{"id":15374,"date":"2011-05-16T16:27:54","date_gmt":"2011-05-16T19:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=15374"},"modified":"2011-05-16T16:27:54","modified_gmt":"2011-05-16T19:27:54","slug":"luiz-castro-em-decolores-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/16\/luiz-castro-em-decolores-10\/","title":{"rendered":"Luiz Castro em: DECOLORES"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma vida, duas vidas, um\u00a0sorriso<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/malarranha.net\/2011\/04\/05\/uma-vida-duas-vidas-um-sorriso\/\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/luiz-castro.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"118\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi durante a guerra civil na Espanha. Antoine de Saint-Exup\u00e9ry, o autor de O pequeno pr\u00edncipe, foi lutar ao lado dos espanh\u00f3is que preservavam a democracia.<\/p>\n<p>Certa feita, caiu nas m\u00e3os dos advers\u00e1rios. Foi preso e condenado \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Na noite que precedia a sua execu\u00e7\u00e3o, conta ele que foi despido de todos os seus haveres e jogado em uma cela miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>O guarda era muito jovem. Mas era um jovem que, por certo, j\u00e1 assassinara a muitos. Parecia n\u00e3o ter sentimentos. O semblante era frio.<\/p>\n<p>Vigilante, ali estava e tinha ordens para atirar para matar, em caso de fuga.<\/p>\n<p>Exup\u00e9ry tentou uma conversa com o guarda, altas horas da madrugada.<\/p>\n<p>Afinal, eram suas \u00faltimas horas na face da Terra. De in\u00edcio, foi in\u00fatil.<\/p>\n<p>Contudo, quando o guarda se voltou para ele, ele sorriu.<br \/>\nEra um sorriso que misturava pavor e ansiedade. Mas um sorriso. Sorriu e perguntou de forma t\u00edmida:<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 pai?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A resposta foi dada com um movimento de cabe\u00e7a, afirmativo.<br \/>\nEu tamb\u00e9m, falou o prisioneiro. S\u00f3 que h\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre n\u00f3s dois. Amanh\u00e3, a esta hora eu terei sido assassinado. Voc\u00ea voltar\u00e1 para casa e ir\u00e1 abra\u00e7ar seu filho.<br \/>\nMeus filhos n\u00e3o t\u00eam culpa da minha imprevid\u00eancia. E, no entanto, n\u00e3o mais os abra\u00e7arei no corpo f\u00edsico. Quando o dia amanhecer, eu morrerei.<br \/>\nNa hora em que voc\u00ea for abra\u00e7ar o seu filho, fale-lhe de amor. Diga a ele: \u201cAmo voc\u00ea. Voc\u00ea \u00e9 a raz\u00e3o da minha vida.\u201d Voc\u00ea \u00e9 guarda. Voc\u00ea est\u00e1 ganhando dinheiro para manter a sua fam\u00edlia, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\nO guarda continuava parado, im\u00f3vel. Parecia um cad\u00e1ver que respirava.<br \/>\nO prisioneiro concluiu: Ent\u00e3o, leve a mensagem que eu n\u00e3o poderei dar ao meu filho.<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas jorraram dos olhos. Ele notou que o guarda tamb\u00e9m chorava. Parecia ter despertado do seu torpor. N\u00e3o disse uma \u00fanica palavra.<br \/>\nTomou da chave mestra e abriu o cadeado externo. Com uma outra chave abriu a lingueta. Fez correr o metal enferrujado, abriu a porta da cela, deu-lhe um sinal.<\/p>\n<p>O condenado \u00e0 morte saiu apressado, depois correu, saindo da fortaleza.<br \/>\nO jovem soldado lhe apontou a dire\u00e7\u00e3o das montanhas para que ele fugisse, deu-lhe as costas e voltou para dentro.<br \/>\nO carcereiro deu-lhe a vida e, com certeza, foi condenado por ter permitido que um prisioneiro fugisse.<\/p>\n<p>Antoine de Saint-Exup\u00e9ry retornou \u00e0 Fran\u00e7a e escreveu uma p\u00e1gina inesquec\u00edvel: Uma vida, duas vidas, um sorriso.<br \/>\n* * *<br \/>\nTantas vezes podemos sorrir e apresentamos a face fechada, indiferente.<br \/>\nEntretanto, as vozes da Imortalidade cantam. Deus canta em todo o Universo a gl\u00f3ria do amor.<br \/>\nSejamos n\u00f3s aqueles que cantemos a doce melodia do amor, em todo lugar, nos cora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nHoje mais do que ontem, agora mais do que na v\u00e9spera quebremos todos os impedimentos para amar.<\/p>\n<p>(autor desconhecido)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Luiz Castro<\/p>\n<p>Email:\u00a0 lmcdecolores@yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vida, duas vidas, um\u00a0sorriso Foi durante a guerra civil na Espanha. Antoine de Saint-Exup\u00e9ry, o autor de O pequeno pr\u00edncipe, foi lutar ao lado dos espanh\u00f3is que preservavam a democracia. Certa feita, caiu nas m\u00e3os dos advers\u00e1rios. Foi preso e condenado \u00e0 morte. 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