{"id":21455,"date":"2011-08-07T20:58:46","date_gmt":"2011-08-07T23:58:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=21455"},"modified":"2011-08-07T20:58:46","modified_gmt":"2011-08-07T23:58:46","slug":"marli-goncalves-em-redemoinhos-inevitaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/08\/07\/marli-goncalves-em-redemoinhos-inevitaveis\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: Redemoinhos inevit\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p><center><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Como j\u00e1 comecei dizendo, eles s\u00e3o inevit\u00e1veis. Igual buraco de bueiro nas ruas. Se a ponta do p\u00e9 entrou em um, o Tempo &#8211; durante um tempo &#8211; se estender\u00e1 de forma diferente at\u00e9 tudo acabar de girar, se \u00e9 que um dia acaba, se voc\u00ea n\u00e3o tonteou no caminho, se ele n\u00e3o engolfar tudo<\/em><\/span><\/center><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Ventos, ventos, ventos, \u00e0s vezes tenho verdadeiro pavor deles. Quando zumbem na janela, quando for\u00e7am portas e janelas, quando cantam e ati\u00e7am as vidra\u00e7as. Quando varrem em dire\u00e7\u00f5es variadas, chacoalhando como se quisessem arrancar tudo, sem muitas delicadezas, o que j\u00e1 estava alquebrado, cansado, prestes a ir. Com o vento as coisas se aceleram, andam mais r\u00e1pido, s\u00e3o instadas a se mover.<\/p>\n<p>Na vida os ventos podem ser suaves, brisas modorrentas, ou sopros mais fortes. Mas no nosso caminhar aqui neste ch\u00e3o encontramos de quando em quando o que poder\u00edamos definir quase como buracos para o infinito, fendas de vento, exatas e cru\u00e9is: os redemoinhos. \u00c9 aquele momento que a melhor descri\u00e7\u00e3o seria pedir para voc\u00ea se imaginar dentro de uma m\u00e1quina de lavar roupa naquela hora &#8220;centr\u00edfuga&#8221;, que tira as \u00faltimas gotinhas de \u00e1gua das roupas, torce, e d\u00e1 umas batidas para a pr\u00f3pria roupa ter certeza que tem de soltar toda a sujeira ali, naquele ciclo. E sair limpinha, renovada, pronta para a pr\u00f3xima combina\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Fins de relacionamentos, decis\u00f5es urgentes a tomar, correr para tirar o rabo da janela, escapar de sacanagens e armadilhas, principalmente quando fazem surpresa, s\u00e3o redemoinhos, torvelinhos. Desde menina admiro suas formas, ou\u00e7o contar as hist\u00f3rias, lembro de terem me dito que havia um ali no mar de Santos, perto de onde eu fazia castelos de areia com meus baldinhos e moldes coloridos e me sentia segura longe dele. Ser\u00e1 por causa dessa imagem que demorei tanto a perder o medo, e nunca deixei o receio das \u00e1guas do mar? Os redemoinhos nascem em dias quentes, de muito sol, e estranhamente, em dias sem vento. E, pelo menos os de areia, podem ser pequeninos de poucos cent\u00edmetros a monstros de muitos metros de altura e for\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\"><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\nA fantasia diz que o saci se esconde em seu interior. Os matutos quando viam o redemoinho acreditavam que ele era o rastro da passagem do Saci-Perer\u00ea com seu cachimbinho maluco. Noutros cantos, acham que \u00e9 o pr\u00f3prio diabo andando pelos campos. Lobato escreveu sobre a cren\u00e7a de que se algu\u00e9m entrasse no meio do redemoinho munido com uma garrafa e uma peneira conseguiria capturar ou saci ou diabo ou autor do turbilh\u00e3o. Mas, agora, pesquisando, acabaram com a minha fantasia. Olha s\u00f3 o desmancha-prazeres: &#8220;Na verdade o que acontecia \u00e9 que ao entrar no meio do redemoinho, a pessoa pode interromper a corrente de convec\u00e7\u00e3o que alimenta o sistema, e o redemoinho &#8220;simplesmente desapareceria&#8221;. Para tudo tem explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bom, eu n\u00e3o quero mesmo ca\u00e7ar sacis; quero apenas sair viva e inteira dos redemoinhos que encontro. Eu, s\u00f3, n\u00e3o. Todo mundo. Pessoas e pa\u00edses vira e mexe se defrontam com situa\u00e7\u00f5es que &#8211; n\u00e3o tem jeito &#8211; dali, s\u00f3 d\u00e1 para ir em frente, sem recuar, sem fugir. N\u00e3o est\u00e3o vendo as primaveras dos pa\u00edses que viviam em longos invernos? N\u00e3o est\u00e3o vendo um gigante com a unha encravada, gritando ui,ui? Jogue uma pedrinha na \u00e1gua e observe as ondas crescentes, perturbando at\u00e9 onde alcan\u00e7a o deslizar dos c\u00edrculos que procria. Assim \u00e9 at\u00e9 voltar ao normal, com a pedra no fundo, engolida e absorvida pela superf\u00edcie.