{"id":16310,"date":"2011-05-28T15:55:19","date_gmt":"2011-05-28T18:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=16310"},"modified":"2011-05-28T15:55:19","modified_gmt":"2011-05-28T18:55:19","slug":"professor-profissao-perigosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/05\/28\/professor-profissao-perigosa\/","title":{"rendered":"Professor Profiss\u00e3o Perigosa"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808080;\">Era uma vez a lei da reguada e  da palmat\u00f3ria, instrumentos que, como o giz e a lousa, faziam parte do  equipamento profissional do \u201ceducador\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"> <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Humilha\u00e7\u00f5es com chap\u00e9us c\u00f4nicos providos de orelhas de burro, genuflex\u00f5es demoradas sobre gr\u00e3os de milho, belisc\u00f5es arranca-naco, \u201ctelefones\u201d, tudo isso era pr\u00e1tica normal, at\u00e9 pouco tempo. Mas surgiram os pedagogos do S\u00e9culo XX, baseados na rec\u00e9m-nascida Psicologia, e todo aquele terror, aos poucos, foi sendo abolido. No seu lugar, todavia, surgiram outras formas de viol\u00eancia, em outras dire\u00e7\u00f5es: dos alunos ao professor e crescente entre os pr\u00f3prios alunos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Aqui em Ilh\u00e9us, por exemplo, h\u00e1 poucos dias, uma professora foi esguelada no corredor de um col\u00e9gio p\u00fablico por tomar o celular de uma aluna que o atendeu durante uma aula, conversando em voz alta.\u00a0 Semana seguinte, no mesmo col\u00e9gio, outra aluna conversava animada com a colega da fila ao lado, durante uma aula. Pediu-se para ela ir conversar l\u00e1 fora, mas ela se recusou e continuou ali mesmo, conversando, na b\u00f4a. O diretor da escola foi chamado \u00e0 sala e, por isso, um jovem professor jurado de &#8230;.. \u00a0pelos jovens \u00a0marido\u00a0 e cunhado da mo\u00e7a, que frequentavam regularmente o local, sem serem alunos. Na Delegacia de Pol\u00edcia, juraram ao delegado n\u00e3o terem feito qualquer amea\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><!--more--><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Recentemente, tamb\u00e9m, no al\u00e9m S\u00e3o Francisco baiano, uma professora foi v\u00edtima de uma roleta-russa p\u00fablica, em sala de aula, praticada por um \u201caluno\u201d adulto que s\u00f3 apareceu para lhe exigir a nota final com aprova\u00e7\u00e3o. Em p\u00e2nico, mudou-se \u00e0 foz do Rio Cachoeira, onde trabalha noutra fun\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">S\u00e3o correntes as turmas inchadas, com mais de 60 alunos que, em dia de prova, com as carteiras afastadas umas das outras, n\u00e3o cabem todos na sala de aula. Imitando a nossa etiqueta parlamentar, onde \u00e9 normal se conversar ostensivamente nas audi\u00eancias, o bate-papo e o entra-e-sai durante as aulas virou s\u00edmbolo de status acad\u00eamico na nossa universidade tupiniquim. Alunos chegam \u00e0s aulas em diferentes hor\u00e1rios, alguns conversando com os que est\u00e3o sentados, assistindo \u00e0 aula. Os altos gritos das jovens casadouras nos corredores das escolas baianas, dizem, s\u00e3o muito mais altos e emocionados que os ouvidos nos corredores escolares do sul. Nos anos eleitorais, pol\u00edticos dependentes do voto estudantil plantam estridentes carros de som na porta de algumas universidades, denunciando falhas de pol\u00edtica e de gest\u00e3o, ignorantes de que com barulho, aprende-se menos ainda. Como a entrada do carro de som \u00e9 proibida nos campi, promovem regularmente apita\u00e7os nos seus corredores, sob o ilogismo do acabar com tudo, para refazer tudo de novo, sob a sua autoria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Infelizmente, s\u00e3o freq\u00fcentes e progressivas as not\u00edcias de agress\u00f5es a trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, no seu trabalho. Agress\u00f5es de diferentes tipos. Como outras profiss\u00f5es, os professores formam hoje um dos p\u00e1ra-choques desta nossa sociedade em crise.  Trabalham com gente e se exp\u00f5em ao amplo leque de perfis psicol\u00f3gicos que comp\u00f5em a nossa humanidade, onde se incluem, \u00e0s vezes, indiv\u00edduos com tend\u00eancias destrutivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Tudo isso, \u00e9 claro, impede um melhor desempenho e satisfa\u00e7\u00e3o funcional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">\u00c9 periculosa, esta nossa profiss\u00e3o. N\u00e3o como a dos beneficiadores de sisal ou dos motociclistas, mas de pelo stress vivenciado no dia-a-dia em ambientes de trabalho muitas vezes inadequados, inseguros, com equipamentos did\u00e1ticos insuficientes e disputados, tudo isso gerando o caldo de cultura necess\u00e1rio para quadros de apatia, tristeza e baixa auto-estima que encaminham o trabalhador da educa\u00e7\u00e3o, em linha reta, ao consult\u00f3rio m\u00e9dico ou \u00e0 cova.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil. Mesmo nas grandes economias, o trabalho profissional de transmitir \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras o conhecimento acumulado na trajet\u00f3ria humana ainda \u00e9 relegada a planos subalternos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Cabe s\u00f3 aos professores a luta para se reverter esta situa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\">Prof. Guilherme Albagli de Almeida (2011-05-28)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial;\"><span style=\"color: #c0c0c0;\"><strong><a href=\"mailto:albaglidealmeida@yahoo.com\" target=\"_blank\">albaglidealmeida@yahoo.com<\/a>,<\/strong><\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez a lei da reguada e da palmat\u00f3ria, instrumentos que, como o giz e a lousa, faziam parte do equipamento profissional do \u201ceducador\u201d. 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