{"id":1818,"date":"2010-11-09T18:13:31","date_gmt":"2010-11-09T21:13:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=1818"},"modified":"2010-11-13T17:27:16","modified_gmt":"2010-11-13T20:27:16","slug":"ser-ou-nao-ser-nordestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/11\/09\/ser-ou-nao-ser-nordestino\/","title":{"rendered":"SER OU N\u00c3O SER NORDESTINO?"},"content":{"rendered":"<p><img align = \"left\" src = \"http:\/\/lh4.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/S-iNlVVS2vI\/AAAAAAAAh70\/Lr-48DVFmoM\/luiz%20ferreira%20azul.jpg\"\/>De uns tempos pr\u00e1 c\u00e1, sobretudo com as Ongs de direitos humanos e outras organiza\u00e7\u00f5es, fica dif\u00edcil qualificar certas a\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao r\u00f3tulo discriminat\u00f3rio, passando a existir uma confus\u00e3o danada, confundindo-se o gosto pessoal como uma forma de preconceito.<\/p>\n<p>Como os brancos foram sempre os manda chuva e os africanos subdesenvolvidos, criou-se o padr\u00e3o da beleza loura, que vai do cabelo ao nariz, passando pela cor dos olhos. Se fosse o contr\u00e1rio, o belo seria o cabelo pixaim, o nariz \u201cboi pisou\u201d e os olhos esbugalhados. <\/p>\n<p>Isso vem desde a primeira boneca ganha pela garotinha, cujo perfil \u00e9 europeu. S\u00f3 recentemente \u00e9 que apareceram algumas de cor preta ou parda, mas sem uma aceita\u00e7\u00e3o plena. Um exemplo disso: uma americana, pensando que estava abafando, presenteou uma boneca preta a uma crian\u00e7a queniana, ficando pasma com a sua rea\u00e7\u00e3o que a recusou, pois gostaria da tradicional de olhos azuis e cor rosada.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nEnt\u00e3o, hoje \u00e9 muito complicado quando se trata da ra\u00e7a negra, pois tudo passou a ser considerado preconceito, criando-se at\u00e9 vantagens para a ra\u00e7a (cotas, por exemplo), em detrimento dos demais.<\/p>\n<p>Mas vamos deixar isso pr\u00e1 l\u00e1 e nos concentrarmos na bola do dia \u2013 a discrimina\u00e7\u00e3o contra os nordestinos, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o passada.<\/p>\n<p>Particularmente, nunca gostei de ser chamado de nordestino. Nunca vi um paulista ser chamado de sudestino e nem um gaucho de sulista, valendo o seu Estado de origem. <\/p>\n<p>Por que isso? \u00c9 que sempre senti que o termo nordestino criado pelos eles n\u00e3o expressava a condi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas aquele agrupamento de desvalidos que se aventuravam pelas cidades grandes, na expectativa de ter uma vida melhor que a do seu rinc\u00e3o. Pobres, sem escolaridade, m\u00e3o-de-obra desqualificada e h\u00e1bitos prim\u00e1rios, para n\u00e3o dizer primitivos. E logicamente com esse perfil s\u00f3 conseguiam empregos na constru\u00e7\u00e3o civil, nas casas de fam\u00edlia e nas empresas, executando duras tarefas, e at\u00e9 sendo explorados em muitos casos. <\/p>\n<p>Dessa forma, quando ou\u00e7o o termo nordestino me vem a id\u00e9ia de estar sendo discriminado ou, no m\u00ednimo, referenciado \u00e0quelas pessoas, mesmo que fossem dignas e contributivas ao desenvolvimento de seu pa\u00eds, eram consideradas como de classe inferior. Coloca-nos no mesmo saco como se n\u00e3o h\u00e1 gente qualificada e t\u00e3o capaz que, a despeito das dificuldades regionais, pode concorrer com os dos outros Estados, como vem acontecendo.<\/p>\n<p>Agora mesmo, quando se apregoa aos nordestinos a vit\u00f3ria da Dilma e se faz com certa raiva, denegrindo-os, eu vejo clara a imagem dos nossos irm\u00e3os trabalhadores, t\u00e3o bem cantados e contados pelo Luiz Lua Gonzaga na sua triste partida, de Patativa do Assar\u00e9, com um qu\u00ea de inferioridade a todos os que nasceram no Nordeste. <\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja essa a inten\u00e7\u00e3o, mas me parece existir no subconsciente de muitos paulistas, cariocas, paranaenses, ga\u00fachos e outros essa discrimina\u00e7\u00e3o velada, como se fora um gene passado de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, quando deveriam louvar aqueles rudes e sofridos homens que deram o seu suor, com abnega\u00e7\u00e3o e muito sacrif\u00edcio ao desenvolvimento de seus Estados, haja vista a pujan\u00e7a da capital paulista.<\/p>\n<p>Macei\u00f3, Al, 08 de novembro de 2010.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nLuiz Ferreira da Silva<br \/>\nEngenheiro-Agr\u00f4nomo e Escritor<br \/>\nluizferreira1937@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De uns tempos pr\u00e1 c\u00e1, sobretudo com as Ongs de direitos humanos e outras organiza\u00e7\u00f5es, fica dif\u00edcil qualificar certas a\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao r\u00f3tulo discriminat\u00f3rio, passando a existir uma confus\u00e3o danada, confundindo-se o gosto pessoal como uma forma de preconceito. 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