<\/p>\n<p>V\u00f3rtices. Fen\u00f4menos da natureza s\u00e3o danados para colar em sabedorias, principalmente as mais bonitas, vindas do Oriente. Sabia que, para os orientais, o redemoinho &#8211; ou aquela espiral de cabelos que todos temos no alto da cabe\u00e7a(t\u00e1 bom, os hoje carecas n\u00e3o t\u00eam mais, mas j\u00e1 tiveram) \u00e9 a origem da vida e representa a entrada da for\u00e7a do C\u00e9u no corpo? Para eles \u00e9 a partir dos redemoinhos que o corpo se desenvolve, e tem gente que possui duas ou mais espirais no <em>cucuruco<\/em>. Dizem ainda que, no geral, a parte da frente da cabe\u00e7a \u00e9 mais &#8220;Yin&#8221;, feminina, suave, enquanto que a parte posterior \u00e9 mais &#8220;Yang&#8221;, masculina. Corre no espelho para ver.<\/p>\n<p>Eles ensinam que, se o redemoinho come\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronte, a pessoa \u00e9 mais Yin. Se o redemoinho come\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nuca, a pessoa \u00e9 mais Yang. Se o redemoinho est\u00e1 bem no centro da cabe\u00e7a, seria o sinal &#8211; olha que legal! &#8211; de que Yin e Yang estavam harmonizados no momento do nascimento. Ou seja, os seus pais estavam em harmonia f\u00edsica e mental, fizeram voc\u00ea bem gostoso, no <strong><em> bembom<\/em><\/strong>. Essa pessoa feita assim teria maior tend\u00eancia para as artes, pensamento profundo, harmonia e equil\u00edbrio em geral. Se o redemoinho est\u00e1 \u00e0 direita da cabe\u00e7a indicaria disposi\u00e7\u00e3o ativa e tend\u00eancia para a vida pr\u00e1tica, bem Yang. Se o redemoinho est\u00e1 \u00e0 esquerda da cabe\u00e7a indica uma vis\u00e3o objetiva, anal\u00edtica e um pensamento sistematizado, mais Yin.<\/p>\n<p>Agora que eu at\u00e9 j\u00e1 estou daqui s\u00f3 vendo voc\u00ea a\u00ed com o dedinho apalpando e procurando onde \u00e9 o nascedouro do seu pr\u00f3prio redemoinho, vou indo. Mas vou dar uma voltadinha. Sabe o que eu achei tamb\u00e9m? Teve um cabe\u00e7\u00e3o, que nem vem ao caso, que resolveu fazer uma pesquisa e lan\u00e7ar uma tese de suas suposi\u00e7\u00f5es. Ele diz que <strong><em>parece <\/em><\/strong>que os homens gays t\u00eam quatro vezes mais redemoinhos no topo da cabe\u00e7a, na dire\u00e7\u00e3o oposta ao sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio do que a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>For\u00e7a na peruca!<\/p>\n<p><center><span style=\"font-size: xx-small;\"><em><strong> S\u00e3o Paulo, agostos ao gosto, 2011<\/strong><\/em><\/span><\/center><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">(*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/span><\/em><\/strong>. <strong> O legal \u00e9 a vit\u00f3ria. A sensa\u00e7\u00e3o do pular corda. O sentimento de poder novamente enrolar os cachinhos para nenhum p\u00e9-de-vento mequetrefe vir desarrumar. Uma coisa Dom Quixota lutando contra redemoinhos.<\/strong><\/p>\n<p><\/span><\/span><\/p>\n<p><center>******************************<wbr>******************************<\/wbr><\/center><span style=\"font-size: x-small;\"><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>E-mails:<\/strong><\/span><br \/>\n<a href=\"mailto:marli@brickmann.com.br\" target=\"_blank\"><strong>marli@brickmann.com.br<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"mailto:marligo@uol.com.br\" target=\"_blank\"><strong>marligo@uol.com.br<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 comecei dizendo, eles s\u00e3o inevit\u00e1veis. Igual buraco de bueiro nas ruas. 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