{"id":18234,"date":"2011-06-21T17:59:27","date_gmt":"2011-06-21T20:59:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=18234"},"modified":"2011-06-21T17:59:58","modified_gmt":"2011-06-21T20:59:58","slug":"a-alma-da-quena-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/06\/21\/a-alma-da-quena-1\/","title":{"rendered":"A Alma da Quena (1)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Abraham Waldelomar (1888 \/ 1919 )<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_18235\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/quena.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-18235\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-18235\" title=\"quena\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/quena-300x280.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/quena-300x280.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/quena.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-18235\" class=\"wp-caption-text\">Foto ilustrativa\/Fonte:Internet<\/p><\/div>\n<p>O Inca, sentado no terra\u00e7o, viu sair a Lua, na paz da noite, ouvindo a mesma rara melodia que escutara no caminho da v\u00e9spera. Havia detido a sua comitiva. Os m\u00fasicos interrogaram com as suas flautas, a vanguarda se internou no vale, mas o Inca n\u00e3o soube se aquela melodia dolorosa e estranha era de um homem ou de uma ave. Agora, ouvia algo mais clara, ainda que imperfeita, e agu\u00e7ava os seus ouvidos para perceb\u00ea-la melhor. \u00a0Era um som mesclado de alegria e dor, como um doce protesto, como uma queixa musicada em voz baixa, notas que se filtravam nos nervos como um punhal que avivava recorda\u00e7\u00f5es insepultas e dores que o tempo n\u00e3o conseguira cobrir, em cujo conjunto morriam nos l\u00e1bios as palavras, nos olhos nasciam l\u00e1grimas e, na alma, a profunda sede de estar triste. Era uma ave? Era um homem? O Inca Sinchi Roca mandou apagarem as resinas arom\u00e1ticas e se retirarem os seus guardas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>O que soa? O que vibra? O que canta?<\/em> &#8211; disse \u00e0 sua esposa.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-\u00c9 t\u00e3o divina esta m\u00fasica, Pachac\u00e1mac <\/em><em>( 2 )<\/em><em> \u2013 respondeu a Coya Chimpu <\/em><em>(3)<\/em><em> -, que n\u00e3o parece o canto de um homem nem o som de uma quena. Eu diria que \u00e9 uma ave que vem chorar debaixo da lua. Nestas noites, das distantes montanhas profundas, chegam aves raras a povoar os jardins do pal\u00e1cio. Eu vi, ontem, uma avezinha, vermelha como uma ferida, a pousar-se nos milharais sagrados&#8230;<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O nobre monarca se levantou. Pausadamente, olhou do terra\u00e7o a Cidade Imperial. Abaixo, se estendia a povoa\u00e7\u00e3o com seus templos e pal\u00e1cios. Luzes vermelhas marcavam o lugar das quatro pra\u00e7as e dos quatro caminhos. \u00c0 frente, estava o Qoricancha (4), guardado por sacerdotes e guerreiros nobres e, dentro, dormia o divino tesouro da imagem do Sol diante da fila dupla dos corpos mumificados dos Imperadores. Distante, se distinguia a Intipampa (5) rodeada de pal\u00e1cios dos nobres e, junto \u00e0 grande pra\u00e7a, defronte ao Amarucancha (6), o Templo das Escolhidas elevava os seus herm\u00e9ticos muros de pedra. \u00c0 direita, rodeando a Pra\u00e7a de Cuntusuyu (7) se achavam as pris\u00f5es, detr\u00e1s do rio; e, antes deste, ao poente, as grandes canchas reais; ao lado oposto estavam os quart\u00e9is, hospedarias, espa\u00e7os para as bestas id\u00f4mitas, alguns pal\u00e1cios dos nobres e, mais al\u00e9m das muralhas, o vale fresco dormia debaixo do c\u00e9u tranquilo desta noite azul, enquanto a Lua deixava cair os seus raios, misteriosamente, e uma brisa perfumada ascendia at\u00e9 ela da Terra silenciosa. Mudo, sentou-se o Inca no seu trono negro incrustado de ouro.