{"id":20943,"date":"2011-07-30T21:44:08","date_gmt":"2011-07-31T00:44:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=20943"},"modified":"2011-07-30T21:44:08","modified_gmt":"2011-07-31T00:44:08","slug":"rildo-oliveira-o-artista-transformador-solitario-cidadao-e-sem-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/07\/30\/rildo-oliveira-o-artista-transformador-solitario-cidadao-e-sem-apoio\/","title":{"rendered":"Rildo Oliveira: O artista transformador, solit\u00e1rio, cidad\u00e3o e sem apoio"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_20944\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rildo-oliveira.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-20944\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rildo-oliveira.jpg\" alt=\"\" title=\"rildo oliveira\" width=\"450\" height=\"296\" class=\"size-full wp-image-20944\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rildo-oliveira.jpg 450w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rildo-oliveira-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-20944\" class=\"wp-caption-text\">Rildo Moreira de Oliveira  (Cr\u00e9dito: JBO)<\/p><\/div><br \/>\nO muro escolhido fica na travessa Bandeirantes, centro de Ilh\u00e9us, onde, todos os dias, milhares de pessoas passam, muitas vezes, sem enxergar um palmo \u00e0 frente dos seus pr\u00f3prios interesses individuais. Mas na vis\u00e3o e na sensibilidade de Rildo Moreira de Oliveira, de 31 anos, \u00e9 poss\u00edvel cada um de n\u00f3s, independente da situa\u00e7\u00e3o financeira, dar uma parcela de colabora\u00e7\u00e3o para que a cidade, a cada raiar de um novo dia, se torne um local mais apraz\u00edvel de viver. E de suas m\u00e3os, este grafiteiro desempregado e sem apoio, exercita e convoca cidadania. E a transforma em pura arte.<\/p>\n<p>Em pouco mais de cinco metros de um muro que at\u00e9 ent\u00e3o era um espa\u00e7o abandonado que deixava cinzento um dos pontos mais movimentados do centro de Ilh\u00e9us, Rildo monta h\u00e1 mais de uma semana um \u201cfilme\u201d dos tempos \u00e1ureos da cidade. A pacata e vida dura dos pescadores do cais, a beleza nos m\u00ednimos detalhes da antiga avenida Jo\u00e3o Pessoa, hoje Soares Lopes, e at\u00e9 os casar\u00f5es que marcaram definitivamente um cen\u00e1rio da riqueza arquitet\u00f4nica da cidade, que, agora, renascem nos tra\u00e7os e nas \u201cpistolas\u201d cansadas de guerra de um &#8220;inconsequente&#8221; artista popular.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Desempregado e sem apoio financeiro, foi preciso \u201cmendigar\u201d para dar exemplo. Primeiro, convencer os moradores de um pr\u00e9dio habitado pela classe m\u00e9dia-alta da Soares Lopes de que aquele espa\u00e7o poderia ficar bem mais bonito. Depois, a decep\u00e7\u00e3o de ver as portas do Pal\u00e1cio Paranagu\u00e1 se fecharem quando foi em busca da mat\u00e9ria-prima &#8211; tintas, apenas tintas &#8211; que alimenta sua vontade de transformar espa\u00e7os degradados em cultura popular. \u201cEles n\u00e3o aprovaram, n\u00e3o quiseram fazer porque n\u00e3o tinha interesse para eles. Ent\u00e3o resolvi fazer por minha conta j\u00e1 que o muro j\u00e1 tinham me liberado. O material \u00e9 todo meu, todo meu\u201d, revelou orgulhoso ao rep\u00f3rter do Jornal Bahia Online, como se, no fundo, quisesse dizer a toda uma insens\u00edvel cidade: tirei um p\u00e3o de dentro de casa, mas estou alimentando minha alma.<\/p>\n<p>Praticante do grafismo h\u00e1 12 anos, Rildo \u00e9 casado. N\u00e3o tem emprego fixo. Vive de bicos. Mas tem na alma a sensbilidade que muitas vezes falta \u00e0queles que t\u00eam tudo em casa. E at\u00e9 um pouco mais. Rildo, durante toda a semana, n\u00e3o lamentava o fato de n\u00e3o ter conseguido apoio para realizar seu sonho, como at\u00e9 seria comum que reagisse desta forma. Muito pelo contr\u00e1rio: \u201ca realiza\u00e7\u00e3o que eu vejo desse meu trabalho \u00e9 de voc\u00ea chegar aqui e me parar pra vir falar do meu trabalho, entendeu?\u201d, disse ao editor-executivo do JBO, que ao passar pela esquina, se interessou em saber um pouco mais sobre o artista e a sua arte. \u201cEssa \u00e9 a recompensa maior, o meu maior retorno\u201d, completou.<\/p>\n<p>\u201cL\u00f3gico que eu gostaria de fazer mais com o apoio de empres\u00e1rios ou de qualquer pessoa que quisesse me ajudar\u201d, disse ao JBO. A frustra\u00e7\u00e3o maior talvez seja o fato de que muitos n\u00e3o acreditam que aquela obra, t\u00e3o sens\u00edvel e t\u00e3o cidad\u00e3, tenha partido de uma humilde iniciativa e seja financiada por algu\u00e9m que n\u00e3o sabe sequer o que vai almo\u00e7ar no dia seguinte. \u201cA primeira coisa que falam \u00e9 que \u00e9 a prefeitura me ajudou e eu falo \u00b4n\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o tem nada a ver com prefeitura\u00b4. O bom \u00e9 que acham bonito, acham lindo, querem levar o muro pra casa (risos). \u00c9 bem legal.\u201d, revela um satisfeito artista de rua.<\/p>\n<p>\u00c9 que na calma de cada gesto executado na parede, no sentido de cada olhar que os que passam pelo local d\u00e3o \u00e0 sua obra e, sobretudo na li\u00e7\u00e3o silenciosa de cidadania que o pr\u00f3prio Rildo d\u00e1 em uma importante rua de Ilh\u00e9us nas \u00faltimas semanas, \u00e9 que fica a grande certeza de que para amar verdadeiramente uma cidade, voc\u00ea n\u00e3o precisa gritar, repetir exaustivamente a palavra &#8220;amor&#8221;, desde que n\u00e3o sinta tudo isso no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas vezes \u00e9 um simples gesto que pode dizer muito mais.<\/p>\n<p>De forma silenciosa, solit\u00e1ria e transformadora.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nNo <a href = \"http:\/\/www.jornalbahiaonline.com.br\/index.asp?noticia=13978\" target = \"_news\"><b>Jornal Bahia Online<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O muro escolhido fica na travessa Bandeirantes, centro de Ilh\u00e9us, onde, todos os dias, milhares de pessoas passam, muitas vezes, sem enxergar um palmo \u00e0 frente dos seus pr\u00f3prios interesses individuais. 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