{"id":16891,"date":"2011-06-04T10:43:33","date_gmt":"2011-06-04T13:43:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=16891"},"modified":"2011-06-04T10:43:33","modified_gmt":"2011-06-04T13:43:33","slug":"os-oito-problemas-essenciais-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/06\/04\/os-oito-problemas-essenciais-do-brasil\/","title":{"rendered":"Os oito problemas essenciais do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma gera\u00e7\u00e3o de predadores<\/p>\n<p>Olavo de Carvalho | 03 Junho 2011<br \/>\nArtigos &#8211; Movimento Revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Matan\u00e7a, d\u00edvidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, \u00e9 tudo m\u00e9rito de um reduzido grupo de c\u00e9rebros de p\u00e9ssima qualidade intoxicados de ideias bestas e vaidade infernal.<\/p>\n<p>Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a intelig\u00eancia dos meus compatriotas cair para n\u00edveis que \u00e0s vezes amea\u00e7am raiar o sub-humano. N\u00e3o posso medi-la pela produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, que veio rareando at\u00e9 tornar-se praticamente inexistente num pa\u00eds que j\u00e1 teve alguns dos melhores escritores do mundo.<\/p>\n<p>Me\u00e7o-a pelas teses universit\u00e1rias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contrassensos grotescos, pelos coment\u00e1rios de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas &#8220;autoridades&#8221; e, de modo geral, pelas discuss\u00f5es p\u00fablicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos n\u00e3o \u00e9 o vazio de ideias, n\u00e3o \u00e9 a estupidez dos racioc\u00ednios, n\u00e3o \u00e9 nem mesmo a mis\u00e9ria da linguagem: \u00e9 a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acess\u00f3rio, o decisivo e o irrelevante.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 problema, n\u00e3o h\u00e1 tema, n\u00e3o h\u00e1 assunto que, uma vez trazido ao palco &#8211; ou picadeiro -, n\u00e3o seja infindavelmente ro\u00eddo pelas beiradas, como se n\u00e3o tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discuss\u00e3o coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extempor\u00e2neo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresenta\u00e7\u00f5es pessoais num grupo de psicoterapia e n\u00e3o de uma conversa sensata sobre &#8211; digamos &#8211; alguma coisa.<\/p>\n<p>A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se n\u00e3o existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impress\u00e3o que me sobra \u00e9 a de que toda a popula\u00e7\u00e3o legente e escrevente est\u00e1 sofrendo de s\u00edndrome de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imagina\u00e7\u00e3o sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.<\/p>\n<p>Se me perguntarem quais s\u00e3o os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>1) A matan\u00e7a de brasileiros, entre quarenta e cinquenta mil por ano;<\/p>\n<p>2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer pa\u00eds vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a libera\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico &#8211; o maior pr\u00eamio que as Farc poderiam receber por d\u00e9cadas de mortic\u00ednio.<\/p>\n<p>3) A absoluta aus\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o num pa\u00eds cujos estudantes tiram sempre os \u00faltimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crian\u00e7as de na\u00e7\u00f5es bem mais pobres; num pa\u00eds, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educa\u00e7\u00e3o um sujeito que n\u00e3o aprendeu a soletrar a palavra &#8220;cabe\u00e7alho&#8221; porque jamais teve cabe\u00e7a, e onde se entende que a maior urg\u00eancia do sistema escolar \u00e9 ensinar \u00e0s crian\u00e7as as del\u00edcias da sodomia &#8211; sem d\u00favida uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para estudantes e professores, j\u00e1 que o exerc\u00edcio dessa atividade n\u00e3o requer conhecimentos de portugu\u00eas, de matem\u00e1tica ou de coisa nenhuma exceto a localiza\u00e7\u00e3o aproximada partes anat\u00f4micas envolvidas.<\/p>\n<p>4) A falta cada vez maior de m\u00e3o de obra qualificada de n\u00edvel superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades n\u00e3o vem ningu\u00e9m alfabetizado.<\/p>\n<p>5) A d\u00edvida monstruosa acumulada por um governo criminoso que n\u00e3o se vexa de estrangular as gera\u00e7\u00f5es vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda \u00e9 festejado, por isso, como o salvador da economia nacional.<\/p>\n<p>6) A completa impossibilidade da concorr\u00eancia democr\u00e1tica num quadro onde governo e oposi\u00e7\u00e3o se aliaram, com o aux\u00edlio da grande m\u00eddia e a omiss\u00e3o c\u00famplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso pol\u00edtico que defenda os ideais e valores majorit\u00e1rios da popula\u00e7\u00e3o, abomin\u00e1veis ao paladar da elite.<\/p>\n<p>7) A debilita\u00e7\u00e3o alarmante da soberania nacional, j\u00e1 condenada \u00e0 morte pela burocracia internacional em ascens\u00e3o e pelo cerco continental do Foro de S\u00e3o Paulo (aquela entidade que at\u00e9 ontem nem mesmo existia, n\u00e3o \u00e9?).<\/p>\n<p>8- A destrui\u00e7\u00e3o completa da alta cultura, num estado catastr\u00f3fico de faveliza\u00e7\u00e3o intelectual onde a fun\u00e7\u00e3o de respiradouro para a grande circula\u00e7\u00e3o de ideias no mundo, que caberia \u00e0 classe acad\u00eamica como um todo, \u00e9 exercida praticamente por um \u00fanico indiv\u00edduo, um \u00faltimo sobrevivente, que em retribui\u00e7\u00e3o leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagi\u00e1rios e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho.<\/p>\n<p>Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que \u00e9 a coisa mais \u00f3bvia do mundo: quarenta anos atr\u00e1s, as institui\u00e7\u00f5es que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lan\u00e7aram na pra\u00e7a uma gera\u00e7\u00e3o de pseudo-intelectuais morbidamente presun\u00e7osos, que na juventude j\u00e1 se pavoneavam de ser &#8220;a parcela mais esclarecida da popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo &#8211; sistema educacional, partidos pol\u00edticos, burocracia estatal, o diabo -, moldando o Pa\u00eds \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Matan\u00e7a, d\u00edvidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, \u00e9 tudo m\u00e9rito de um reduzido grupo de c\u00e9rebros de p\u00e9ssima qualidade intoxicados de ideias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gera\u00e7\u00f5es de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predat\u00f3ria, a mais destrutiva.<\/p>\n<p>Se querem saber agora por que os temas fundamentais n\u00e3o podem ser enxergados e discutidos na sua ess\u00eancia, por que as aten\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste pa\u00eds tem solu\u00e7\u00e3o, a resposta tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil: quem molda os debates p\u00fablicos, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 a elite dominante, e esta n\u00e3o permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabul\u00e1rio, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psic\u00f3tica, da sua ambi\u00e7\u00e3o megal\u00f4mana, da sua autoadora\u00e7\u00e3o abjeta.<\/p>\n<p>Enquanto voc\u00eas n\u00e3o perderem o respeito por essa gente, nada de s\u00e9rio se poder\u00e1 discutir no Brasil.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nJORGE LUIZ ARA\u00daJO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma gera\u00e7\u00e3o de predadores Olavo de Carvalho | 03 Junho 2011 Artigos &#8211; Movimento Revolucion\u00e1rio Matan\u00e7a, d\u00edvidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, \u00e9 tudo m\u00e9rito de um reduzido grupo de c\u00e9rebros de p\u00e9ssima qualidade intoxicados de ideias bestas e vaidade infernal. 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