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Se fosse um homem que toca esta m\u00fasica, gostaria de t\u00ea-lo no pal\u00e1cio; se fosse uma ave, nos meus jardins&#8230; &#8211;<\/em><\/p>\n<p><em>-Ordene-o, Pachac\u00e1mac!&#8230;-<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Se fosse um homem seria f\u00e1cil t\u00ea-lo ao meu servi\u00e7o, mas se fosse uma ave, nada pode a minha vontade contra elas, que s\u00e3o oficiantes da pompa do Sol, meu pai&#8230; &#8211;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo, a Coya, fazendo um gesto suplicante, disse:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Escuta Wiracocha <\/em>(8)&#8230;<em> &#8211; <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Inca p\u00f4s toda a sua aten\u00e7\u00e3o; seu rosto revelou curiosidade, admira\u00e7\u00e3o, depois d\u00favida e disse afinal, batendo palmas como um menino:<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Yma Samiyoc ! &#8211; Que coisa feliz! &#8211; \u00c9 uma quena! Buscai e trazei este homem!-<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os grupos de seus servidores se esfumaram na penumbra lunar. A um gesto do Inca, outros acenderam novamente as resinas. O sil\u00eancio reinou de novo e se pode ouvir claramente o som de uma quena que avan\u00e7ava. Ouviram as vozes dos guardas, de posto em posto, e a Coya dizia:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>Se \u00e9 um homem, h\u00e1 de ser Llaktan Nanay <\/em><em>( 9 ),<\/em><em> mas ele se perdeu&#8230; Kyuchi, a minha servidora, me disse que Llaktan n\u00e3o est\u00e1 no reino&#8230; &#8211;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dizem os pastores que o Pai Sol o arrebatou do seu Imp\u00e9rio para cantar nas suas mans\u00f5es. As brancas mulheres do norte (10) dizem que Mama Quilla &#8211; a M\u00e3e Lua -, o desterrou para que fa\u00e7a morrer os homens com as suas can\u00e7\u00f5es de dor. Os pescadores do Lago Sagrado dizem que este vaga de noite na Ilha Solit\u00e1ria; os lavradores, assim como as aves, invejosos da sua m\u00fasica, arrancaram os seus olhos e este caiu no rio; os guardas do Amarucancha contam que, ao ouvir a flauta, o seguiram serpentes e o devoraram; e os <em>chaskis<\/em> \u2013 os emiss\u00e1rios reais-, asseguram ouvir pela noite, na profundeza da selva, as suas can\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ouvindo-se as vozes dos guardas, pouco a pouco apareceu um grupo de servidores nobres conduzindo um qu\u00e9chua. Ajoelhando-se todos, com a pequena carga no ombro (11), o \u00edndio balbuciou, tremendo:<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Napaycuy, Yaya Wiracocha &#8211; Vos Sa\u00fado, Pai Senhor &#8211;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Levantem-no e deixem-no vir; retirai-vos ! &#8211; <\/em>disse o Inca<em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficou este com a Coya e o artista. A despeda\u00e7ada t\u00fanica mal cobria as suas carnes p\u00e1lidas; as sand\u00e1lias rotas; o bast\u00e3o lenhoso e tosco; a cabeleira despenteada e soberba, sustentada na fronte por uma cinta parecida uma coroa e, do pesco\u00e7o, pendente de um longo colar, a flauta de cinco notas.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Quem sois ? &#8211; \u00a0perguntou o Inca.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Sou, Wiracocha, do aillu <\/em><em>( 12 )<\/em><em> vizinho \u00e0 Cidade Imperial&#8230; &#8211;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Quem te ensinou a tocar flauta? Porque \u00e9 t\u00e3o triste a tua can\u00e7\u00e3o?