ainda n\u00e3o a vimos, pois est\u00e1 t\u00e3o distante? <\/p>\n<p>_Ora filho; &#8211; respondeu ele &#8211; \u00e9 muito f\u00e1cil saber se uma carro\u00e7a est\u00e1 vazia, por causa do barulho que ela produz. Quanto mais vazia a carro\u00e7a, maior \u00e9 o barulho que ela faz!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E seguimos nosso passeio inesquec\u00edvel por entre arauc\u00e1rias, pinheiros, b\u00e9tulas e outras velhas \u00e1rvores preservadas naquele bosque com a terra coberta por um tapete de folhas invernais que as plantas dec\u00edduas se desfazem no outono para sobreviverem ao frio do inverno.<br \/>\nE as nuvens do tempo, ligeiras, passaram sobre mim. Tornei-me adulto; hoje com algumas nuvens sobre os cabelos, sobre a barba, sobre as lembran\u00e7as do passado, mas at\u00e9 hoje, indelevelmente memorizado; quando vejo uma pessoa falando demais, tratando o pr\u00f3ximo com rispidez; sendo prepotente, interrompendo a conversa dos outros interpondo em voz alta ou querendo demonstrar que \u00e9 a dona da verdade; tenho a impress\u00e3o de ouvir a voz profunda do meu pai, dizendo: &#8220;Quanto mais vazia a carro\u00e7a, maior \u00e9 o barulho que ela faz&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>No transcurso da minha adolesc\u00eancia, e ate hoje, tenho ouvido o rangir de muitas carro\u00e7as. Parece que a modernidade e a tecnologia; os processos antropol\u00f3gicos s\u00f3cio-comportamentais que incidem sobre o homem moderno; a influ\u00eancia sociopol\u00edtica e os modernos processos pedag\u00f3gicos aplicados sobre as massas, que melhoram a compreens\u00e3o e as intera\u00e7\u00f5es interpessoais, de nada adiantaram. A vaidade, a arrog\u00e2ncia e os pressupostos da presun\u00e7\u00e3o do saber e do poder acometem o homem moderno como uma virose pand\u00eamica. Os eixos dessas carro\u00e7as, n\u00e3o obstante a tecnologia dos lubrificantes de alta viscosidade n\u00e3o as impediu de rangerem tal como nossos velhos carro\u00e7\u00f5es cujos eixos unt\u00e1vamos com sebo das carnes do gado.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia metaf\u00f3rica com os carro\u00e7\u00f5es puxados por uma parelha de bois tem como definidor, sua abrang\u00eancia como um documento pessoal da nossa experi\u00eancia de vida. Esse princ\u00edpio, se comparado \u00e0s formas filos\u00f3ficas da intelectualidade, aliados da l\u00f3gica e da raz\u00e3o pura frente aos antagonismos conflituosos que regem as rela\u00e7\u00f5es humanas. Aqueles axiomas particulares sob a incid\u00eancia das car\u00eancias egocentristas. Por regra, sobrep\u00f5e-se como elemento preponderante para as afirma\u00e7\u00f5es dos argumentos insustent\u00e1veis e tendenciosos das conveni\u00eancias unilaterais que despertam o nosso rep\u00fadio. Um documento inegavelmente reacion\u00e1rio, nosso por direito!<\/p>\n<p>H\u00e1 um prov\u00e9rbio \u00e1rabe, que traduzido, diz textualmente: \u201cO bode chora por sua vida; o a\u00e7ougueiro pela sua carne; e o homem obtuso, chora pelos pr\u00f3prios instintos.\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se permita a constru\u00e7\u00e3o de carro\u00e7as no universo da coer\u00eancia e da raz\u00e3o que por certo existem de alguma forma em voc\u00ea. N\u00e3o ser\u00e1 rangendo como um carro\u00e7\u00e3o vazio que voc\u00ea impor\u00e1 seus princ\u00edpios como verdade absolutista no universo contest\u00e1vel das raz\u00f5es alheias. Esse caso e, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, somos iguais. N\u00e3o h\u00e1 o que impor a mais&#8230; Felizmente!<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\n<strong>Por Mohammad. 15\/05\/2011 17:04:07<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu pai; a carro\u00e7a; os burros e os decib\u00e9is ret\u00f3ricos dos obtusos eloquentes. Certa manh\u00e3, meu pai, muito s\u00e1bio, convidou-me a dar um passeio no bosque da nossa pequena fazenda da serra, heran\u00e7a de fam\u00edlia que t\u00ednhamos l\u00e1 no Sul; eu aceitei com prazer sem pestanejar. 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