{"id":25348,"date":"2011-10-01T14:31:07","date_gmt":"2011-10-01T17:31:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=25348"},"modified":"2011-10-01T14:31:07","modified_gmt":"2011-10-01T17:31:07","slug":"meningite-transmitida-por-caramujo-ataca-o-sistema-nervoso-e-nao-tem-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/10\/01\/meningite-transmitida-por-caramujo-ataca-o-sistema-nervoso-e-nao-tem-tratamento\/","title":{"rendered":"Meningite transmitida por caramujo ataca o sistema nervoso e n\u00e3o tem tratamento"},"content":{"rendered":"<h3>Animais podem transmitir uma larva que no organismo humano desenvolve meningite<\/h3>\n<p>Ele veio da \u00c1frica e hoje est\u00e1 disseminado em todo o Brasil. O molusco Achatina fulica, mais popularmente chamado de caramujo ou caracol africano, \u00e9 considerado por especialistas uma praga perigosa e est\u00e1 tirando o sono dos moradores de Tancredo Neves.\u00a0 \u201cSe a presen\u00e7a deles j\u00e1 n\u00e3o agradava, saber ent\u00e3o que eles s\u00e3o transmissores de meningite nos assusta mais ainda\u201d, diz a cabeleireira Evanilde Barbosa.<\/p>\n<p>Os moradores s\u00f3 se deram conta de que est\u00e3o expostos ao problema ontem, quando o CORREIO divulgou a not\u00edcia de que os pequenos animais encontrados em grande n\u00famero no Condom\u00ednio Arvoredo podem transmitir uma larva que no organismo humano desenvolve meningite. Era no condom\u00ednio Arvoredo que morava a estudante Lindiane de Souza S\u00e1 Teles, 27 anos, morta na segunda-feira de meningite C. O conjunto tem 2 mil moradores.<\/p>\n<div id=\"attachment_25349\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caramujos-correio-da-bahia.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-25349\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25349\" title=\"caramujos correio da bahia\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caramujos-correio-da-bahia.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caramujos-correio-da-bahia.jpg 450w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caramujos-correio-da-bahia-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-25349\" class=\"wp-caption-text\">Caramujos africanos transmitem meningite letal e se proliferam facilmente em Salvador<\/p><\/div>\n<p>Especialistas explicam que, provavelmente, o caramujo n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com a morte da estudante, pois a meningite transmitida pelo animal n\u00e3o \u00e9 a do tipo C, mas que a doen\u00e7a que o molusco pode provocar \u00e9 ainda mais preocupante.<\/p>\n<p>\u201cAlguns casos foram identificados em S\u00e3o Paulo e j\u00e1 se sabe que esse tipo de meningite \u00e9 ainda mais grave que a meningite C, porque ela ataca o sistema nervoso e n\u00e3o tem tratamento\u201d, explica o neurologista Antonio Andrade.<\/p>\n<p>O infectologista Ant\u00f4nio Bandeira ressalta que ainda que em Salvador nenhum caso proveniente do molusco tenha sido registrado, os \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade devem ficar atentos. \u201c\u00c9 preciso analisar esses animais. Eles devem ser eliminados do conv\u00edvio com humanos\u201d, alerta.<\/p>\n<p><strong>Origem <\/strong><\/p>\n<p><strong><!--more--><br \/>\n<\/strong>Mas, como os caramujos chegaram ao Brasil? \u201cNa d\u00e9cada de 80, aproximadamente, os criadores de moluscos queriam substituir o escargot (animal muito valorizado na culin\u00e1ria), que n\u00e3o se adaptou ao clima tropical. Os caramujos africanos s\u00e3o maiores, mais baratos e se reproduzem rapidamente, por isso foram importados\u201d, explica Bandeira. \u201cPor\u00e9m, eles n\u00e3o foram bem aceitos pelo paladar brasileiro\u201d, conta.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o agradaram, o jeito foi solt\u00e1-los. \u201cComo eles se adaptam bem ao clima \u00famido, terra e sol, come\u00e7aram a se reproduzir desenfreadamente. E n\u00e3o h\u00e1 predadores naturais. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 nada que os impe\u00e7a de se multiplicar\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Exterm\u00ednio<br \/>\n<\/strong>Os moradores do Condom\u00ednio Arvoredo, mesmo sem saber o risco que corriam, acertaram na maneira de extermin\u00e1-los. \u201cAqui, a gente joga sal neles\u201d, relata o morador Jorge Paulo.<\/p>\n<p>A chefe do setor de informa\u00e7\u00e3o do Centro de Controle de Zoonoses, Ana Galv\u00e3o, diz que a atitude \u00e9 adequada. Mas, para a chefe do Departamento de Zoologia da Ufba, Marlene Peso, o ideal \u00e9 esmag\u00e1-los. \u201cEles s\u00e3o resistentes. Dependendo do tamanho deles, pode ser necess\u00e1rio muito sal e um longo tempo para mat\u00e1-los. A pessoa pode queimar ou at\u00e9 passar por cima dele com ve\u00edculos ou objetos pesados para quebrar a casca\u201d.<\/p>\n<p>A professora alerta, por\u00e9m, que ser\u00e1 dif\u00edcil eliminar o caramujo de Salvador. \u201cN\u00e3o h\u00e1 como saber onde h\u00e1 ovos. Por isso, sempre nascer\u00e3o mais\u201d.