-<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Ningu\u00e9m me ensinou, Poderoso! Foi a dor&#8230; choro porque a minha amada se perdeu&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-O Inca, teu pai, quer lhe ser favor\u00e1vel. O Filho do Sol te dar\u00e1 o que quiseres. Pe\u00e7a. Desde hoje viver\u00e1s no meu pal\u00e1cio e nos meus jardins, onde a tua alma esquecer\u00e1 a dor e a sua flauta, a quena, alegrar\u00e1 o castelo. Tocar\u00e1s a quena, ouves? Vou fazer-te feliz&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Nunca poderei s\u00ea-lo, Wiracocha&#8230; V\u00f3s n\u00e3o podeis faz\u00ea-la retornar ao Pal\u00e1cio do Sol&#8230; Mas podeis, sim, fazer-me menos desgra\u00e7ado&#8230; Vou pedir-vos algo&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Fala!&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Me deixar\u00e1s sempre correr o s Imp\u00e9rio, passar pelas fronteiras, ir pelas comarcas, errar por todos os caminhos&#8230; Ordenar\u00e1s que ningu\u00e9m me impe\u00e7a o passo e que ningu\u00e9m, em Vosso reino, me impe\u00e7a a tocar a quena&#8230; Faz-me crer que o mundo \u00e9 meu e, sabendo que minha vida Vos pertence, faz-me crer, Wiracocha, que posso entreg\u00e1-la \u00e0 dor&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Te darei servos, te enobrecerei, poder\u00e1s aproximar-se do meu trono e caminhar com a minha comitiva. Ter\u00e1s trajes suaves de alpacas jovens e servos que realizem os teus desejos&#8230; Mas tocar\u00e1s a quena&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-Meu Pai, meu Pai&#8230; deixai-me ir pelo mundo&#8230; Eu cantarei can\u00e7\u00f5es a Inti &#8211; o Sol -, em teu nome. Nas \u00e1rvores mais grossas gravarei as tuas ins\u00edgnias e, nas pedras mais vis\u00edveis, colocarei as tuas cores. Ca\u00e7arei morcegos para, com a sua pele, tecer o Vosso Manto Imperial. Ensinarei aos sacerdotes, \u00e0s freiras e aos papagaios a dizerem o Vosso nome e repetir os Vossos feitos, e eles os aspergir\u00e3o na espessura da selva, onde n\u00e3o se ouve a voz dos Vossos mensageiros, ao amanhecer de cada dia, quando o Sol, Vosso pai, aparece&#8230; Mas deixai-me marchar&#8230; Se ficar no Vosso castelo minhas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o Vos agradariam e minhas notas de dor n\u00e3o te chegariam \u00e0 Vossa alma&#8230; Quereis que seja feliz e que a minha quena chore? N\u00e3o me deis festas nem riquezas, nem servos, nem pal\u00e1cios. A dor n\u00e3o se faz. A dor \u00e9. N\u00e3o se chora para divertir os outros&#8230; O penar est\u00e1 na luz da lua, na sombra das \u00e1rvores frondosas, no sil\u00eancio da natureza&#8230; No cinzento das nuvens que se juntam e se tornam opacas no alto, quando chove, ali est\u00e1 a dor&#8230; No vento frio que sopra a tempestade, no retumbar do trov\u00e3o, na chuva incessante e torrencial, na branca neve sagrada, no rio que rompe o leito e avermelha a \u00e1gua com a argila, no raio, ali vive a dor. Nada disso existe nos Vossos jardins, Pachac\u00e1mac. A dor \u00e9 imensa como o mar, orgulhosa como o c\u00f4ndor, multicor como o bosque. V\u00f3s n\u00e3o conheceis a dor&#8230; Deixai-me, portanto, sair, Wiracocha, Filho do Sol Poderoso. N\u00e3o me arrebateis a \u00fanica coisa que tenho na vida, n\u00e3o desencanteis a minha quena, n\u00e3o desfazeis a minha vida&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>-\u00c9s e n\u00e3o \u00e9s do meu reino; Vais pelo mundo, divino errante, levais esta ins\u00edgnia do Inca para que ningu\u00e9m impe\u00e7a a tua marcha. \u00c9 uma pluma do meu diadema. Yma sumaq yaqui! &#8230;- Que coisa linda, a tristeza..-.