{"id":22686,"date":"2011-08-24T00:23:15","date_gmt":"2011-08-24T03:23:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=22686"},"modified":"2011-08-23T21:26:25","modified_gmt":"2011-08-24T00:26:25","slug":"coluna-carlos-brickmann-pele-suspeitissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/08\/24\/coluna-carlos-brickmann-pele-suspeitissimo\/","title":{"rendered":"Coluna Carlos Brickmann \/ Pel\u00e9, suspeit\u00edssimo,"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Carlos-Brickmann.jpg\" class=\"alignleft\" width=\"300\" height=\"96\" \/>Est\u00e1 nos arquivos do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social, o Dops paulista, aqueles arquivos que estavam escondidos numa sala sem identifica\u00e7\u00e3o numa delegacia de Santos: Pel\u00e9 foi investigado pela Pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura.<\/p>\n<p>Nada estranho: aquela Pol\u00edcia, que apreendeu livros sobre Cubismo achando que se referiam a Cuba, tinha mesmo de investigar uma pessoa t\u00e3o esquisita. Pois n\u00e3o \u00e9 que as autoridades foram informadas de que o elemento atirava bem com os dois p\u00e9s e era artilheiro? Esse neg\u00f3cio de civil ser artilheiro \u00e9 irregular. Artilheiro \u00e9 da arma da Artilharia, e o indiv\u00edduo dela n\u00e3o fazia parte. Subversivo, pois. Pior: queria ensinar os brasileiros a votar. Tentava ocupar o lugar das autoridades, que ensinavam o povo a votar no partido do Governo em nome do Brasil Grande. Ou o indigitado repetia o que as autoridades diziam, sendo portanto um simples puxa-saco, ou as contrariava, sendo portanto suspeito de subvers\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia mais coisas graves. Quando o elemento disse que precis\u00e1vamos pensar nas criancinhas, induziu a popula\u00e7\u00e3o, de maneira insidiosa, a acreditar que as patri\u00f3ticas autoridades investidas dos poderes p\u00fablicos, com apoio das For\u00e7as Armadas unidas e coesas, n\u00e3o pensavam nelas o suficiente. Subvers\u00e3o disfar\u00e7ada, mas que as autoridades respons\u00e1veis por nossa seguran\u00e7a souberam captar.<\/p>\n<p>E foi o elemento o respons\u00e1vel pela intromiss\u00e3o estrangeira em nossa na\u00e7\u00e3o. Os franceses o chamavam de <em><strong>Le Roi<\/strong><\/em> &#8211; o rei. Queriam os imperialistas franceses, \u00e0 sorrelfa, mudar nosso regime republicano. Era preciso ou n\u00e3o investigar tudo?<\/p>\n<p><strong><em>O direito dos incomuns<\/em><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O presidente do Senado, Jos\u00e9 Sarney, andou transportando empreiteiros para sua ilha particular no Maranh\u00e3o no helic\u00f3ptero da PM maranhense, por ordem da governadora &#8211; tamb\u00e9m conhecida como sua filha. Ficou bravo com a repercuss\u00e3o, disse que tem direito a transporte, como presidente do Senado. \u00c9 verdade &#8211; mas n\u00e3o num helic\u00f3ptero da Pol\u00edcia, n\u00e3o num momento em que uma pessoa acidentada precisava de transporte at\u00e9 um hospital.<br \/>\nOs ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffman enfrentam problema parecido: usaram avi\u00f5es particulares de uma empreiteira amiga. Caso parecid\u00edssimo com o do governador fluminense S\u00e9rgio Cabral, s\u00f3 o que avi\u00e3o dele era bem mais chique. O ministro Wagner Rossi caiu, entre outros motivos, por esses passeios.