{"id":24603,"date":"2011-09-19T22:04:50","date_gmt":"2011-09-20T01:04:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=24603"},"modified":"2011-09-19T22:04:50","modified_gmt":"2011-09-20T01:04:50","slug":"marli-goncalves-em-nossa-primavera-particular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/09\/19\/marli-goncalves-em-nossa-primavera-particular\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: Nossa primavera particular"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\"><em>Adoro. Fica tudo mais bonito, mais colorido e at\u00e9 mais rom\u00e2ntico. Sempre tive a impress\u00e3o de que a primavera era uma esta\u00e7\u00e3o para, como diz um amigo, &#8220;acasalar <\/em><em>muuuitoooo<\/em>&#8221; (ele fala assim, quase como se uivasse).<\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>L\u00e1 vem ela, cheia de gra\u00e7a, menina, a primavera. Traz consigo o trocadilho antigo do como vai sua prima. Traz um frio e calor e frio e calor, mais temperados. Traz o canto dos p\u00e1ssaros bem mais forte, mas insinuante e cheio de piadinhos aflitos dos filhotes nos ninhos. Traz invariavelmente o que todos os anos chamam tend\u00eancia: os florais. Este ano, adianto, o quente da esta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o as estampas <em>&#8220;Liberty&#8221;<\/em>. Ah! O que \u00e9? Esse \u00e9 o nome dos floridos dos tecidos, mas os que sejam mais delicados, com florzinhas, folhinhas, borboletinhas, toda sorte de <em>inhas<\/em>, miniaturas delicadas e que nos d\u00eaem ou tragam um ar pueril, camp\u00f4nio, de boa gente, natural. N\u00e3o precisa morrer de rir, n\u00e3o vou tentar mudar seu estilo s\u00f3 porque a Primavera chegou. Voc\u00ea a recebe como bem entender.<\/p>\n<p>S\u00f3 que primavera \u00e9 palavra usada o ano inteiro e nem sempre por causa s\u00f3 do ciclo da natureza e do tempo, embora n\u00e3o deixe de ser tamb\u00e9m. Primavera \u00e9 sempre renova\u00e7\u00e3o. Seja por aqui, mas ultimamente tem sido muito tamb\u00e9m por l\u00e1, pelo Oriente, pelos ex\u00f3ticos mundos das Ar\u00e1bias, Mil e Uma Noites e ditadores cru\u00e9is. Se oriente, rapaz, n\u00f3s j\u00e1 tivemos muitas primaveras revolucion\u00e1rias e jamais esquecidas. Sempre \u00e9 tempo de fazer mais uma, e vai ser boa se for para melhorar, para continuar vivendo, para continuar comemorando, contando e colhendo outras primaveras, igual aqueles bichinhos do Pac-Man, <strong>nhec, nhec, nhec, <\/strong>comendo pontinhos, desviando os caminhos dos labirintos para n\u00e3o ser engolido.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Sei l\u00e1 se \u00e9 muito tempo que estou sem Sol, nem na laje &#8211; sem viajar, sem parar. Fica dif\u00edcil ser otimista e primaveril no meio de adversidades, principalmente para os que t\u00eam agu\u00e7ado esp\u00edrito cr\u00edtico, mas n\u00e3o custa tentar. Outro dia, meio friozinho, alguns minutos livres, tirei as meias e pus os p\u00e9s, s\u00f3 eles, expostos ao Sol que entrava pela janela. \u00c9 pouco, sei, mas foi o que deu, e a vida \u00e9 feita de coisas que d\u00e3o, no bom sentido, se \u00e9 que me entendem. O que acontece \u00e9 que a gente nunca sabe dar valor na hora para essas mini <em>&#8220;libertys&#8221;<\/em>, iguais \u00e0s estampinhas que est\u00e3o na moda, e acaba perde os seus bons efeitos e pequenas oportunidades. No caso, como tenho expressivos dedos dos p\u00e9s, foi como se eles me agradecessem essa gra\u00e7a, esses instantes de liberdade, fora das grades dos sapatos e meias. As <em>meninas<\/em>, como chamo os meus ded\u00f5es, pareciam cantar e dan\u00e7ar, movimentando-se.