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Ayguay\u00e1&#8230; \u00a0Ayguay\u00e1! &#8211; <\/em><em>(13)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Disse e beijou o solo aos p\u00e9s do monarca. Os soldados se voltaram para ele. Escoltado, desceu a escadaria do pal\u00e1cio. Voltaram ao seu posto os guardas. Alimentaram as resinas e, em pouco, debaixo da luz serena e silenciosa da lua, voltou a se ouvir o eco triste e desolado da quena, nos bosques long\u00ednquos.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Yma Sumaq yaqui&#8230;Yma Sumaq yaqui! &#8211; <\/em>disse o Inca \u00e0 Coya.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; \u00a0Ayguay\u00e1&#8230; -, <\/em>soou ao longe a voz do artista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Lua se ocultou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N.doT.: <\/strong><\/p>\n<p>1- \u00a0\u00a0<strong>Quena<\/strong>: Flauta andina de osso ou cani\u00e7o. Talvez o mais suave dos instrumentos de sopro<\/p>\n<p>2<strong>&#8211; \u00a0\u00a0Pachac\u00e1mac<\/strong>: \u201cGrande Criador\u201d: Divindade pr\u00e9-colombiana cultuada numa grande pir\u00e2mide ao sul de Lima.<\/p>\n<p>3- \u00a0\u00a0<strong>Coya:<\/strong> A Imperatriz Inca. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Chimpu: A cor rosa-cobre que, \u00e0s vezes, aparece nas nuvens, ao entardecer.<\/p>\n<p>4- \u00a0<strong>Qoricancha<\/strong>: \u201cP\u00e1tio de Ouro\u201d. O grande templo incaico dedicado ao Sol, hoje Igreja de S\u00e3o Domingos, em Cusco.<\/p>\n<p>5<strong>&#8211; \u00a0Intipampa<\/strong>: \u201cPlanura do Sol\u201d.<\/p>\n<p>6- \u00a0<strong>Amarucancha<\/strong>: \u201cP\u00e1tio da Serpente\u201d.<\/p>\n<p>7- \u00a0<strong>Cuntusuyu<\/strong>: \u201cProv\u00edncia do C\u00f4ndor\u201d:<\/p>\n<p>Uma das quatro prov\u00edncias do Imp\u00e9rio Inca = \u201c<em>Tawantinsuyu\u201d<\/em> = \u201cQuatro Prov\u00edncias Andinas\u201c.<\/p>\n<p>8- \u00a0\u00a0<strong>Wiracocha<\/strong>: Lit. ,\u201cEspuma do Mar\u201d : \u00a0Divindade pr\u00e9-colombiana, depois significando \u201cSenhor\u201d;<\/p>\n<p>um honor\u00edfico para homens ocidentalizados, na l\u00edngua qu\u00eachua.<\/p>\n<p>9 &#8211; \u00a0\u00a0<strong>Llaktan<\/strong> <strong>Nanay<\/strong>: Nome pr\u00f3prio significando: \u201cA Sua Aldeia Sofre\u201d.<\/p>\n<p>10- <strong>\u201cAs brancas mulheres do norte<\/strong>\u201d = as m\u00edticas guerreiras Amazonas.<\/p>\n<p>11- \u201c<strong>Pequena carga no ombro<\/strong>\u201d: gesto da etiqueta incaica demonstrando submiss\u00e3o ao Inca.<\/p>\n<p>12- <strong>Aillu<\/strong>: Unidade social prim\u00e1ria na cultura incaica. Fam\u00edlia extendida. Cl\u00e3.<\/p>\n<p>13- \u00a0<strong>Ayguay\u00e1<\/strong>: \u00a0\u00a0express\u00e3o da refinada etiqueta qu\u00eachua: \u201cAlcance, sirva-se, desfrute, apenas\u201d.<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>A.W. (1888\/1919) foi um prestigiado diplomata, escritor, jornalista, poeta e pol\u00edtico peruano. Postumamente (1921), em Lima, publicou-se o seu \u201c<\/em>Los Hijos del Sol<em>\u201d &#8211; contos de tem\u00e1tica incaica &#8211; onde aparece o texto acima, impregnado de lirismo e poesia. Epis\u00f3dios da curta vida atribulada do A.W. \u00a0\u00a0parecem \u00a0se refletir em certos \u00a0trechos deste conto.Assim como o seu personagem Laqtan Nanay,\u00a0 o autor foi um andarilho atormentado por uma paix\u00e3o n\u00e3o resolvida na adolescencia.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8212;<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><strong>(Tradu\u00e7\u00e3o e Notas por\u00a0 G. A. de Almeida, 2011-06-15 )<\/strong><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Abraham Waldelomar (1888 \/ 1919 ) O Inca, sentado no terra\u00e7o, viu sair a Lua, na paz da noite, ouvindo a mesma rara melodia que escutara no caminho da v\u00e9spera. Havia detido a sua comitiva. 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