<\/p>\n<p>Transgress\u00f5es menores? Sim, s\u00e3o transgress\u00f5es menores, mas s\u00e3o transgress\u00f5es. Se servirem para que o pa\u00eds se livre dos chupins, \u00f3timo. Afinal de contas, Al Capone, ladr\u00e3o, assassino, chefe de quadrilha, caiu por uma transgress\u00e3o menor do que essas, a sonega\u00e7\u00e3o de imposto de renda. E ficou fora de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Cad\u00ea o mo\u00e7o? <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Brilha intensamente a aus\u00eancia, nesses \u00faltimos epis\u00f3dios, do senador brasiliense Gim Argello, do PTB &#8211; que herdou de Joaquim Roriz a cadeira e alguns h\u00e1bitos. Gim sempre foi desinibido, falante, n\u00e3o havia esc\u00e2ndalo em que n\u00e3o fosse citado. Agora, seu sil\u00eancio faz um ru\u00eddo estrondoso.<\/p>\n<p>A <em>Conhecer Consultoria e Marketing<\/em>, uma das empresas citadas nos atuais epis\u00f3dios do Minist\u00e9rio do Turismo (e que tem como s\u00f3cios um frentista de posto de gasolina e um motorista de caminh\u00e3o), \u00e9 a mesma que, em 2010, apareceu no esc\u00e2ndalo que derrubou Gim Argello da relatoria do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Cigarro mais caro<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Demorou mas o Governo finalmente resolveu agir: os impostos sobre os cigarros, t\u00e3o baixos que permitiam que o cigarro brasileiro fosse um dos mais baratos do mundo, sobem 20% em dezembro e 55% at\u00e9 2015. As multinacionais que monopolizam o mercado gozam de uma vantagem exclusiva: a tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 fixa, variando de R$ 0,764 a R$ 1,30 por ma\u00e7o ou caixinha, seja qual for o pre\u00e7o cobrado (nos demais produtos que existem no mercado, o imposto \u00e9 uma porcentagem do pre\u00e7o). A alega\u00e7\u00e3o para este subs\u00eddio aos cigarros \u00e9 o combate ao contrabando.<\/p>\n<p>Bobagem: contrabando \u00e9 caso de pol\u00edcia. E manter o pre\u00e7o baixo (h\u00e1 dois anos n\u00e3o sobe) \u00e9 estimular o consumo de um produto que as pr\u00f3prias fabricantes admitem que traz riscos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong><em>Violam a lei &#8211; e mal! <\/em><\/strong><\/p>\n<p>Jair Krischke, presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, mostra uma nova faceta dos delegados indisciplinados e sem comando que desnecessariamente algemaram presos e se consideraram aptos a dar li\u00e7\u00f5es ao Supremo Tribunal Federal: &#8220;Al\u00e9m de violadores dos direitos dos presos, os policiais s\u00e3o muito incompetentes. A boa t\u00e9cnica determina que os bra\u00e7os dos algemados fiquem para tr\u00e1s, o que n\u00e3o foi feito. Se sup\u00f5em que os presos s\u00e3o t\u00e3o perigosos que precisem de algemas, a inobserv\u00e2ncia dessa cautela p\u00f5e em risco os pr\u00f3prios policiais, que podem ser v\u00edtimas de uma \u2018gravata\u2019 de presos algemados com as m\u00e3os para a frente&#8221;.<\/p>\n<p><strong><em>De volta ao Rei<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Pel\u00e9 deveria estar feliz por ter escapado \u00e0s garras da Pol\u00edcia pol\u00edtica. Como se sabe, seu nome \u00e9 \u00c9dison; portanto, Pel\u00e9 \u00e9 codinome. Seu pai tamb\u00e9m usava codinome &#8211; no caso, Dondinho. Seu irm\u00e3o tamb\u00e9m tem codinome, Zoca. A Pol\u00edcia certamente iria achar que tr\u00eas parentes, todos com codinomes, eram suspeitos.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><a href=\"mailto:carlos@brickmann.com.br\" target=\"_blank\">carlos@brickmann.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.brickmann.com.br\/\" target=\"_blank\">www.brickmann.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 nos arquivos do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social, o Dops paulista, aqueles arquivos que estavam escondidos numa sala sem identifica\u00e7\u00e3o numa delegacia de Santos: Pel\u00e9 foi investigado pela Pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura. 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