<\/p>\n<p>Ok, minha capacidade de imagina\u00e7\u00e3o aproveitou a viagem e a\u00ed eu pensei na praia deserta de meus sonhos, na areia branca e fina, naquela sensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 de descarrego, literalmente, quando pisamos descal\u00e7os na areia, quando mergulhamos na \u00e1gua salgada do mar. Foram minutos importantes, e pensei tamb\u00e9m que poder\u00edamos, em tese, todos, busc\u00e1-los, porque independem de poderes ou recursos. S\u00e3o &#8220;socializados&#8221;, mas s\u00f3 os seres do bem, valor imaterial, podem enfim obt\u00ea-los. Tais Como algumas mitologias onde &#8211; aos her\u00f3is, que t\u00eam um dom e uma meta positiva &#8211; os deuses propiciam sensa\u00e7\u00f5es, vit\u00f3rias e at\u00e9 o renascimento nos caminhos, nos designios. Ser\u00e1 o tal prometido Reino dos Bons?<\/p>\n<p>A primavera, por aqui, tamb\u00e9m nos lembra que mais um ano vai acabar, que aquele cara de vermelho e de barba vai fazer <strong>r\u00f4r\u00f4r\u00f4<\/strong> bem na nossa cara daqui a alguns dias, pedindo que o sigamos em compras e gastos e presentes, fazendo-nos acreditar que esse pa\u00eds est\u00e1 uma belezura. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o Lula esse cara, embora o pr\u00f3prio Papai Noel deva ter se inspirado no esbanjar de considera\u00e7\u00f5es de maravilhas que o ex-presidente agora teima em fazer pelo mundo. Sem renas; s\u00f3 com bons jatinhos, emprestados por pessoas boas, desinteressadas, e que ainda depositam recursos nos saquinhos da boa vontade.<\/p>\n<p><strong>Bem-te-vi, bem-te-vi!<\/strong> Se eu, que moro no meio de um animado centro urbano, consigo ouvir o apelativo som dos passarinhos que buscam atrair parceiras para a festa da primavera, imagino que h\u00e1 nesse mundo muitos que podem ouvir muito mais do que isso, fazer muito mais do que eu consigo. Imagino uma Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos, mas bem-sucedida, ao contr\u00e1rio da descrita por George Orwell. Ali, as boas inten\u00e7\u00f5es acabaram virando o que a sociedade \u00e9 mesmo. A realidade de um emaranhado de animais at\u00e9 mudando mandamentos ao seu bel prazer.<\/p>\n<p>Parem de buzinar tanto, que quero ouvir a natureza! Se querem gritar, usem suas pr\u00f3prias vozes. Se querem fazer algo, fa\u00e7am, aproveitem a renova\u00e7\u00e3o. No sil\u00eancio dos sons da natureza, quem sabe, melhor do que primavera, fim de ano, voc\u00ea n\u00e3o vislumbre um carnaval? Acho que quando comp\u00f4s <strong>O Carnaval dos Animais<\/strong>, em umas f\u00e9rias de 1886, Saint-Sa\u00ebns fez exatamente isso.<\/p>\n<p>E passou para a eternidade.<br \/>\n<center><strong> S\u00e3o Paulo, dif\u00edcil se isolar, Primavera 2011, efeitos especiais <\/strong><\/center><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><em><span style=\"text-decoration: underline;\">(*) Marli Gon\u00e7alves \u00e9 jornalista<\/span><\/em><\/strong>. <strong> J\u00e1 gostava da Primavera, mas gosta mais ainda depois do dia em que fez as contas e descobriu que foi feita em uma dessas noites t\u00e3o especiais da esta\u00e7\u00e3o. Quando nascem as pimposas <em>Amaryllis<\/em>, que quase lembram meu nome. <\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adoro. Fica tudo mais bonito, mais colorido e at\u00e9 mais rom\u00e2ntico. 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