<\/p>\n<p><strong>Identifica\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Especialistas ressaltam que h\u00e1 tamb\u00e9m caramujos inofensivos. \u201cEles s\u00e3o mais escuros e geralmente reduzem pragas em lavouras. Podem ser encontrados em jardins tamb\u00e9m e n\u00e3o transmitem doen\u00e7a. Na d\u00favida, \u00e9 melhor jamais manuse\u00e1-los\u201d, explica Marlene. Ana Galv\u00e3o diz que os caramujos africanos podem ser identificados facilmente. \u201cEles s\u00e3o marrons, t\u00eam listras brancas e concha mais pontiaguda\u201d.<\/p>\n<p><strong>Zoonose vai analisar caramujos<br \/>\n<\/strong>O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foi ao Condom\u00ednio Arvoredo, em Tancredo Neves, ontem para esclarecer a popula\u00e7\u00e3o sobre os perigos do contato com o\u00a0 caramujo africano.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a de\u00a0 agentes da vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica da Secretaria Municipal de Sa\u00fade (SMS). \u201cN\u00e3o sab\u00edamos que o caramujo pode passar outra forma de meningite. H\u00e1 muitas crian\u00e7as aqui que podem acabar mexendo neles e isso \u00e9 um perigo\u201d, diz o morador Jorge Paulo. Ele ressalta ainda que todos os 45 pr\u00e9dios do condom\u00ednio t\u00eam moluscos no jardim. \u201cEm todos os edif\u00edcios h\u00e1 \u00e1rea verde, o que facilita a vida deles. Em per\u00edodo chuvoso eles aparecem aos montes, mas n\u00e3o conseguimos matar muitos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSolicitamos esse encontro porque todos os moradores est\u00e3o apavorados. Eles querem saber se precisam tomar vacina contra meningite C ou fazer uso dos antibi\u00f3ticos\u201d, afirma o presidente da associa\u00e7\u00e3o de moradores, Raimundo Braga.<\/p>\n<p>Tr\u00eas funcion\u00e1rios do CCZ\u00a0 coletaram caramujos de dois edif\u00edcios do condom\u00ednio. Eles ser\u00e3o analisados pela Fiocruz, mas n\u00e3o h\u00e1 prazo para divulga\u00e7\u00e3o dos resultados. \u201cEsses caramujos est\u00e3o presentes em todos os distritos de Salvador. Estamos fazendo o procedimento que j\u00e1 fizemos em outras \u00e1reas como Campo Grande e Brotas para verificar se est\u00e3o contaminados. At\u00e9 hoje n\u00e3o encontramos contaminados na capital\u201d, afirma a chefe do setor de informa\u00e7\u00e3o do CCZ, Ana Galv\u00e3o.<\/p>\n<p>Por causa da infesta\u00e7\u00e3o do molusco, alguns s\u00edndicos chegaram a substituir as terras dos canteiros dos edif\u00edcios por pedras. \u201cEm \u00e9poca de chuva chegamos a tirar sacos de caramujos daqui. Por isso colocamos essas pedras, mas ainda assim, aparecem alguns\u201d, contou a bi\u00f3loga Ane Aparecida. \u201cE diante da situa\u00e7\u00e3o, com certeza nossa preocupa\u00e7\u00e3o dobrou. Aqui temos muitas crian\u00e7as que costumam brincar descal\u00e7as nesses espa\u00e7os\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>O Caramujo Africano<\/strong><\/p>\n<p><strong>Origem no Brasil:<\/strong> Entre a d\u00e9cada de 80 e 90, os caramujos africanos foram trazidos ao pa\u00eds para substituir comercialmente o escargot, que no clima tropical n\u00e3o consegue se reproduzir. Por\u00e9m, os caramujos africanos n\u00e3o foram bem aceitos pelo paladar brasileiro e os criadores resolveram solt\u00e1-los na natureza. Bem adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no Brasil e sem predador natural, esses caramujos se reproduzem livremente e transformaram-se em pragas.<\/p>\n<p><strong>Como identificar:<\/strong> Eles s\u00e3o marrons com listras brancas e a concha \u00e9 pontiaguda. Esses caramujos crescem bastante e os adultos chegam a pesar at\u00e9 300 gramas.<\/p>\n<p><strong>Como matar:<\/strong> Basta jogar bastante sal neles, para que morram de desidrata\u00e7\u00e3o, ou simplesmente esmag\u00e1-los. Ap\u00f3s matar um caramujo, \u00e9 necess\u00e1rio quebrar a casca ou concha pois ela pode armazenar \u00e1gua e transformar-se em dep\u00f3sito para reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito da dengue. O caramujo deve ser manuseado com aux\u00edlio de luvas, sacos pl\u00e1sticos ou pin\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Sintomas da doen\u00e7a:<\/strong> Dor de cabe\u00e7a, tontura, confus\u00e3o mental, rigidez da nuca e hipertens\u00e3o craniana. A doen\u00e7a atinge o sistema nervoso. A v\u00edtima entra em coma e posteriormente morre. N\u00e3o h\u00e1 tratamento.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><strong>Florence Perez | Reda\u00e7\u00e3o CORREIO<br \/>\n<\/strong><a href=\"mailto:florence.perez@redebahia.com.br\"><strong>florence.perez@redebahia.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p>http:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticias\/detalhes\/detalhes-1\/artigo\/meningite-transmitida-por-caramujo-ataca-o-sistema-nervoso-e-nao-tem-tratamento\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Animais podem transmitir uma larva que no organismo humano desenvolve meningite Ele veio da \u00c1frica e hoje est\u00e1 disseminado em todo o Brasil. 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