{"id":19019,"date":"2011-07-02T22:27:55","date_gmt":"2011-07-03T01:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=19019"},"modified":"2011-07-02T22:27:55","modified_gmt":"2011-07-03T01:27:55","slug":"maria-regina-canhos-vicentin-em-olhar-para-ver-e-ouvir-para-escutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/07\/02\/maria-regina-canhos-vicentin-em-olhar-para-ver-e-ouvir-para-escutar\/","title":{"rendered":"Maria Regina Canhos Vicentin em: Olhar para ver e ouvir para escutar"},"content":{"rendered":"<p><img align = \"left\" src = \"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Maria-Regina-Canhos-Vicentin_cart%C3%A3o.jpg\"\/>Faz algum tempo, li uma entrevista em que uma famosa atriz de televis\u00e3o dizia ter tomado conhecimento que seu filho estava envolvido com drogas somente ap\u00f3s quatro anos de uso. Lembro-me de ter ficado chocada na \u00e9poca. Uma d\u00e9cada depois, continuo perplexa com essa situa\u00e7\u00e3o, analisando como \u00e9 poss\u00edvel viver ao lado de algu\u00e9m sem olhar para os seus olhos ou ouvir suas est\u00f3rias. Isso \u00e9 algo muito s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, esse quadro est\u00e1 se repetindo nos dias de hoje com mais frequ\u00eancia. Os pais n\u00e3o veem, n\u00e3o ouvem, n\u00e3o percebem nada que possa desalinhar a ideia de fam\u00edlia perfeita. Eles sentem que algo n\u00e3o vai bem, mas preferem ignorar a sensa\u00e7\u00e3o de inc\u00f4modo que, volta e meia, insiste em cutucar. Costuma ser complicado olhar para as lacunas da educa\u00e7\u00e3o decorrentes do comodismo, ou justificadas pela aus\u00eancia de tempo. A fam\u00edlia risonha agora chora. \u00c9 tarde demais para evitar o que j\u00e1 aconteceu.<\/p>\n<p> <!--more--><\/p>\n<p>Ira, indigna\u00e7\u00e3o, raiva, culpa, tudo junto. Uma miscel\u00e2nea de sentimentos ora insuport\u00e1veis de administrar. \u201cOnde foi que erramos? O que aconteceu? Em que momento fomos abalroados pelas exig\u00eancias sociais e de trabalho descuidando do principal? Nossa fam\u00edlia deveria ser prioridade, mas est\u00e1vamos t\u00e3o ocupados com outras coisas. Nem percebemos que aquelas companhias poderiam n\u00e3o ser as melhores para os nossos filhos. Bem que sentimos algo estranho, mas preferimos n\u00e3o pensar bobagens, afinal, isso n\u00e3o iria acontecer justamente conosco.<\/p>\n<p>Sem querer, deixamos de olhar nos olhos de nossos filhos, e j\u00e1 n\u00e3o ouv\u00edamos suas est\u00f3rias mirabolantes, por consider\u00e1-las fantasiosas demais. Se ficavam trancados no quarto ou no banheiro, tudo bem; entend\u00edamos como a necess\u00e1ria privacidade. N\u00e3o pergunt\u00e1vamos com frequ\u00eancia para onde iam, pois n\u00e3o quer\u00edamos passar a ideia de pais inseguros ou desconfiados. Sempre que dormiam fora, acredit\u00e1vamos no que diziam, e nunca fomos checar se estavam sendo sinceros; afinal, bons filhos n\u00e3o mentem para seus bons pais.<\/p>\n<p>Quando a verdade finalmente veio \u00e0 tona de forma irrefut\u00e1vel, nossa casa caiu! A sensa\u00e7\u00e3o de fracasso quase nos esmagou, e demoramos em admitir que j\u00e1 hav\u00edamos intu\u00eddo algumas possibilidades, agora concretas. Talvez, se tiv\u00e9ssemos verdadeiramente olhado nos olhos de nossos filhos, ter\u00edamos visto o distanciamento que o tempo nos havia imposto. Se tiv\u00e9ssemos lhes dado ouvidos, escutar\u00edamos seus pedidos de socorro, ainda que atrav\u00e9s das costumeiras brincadeiras e goza\u00e7\u00f5es, pois, ainda hoje, assim se dizem grandes verdades. Bem, mas a vida caminha para frente, e n\u00f3s decidimos que a partir de agora vamos olhar para ver e ouvir para escutar. Ningu\u00e9m muda o passado, mas com uma nova postura podemos mudar o presente, e assegurar um futuro melhor.\u201d Quem tiver olhos \u2013 veja! Quem tiver ouvidos \u2013 ou\u00e7a!<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\n<strong>Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) \u00e9 escritora.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz algum tempo, li uma entrevista em que uma famosa atriz de televis\u00e3o dizia ter tomado conhecimento que seu filho estava envolvido com drogas somente ap\u00f3s quatro anos de uso. Lembro-me de ter ficado chocada na \u00e9poca. 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