{"id":21896,"date":"2011-08-13T09:49:08","date_gmt":"2011-08-13T12:49:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=21896"},"modified":"2011-08-13T09:49:08","modified_gmt":"2011-08-13T12:49:08","slug":"jorge-amado-disse-sou-ilheense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/08\/13\/jorge-amado-disse-sou-ilheense\/","title":{"rendered":"JORGE AMADO DISSE: SOU ILHEENSE"},"content":{"rendered":"<p>Na carta escrita por Jorge Amado quando recebeu o t\u00edtulo de \u201cCidad\u00e3o Ilheense\u201d, fica claro que apesar de ter nascido em Itabuna, ele afirma que Ilh\u00e9us \u00e9 a Terra da Sua Vida.<\/p>\n<p>Leiam na \u00edntegra a sua carta, que infelizmente Ilh\u00e9us ainda n\u00e3o soube aproveit\u00e1-la de uma forma mais brilhante.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>\u201cA TERRA DA MINHA VIDA \u2013 JORGE AMADO\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPoucas vezes me senti t\u00e3o honrado em minha vida como me sinto agora. Aconteceram-me fatos diversos que levaram a mim e aos meus livros mundo afora. Eles significaram, antes de tudo, Ilh\u00e9us. N\u00e3o s\u00f3 porque aqui comecei a viv\u00ea-los, porque aqui imaginei a escrev\u00ea-los, mas porque a presen\u00e7a de Ilh\u00e9us irradiou a luz especial que ilumina essas minhas pobres p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>\u00c9 de Ilh\u00e9us que nasce o que de mais puro e sens\u00edvel, o que de mais belo possa ter o que escrevi. Ilh\u00e9us como tema me inspirou, me marcou de forma profunda o que escrevi de alma e corpo, as coisas que quis dizer em todo o meu trabalho liter\u00e1rio da decorr\u00eancia de toda a minha vida, onde tantas coisas aconteceram e acontecem com aspectos t\u00e3o diferentes e diversos \u00e0 realidade mais distante e, por conseq\u00fc\u00eancia, a realidade fundamental em Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Vim pr\u00e1\u2019qui aos quatro anos. Aqui transcorreu a minha adolesc\u00eancia, vivi minha inf\u00e2ncia, corri nas ruas solto, livre, capaz de amar a liberdade sobre todas as coisas, pois a primeira li\u00e7\u00e3o que recebi desta terra foi a li\u00e7\u00e3o de liberdade. Ilh\u00e9us n\u00e3o \u00e9 apenas uma bela cidade do sul da Bahia, com a tradi\u00e7\u00e3o de luta, de viol\u00eancia, de vida espantosamente vivida. Ilh\u00e9us \u00e9 bem diferente, \u00e9 bem mais que isso. \u00c9 a transforma\u00e7\u00e3o de tudo isso em cria\u00e7\u00e3o. E a transforma\u00e7\u00e3o de tudo isso em viva e transl\u00facida realidade.<\/p>\n<p>Ilh\u00e9us para mim significa o come\u00e7o e significa a constru\u00e7\u00e3o posterior. Quando eu, por acaso, ponho os olhos naquilo que escrevi eu vejo que Ilh\u00e9us est\u00e1 crian\u00e7a e aqui me fiz homem, aqui me fiz escritor e quando eu quero saudar a verdade de mim pr\u00f3prio, aquilo que \u00e9 ess\u00eancia de meu ser, de minha vida, eu penso nessa cidade, por mais distante que eu possa estar geograficamente das suas praias, das suas ruas, da sua gente.<\/p>\n<p>Essa cidade me acompanha. A cada dia eu me revejo nela, a cada dia eu me redescubro nela, a cada dia eu me sinto mais pr\u00f3ximo e fundamental de tudo quanto eu fiz. Eu n\u00e3o sei se fiz grandes coisas. Algumas eu busquei fazer na minha trajet\u00f3ria de escritor, algumas verdades busquei dizer, algumas realidades coloquei no papel. Tomei delas da vida para transform\u00e1-las em literatura. Tudo isso se deu porque vivi nessa cidade. A minha Ilh\u00e9us transparece a paix\u00e3o pelas coisas e pelos homens, o amor infinito pela vida.<\/p>\n<p>Que dizer mais dessa cidade? Dizer que a amo de uma forma imensa, infinita. Meu amor por Ilh\u00e9us n\u00e3o tem limites, pois \u00e9 o amor que vem da meninice, da adolesc\u00eancia, dos tempos felizes e alegres, dos dias em que eu quis aceitar a verdade da minha vida.<\/p>\n<p>Quero ainda dizer que em nenhum momento desses acontecimentos que me tornaram conhecido, deixei de me lembrar \/que foi aqui onde tudo come\u00e7ou. Foi aqui em ,Ilh\u00e9us, na pra\u00e7a do Ves\u00favio, n\u00e3o foi noutro lugar.\u201d<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><em>Pronunciamento de Jorge Amado ao receber o t\u00edtulo de cidad\u00e3o ilheense em 1997. <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><center><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rezende-novo-email.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"102\" \/><\/center><\/p>\n<p>Cabe ao poder p\u00fablico, divulgar o mais breve poss\u00edvel e de forma marcante, esta rel\u00edquia que ser\u00e1 eterna. Como sugest\u00e3o, dir\u00edamos que um pedestal, feito por algum artista local e localizado justamente na Pra\u00e7a do Ves\u00favio, onde ele mesmo afirma que l\u00e1 foi onde tudo come\u00e7ou e, seria a forma mais justa de homenagem a este ilheense de cora\u00e7\u00e3o. Dir\u00edamos tamb\u00e9m, que j\u00e1 se passaram tanto tempo, e nada ainda foi feito para eternizar esta carta de Jorge Amado. Ilh\u00e9us, que \u00e9 uma cidade voltada para o turismo, n\u00e3o pode deixar escapar esta oportunidade, sen\u00e3o no futuro, seremos cobrados deste lapso de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Rezende<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na carta escrita por Jorge Amado quando recebeu o t\u00edtulo de \u201cCidad\u00e3o Ilheense\u201d, fica claro que apesar de ter nascido em Itabuna, ele afirma que Ilh\u00e9us \u00e9 a Terra da Sua Vida. Leiam na \u00edntegra a sua carta, que infelizmente Ilh\u00e9us ainda n\u00e3o soube aproveit\u00e1-la de uma forma mais brilhante. &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. \u201cA TERRA DA MINHA [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21896"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21896"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21899,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21896\/revisions\/21899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}